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sexta-feira, 15 de junho de 2007

63.ª Página Caldense

FORA DA TERRA
JÚLIO CÉSAR MACHADO e PINHEIRO CHAGAS

Caldas da Rainha * Festas da Nazaré * Leiria e Marinha Grande * Cintra * Bussaco * Bom Sucesso * Paço d''Arcos * Espinho
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A história da vila e dos banhos - O charco da Copa e a rainha D. Leonor - A paralisia de D. João V - A água no século XIX - Um dia nas Caldas - O mercado - O estabelecimento - A alameda - A mata - A noite no club - Portugueses e espanhóis, o cotillon e o sr. Costa Pinto - Fala-se em Páris e no snr. Viale a propósito de várias cousas. [Pág. 1 a 13]

"Já que um jornalista não pode viajar como um simples mortal, e tem de dizer aos seus leitores habituais, o que viu e o que vê, arrancar-me-ei ao doce fare niente que tenho estado desfrutando e contarei aos meus leitores o modo como se vive n'esta bonita vila das Caldas da Rainha, onde estou residindo há mais de quinze dias.

A história das Caldas da Rainha [...]

Ah! se estas localidades servissem unicamente para o fim a que destinam, que aborrecido aspecto teriam! Não haveria nas Caldas senão coxos arrastando-se penosamente, e uma turba de gente pálida tomando melancolicamente as águas sulfúreas. Assim pelo contrário o aspecto é risonho e alegre.

Desperta um banhista pela manhã, atravessa a praça onde se acumulam ao domingo inúmeros camponeses que trazem a óptima fruta dos coutos de Alcobaça, e que, encostados aos seus longos varapaus, conversam uns com os outros n'aquele tom de voz arrastado e lento, peculiar das populações ao sul do Mondego.[...]

Descendo-se por uma rua mal calçada, vai-se ter ao excelente estabelecimento de banhos, edifício elegante e simples, construído pelo hábil arquitecto Manuel da Maia, segundo diz o snr. Pinho Leal no seu noticiosissimo Portugal Antigo e Moderno.

Uns tomam as águas, outros tomam os banhos ou na vasta piscina, onde borbulha a água azulada da nascente sulfurea, ou nas tinas de mármore dos quartos particulares.[...]

Almoça-se, e depois é de rigor um passeio à alameda da Copa, que fica defronte do hospital. O seu aspecto exterior é delicioso. O arco alto, que tem o seu talento ou quanto de monumental, que lhe serve de entrada, enche-se completamente com a folhagem dos arvoredos, como se enche de azul celeste, no dizer poético de Victor Hugo, a curva dourada pelo poente do arco da Estrela em Paris. [...]

Ai teem os leitores um breve resumo da vida das Caldas da Rainha em pleno mês de Agosto. [...]

[Livraria Internacional de Ernesto Chardron (Porto) / Eugénio Chardron (Braga). Data de Edição 1878. 223 páginas numeradas + capas + páginas V a LII de prefácio assinado por Júlio César Machado. Dimensão: 11,00 x 17,50 cms (exemplar aparado?); possuo outra edição com as mesmas características mas com a seguinte dimensão: 12,30 x 18,80 cms.]

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