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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

159.ª Página Caldense

DOM JOÃO II E A RENASCENÇA PORTUGUESA
F. A. DA COSTA CABRAL

[...] Mas depois do desastre de Santarém mudou o caso completamente de figura, não tornando D. Leonor a consentir jamais o bastardo na sua presença, sendo vãos os rogos e ameaças do rei, cujo pensamento se preocupou desde logo com a sua legitimação, a fim de desviar do trono aquele que por lei de sucessão ficou naturalmente indicado - o Duque de Beja.

A luta com a rainha, prolongou-se até quasi ao fim da vida de D. João. Esta mulher, terrivelmente bragança e fidalga, que tudo sacrificou sempre à sua estirpe, foi de uma tenacidade e de uma persistência admiráveis, na defesa dos interesses da família, embora à custa de «muytas paixões, desfauores e esquivanças que, com muyta paciencia, dissimulação e prudencia sofria, sem nunca querer nisso outorgar». D. João II por seu lado não era também homem para desistir às primeiras, e quanto maior foi a resistência da rainha, tanto mais variados foram os recursos de que usou para a convencer. Conhecendo-lhe o fraco por experiência, que era a mais insofrida avareza, foi para com ela da mais larga prodigalidade; deu-lhe dinheiro à farta! Mas o processo falhou, porque a beata esposa, usando e abusando das petições a que el-rei anuia sempre,não cedeu, nem uma linha, do seu propósito." [Capítulo VI - Luta Diplomática. Pág. 171]

[Colecção Grandes Vultos Portugueses IV. Livraria Ferin Editora / Torres & Cª. Rua Nova do Almda, 70 - 74. Lisboa. 1.ª Edição: 1915.]

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