CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Caco


Este pedaço de azulejo apanhei-o do chão na antiga Praça do Peixe, percurso habitual das minhas caminhadas  citadinas. Caiu da fachada de um prédio que se encontra em muito mau estado de conservação,  mas que é rico em azulejos, marca da arquitectura caldense na transição do século XIX para XX. Este caco, um pequeno pedaço de azulejo verde é bem o retrato da cidade. Ao abandono e a desfazer-se aos bocados. Enquanto é feita uma recuperação do pavimento das ruas, as fachadas das prédios encontram-se mal tratadas, e sempre, sempre com os abomináveis grafitis, que apesar de todos os esforços em contrário, nascem da noite para o dia como ervas daninhas. Será que não se pode explicar a quem anda a conspurcar as paredes das casas, que isso é vandalizar a propriedade alheia, e que aquela riscaria toda não é propriamente uma obra de arte que deixe todos agradecidos e de boca aberta de espanto? Porque é que esses pseudos criadores não se limitam a pintar as paredes dos quartos em que vivem? Eles ficavam mais felizes porque preservavam as suas obras; e nós também, porque éramos poupados aquelas visões de duvidoso valor estético .

domingo, 16 de dezembro de 2012

Caldas da Rainha MCMXXIII

Ontem publiquei a noticia referente à publicação do Álbum das Caldas, 1923, da responsabilidade da Associação Comercial. Faltou uma informação: o Álbum e o mapa vendem-se em conjunto a 5 Euros. Ontem, sábado, estava à venda na rua, no inicio da Rua Dr. Miguel Bombarda, do lado da Rua Heróis da Grande Guerra. A Associação Comercial, na Av. 1.º de Maio é outro local de venda.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Parabéns Associação Comercial



A Associação Comercial das Caldas da Rainha e Óbidos que comemora 110 anos de existência, resolveu publicar um mapa das Caldas da Rainha - que bem necessário era porque o que havia tinha uns largos anos em cima - a que juntou uma edição facsimilada do Álbum Caldas da Rainha de 1923.
Saudamos esta Iiniciativa  com muito apreço.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Agradecimento

Ao Victor Pires o meu muito obrigada pelo seu carinho e pelos seus ensinamentos. Um abraço amigo
Isabel

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Indiscrições

"Exma. Senhora D. Elvira Agoas Barreiras
Rua da Penha de França nr 137 Lisboa
Caldas da Rainha (data do carimbo: 22 de Agosto de 1921)

Minha Querida Elvira:

Para te provar que ainda sei escrever desejo saber se estás boa assim como o Augusto, nós felizmente bem mas muito combalidos com os tratamentos que é muito maçador razão porque não te tenho escrito ando muito cansada. Tenho sabido da vossa saúde pelo Júlio, quando vai a Lisboa. Também tenho descansado mais por causa disso. Dá muitas saudades ao Augusto e tu aceita um grande abraço da tua irmã muito amiga que é a Maria Ruivo."

Indiscretamente transcrevi o texto de um postal ilustrado enviado das Caldas da Rainha para Lisboa na época do verão dos anos 20 do século passado. O postal mostra-nos uma parte do Parque das Faianças existente junto à Fábrica fundada por Rafael Bordalo Pinheiro. Lugar aprazível, de diversão e de descanso, decorado com cerâmicas de grande dimensão, não deixando por isso de ser um lugar de trabalho. Veja-se a personagem em primeiro plano que carrega sobre o seu ombro esquerdo um bilha? ou barril de pequeno formato?... Não sei. Note-se o garboso representante das forças armadas, elegantemente sentado num banco Junto a uma peça de cerâmica de tamanho considerável. Parece-se um Santo António: não é uma figura masculina tendo ao colo um menino?
Quando a estas imagens dos anos idos, só nos resta fantasiar sobre elas. Nada restou. Sem querer ser saudosista e só valorizar o que havia antes, lamento que o nosso património seja esquecido e mau tratado. Principalmente a nossa herança cerâmica. E mudando de rumo; o que vai ser do nosso Parque? Subsistiu mais de cem anos. E agora? Vai conhecendo uma deterioração contínua e uma inexorável destruição? Lá pela cidade ter um aspecto pouco cuidado, a que os grafitis que conferem um ar totalmente terceiro mundista, vamos deixar que o Parque tenha o mesmo destino?




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Garrido Espectáculo dos Mercados Caldenses

ALBUM DAS CALDAS N.5 – 1934
Director e Editor: J. Fernandes dos Santos
Composição e Impressão: Tipografia Caldense

«O garrido espectáculo dos mercados caldenses»

«São de criar saudades estas manhãs de verão – e porque não dizer manhãzinhas se tudo em redor é suave e calmo e terno nos campos ainda orvalhados e sempre frescos dos arredores.

Vê-se acordar o Sol num estremunhamento preguiçoso em berços de cambraias transparentes, nuvens finas, que não são nuvens, vendo bem, e é apenas a névoa azul e delicada do alvorecer que lentamente se desfaz e evapora. Há um perfume raro e estranho, mais entendido pela vista que sentido pelo olfacto. É o bucolismo dos pinheirais muito quietos em filas no horizonte, da mancha dos laranjais opulentos dos frutos luminosos em conjunto com rectângulos verdes das hortas, com as árvores velhas dos pomares e a cabeleira farta das searas. De quando em quando sardinheiras e papoilas selvagens a espreitar entre a rama rasteira dos batatais na intimidade dos malmequeres miudinhos, confetti dos campos, que escondem entre eles o bom agoiro do trevo de quatro folhas. Passa o melro triste na distância e sobe dos casais, num jeito de asas, o fumo das chaminés branquinhas.

E assim, de alma arejada no convívio puro da natureza, o meu amigo «saloio» e a família descem por carreiros estreitos no terreno e vêm formar na estrada, no desfile de cor e rico pitoresco a caminho do mercado na Praça Velha.

Burritos pachorrentos carregados com os frutos da novidade dos campos e trazendo no alto, sobre o dorso entre os alforges, a figura graciosa e gentil da moça aldeã que mostra nas faces o anúncio da saúde, nos olhos o alvoroço ingénuo da festa prometida e sempre um sorriso ou uma cantiga na boca fresca que costuma beijar, em horas de sede durante a faina, o curso cantante dos riachos límpidos.

E as saias azuis, rodadas como as das bonecas, aventalinhos de gosto rústico, e saborosos colos, acompanhando em tremuras discretas o andamento baloiçado do burrito chocalhando e feliz no paganismo delicioso do quadro.

Horas depois é ainda o Sol que comanda, lá de cima, o espectáculo vibrante e inquieto do mercado na cidade. Brinca no vidrado rubro dos canjirões e das vasilhas, dos tarros e alguidares, acaricia as maças vermelhas e carnudas, os matacões rosados, a epiderme verde-mar das melancias, em pilhas junto das toalhas duma alvura de paramento, onde repousa, sob toldos com riscas amarelas, o oiro quente do pão de milho, como imagem de altar em festa do povo. Faíscam lampejos esbranquiçados os almudes, os baldes e botijas de latas expostas mais abaixo. Como enormes flores exóticas, no caprichoso colorido do cenário, destacam-se os grandes chapéus azuis, de varetas compridas, e em amostras cuidadas e doce regional e os cestos do tremoço são tentações infantis.

E o barulho rumorejante é de ritmos ensaiados entre a cadência das ondas ali perto e o chalrar da passarada dos caminhos em volta.

Que linda coisa o mercado!

De vez em quando um harmónio, um coro de vozes em liberdade, gargalhadas mais fortes, o chiar estridulo dos carros de bois tentando hinos de alegria e de saúde que ficam em sussurro harmonioso na sinfonia da tarde de domingo.

E já o Sol se despede.

Faz-se o regresso, organiza-se o cortejo vistoso e belo a caminho dos casais e das aldeias. Levam compras os meus amigos «saloios». Os alforges voltam novamente cheios. É o peixe, oferta do Mar, os embrulhos dos mercados, loiça de utilidade para o lar e no chão, levantando poeira doirada da estrada, um grupo de leilões traquinas e farejantes, sempre em corridinhas em busca do vulto farto do seio materno que segue adiante entre grunhidos alarmados.

Então os «saloios» cruzam com outras figuras do mercado. São as varinas, grupos escuros em contraste, saia negra pela cabeça, empoleiradas em cachos, formado conjuntos tristes, trágicos, como se a alegria do domingo não contagiasse as almas que só entendem as ondas e só com elas conversam seus mistérios e confidências.

Na cidade o mercado desmancha-se como um arraial. O domingo finda. E ainda o Sol está beijando num último e demorado adeus o campanário bonito da torre da igreja.

Os turistas passam talvez o dia à procura de castelos históricos e de praias famosas. E é pena. O espectáculo do mercado devia estar em todos os guias e convites como atractivo principal para quem procura a distracção e a felicidade.»

Luiz Teixeira  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Caldas da Ruína



Luísa Schmidt, no Expresso de 24 de Novembro, dá corpo a uma das grandes preocupações dos caldenses. Com a devina vénia, transcrevo esse artigo, expressando  o meu desejo de que este problema seja encarado com a seriedade devida, por quem nos governa. Será talvez já tarde.

Humoristas em Selos


Este selo reproduz uma ilustração de Rafael Bordalo e faz parte da série «1.º Salão dos Humoristas Portugueses». Fazem também parte desta série mais três selos que reproduzem obras de Stuart Carvalhais, Almada Negreiros e Emmerico Nunes. É uma emissão filatélica que se propõe comemorar o 1.º Centenário do Salão dos Humoristas Portugueses.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Gato Fernando Pessoa

Estava eu posta em descanso, a ler a «História do Riso e do Escárnio» de Georges Minois, quando vindo da parede do meu lado esquerdo ouço um suave miado. Não liguei. A «Florbela» a gatinha riscada que veio comigo quando a porta da 107 se fechou, estava deitada à minha frente e não tinha sido ela a miar. Será que era um riso transformado em miado que se tinha libertado das páginas do livro que lia? Com curiosidade, a par de um certo receio, viro-me lentamente para a parede atrás de mim, onde habita um bando de gatos, cerâmicos uns, desenhados outros; de Ferreira da Silva a Armando Correia, de Paula Rego a Van Gogh, de Danuta a outros de autor de nome menos sonante.
E que vejo eu? Um gato esbelto, de pêlo preto, de chapéu e laçinho. Olho uma segunda vez; precisava de esclarecer o caso. Era um gato? Era o Fernando Pessoa? e às tantas ouço um ronronar cadenciado que mais me parecia um poema sussurrado.
Estava esclarecido o caso; era um gato Fernando Pessoa, ou em querendo, um Fernando Pessoa gato. E não é verdade que todos os poetas têm algo de felino e que todos os gatos têm algo de poeta?
O gato que faz agora parte da minha galeria felina é da autoria de Mário Reis, artista caldense.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Catálogo Cómico


No Vestíbulo do Catálogo
«Queiram V. Exªas. sentar-se e ouvir duas explicações:
O Catálogo Cómico da Exposição de Belas Artes, que apareceu em fôlheto, no ano da graças (com muita graça) de 1914, assim continuou até 1919. Vivia o Catálogo feliz e cheio de bom humor, quando víctima do senhorio e tendo mandado de despêjo, se encontrou no meio da rua... da amargura. Amargurados foram para ele os anos de 1920, 21 e 22, em que teve de andar por quartos alugados nas colunas da «Ilustração Portuguesa», «Diário de Notícias» e «Mundo». Foi o catálogo, sem dúvida, muito bem acolhido e acanhado por andar por casas alheias. E aqui para nós, não há como o cantinho da nossa cas, eis os caso.
Hoje o Catálogo Cómico, voltando a ter morada própria, voltou a ser feliz e independente. Do seu domicílio, que está muito bem situado, abrindo as janelas disfruta paisagens, marinhas, quadros de género e todo o género de quadros.» [...] (Catálogo Cómico da Exposição  de Belas artes em 1923 - 7.º Ano de Publicação - Francisco Valença e Carlos Simões -  Depositária Livraria Portugália, Rua Nova do Carmo, 75.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Acordo Ortográfico

Hoje, na continuação da minha interminável tarefa de classificar os papéis sobre as Caldas, Bordalo, gatos e livros e sei lá que mais, que fui coleccionando ao longo dos anos, deparei com uma colecção de autocolantes cujo tema é o acordo ortográfico. Datados do ano de 1991, é um assunto que ainda se mantém em discussão. Duplamente actual, já que a inscrição de um dos autocolantes é: "Exacto: Não quero escrever como o Cavaco!" . Vinte e um anos depois o problema mantém-se....

domingo, 18 de novembro de 2012

Figuras e Episódios do Grupo do Leão

Figuras e Episódios do Gripo de Leão
Luis Teixeira
Legenda Literária Pronunciada na Noite da Evocação do Leão de Ouro
17 de Abril de 1937

"Animar-se-ão em grata fantasia para os seus olhos, as figuras daquele quadro. Podem recordar noites felizes, quando Rafael Bordalo na transição do «António Maria» para os «Pontos nos ii», provocava um côro de alegria com as suas charges contundentes, que envolviam na rede dum saboroso humorismo cenas do paço e personagens da Arcada, confidências de S. Bento e segredinhos de palco.»

sábado, 17 de novembro de 2012

Aviso ao Público

Este «Aviso ao Público» é da responsabilidade do Hospital Rainha D. Leonor e propõe-se regular a frequência do público no Parque D. Carlos I. Data de 1947. Chamou-me a atenção a alínea 5, do artigo 91.º, que tem a seguinte redacção:

[Serão expulsas destas propriedades (Parque e mata) e será vedada a entrada nas mesmas a todas as pessoas que] Escrevam ou desenhem obscenidades nas paredes e bancos e dentro do recinto destas propriedades
      
 Ao caminhar nas ruas da nossa cidade entre paredes totalmente preenchidas de "borradas" , que conferem a todo o espaço urbano um ambiente de desleixo e de vandalismo, lamento que não seja possível combater eficazmente esta praga que viola a sensibilidade estética, no mínimo, de quem com elas se cruza.

Ao ler-se o regulamento citado, este é um problema com 65 anos; - não se pode extreminá-lo? Até quando é que temos de nos sujeitar às acções de grupos que vandalizam o espaço público que é de todos? Pelos vistos, para sempre...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

José Saramago

Se fosse vivo, José Saramago, amanhã, dia 19 de Novembro, festejaria o seu aniversário. Aqui fica a lembrança (dupla) com uma fotografia da sua visita à Loja 107, no ano de 1998, dias depois de se saber que o Prémio Nobel lhe tinha sido atribuído.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Rafael Ilustrador de Capas de Livros

Título: Musgos e Rosas
Autora: Albertina Paraizo
Prefácio: João de Deus
Ilustração da capa: Rafael Bordalo Pinheiro
Editor: Livraria Ferin & C.ª Editores, MDCCCXCVI

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Mulher Caldense

Esta peça de cerâmica encontrei-a num catálogo da leiloeira Nascimento. Identificada como sendo  um Jarro "Mulher Tribal", feita de barro vidrado com decoração relevada e policromada, é verdadeiramente imponente.  Proveniência: Caldas da Rainha, século XX.

domingo, 11 de novembro de 2012

Resposta a Comentário

Não tenho por hábito publicar comentários anónimos.
Mas já que se trata de livros abri uma excepção. Um anónimo pergunta-me se tenho o Giner de Los Rios. E eu pergunto a esse anónimo: Qual livro? Tenho pelo menos dois... Se se identificar digo-lhe quais...

sábado, 3 de novembro de 2012

1.ªs. Edições versus Edições On Demand

Coleccionar raridades biográficas de determinado tema é um dos meus prazeres. Tenho três temas preferenciais, estando à cabeça os livros de e sobre Rafael Bordalo Pinheiro. Mas entre estes temas encontra-se também “Caldas da Rainha”.

Caldas da Rainha, devido à sua história, de mais de 500 anos, intimamente ligada ao termalismo, é um tema rico, por isso é substancial a existência de bibliografia que lhe é referente.

Uma pequena preciosidade é o livrinho de D. Luis Vermell e Busquets, intitulado “Origem do Real Hospital e da Vila das Caldas da Rainha” editado em 1878.

Consegui adquirir um exemplar depois de anos em sua perseguição; em relativo bom estado, custou-me uma determinada importância que o bom senso me convida a omitir.

Com 38 páginas, mais capas, de pequeno formato (14x10,5 cms.) é um dos livros da minha colecção que me dá mais prazer possuir, quer pela eu conteúdo informativo, quer pela sua raridade.

Um dia destes, andando a navegar num dos grandes sítios mundiais de oferta de livros, encontrei a informação sobre a existência da “Origem” em edição on demand (Printed in the USA).

Com franca curiosidade encomendei o livro. Passados uns parcos 10 dias, recebi-o. Custou-me 12,20 Euros, incluindo portes.

Vantagens desta edição: acesso fácil ao livro e o seu custo. Factores negativos de apreciação: Não respeita o formato original e a capa é verdadeiramente surpreendente. De onde terá sido recolhida a imagem que a ilustra? Nas Caldas, não foi de certeza.

Para mim, o meu frágil exemplar tem muito mais valor; uma primeira edição com 134 anos, que folheio com gosto e com a delicadeza exigida pela sua longevidade.

Para recolher informação, livros on demand; para possuir, guardar e desfrutar, sem qualquer sombra de dúvida, 1.ªs Edições e quanto mais antigas melhor.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Impostos - 1899

O Branco e o Negro - Semanário Ilustrado
Ano 1 - Nr. 4 - 29 de Abril de 1899
Autor: Celso Herminio

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Viagem - António no Aeroporto


estudo para o painel de Raúl Solnado


estudo para o painel de Saramago


estudo para o painel de Natália Correia


A VIAGEM.
Caricaturas de António para a estação Aeroporto do metropolitano

Inauguração
26 de Julho, pelas 19h00

Galeria do Museu Bordalo Pinheiro
Campo Grande, 382 - Lisboa
Exposição patente de 27 de Julho
a 31 de Outubro de 2012

Horário
Terça-feira a Sábado, das 10h às 18h
Encerra ao Domingo, Segunda-Feira e Feriados
Entrada Gratuita



Algumas figuras do Portugal do século XX “desfilam”, desde a passada terça-feira, na nova estação de Metro do Aeroporto.

A responsabilidade é do cartoonista António, a quem o Metropolitano de Lisboa encomendou a decoração artística da nova estação.

Para a caricatura, este é sem dúvida um momento empolgante. Muitos artistas a usaram em trabalhos decorativos, numa vertente quase sempre efémera, mas é a primeira vez que ela ocupa um lugar de destaque num espaço público, com esta dimensão e de carácter permanente.

Consciente da importância deste momento, o Museu Bordalo Pinheiro considerou oportuno associar-se expondo, a partir do próximo dia 27, alguns dos estudos que o autor desenvolveu para chegar às representações definitivas que uma vez passadas à pedra deram lugar aos painéis, agora distribuídos pelo novo espaço.

Para além dos estudos de António, são também apresentados na Exposição um conjunto de fotografias que documentam os vários momentos técnicos da execução dos painéis, ou seja, todo o processo técnico que se seguiu ao processo criativo.

Por fim, são apresentados também alguns documentos utilizados neste trabalho. São fontes de inspiração a que o artista recorreu, que compreendem um conjunto diverso de suportes gráficos e permitem uma melhor percepção de todo o itinerário feito pelo caricaturista.

ANTÓNIO ANTUNES publicou os seus primeiros cartoons no diário lisboeta República, em Março de 1974. No final do mesmo ano, ingressou no semanário Expresso onde continua a publicar as suas obras.

Dos prémios recebidos destacam-se: Grande Prémio do XX International Salon of Cartoons (Montreal, Canadá, 1983), 1º Prémio de Cartoon Editorial do XXIII International Salon of Cartoons (Montreal, Canadá, 1986), Grande Prémio de Honra do XV Festival du Dessin Humoristique (Anglet, França, 1993), Award of Excellence – Best Newspaper Design, SND – Estocolmo, Suécia (1995), Premio Internazional Sátira Politica (ex-æquo, Forti dei Marmi, Itália, 2002), Grande Prémio Stuart Carvalhais (Lisboa, Portugal, 2005) e o Prix Presse International (St. Just-Le-Martel, França, 2010).

Realizou exposições individuais em Portugal, França, Espanha, Brasil, Alemanha e Luxemburgo. Publicou, entre outros, os livros, António - 20 anos de Desenhos (1994), Desenhos Satíricos (2000) e Traços Contínuos (2005); integrando também as colectâneas, Cartoons do Ano, desde 1999, e as internacionais, 1970's The Best Political Cartoon of Decade (1981), The Finest International Political Cartoons of Our Time, volumes I, II e III (1992, 1993 e 1994) e Cartoonometter (1994).

Foi júri de salões de desenho humorístico em Portugal, Brasil, Grécia e Turquia.

António dedica-se também ao design gráfico, à Escultura e à Medalhística. É director do salão de humor gráfico, World Press Cartoon.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Figuras e Episódios

FIGURAS E EPISÓDIOS DO LEÃO DE OURO
LUIZ TEIXEIRA
Legenda Literária pronunciada na noite da evocação do Leão de Ouro
17 de Abril de 1937


... "Podem recordar noites felizes, quando Rafael Bordalo Pinheiro, na transição do "António Maria" para os "Pontos nos ii", provocava um coro de alegria com as suas charges contundentes que envolviam na rede dum saboroso humorismo cenas do Paço e personagens da Arcada, confidências de S. Bento e segredinhos de palco."

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Jorge Figueira de Sousa

Hoje o dia entristeceu…

Jorge Figueira de Sousa, Livreiro, 80 anos de idade, faleceu. Não o conheci; nem à sua livraria. São factos de menor relevância.
Morreu um homem Livreiro, amante dos livros.

O mundo ficou mais pobre. Sempre que desaparece um homem de cultura, perde o país, perdemos todos.
Sinto a sua falta como se um amigo fosse.
O mundo dos livros perdeu mais um pouco do seu encanto.
E não tendo sido reconhecido o seu trabalho, em vida, pode ser que agora que desapareceu, corram os poderes políticos a prestarem-lhe homenagem.
É tarde. Sinto-o entre as prateleiras de uma livraria que fica lá não sei onde, virando todos os livros com a capa para cima … Está em paz entre os seus livros ...

domingo, 1 de julho de 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Rico Escarrador

Escarrador Saco de Dinheiro
Fábrica de Faianças de Caldas da Rainha
S/data
Barro Vidrado Verde Acinzentado

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Aprendiz de Encadernação




A encadernação é um processo de conservação dos livros e simultaneamente uma arte.

E se hoje em dia pouca atenção se dá a esta arte, tanto mais que cada vez menos encontramos profissionais do ofício, ela constitui uma profissão que a meu ver deveria ser valorizada.

Ultimamente mercê das novas tecnologias, os livros passam do seu suporte de papel para um suporte electrónico. A tendência geral é a proliferação do e-book em detrimento dos livros como os conhecemos durante tantos séculos.

Considero que até aos anos 80 (+/-) do século passado a edição era vista e realizada de modo totalmente diferente dos dias hoje.

Actualmente interessa colocar “mercadoria” no mercado e construir à volta dela uma bem planeada acção de marketing. É secundário o conteúdo do livro; interessa sobre tudo que o livro venda e quer conste dos tops, alguns deles de duvidosa informação. Claro que há excepções, que só vem confirmar a regra...

As primeiras edições de cuidadosa feitura, sem gralhas, elegantemente impressas em páginas de gramagem agradável ao tacto, cuja lombada não se descolava e de tiragem verificada, são livros que hoje são raros a serem publicados. A edição era uma acção cultural e de prestígio. Hoje, é mais uma acção comercial.

Uma 1.ª edição de Torga, de Namora, de Vergílio Ferreira, de Cardoso Pires, de Alexandre O’Neill, para já não falar de Eça, de Camilo, de Dantas, de Tolentino de Almeida, de Garrett, são edições únicas; não esquecendo, de modo algum, O António Maria, os Pontos nos ii ou a Paródia de Rafael Bordalo Pinheiro. Torna-se imperativo preservar esses livros, exemplares especiais que são.

E o melhor processo de resguardar essas obras é encadernar as mesmas. Seja em inteira de pele, em skivertex ou pergamóide, com nervuras ou sem elas, em meia francesa, ou à inglesa, a encadernação confere ao livro uma mais valia.

Por isso, e por gosto, estou a aprender a encadernar.

Dois Mestres, detentores de quase sessenta anos de saber profissional, acederam a ensinar-me a arte.

Com Mestre Florindo e Mestre Costa, aprendo a desfazer, limpar, coser, colar, fazer lombadas, cortar capas, recortar cantos, colocar folhas de guarda, etc, acções necessárias ao acto de transformar um livro num objecto belo ao mesmo tempo que conserva o seu interior intacto, pronto a acompanhar um novo leitor.

Ainda não sei encadernar, mas estou muito orgulhosa e confortável na minha situação de aprendiz numa oficina de dois aristocráticos operários, como lhes chama Vitor Silva Tavares, editor da & Etc.

É um trabalho minucioso, que exige muita prática e que alia a máxima delicadeza a acções mais musculadas. Vou aprendendo, lenta muito lentamente, porque não é tarefa fácil.





Mestres Costa e Florindo

domingo, 24 de junho de 2012

Belas Encadernações 2

1902
1902


1900

1900

1899

1899

A Bilha de Stº. António


Ciclo Novas Aquisições
O Ciclo Novas Aquisições pretende apresentar, com periodicidade trimestral, as mais recentes peças inseridas no seu acervo (depois da reabertura do Museu em 2005), e nunca antes expostas ao público. Os visitantes terão acesso a informação detalhada da mesma e co-relacional às colecções do Museu e à obra de Rafael Bordalo Pinheiro.

Para esta terceira peça do Ciclo foi seleccionada a singular Bilha Santo António, peça rodada em barro vermelho vidrado, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. Datada de 6/6/1895, a peça integra-se no espírito das celebrações do VII Centenário de Santo António que então decorriam. Foi adquirida em leilão pelo Museu Bordalo Pinheiro em 2005.

Esta mostra está patente de 12 de Junho a 31 de Agosto, no 1º piso do Museu Bordalo Pinheiro, de Terça a Sábado, das 10h00 às 18h00.