CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Gato Fernando Pessoa

Estava eu posta em descanso, a ler a «História do Riso e do Escárnio» de Georges Minois, quando vindo da parede do meu lado esquerdo ouço um suave miado. Não liguei. A «Florbela» a gatinha riscada que veio comigo quando a porta da 107 se fechou, estava deitada à minha frente e não tinha sido ela a miar. Será que era um riso transformado em miado que se tinha libertado das páginas do livro que lia? Com curiosidade, a par de um certo receio, viro-me lentamente para a parede atrás de mim, onde habita um bando de gatos, cerâmicos uns, desenhados outros; de Ferreira da Silva a Armando Correia, de Paula Rego a Van Gogh, de Danuta a outros de autor de nome menos sonante.
E que vejo eu? Um gato esbelto, de pêlo preto, de chapéu e laçinho. Olho uma segunda vez; precisava de esclarecer o caso. Era um gato? Era o Fernando Pessoa? e às tantas ouço um ronronar cadenciado que mais me parecia um poema sussurrado.
Estava esclarecido o caso; era um gato Fernando Pessoa, ou em querendo, um Fernando Pessoa gato. E não é verdade que todos os poetas têm algo de felino e que todos os gatos têm algo de poeta?
O gato que faz agora parte da minha galeria felina é da autoria de Mário Reis, artista caldense.

1 comentário:

Luis Eme disse...

e é um gato bem original, ainda por cima poeta, e dos bons. :)