Partilhando leituras

Livros sobre Caldas da Rainha, Rainha D. Leonor, Bordalo Pinheiro, caricaturas,

cerâmicas, gatos e algo mais...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Indiscrições

"Exma. Senhora D. Elvira Agoas Barreiras
Rua da Penha de França nr 137 Lisboa
Caldas da Rainha (data do carimbo: 22 de Agosto de 1921)

Minha Querida Elvira:

Para te provar que ainda sei escrever desejo saber se estás boa assim como o Augusto, nós felizmente bem mas muito combalidos com os tratamentos que é muito maçador razão porque não te tenho escrito ando muito cansada. Tenho sabido da vossa saúde pelo Júlio, quando vai a Lisboa. Também tenho descansado mais por causa disso. Dá muitas saudades ao Augusto e tu aceita um grande abraço da tua irmã muito amiga que é a Maria Ruivo."

Indiscretamente transcrevi o texto de um postal ilustrado enviado das Caldas da Rainha para Lisboa na época do verão dos anos 20 do século passado. O postal mostra-nos uma parte do Parque das Faianças existente junto à Fábrica fundada por Rafael Bordalo Pinheiro. Lugar aprazível, de diversão e de descanso, decorado com cerâmicas de grande dimensão, não deixando por isso de ser um lugar de trabalho. Veja-se a personagem em primeiro plano que carrega sobre o seu ombro esquerdo um bilha? ou barril de pequeno formato?... Não sei. Note-se o garboso representante das forças armadas, elegantemente sentado num banco Junto a uma peça de cerâmica de tamanho considerável. Parece-se um Santo António: não é uma figura masculina tendo ao colo um menino?
Quando a estas imagens dos anos idos, só nos resta fantasiar sobre elas. Nada restou. Sem querer ser saudosista e só valorizar o que havia antes, lamento que o nosso património seja esquecido e mau tratado. Principalmente a nossa herança cerâmica. E mudando de rumo; o que vai ser do nosso Parque? Subsistiu mais de cem anos. E agora? Vai conhecendo uma deterioração contínua e uma inexorável destruição? Lá pela cidade ter um aspecto pouco cuidado, a que os grafitis que conferem um ar totalmente terceiro mundista, vamos deixar que o Parque tenha o mesmo destino?




4 comentários:

Luis Eme disse...

boa pergunta, Isabel.

penso que a nossa sorte vai ser a proximidade das eleições.

Anónimo disse...

Isabel

Em primeiro quero deixar as minhas condolências pelo falecimento de sua estimada mãe, noticia essa que me chegou ontem.
E a vida continua nas gerações que se seguem.
um grande abraço
Vitor Pires

Anónimo disse...

Isabel.

Quando existe uma forte paixão por uma matéria, neste caso Bordaliana, o postal é visto à lupa..A figura anuncia o mostruário da Fábrica do Godinho Leal e a escultura representa o guarda Branco( modelada por Costa Mota com a referida personagem ainda viva ) Dizia-se ser o caseiro e ou guarda da mata das faianças. A figura de farda é possivel um militar no seu dia de folga.....o Santo António gigante, era do Bordalo....aquelas coisas que ficaram por lá e hoje se perderam o rasto.....À excepção do velho Branco que a familia Martins guardou durante anos num barraco qualquer. Esta peça está no museu Malhoa, concerteza voltou outra vez para o barraco da barracada que é o nucleo de ceramica do museu Jose malhoa......um abraço
Vitor Pires

Anónimo disse...

Ontem, como hoje....só muda o empobrecimento galopante da nossa memória colectiva.....bj amigo, Isabel.
NB