CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



terça-feira, 25 de agosto de 2009

392-ª Página Caldense

As Amantes de D. João V
Alberto Pimentel

"Graças a estas melhoras, os médicos resolveram que D. João V devia ir completar o tratamento nas termas das Caldas da Rainha.
[…]
Antes de o Rei partir, mandou-se consertar as estradas e construir palácios de madeira, ao longo delas, para alojamento da corte.

Feito isto, o Cardeal da Cunha foi benzer o caminho por onde o Rei havia de transitar.

Dom João V saiu para as Caldas no dia 9 de Julho. A rainha partiu no dia 11, logo diremos porquê. O infante D. Francisco partiu nesse mesmo dia.
[…]
Pelo caminho, os priores de São Nicolau e São Miguel foram espalhando doze mil cruzados em esmolas de cento e vinte, cem e sessenta réis.
[…]
Logo que entrou nas Caldas, também orou à imagem da Senhora do Pópulo, que estava à porta do hospital.

El-Rei hospedou-se em casa de António de Lima, contígua à do desembargador João de Proença, onde a rainha se aposentou: entre os dois prédios estabeleceu-se um passadiço.

O infante D. Francisco domiciliou-se na quinta de Bernardo Freire, junto ao convento das Gaeiras, onde, dentro de dez dias, faleceu.

Os filhos naturais de D. João V poisaram próximo de Alfeizerão, em casa de Silvério da Silva.

Os frades de Alcobaça, logo que o Rei chegou às Caldas, enviaram-lhe 69 vitelas, 194 presuntos, 182 queijos, 210 perus, 692 galinhas, 12 cargas de fruta, 36 paios, 333 caixas com doce. Que bernadíssima comezaina!

O Rei repartiu o presente por toda a família, pela corte, pelos frades das Gaeiras, aos quais mandou dar também duzentos mil réis, e como o guardião lhe fosse agradecer a dádiva, esmolou-lhe mais duzentos mil réis.
[…]
Foram arrancadas a um interessante manuscrito, que existe na contadoria do hospital das Caldas da Rainha, Livro da Fundação Deste Real Hospital, composto pelo padre mestre Jorge de S. Paulo, as páginas referentes à primeira viagem que D. João V fizera àquela estação termal, e que continham os nomes das principais pessoas que acompanharam Suas Majestades, bem como a designação das casas em que assistiram. Priva-nos aquela mutilação do prazer de podermos agora informar mais detidamente o leitor.

O que porém se sabe, porque o diz Frei Claúdio da Conceição, é que D. João V regressou a Lisboa no dia 16 de Agosto, saindo das Caldas pelas quatro horas da manhã, vindo embarcar em Vila Nova da Rainha. Chegou na Lisboa às seis horas da tarde com algumas melhoras. Antes de sair das Caldas, o magnânimo Soberano, despejou ondas de oiro nos cofres das igrejas e conventos circunvizinhos. Aos enfermeiros que o metiam no banho agraciou com o Hábito da (sic) Cristo, tenças, e cem peças de 6$400 réis a cada um. Aos médicos de Coimbra e das Caldas, quer lhe assistiram, condecorou também, estipulou tenças, e mandou entregar grandes ajudas de custo. A António de Lima, que o hospedou, concedeu, além do Hábito, uma tença de 80 mil réis; e ao desembargador João Proença, que hospedara a Rainha, aposentou-o na Relação do Porto como ordenado por inteiro.

Muito caro ficou ao erário a Petronilla… e as outras!

O povo delirava de alegria por ver que os banhos das Caldas tinham avigorado um pouco o cansado organismo do Monarca.

A academia dos Escolhidos, presidida por Monterroio Mascaranhas, discutiu três problemas transcendentes em honra do restabelecimento do Soberano: 1.º Se foi tão grande a moléstia de Sua Majestade como a afectuosa piedade dos seus vassalos. 2.º Se na doença de Sua Majestade mostraram mais fineza nas suas rogativas os habitantes da corte ou os de fora de Lisboa. 3.º Se foi no Reino tão grande o sentimento na queixa de Sua Majestade como o gosto na sua melhora.

Que genial cabeça era preciso ter para atingir a resolução de tão graves problemas!” [Páginas 191 a 195]

[Alberto Pimentel. As Amantes de D. João V. Bonecos Rebendes. 3.ª Edição Fevereireiro de 2009. (1.ª Edição, 1892) ISBN 978-989-8137-29-6]

sábado, 22 de agosto de 2009

391.ª Página Caldense

Quando o grande migalheiro (sic) se rachar, se partir, para onde correrá a massa?
O António Maria, 23 de Julho de 1891, página 167
Rafael Bordalo Pinheiro

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

390.ª Página Caldense

O UNIVERSO DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO
da Caricatura à Cerâmica
Bilha de Santo António / 1895
Rafael Bordalo Pinheiro
Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça
[Página 98]
Prato com Ramo em Flor e Pintassilgos / 1898
Marca: Fábrica de Faianças Artísticas Rafael Bordalo Pinheiro
Colecção Berardo
[Página 89]


[O Universo de Rafael Bordalo Pinheiro, da Caricatura à Cerâmica, Museu do Douro / Colecção Berardo. Coordenação Geral. Fernando Seara / Márcia Barros. 2009]

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

389.ª Página Caldense


"A época nas Caldas da Rainha
Um pic-nic e burricada ao conventinho

No plano principal: D. Luiza Machado, D. Emilia de Brederode Smith, D. Marianna e D. Maria da Graça Reynolds, Henrique Reynolds, Ruy de Siqueira (S. Martinho), Luiz Perdigão (Ervideira) e Francisco de Aboim Caldeira."

Fotografia não datada, facultada pelo Sr. Oliveira (Móveis Oliveira), a quem agradeço a gentileza.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

388.ª Página Caldense

REVISTA DE HISTÓRIA DE ARTE


"O ZÉ POVINHO DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO:
Uma iconologia de ambivalência
[...]
A figura do Zé Povinho, sobretudo na sua relativa tardia versão cerâmica, é uma das mais populares da arte portuguesa fino-oitocentista. Até aos anos de 1970, pelo menos, era frequente vê-la em prateleiras de tabernas e pequenos comércios de vilas, aldeias e lugares de todo o território nacional. Em corpo inteiro ou, mais vulgarmente, em rotundo busto, que podia enformar canecas e caixas decorativas, esse Zé Povinho errático e familiar consubstanciava uma espécie de benévola transgressão, quase sempre ligada ao manguito obsceno e à proclamação retórica do logista ou taberneiro sobre a sua clientela, inscrita no próprio objecto: «Queres fiado...toma!». " [Pág. 239]

Raquel Henriques da Silva


[Raquel Henriques da Silva. Capítulo: O Zé Povinho de Rafael Bordalo Pinheiro: Uma iconologia de ambivalência. Revista de História da Arte. N.º 3. 2007. Instituto de Historia da Arte - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Edições Colibri.]

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

387.ª Página Caldense


FIGURAS DE HONTEM E DE HOJE
Júlio Dantas

"Nos longos serões da patriarcais da família Bordalo, serões em que, sob a presidência do grande velho, probo e admirável mestre que o duque de Palmela, comissionara em Madrid para estudar a obra de Velásquez, todos os filhos se reuniam desenhando em volta da mesa até à hora do chá, aquele para quem se inclinava a predilecção paterna, o mais indisciplinado e o mais vivo, o mais tumultuoso e o mais brilhante, era precisamente o moço Rafael.

Incapaz de toda e qualquer disciplina mental, cheio de generosidades e de entusiasmos, impersistente e extremamente impressionável, com uma tendência manifesta para surpreender o lado inédito e pitoresco das coisas, as atenções do pai Bordalo voltam-se de preferência para ele, na esperança de conseguir orientar e dominar aquele espírito insubmisso e vertiginoso onde fulgurava um verdadeiro talento.
[…]
Só Rafael continuava sem destino na vida, cheio de horror aos livros, agarrado à caixa da aguarela, passeando pelas ruas a sua elegância pernalta de um lindo rapaz."[Pág. 199]

Júlio Dantas

[Figuras de Hontem e de Hoje. Júlio Dantas. Portugal Brasil Editora, Companhia Editora, Lisboa. 3.ª Edição, s/d ]