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segunda-feira, 25 de junho de 2007

76.ª Página Caldense

O POÇO QUE RI
Rafael Bordalo Pinheiro e o seu Tempo
Joaquim Leitão

[...]

"A Avenida era uma sala de visitas ao ar livre, sem liberdades. Basta dizer-se, e digo-o sob palavra de honra: nesse tempo as senhoras andavam vestidas.

Tanto que os sexagenários, de luva de cavalo, a fumar pela boquilha de âmbar, chapéu lato e reluzente, calça a desenhar-lhes as pernas de cavaleiros, postavam-se ã beira dos passeios, para ver entrar nas carruagens as senhoras que se haviam apeado, a dar uma volta a pé. Era a cupida esperança de que, ao pousar o pezinho no estribo da carruagem, a dama subisse um pouco mais a saia, que pousava na biqueira da bota, e entremostrasse a canela!

Candurosos tempos, candurosos e lentos que davam tempo a que o lisboeta perdesse duas horas, na esperança de ver um osso!
[...]
Ali se encontrava toda agente e se ouviam as grandes novas da politica ou os escândalos que hoje dariam enfadonhos casos de acanhada castidade. Dali se conheciam todos de vista e de nome, pelo menos.

Foi esta sociedade e esta época a última que Bordalo comentou, criticou, satirizou, celebrizou na Paródia.

Não se faz ideia da retumbância desse último semanário de Bordalo! Anos e anos calado, exilado nas caldas, remetido ao seu silêncio de oleiro, quando reapareceu uma aclamação o recebeu." [Páginas 42 e 43]

"RBP, retrato pelo notável pintor inglês John Sargent, na sua visita a Alcobaça, em Junho de 1903"

[Sem identificação de Editor. Composto e Impresso nas Oficinas Gráficas dos Serviços Industriais da Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa XXXVI (?) Dimensões: 12,70 x 19,30. 68 páginas numeradas + capas.]

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