CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 23 de maio de 2007

Anexo à 42.ª Página Caldense

À laia de conversa com Luis Eme (comentário à Página 42.ª), passo a transcrever o prefácio de Fernando Correia, ao "Compromisso do Hospital das Caldas" (edição de 1930).

Quer ver o texto original do Compromisso?

Está exposto no Museu do Hospital e das Caldas (vulgo Palácio da Rainha). Quanto ao nome da rua, é provável que o deva à existência deste documento.

Quem sabe se um dia destes não lhe darei a conhecer o texto integral?

FACSIMILE DO MANUSCRITO DO COMPROMISSO

"A Quem Ler"

"A publicação do Compromisso do Hospital das Caldas, documento sob todos os pontos de vista interessante para os estudiosos, vem dar ideia a um tempo do estado de adiantamento da assistência na doença em Portugal no começo do século XVI e da importância que era dada já nessa época à terapêutica termal na mais famosa de todas as estâncias termais portuguesas - as Caldas da Rainha.

Médicos, filantropos, historiadores, curiosos dos velhos tempos, em especial da época em que o brilho das descobertas ofuscou tantas provas do nosso avanço na civilização, todos lerão com prazer os item do velho manuscrito.

O Hospital das Caldas - que fora começado a construir em 1485, começou a funcionar logo. Mas só em 1512 a Rainha D. Leonor entendeu que tinha elementos para lhe dar um Compromisso, em que, com toda a meticulosidade e previdência admiráveis, se apontam os mínimos detalhes da vida do balneário-hospital, de modo a poderem beneficiar com as águas sulfurosas caldenses o maior número de doentes, que de todo o país sempre vieram ali tratar-se, à custa das rendas que a mulher de D. João II para isso legou, tendo, para o fazer, vendido jóias e terras que possuía a seu irmão D. Manuel.

Redigiu em grande parte o Compromisso D. Jorge da Costa, o Cardeal de Alpedrinha, que em Roma, servindo-se da sua altíssima influência, conseguiu não só a sua aprovação, como indulgências para os doentes que morressem no Hospital das Caldas e lhe deixassem bens.

O Compromisso é ainda hoje um regulamento modelar não só para os balneários como para estabelecimentos de beneficência, salvo os arcaísmos inevitáveis e de impossível adaptação.

Com o compromisso da Misericórdia de Lisboa, recentemente reeditado, forma um conjunto deveras interessante para o estudo da notável figura da Rainha D. Leonor e de dois dos seus colaboradores: - frei Miguel Contreras e D. Jorge da Costa.

A história crítica da nossa civilização precisa de ser feita sobre elementos que, muitos deles, estão dispersos por bibliotecas e arquivos dificilmente manuseáveis.

O pergaminho onde foi escrito o Compromisso das Caldas está guardado, aliás cuidadosamente, no cofre do Hospital Rainha D. Leonor, podendo nele ler-se no fim a assinatura autografa da fundada das Misericórdias.

Trazendo-o à estampa, pretendemos não só focar mais uma vez o perfil inegualável de D. Leonor de Lencastre, mas evitar que se perca a memória das suas disposições que por mandado da Rainha foram feitas na ocasião.

Respondendo pela exactidão da cópia, abstemo-nos de fazer qualquer estudo crítico por o julgarmos supérfluo: A leitura do Compromisso do Hospital das Caldas dispensa todos os comentários."

Maio de 1930, Fernando Correia

ASSINATURA DA RAINHA D. LEONOR (FACSIMILE)

2 comentários:

Luis Eme disse...

Obrigado pela informação... espero que seja mesmo esse compromisso da rua e não outro qualquer, fora da história da cidade.

Maria disse...

E não é que, mesmo ao pé da Rua do Compromisso, existe a Rua Cardeal de Alpedrinha?

Estará tudo ligado? Andei em tempos na Biblioteca Municipal à procura de textos sobre a toponímia da cidade e o que vi foi pouco interessante...