Partilhando leituras

Livros sobre Caldas da Rainha, Rainha D. Leonor, Bordalo Pinheiro, caricaturas,

cerâmicas, gatos e algo mais...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Top Livros Natalício

Após o jantar natalício e a habitual distribuição das prendas (modestas como requer a situação) apreciam-se as mesmas.
E como não pode deixar de ser os livros ocupam um lugar de destaque, tanto para os mais novos como para os mais velhos.
No dia seguinte na companhia dum cafezinho, pós pequeno-almoço, uma vista de olhos pelos jornais comprados na véspera e ainda não lidos.

E eis que encontro o Top de Vendas da Semana dos Livros, no jornal i (edição do dia 24 de Dezembro), referente a três cadeiras de livrarias:
- Fnac
- Bertrand
- Bulhosa
Curiosamente nenhum dos livros ofertados na minha Noite de Natal consta destas listas.

Peguei na “Actual” do Expresso (edição datada de 23 de Dezembro) e li a rubrica “Os mais Vendidos” da responsabilidade da GFK Marketing Services, que abrange um universo mais vasto, incluindo hiper e supermercados.

Também desta lista não consta nenhum dos livros ofertados na consoada do dia anterior.

Proponho-me fazer um pequeno exercício de comparação entre os dados apresentados pelos diferentes jornais, tendo em atenção que sendo da mesma data (com um dia de diferença) o período da recolha dos elementos apresentados não deve variar muito.

Os livros são apresentados em duas categorias, a saber: Ficção e Não Ficção.

Propus-me analisar um desses Tops - o da Ficção - e se algo me suscitasse um comentário apontá-lo logo de seguida.

O título – O Ultimo Segredo, José Rodrigues dos Santos
– Ocupa o 1.º lugar no top da Fnac
– Ocupa o 1.º lugar no top da Bertrand
- Ocupa o 3.º Lugar no top da Bulhosa
– Ocupa o 1.º lugar no top da GFK Marketing

Não surpreende a posição destacada ocupada pelo Último Segredo; é habitual qualquer título deste autor ocupar sempre os lugares cimeiros dos tops, porque é sabido que se podemos contar com o Pai Natal no dia 24 de Dezembro, é também certo que com ele virá um novo título do José Rodrigues dos Santos,

O título – Dei-te o Melhor de Mim, Nicholas Sparks
- Ocupa o 2.o lugar no Top da Fnac
- Ocupa o 2.º lugar no Top da Bertrand
- Não conta do Top da Bulhosa
- Ocupa o 2.º lugar no Top da GFK Marketing

Um autor de manifesta preferência do público feminino, sem relevo de venda numa cadeia de livrarias localizadas nas principais cidades? No mínimo, estranho…

O Título – Minha Querida Inês, Margarida Rebelo Pinto
- Ocupa o 3.º lugar no Top da Fnac
- Ocupa o 3.º lugar no Top da Bertrand
- Ocupa o 6.º lugar no Top da Bulhosa
- Ocupa o 3.º lugar no Top da GFK Marketing

Quanto à Minha Querida Inês, nada a anotar. Um título dos chamados romances históricos, desta autora e nesta época, é sucesso garantido.

O Título – O Caderno de Maya, Isabel Allende
- Ocupa o 4.º lugar no Top da Fnac
- Ocupa o 4.º lugar no Top da Bertrand
- Ocupa o 1.º lugar no Top da Bulhosa
- Ocupa o 4.º lugar no Top da GFK Marketing

Talvez esteja aqui a explicação para o insucesso de venda do título de Sparks na Bulhosa; O Caderno de Maya, uma autora de pleno agrado do público feminino e com fiéis leitoras, ocupa nesta livrarias o 1.º lugar de vendas enquanto que nos outros Tops desce para 4.º lugar.

O título – Abraço, José Luis Peixoto
- Ocupa o 5.º lugar no Top da Fnac
- Não conta no Top da Bertrand
- Ocupa o 5.ª lugar o Top da Bulhosa
- Não consta no Top da GFK Marketing

O Abraço de Luis Peixoto, não se faz sentir nos tops da Bertrand e da GFK Marketing. Nem o facto de ser publicado por uma das editoras do Universo da Bertrand, o catapultou para lugares cimeiros…

O título: Herança, Christopher Paolini
- Ocupa o 6.º lugar no Top da Fnac
- Ocupa o 5.º lugar no Top da Bertrand
- Não consta no Top da Bulhosa
- Ocupa o 5.º lugar no Top da GFK Marketing

Outro facto estranho: A Herança, um género tanto do agrado de uma juventude crente em seres mitológicos capazes de façanhas espantosas, sem clientes numa das principais cadeias de livrarias, quando nas outras cadeias ocupa lugares muito semelhantes?

O título: 1Q84, Haruki Murakami
- Ocupa o 7.º lugar no Top da Fnac
- Não conta no Top da Bertrand
- Ocupa o 7.º lugar no Top da Bulhosa
- Não consta no Top da GFK Marketing

O fantástico Murakami sem clientes na Bertrand e no universo estudado pela GFK Marketing? Será um livro que não tem clientes em super e hipermercados? Sendo um autor que tem leitores e apaixonados, talvez não dispense o acompanhamento do livreiro.

O Título: Clarabóia, José Saramago
- Ocupa o 8.º lugar no Top da Fnac
- Ocupa o 9.º lugar no Top da Bertrand
- Ocupa o 10.º lugar no Top da Bulhosa
- Ocupa o 9.º lugar no Top da GFK Marketing

- José Saramago tem sempre os seus leitores/clientes fiéis, mesmo para um título recusado editar pelo autor.

O Título: Marquesa de Alorna, Maria José Lopo de Carvalho
- Ocupa o 9.º Lugar no Topo da Fnac
- Não consta no Top da Bertrand
- Ocupa o 3.º lugar no Top da Bulhosa
- Ocupa o 8.º lugar no Top da GFK Marketing

- Estranho a Marquesa não constar do Top da Bertrand. Terá ela fugido para as compras no Chiado?

O Título: O Sentido do Fim, Julian Barnes
- Ocupa o 10.º lugar no Top da Fnac
- Ocupa o 6.º lugar no Top da Bertrand
- Não consta no Top da Bulhosa
- Não Consta no Top da GFK Marketing

- Outro título ausente no Top da Bulhosa e da GFK Marketing, e em lugar de destaque na Bertrand; será que esta visibilidade é devida ao facto de ser um título publicado por uma editora do seu universo?

O Título: O Terceiro Gémeo, Ken Follet
- Não consta no Top da Fnac
- Ocupa o 7.º lugar no Top da Bertrand
- Ocupa o 8.º lugar no Top da Bulhosa
- Não Consta no Top da GFK Marketing

- O Terceiro Gémeo, edição Bertrand, a meio da tabela na Bertrand e na Bulhosa; ausência total na Fnac e na GFK Marketing.

O Título: O Caso Rembrand, Daniel Silva
- Não Consta no Top da Fnac
- Ocupa o 8.º lugar no Top da Bertrand
- Não consta no Top da Bulhosa
- Não consta no Top da GFK Marketing

- Como é que este título de Daniel Silva, tão ao gosto dos leitores dos mistérios de espionagem e acção, só consta do Top da cadeia de Livrarias Bertrand, ligada à editora do livro, e prima pela ausência nos outros Tops?

- O Título: Amigas para Sempre, Fátima Lopes
- Não consta no Top da Fnac
- Ocupa o 10º lugar no Top da Bertrand
- Não consta no Top da Bulhosa
- Ocupa o 7.º lugar no Top da GFK Marketing

- Outro título que consta em dois Tops, em posições mais ou menos igualitárias, e totalmente ausente nos outros.

O Título: Contos Completos 1947 / 1992, Gabriel Garcia Marques
- Não Consta no Top da Fnac
- Não consta no Top da Bertrand
- Ocupa o 9.º lugar no Top da Bulhosa
- Não consta no Top da GFK Marketing

- O posicionamento deste título é surpreendente; o mundo mágico de Garcia Marques só conquista clientes na Bulhosa?

- O Título: Diário de um Banana 5 – Jeff Kinney
- Não Consta no Top da Fnac
- Não consta no Top da Bertrand
- Não Consta no Top da Bulhosa
- Ocupa o 6.º lugar no Top da GKF Marketing

- Este título tão do agrado dos mais jovens, ocupa o sexto lugar no Top da GFK Marketing. Será que as compras efectuadas na Fnac, na Bertrand e na Bulhosa são feitas pelos pais e que nos hiper e supermercados, estes vão acompanhados pelos filhos, que têm algo a dizer quanto às suas preferências?

- O Título: As Gémeas – Catarina no Colégio de Santa Clara – Enid Blyton
- Não Consta no Top da Fnac
- Não consta no Top da Bertrand
- Não Consta no Top da Bulhosa
- Ocupa o 10.º lugar no Top da GKF Marketing



- As Gémeas, um caso em tudo semelhante ao Banana.

Ocuparam os Tops 16 diferentes títulos, sendo 6 de Autores Portugueses e os 10 restantes, traduções.

As Editoras que colocam livros nos tops são 13, a saber:

Gradiva – 1 título
Presença – 1 título
Clube do Autor – 1 título
Porto Editora – 1 título
Quetzal – 2 títulos
Asa – 1 título
Casa das Letras – 1 título
Caminho – 1 título
Oficina do Livro – 2 títulos
Bertrand – 2 títulos
Esfera dos Livros – 1 título
Dom Quixote – 1 título
Booksmile – 1 título

Da totalidade dos títulos considerados, só 2 títulos podem ser considerados dentro da esfera da literatura infanto/juvenil e nenhum deles encontrou lugar nos tops das cadeias de Livrarias.

Depois deste exercício de quem não tem mais nada para fazer, a impressão inicial que tinha, mantém-se; nos Tops acredita quem quer.
A quantas unidades de venda corresponde um 3.º lugar na Fnac?
A quantas unidades de venda corresponde um 5.º lugar no universo da GFK Marketing?
A quantas unidades de venda corresponde um 6.º lugar na Bulhosa?
A quantas unidades de venda corresponde um 2.º lugar na Bertrand?

E porque é que por vezes na páginas da internet dos diferentes grupos livreiros os Tops títulos diferentes?
Tudo bem; já sei: questão de datas.

Mas no meio destes Tops todos que nunca mais acabam um facto encheu-me de alegria; no Top da Bulhosa, nos títulos de não ficção ocupa um brilhante 10.º lugar um livro intitulado: A Fábrica das Faianças das Caldas da Rainha, uma edição de 2008 e com um custo perto dos 50 Euros! Deve-se tal ao facto de o livro apresentar uma nova capa? Seja-me permitida uma manifestação de orgulho local: viva a cerâmica das Caldas! Boas Festas!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Fim do ano



A 25 de Dezembro de 1884, n'O António Maria, Rafael Bordalo Pinheiro considera deste modo o fim do ano; não é possível encontrar analogias relativamente ao final de 2011?

sábado, 24 de dezembro de 2011

Boas Festas

ALBRECHT DURER
São Jerónimo na sua cela (pormenor)-1514-
"Diz-se que São Jerónimo, que traduziu a Bíblia do hebreu para o latim, no séc. IV, tirou um espinho da pata de um leão. Depois disso, o leão ter-se-á transformado no eterno amigo do santo, e é frequente serem repesentados juntos."

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Lisboa ... 1870

Lisboa ... 1870
Julieta Ferrão
Lisboa, 1943
Separata do «Olisipo» nr 23 - Boletim do Grupo «Amigos de Lisboa»


«Indeciso, desconfiado de si próprio, sem nitidamente se conhecer mas estimulado pelos aplausos dos que formavam o seu meio. Rafael Bordalo nos dois meses seguintes durante a sua estadia na Praia de Pedrouços – a mansão oficial da vilegiatura burocrática de Lisboa, como lhe chamava Ramalho Ortigão -, desenhou aos serões, como simples passatempo, os desenhos que agrupados sob o título de «O Calcanhar d’Aquiles», são considerados marco inicial da caricatura pessoal, como fórmula de Arte, em Portugal. De regresso a Lisboa, os amigos surpreenderam no gabinete do Artista, a colecção de desenhos que passando de uns para os outros, caiu sobre os olhos de António Augusto Teixeira de Vasconcelos. Este instou logo para que Rafael Bordalo os publicasse.»

domingo, 18 de dezembro de 2011

Consultando o Dicionário

Marimba - Espécie de tambor cafreal. Instrumento musical composto de lâminas de vidro ou metal, graduadas em escala, e das quais se tira o som por meio de baquetas.

Marimbar - Ganhar o jogo do marimbo. Fig. Chul. Burlar, enganar.

Marimbo - Variedade de jôgo de cartas.


PS - Quanto ao teor do comentário recebido, de identificação pouco esclarecida, informo que a transcrição foi total, tendo sido utilizado o seguinte dicionário: Dicionário Prático Ilustrado, Edição de 1931, da Livraria Chardron, Lello, Limitada, Editores. A frase final do comentário era totalmente dispensável, porque Dicionários há muitos ...


sábado, 17 de dezembro de 2011

Ironia


«Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das ciências, da admiração das grandes personagens, das mistificações da politica, do fanatismo dos reformadores, da superstição deste grande universo e da adoração de mim mesmo.» P.J. Proudhon

Album das Caldas 1929



Álbum das Caldas – Ano 1 – N.º 1 – Primavera de 1929
Director e Editor: J. Fernandes dos Santos


"Muita gente conhece as Caldas da Rainha pela fama da sua cerâmica artística. As primeiras peças de que há notícia são da época da Rainha D. Leonor. Desde a fundação da vila houve sempre nela oleiros que fabricavam louça de uso e artistas de maior ou menor mérito que realizavam obras artísticas. Aparece menção de trabalhos vidrados da época de D. João V e depois até ao séc. XIX faiança caldense progredia sempre.

O mais antigo dos artistas de valor de que há memória foi Manuel Mafra (1853-1887).

Os grandes impulsos foram-lhe dados por Rafael Bordalo Pinheiro, que fez uma revolução na arte do barro e lhe deu uma orientação que se tornou célebre; por José Fuller e o sr. Visconde de Sacavém (José) e finalmente por Costa Mota (Sobrinho), o grande escultor que criou numerosos modelos duma grande correcção, excelentes vidrados, reflexos metálicos incomparáveis, cores novas nas Caldas, etc.

A influência de Costa Mota foi das mais notáveis, deixando peças de grande valor.

Os modelos da Fábrica Bordalo Pinheiro não conhecem fronteiras, encontrando-se muitos deles no Brasil, França, Espanha, etc. Ainda ultimamente no certame ibero-americano que se está realizando em Sevilha, a louça das Caldas obteve um extraordinário triunfo, causando a melhor impressão a Suas Magestades os Reis de Espanha.

Quem visitar o Museu Oceanográfico de Mónaco tem o prazer de ver trabalhos portugueses numa vitrine, e esses trabalhos, que figuram em gravura nos catálogos, são precisamente obras de Rafael Bordalo Pinheiro, representando animais marinhos.

Actualmente existem várias fábricas de faianças artísticas, que justificam sobejamente só por si, e provocam constantemente visitas às Caldas da Rainha.


A Fábrica Bordalo Pinheiro onde trabalham José Carlos dos Santos e Acelino de Carvalho, discípulos de Bordalo,, o «atelier » de Francisco Elias, outro discípulo de Rafael Bordalo, o miniaturista notável conhecido em todo o País, a fábrica da viúva de Avelino Belo, que era considerado o melhor técnico cerâmico das Caldas, discípulo também do grande caricaturista, as de Eduardo Elias, que se tem dedicado à fabricação de imagens, José Alves Cunha, Suc., José Belo, etc., são dignas de visita, encontrando-se nelas algumas obras dignas de figurar ao lado das melhores do mundo."

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Estrela em Margate - Inglaterra

Nunca me imaginei exposta em Margate, Inglaterra.

Passo a transcrever o texto explicativo da responsável pelo projecto: Carolina Rito.

"Eu e o Nelson Melo (meu companheiro e com quem tenho vindo a desenvolver um projecto que se ocupa de, utilizando as ferramentas conceptuais e plásticas das artes visuais, reflectir artisticamente sobre o que nos rodeia) estamos envolvidos num projecto a decorrer em Inglaterra no próximo mês de Novembro.

Trata-se de uma exposição de artes plásticas, para a qual fomos convidados, que tem como mote os três minutos de duração duma música de punk-rock. Estes temas musicais são geralmente caracterizados pela espontaneidade, pela ocorrência do erro, pelo força do exercício constante da prática, pela vontade e necessidade de fazer/agir/produzir, não planeando de ante-mão o resultado final.

Neste contexto e tendo em conta os assuntos que têm prendido a nossa (Nelson e eu) atenção, decidimos produzir uma peça que procurasse enfatizar e reificar a importância da prática em detrimento do seu resultado - assunto que tenho vindo a trabalhar ao nível da prática curatorial que tenho desenvolvido noutras circunstâncias. No fundo, valorizar o momento de inscrição da acção, o espaço/tempo onde a intenção acontece. Mas mais do que dar relevância a este facto, queríamos estender estes três minutos, enunciados no tema da exposição, para um tempo de vida prolongado, de duração, de persistência dessa mesma acção, para um contacto duradouro.

Interessa-nos uma acção que ao contrário de pontual, exerça um contacto prolongado com uma superfície que lhe seja hostil ou atípico e que aí, nesse encontro, sejam produzidos novos espaços, novas subjectividades e um novo espaço de cultura. Para nós, a Isabel e a 107 são esse terceiro espaço, que emergiu da sua resiliência, perseverança e paixão. Esse terceiro espaço produz uma nova cidadania, uma nova cultura, um novo espaço que marcou e marca quem aí habita e quem com ele contacta. Por estas razões, queremos, através deste trabalho, fazer-lhe uma homenagem simbólica.

O projecto passa por desenhar 160 retratos do seu rosto. 160 porque é quantos três minutos tem a duração de um dia de exposição (10h-18h). Por sua vez, cada retrato não poderá demorar mais do que três minutos a ser feito - a tal ocorrência da música punk-rock."

Um abraço longo à Carolina e ao Nelson.

Ver Aqui.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações - Abysmo




João Paulo Cotrim, um amigo escritor e um Bordalino perfeito, criou uma Editora, que se chama Abysmo.
E a sua primeira edição é um álbum lindissímo intitulado: "Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações".
Ilustrações de: José Brandão, Henrique Cayatte, Sara Maia, João Maio Pinto, Cristina Valdas, Jorge Colombo, Pedro Proença, Teresa Lima, João Fazenda, André Carilho. Belissímo.


A encomendar aqui.

Cavacos das Caldas - Nova Vida

Cavacos das Caldas, o blogue que surgiu sob a responsabilidade da Loja 107, continua, já não sob a égide da Livraria, mas como um blogue em que uma leitora e observadora social irá dando conta do que se passa em seu redor.
Quero agradecer a todos os seus comentários e continuar a merecer a companhia dos meus leitores

domingo, 4 de dezembro de 2011

Comentários a Desabafo

Recebi estes dois comentários que não consegui enviar para os comentários do post anterior, por isso tomei a liberdade de os copiar para aqui.



Loja de História Natural <http://www.blogger.com/profile/14030312348206238428> deixou um novo comentário na sua mensagem "Desabafo <http://cavacosdascaldas.blogspot.com/2011/12/desabafo.html> ":
As feiras e as lojas temporárias que abrem pela altura do Natal são concorrência desleal.
Que tenham o apoio de entidades públicas só mostra o completo desvario das mesmas que não fazem ideia do prejuízo que é para uma cidade não ter lojas abertas. (mas vão descobrir em breve).
É uma tristeza. As associações não podem querer substituir-se aos comerciantes, como fazem repetidamente. Seja qual for a causa.
E sim, e o IVA é uma boa pergunta.




Cara livreira,
Antes de mais as minhas saudações. Escrevo de Maputo, capital moçambicana. Mesmo deste recanto tenho acompanhado, com preocupação, os recentes acontecimentos no mercado livreiro português. Através dos blogues, principalmente, fico sempre informado do que por aí vai acontecendo. Sou um jovem moçambicano de 20 anos e trabalho na mais antiga livraria de Moçambique, há quase dois anos.
É lamentável que aqueles que durante décadas dedicaram-se a uma causa tão nobre estejam a ser sacrificados pelas leis de mercado estúpidas e o comando cretino das grandes editoras.
Em Moçambique, por causa da existência de pouquíssimas livrarias e por o sistema não estar consolidado, o problema não se tem colocado ao nível da influência das editoras e distribuidoras. Aqui o maior problema é mesmo dos leitores, que não existem. É verdade que com a crise aí muita gente tem que decidir entre gastar para livros ou para o pão.
É um esforço hercúleo conseguir que muitas pessoas comprem e passa sempre por estratégias de negócio bastante agressivas. O que vende aqui é, sobretudo, o livro técnico. Quanto à ficção, os compradores são quase sempre os mesmos e enquanto não se conquistar mais leitores a tendência será sempre essa. A educação formal é deficiente e por isso não consegue instigar as pessoas a ler. Em casa raramente há incentivos para se ler, primeiro porque não há livros, e segundo porque o hábito não existe. Mas há tantas questões a volta disso.
Fico por aqui, e mesmo à esta distância lamento o que se passou consigo pois sei, como livreiro, como é terrível ver um projecto ao qual nos dedicamos uma vida acabar assim.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Desabafo

Hoje ao abrir o meu email deparei com uma mensagem com origem na ACCCRO, a divulgar a realização de uma Feira do Livro promovida pela Associação Olha-te.

Agradeço a informação mas não posso deixar reflectir sobre a mesma.

- fec
hei a Loja 107 no final de Setembro deste ano, porque a concorrência não me permitia a realização de um volume de vendas que me permitisse fazer frente ao volume de despesas.

Sempre paguei os meus impostos, sempre cumpri os meus deveres para com os meus empregados, sempre paguei as quotas à Associação Comercial.

Vejo agora, dois meses depois de ter encerrado a livraria, a realização de uma feira do livro com o apoio da Associação Comercial, da Câmara das Caldas e da Câmara de Óbidos.

E isto depois de assistir a movimentos de pesar pelo fecho da minha Livraria. Que veracidade existirá nessas atitudes?

Não posso deixar de expressar a minha admiração pelo facto, tanto mais que tal feira é apelidada de Festa do Natal do Comércio! Qual é a entidade comercial que promove esta realização para que lhe seja dado tal nome??

Que não sirva de desculpa a finalidade da Feira; a realização de fundos para o tratamento do cancro. Ninguém contesta a necessidade de auxílio aos doentes de cancro.

O que contesto e a realização de uma feira de livros em concorrência directa a quem exerce este comércio e logo no período de natal, com o apoio da Associação Comercial e das Câmaras.


A principal responsabilidade cabe às Editoras /Distribuidoras que participam nestas acções, em concorrência directa com quem exerce o comércio livreiro no seu dia a dia.

Nada tenho contra as Associações que prestam o seu serviço cívico. Também presto voluntariado em associações de carácter humanista.

Mas não será possível a estas optarem por outras práticas que não afectem a acção comercial estabelecida? Ainda que mal pergunte: e o Iva ?

E porque é que estas feiras só são feitas com livros? Por ser mais fácil? Por ser um artigo "cultural"? Ou porque a comercialização do livro está pelas ruas da amargura, sem critério e com uma acentuada falta de deontologia comercial em que tudo é permitido para vender mais uns?

Assim não há livraria que aguente!

PS: Quero deixar bem claro que nada, mas mesmo nada me move contra a Associação Olha-te, a quem desejo um bom trabalho no âmbito da sua finalidade: ajudar os doentes com Cancro.

Sei também que este é um assunto muito sensível, em que na maior parte das vezes os livreiros referem ignorar a arranjar conflitos.

Mas a mim, ainda me dói muito o fecho da minha Livraria....

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Último Café Literário






Muito boa tarde e muito obrigada pela vossa presença.

É para mim um prazer dirigir-vos votos de boas vindas a mais este Café Literário, apesar de ser o último a realizar-se sob a égide da Livraria 107.

Sinto-me hoje como quem está à beira de fechar um livro cujas páginas foram sendo escritas ao longo de 35 anos: páginas palpitantes de aventuras muitas vezes; marcadas pelo drama aqui e acolá; enriquecidas, inesperadamente, por apontamentos de poesia; coloridas por uma ou outra ilustração... Eis como se preencheram as páginas com as quais se fez este livro imaginário, a minha obra de referência.

Escritas umas vezes sob o signo da alegria, outras do sofrimento, com determinação e alguma teimosia à mistura, mas sempre com o cuidado de manter as páginas abertas para partilha de leituras com a cidade.
Páginas onde um vasto leque de autores de língua portuguesa foi deixando marcas indeléveis, materializadas em dedicatórias escritas ao correr da pena, palavras que guardei no meu coração.

Posso dizer que o meu livro é encadernado, com inscrições a ouro na lombada e que ocupa um lugar digno na história comercial e cultural da minha cidade uma vez que ao longo do tempo me foram sendo conferidos diversos galardões em reconhecimento do meu trabalho e que exibo com muita honra.

Digo-o, sem falsas modéstias e com muito orgulho.

Mas...todos os livros têm um fim e hoje é o dia de voltar a última página.

Antes de o fazer, deixem-me expressar o meu profundo agradecimento a todos os que comigo partilharam a escrita e a leitura deste livro, que tem o nome de 107.

Como nas últimas páginas de um grande livro fruto de trabalho aturado ao longo de anos, aqui se registam os agradecimentos a todos os que tornaram possível esta obra.

- A começar, aos leitores que ao longo de todos estes anos, tornaram possível a existência da Livraria, ao ali fazerem as suas compras;

- Depois, ao Café Pópulos que ao longo de tantos anos, simpaticamente, me acolheu e aos meus convidados;

- E agora ao Centro Cultural e de Congressos, ao seu director e a todos os seus colaboradores por, ao receberem-me, me terem feito sentir esta casa como um pouco minha também;

- Não posso deixar de referir o meu sócio, que por coincidências da vida, é também meu irmão, que sempre apoiou incondicionalmente todas as minhas acções, mesmo quando não foram as mais acertadas.

- Por fim, o meu profundo agradecimento ao Prof. António Barreto que, mesmo tendo conhecimento de que a livraria iria encerrar, acedeu ao meu convite para redigir o posfácio deste livro imaginário.

Em nome da Livraria 107, sinto-me privilegiada por as derradeiras palavras inscritas na sua história, serem as suas, Senhor Professor.

Antes de terminar, permitam-me que partilhe convosco um poema da autoria de Pedro Mexia, em que o poeta cruza os seus sentimentos com os livros.





Nas estantes os livros ficam

(até se dispersarem ou desfazerem-se)

enquanto tudo

passa. O pó acumula-se

e depois de limpo

torna a acumular-se

no cimo das lombadas.

Quando a cidade está suja

(obras, carros, poeiras)

o pó é mais negro e por vezes

espesso. Os livros ficam,

valem mais que tudo,

mas apesar do amor

(amor das coisas mudas

que sussurram)

e do cuidado doméstico

fica sempre, em baixo,

do lado oposto à lombada,

uma pequena marca negra

do pó nas páginas.

A marca faz parte dos livros.

Estão marcados. Nós também.



Muito Obrigada.



Café Literário - Convidado Professor António Barreto
Fotografias de Margarida Araújo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Último Café Literário Loja 107

Dia 19 de Novembro - Sábado - 17,30 Horas

Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha

CAFÉ LITERÁRIO

Convidado

Professor António Barreto




António Barreto nasceu no Porto a 30 de Outubro de 1942. Viveu em Vila Real até terminar o Liceu. Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra. Viveu na Suíça, como exilado político, de 1963 a 1974. Licenciou-se em Sociologia em 1968. Trabalhou na Universidade de Genebra e no Instituto de Pesquisas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. Regressou a Portugal em 1974. Foi professor nas Faculdades de Ciências Sociais e Humanas e de Direito da Universidade Nova de Lisboa, investigador na Universidade Católica e no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa até 2008. Doutorou-se em Sociologia, em 1985, na Universidade de Genebra. Foi deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República, assim como secretário de Estado do Comércio Externo, ministro do Comércio e Turismo e ministro da Agricultura e Pescas. Presidente da Comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, por nomeação do Presidente da República (2009 a 2011). Prémio Montaigne de 2004. Sócio da Academia das Ciências desde 2008. Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos desde 2009. Colunista do jornal Público desde 1991. Publicou, entre outros, Anatomia de uma Revolução, Tempo de Mudança, Sem Emenda, Tempo de Incerteza, A Situação Social em Portugal, 1960-1999, Novos retratos do meu país e Anos Difíceis. Coordenador (com Maria Filomena Mónica) do Dicionário de História de Portugal, 1925/1974. Co-autor de Portugal, Um Retrato Social (série de televisão), Nós e a Televisão, A Televisão e o poder (documentários) e Horas do Douro (longa metragem, com Joana Pontes). Exposição das suas fotografias em Lisboa, 2010. Publicou, em 2010, um álbum “António Barreto – fotografias 1967/2010”.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Congresso Livro - Açores - Ilha Terceira












A começar, permitam-me que exprima o meu sentido agradecimento pelo prémio que acaba de me ser atribuído pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Atrevo-me agora a pedir alguns momentos da vossa atenção e a vossa benevolência para poder partilhar convosco um pouco do meu actual sentir.

Durante mais de 35 anos fui responsável por uma pequena livraria nas Caldas da Rainha e através dela pude concretizar, com êxito, um projecto que tinha por base um gosto de sempre, o profundo amor pelos livros.

No último dia do mês de Setembro do ano em curso, a Loja 107 encerrou as suas portas.

Não porque eu o tenha desejado, mas porque a isso fui obrigada por força de vários factores condicionantes desta especifica actividade e altamente prejudiciais ao normal funcionamento de uma livraria com as características da minha.

E não me estou a referir às tecnologias por muitos apontadas como um desses factores nem às mais modernas técnicas de marketing que pretendem fazer passar a mensagem que todos os livros agora publicados são, para além de grandes êxitos editoriais, obras que todos ansiavam por ler.

Há a crise, claro que há, o que num país como o nosso faz com que o livro seja colocado, obrigatoriamente, numa posição secundária perante as necessidades básicas do dia a dia de cada família.

Mas o que afectou decisivamente a actividade comercial da minha livraria foi, sem dúvida alguma, a brutal concorrência escudada no total desregulamento da comercialização do livro.

As livrarias não podem concorrer com as condições de oferta praticadas pelas grandes cadeias de distribuição, pelos grupos livreiros, pelas vendas on-line, nos Correios, nas feiras e feirinhas, em bombas de gasolina, pelas vendas levadas a cabo pelas próprias editoras, etc.

E apesar dos preços por todos estes intervenientes praticados, uma certeza eu tenho: ninguém, nenhuma destas entidades, vende os livros com prejuízo.

Este tipo de concorrência e de comercialização é fatal para uma pequena livraria.

Mas que digo eu, Senhores Editores e Distribuidores? Os senhores sabem bem o que se passa. Não estou a dar-vos novidade nenhuma. E já agora, que vem a talhe de foice: ainda está em vigor uma certa Lei do Preço Fixo, que há uns anos atrás tanta celeuma levantou?

Acabam de atribuir este prémio a alguém que se viu forçada a fechar a sua livraria mas que nunca deixará de se considerar uma livreira.

Que significado se poderá atribuir a este facto peculiar e aparentemente contraditório? Se algum houver a retirar daqui, que seja a ideia de que não podemos encarar como normal, ou como inevitável, o sistemático desaparecimento das pequenas livrarias que são, na maior parte dos casos, também agentes culturais locais.

Antes de terminar, permitam-me ainda um pouco de futurologia: o que se vislumbra no mercado livreiro deste país? Três ou quatro grupos editoriais a negociarem com três ou quatro grupos livreiros. Como consumidora, não me seduz esta visão que prenuncia um formato comercial demasiadamente uniformizado e pouco estimulante numa perspectiva cultural.

Para o tempo que vos roubei e para o que talvez possa ser tido como uma quebra no protocolo, peço uma vez mais a vossa compreensão.

Mas se não dissesse o que acabei de vos dizer, não me sentiria merecedora do prémio de Livreira com que acabaram de me distinguir.

E se me permitem, agora mesmo a finalizar e plagiando o Professor Carlos Fiolhais, direi, quando me perguntarem o que fiz pelo meu País e pela minha Terra, direi com muito orgulho, que divulguei livros e partilhei leituras.

Muito obrigada.

(palavras de agradecimento lidas na Cerimónia da Entrega de Prémios no Congresso do Livro realizado nos Açores)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Café com Heróis




"Minhas Senhoras e meus Senhores, muito boa tarde.

É um prazer dar a todos as boas vindas àquele que será um dos últimos Cafés Literários da responsabilidade da Loja 107, realizado com o patrocínio do Centro Cultural e de Congressos da nossa cidade.

Começo, pois, por agradecer quer a vossa vinda quer o acolhimento do Centro Cultural a mais esta iniciativa.

E agora, uma palavra muito especial para o nosso autor de hoje - Ricardo Dias Felner. Apesar de ter tido conhecimento da particular situação vivida pela Livraria, quis que fosse a Loja 107 a promover a apresentação do seu livro.

Mais do que um acto de confiança foi um acto de carinho que senti de um modo muito especial.

Quero por isso expressar, publicamente, o meu grande apreço pela sua atitude. Muito obrigada.

«Herói no Vermelho» é o título do terceiro livro de Ricardo Felner, sendo que, neste caso, estamos perante um romance. O seu primeiro romance.

Num clima de alguma violência que se vive numa grande cidade, o autor constrói uma trama em que se cruzam diferentes personagens – refiram-se, a título de exemplo, polícias, artistas, políticos, assassinos... – provenientes das mais diversas origens e cujos objectivos se entrechocam.

Um narrador omnisciente, ou seja, que tudo sabe, ajuda a criar um ambiente particular, proporcionado pela ilusão de pairar no meio das restantes personagens, conhecendo-as no mais íntimo dos seus pensamentos muito para além, portanto, das atitudes observáveis que tomam.

Assim, ao invés de um relato frio, distante e desinteressado do desenrolar das acções, seguimos uma trama que nos chega por via do conhecimento, da intimidade e da cumplicidade do narrador com todos os intervenientes e com todos os factos que se sucedem perante os nossos olhos.


Ricardo Dias Felner é jornalista e, no âmbito da sua profissão, tem-se dedicado a temas que nos habituámos a designar e a ver designados como marginais. Umas vezes, em resultado dos grupos étnicos ou sociais em que ocorrem, outras vezes, por força da frequência com que nos confrontamos com eles.

Em qualquer caso, temas que provocam incomodidade e que gostaríamos de poder ver varridos para debaixo do tapete uma vez que dificilmente as sociedades actuais e os seus dirigentes estão dispostos ao esforço de lhes dar a solução apropriada.

Reportagens na Cova da Moura, junto à população estrangeira não legal ou levadas a cabo na descoberta de doentes africanos instalados em pensões clandestinas, ajudam a conferir à escrita de Ricardo Dias Felner uma plasticidade que me leva a algumas interrogações sobre a história que li:

- é a realidade o que nos rodeia e a ficção o que está escrito, ou há uma simbiose entre o imaginado e o real e a escrita é o relato de uma verdade?

«Herói no Vermelho» não é apenas um romance como a inscrição na sua capa nos quer fazer querer.

É mais do que isso. É o resultado de um olhar atento sobre uma sociedade de grandes contrastes e de acentuadas clivagens sociais e económicas em que crescem frustrações e a violência gratuita tende a instalar-se.

Como calculam, não tenho a pretensão de fazer crítica literária.

O que pretendi e procurei foi transmitir-vos as minhas impressões de leitura de «Herói no Vermelho» sem contudo desvendar um pouquinho que seja do seu enredo, sem levantar o véu que, por agora, cobre as personagens e as suas acções.

Resta-me recomendar-vos a sua leitura. Espero que vos dê tanto prazer a ler como me deu a mim e que acorde em vós, como acordou em mim, a vontade de ficar muito atenta aos próximos livros deste autor.

Estou certa de que não nos irá desiludir.

Obrigada Ricardo, pelo seu livro, por ter vindo apresentá-lo às Caldas e por assim me ter proporcionado o prazer de me debruçar sobre ele de uma forma particular. "


Palavras de apresentação

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Café Literário




Nascido em Maputo em 1976, Ricardo Felner licenciou-se em Jornalismo pela Faculdade de Letras de Coimbra. Começou a trabalhar no jornal Público, em 1998, onde permaneceu até 2009. Desde então trabalha na revista Sábado. Recebeu o prémio de Jornalista Revelação do Ano, em 2003, do Clube de Jornalistas, com uma reportagem sobre o bairro da Cova da Moura, intitulada «A Favela Aqui Tão Perto», bem como o prémio do Alto-Comissariado para a Imigração (por uma investigação sobre dificuldades criadas na legalização de estrangeiros) e o Prémio Literário Orlando Gonçalves (por uma reportagem sobre doentes africanos instalados pelo governo em pensões clandestinas). Enquanto jornalista trabalhou nas áreas do crime, da justiça, da imigração e da política. Já com o último Governo PS, foi destacado para acompanhar o primeiro-ministro, acabando por ser responsável pela investigação que resultou no chamado Caso Independente.É ainda autor dos livros Voltar a Ser Médico e Vencer Cá Fora, publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Herói no Vermelho é o seu primeiro romance.

Café Literário

Centro Cultural e de Congressos

Sábado -22 de Outubro de 2011

17,30 Horas

Autor Convidado

Ricardo Dias Felner



Loja 107 partilhando leituras com a cidade

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

35 Anos de Partilha de Leituras

“Quando me perguntarem o que fiz pela minha terra pelo meu País, poderei dizer que divulguei livros”

A Loja 107 agradece a todos os que tornaram possível 35 anos de partilha de leituras com a Cidade.

Amigo Zé

Até sempre Zé Ventura.

sábado, 27 de agosto de 2011

Bom fim de semana






Originais pintados a óleo de Renate Koblinger e Anna Hollerer

Kunsthandel und Edition Luka Basic - Austria

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Visita da Troika

Foram entrando um a um.
Três dignos cavalheiros, que depois de um certo acanhamento e dos cumprimentos da praxe, se acomodaram em redor da pequena mesa da minha livraria.
Um deles trazia uma pasta na mão. Uma daquelas pastas feitas à moda antiga, de design fora de moda, manufacturada à mão, de pele fininha, já um pouco sarrafada nos cantos. De aspecto vivido, de acordo com os muitos e muitos papéis que tinha transportado. E que segredos? Nunca viremos a sabê-lo; os segredos foram feitos para assim permanecerem.
O segundo, uma figura grandiosa, a impor respeito, trazia uma pasta de artista de onde iam caindo várias folhas desenhadas a crayon.

O terceiro homem, magro e um pouco encurvado, com a aba do chapéu caída obre os olhos, carregava uma maleta, com cantos de metal.

Sentaram-se. Cruzaram as pernas, acertando com cuidado o vinco das calças. Acenderam as suas cigarrilhas.


E logo no ar ficou a pairar um odor acre-doce e uma ténue névoa como que a esconder algo. Seria uma nuvem feita de sonhos a desfazerem-se em farrapos no ar?
Olharam em redor, quais generais a passar revista às tropas; nos seus rostos de linhas geométricas nem um sorriso traspassou.
Um deles, endireitou o cache-nez na cana do nariz abriu a pasta tirou um exemplar da “Correspondência de Fradique Mendes” e deixou-o em cima da mesa.



Um outro, após acariciar a ponta do bigode, tirou do bolso do colete bordado uma caneta, e da sua pasta de artista surgiu como que por magia um exemplar da “Lusa Bombochata”. Abriu o livro e na página de rosto desenhou com traços finos e rápidos a figura de um gato enroscado nas páginas do livro. Poisou este na mesa.
O terceiro homem tossicou várias vezes, pegou num dos livros que trazia na arca, abriu-o em determinada página e leu os seguintes versos:


“Bem sei que todas as mágoas
São como as mágoas que são
Parecidas com as águas
Que continuamente vão …”

“Segue o teu destino
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
Das árvores alheias.”

Também ele colocou o seu livro em cima da mesa.
Levantaram-se e saíram da livraria. Quando já iam do outro lado da rua, viraram-se para trás e disseram-me adeus. E nesse mesmo momento a brisa acariciou-me como se de um beijo se tratasse...
Fiquei a ver as suas figuras esfumarem-se ao longe.
Da visita da Troika, restaram-me três livros…

A Troika composta por Eça, Bordalo e Pessoa criados por Constantinos.

A Amizade da Maria

Um abraço bem apertado da Maria guardado Aqui junto ao coração.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Oração

"Santo Padre: Eu já não peço grandes milagres, mas se rogasses a Nossa Senhora para que fizesse baixar o preço das batatas, ficava-te eternamente agradecido."


Gaiola Aberta, Maio de 1982, N.º 110

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quadras

A Quadra Popular no Azulejo
Jaime Jorge Umbelino
Edição do Autor, 1992


Porta fechada... Acontece...
Mas a entrada não se nega!
Há sempre alguém que se apresse
A franqueá-la a quem chega.


Porque de azul me pintaram,
Tenho o nome de azulejo.
Foi do céu que copiaram
O vestido em que me vejo...


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um Abraço


Um abraço amigo aos seguintes blogues:
Viagens pelo Oeste
Isto não fica assim
O das Caldas
Cadeirão Voltaire
Os meus Livros
Chapéu e Bengala
Bibliotecário de Babel
Marcador de Livro
Blogtailors
Isto Não está Aqui