CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

218.ª Página Caldense

A INSPIRAÇÃO FOLCLÓRICA NA OBRA DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO
LUIS CHAVES

"Tudo servia a Rafael Bordalo Pinheiro para expressão do seu pensamento. A perscrutação investigadora, o elemento activo que o inspirava, a relacionação entre as perspectivas espirituais, abertas na frente da sua atenção viva e perspicaz, o aproveitamento de todos os factores dinamizadores de sugestão, podem simbolizar-se na mão aberta, fina, e perita ao serviço da inteligência.

A mão agarrava quanto lhe servisse para rir, e servisse também para elucidar, por ilustração de figuras conhecidas e pitorescas, o riso que a vida nacional lhe provocava.
[...]
Rafael Bordalo não teve de se arrepender. Nunca perdeu a ternura de português, nem deixou de buscar a lenha portuguesa para lhe aqueceu a inspiração.
[...]
Desceu Bordalo até ao povo e trouxe de lá inspiração para a sua obra de artista. Com ela iluminou costumes e mostrou contrates. Sentiu verdades e castigou enganos. Foi ilustrador da vida popular, sentindo-a. Foi mestre do sentimento nacional, ensinando os que o ignoravam. O cardo floriu com o rócio da sua comoção, e ele, Bordalo, foi a abelha do verso de Junqueiro:

E ao calix verginal, da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!"

[A Inspiração Folclórica na Obra de Rafael Bordalo Pinheiro. Luis Chaves. Edições José Fernandes Júnior. Lisboa. 1937. 48 páginas numeradas + capas.]

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