CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



domingo, 17 de junho de 2007

64.ª Página Caldense

ILUSTRAÇÃO MODERNA

1.º ANO - PORTO - DEZEMBRO DE 1926 - NÚMERO 8

____________________

RAFAEL BORDALO PINHEIRO
A VILA DAS CALDAS DA RAINHA VAI HOMENAGEAR O GRANDE ARTISTA

"A Louça das Caldas é conhecida em todo o país, e lamentável será que porventura o não seja também no estrangeiro. Raras vezes, na verdade, e em qualquer outra parte do mundo, o génio do homem conseguiu arrancar a simples moldagem do barro tão surpreendentes formas, tão peregrinas materializações de Arte e de Beleza.

Rafael Bordalo Pinheiro não brilhou apenas pela cintilância, nervosismo e vivacidade do seu prodigioso lápis, demolindo nulidades emproadas, flagelando vaidades estultas, desarticulando bonecos de barro humano antes de modelar as suas deliciosas figuras de faiança, castigando, enfim, os costumes com riso e com humor; foi também um decorador opulento de tons e de fantasia, e fundou, junto do belo parque das Caldas da Rainha, a fábrica de louça a que ele mesmo deu vida e renome, criando um tipo de cerâmica regional que se pode considerar a mais original, variada e interessante das cerâmicas portuguesas.

Justamente, pois, a vila das Caldas da Rainha, continuado brilhante da obra do Mestre - e já berço de artistas desde a sua fundação pela simpática e bondosa rainha D. Leonor de Lencastre - vai levantar em Janeiro próximo, por esforços da comissão de Iniciativa local, um monumento ao artista que é uma das maiores glórias da nossa terra.

O grande escultor Teixeira Lopes modelou admiravelmente o busto de Rafael, o qual assentará num pedestal delineado por outro ilustre artista, o professor José Luís Monteiro, tendo sido o bronze fundido pela Empresa Artística "Teixeira Lopes", de Vila Nova de Gaia. E assim, ao mesmo tempo que paga uma dívida de gratidão, a vila das Caldas da Rainha poderá orgulhar-se de oferecer à curiosidade dos visitantes uma genuína obra de arte, bem digna do vulto notável cuja memória pretende perpetuar, e não perpetuada se encontra já em trabalhos encantadores, como essa maravilhosa e delicadíssima jarra manuelina, que hoje se admira no Museu do Campo Grande, em Lisboa."

[Pág 179 - artigo não assinado]

[Ilustração Portuguesa, publicação mensal. Editor - Director Marques Abreu. Imprensa das Oficinas de Fotografia de Marques Abreu, Avenida Rodrigues de Freitas, 310, Porto. Capa: cliché fotográfico de Camilo José de Macedo : Rafael Bordalo Pinheiro - Escultura de Teixeira Lopes.]

Sem comentários: