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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Desabafo

Hoje ao abrir o meu email deparei com uma mensagem com origem na ACCCRO, a divulgar a realização de uma Feira do Livro promovida pela Associação Olha-te.

Agradeço a informação mas não posso deixar reflectir sobre a mesma.

- fec
hei a Loja 107 no final de Setembro deste ano, porque a concorrência não me permitia a realização de um volume de vendas que me permitisse fazer frente ao volume de despesas.

Sempre paguei os meus impostos, sempre cumpri os meus deveres para com os meus empregados, sempre paguei as quotas à Associação Comercial.

Vejo agora, dois meses depois de ter encerrado a livraria, a realização de uma feira do livro com o apoio da Associação Comercial, da Câmara das Caldas e da Câmara de Óbidos.

E isto depois de assistir a movimentos de pesar pelo fecho da minha Livraria. Que veracidade existirá nessas atitudes?

Não posso deixar de expressar a minha admiração pelo facto, tanto mais que tal feira é apelidada de Festa do Natal do Comércio! Qual é a entidade comercial que promove esta realização para que lhe seja dado tal nome??

Que não sirva de desculpa a finalidade da Feira; a realização de fundos para o tratamento do cancro. Ninguém contesta a necessidade de auxílio aos doentes de cancro.

O que contesto e a realização de uma feira de livros em concorrência directa a quem exerce este comércio e logo no período de natal, com o apoio da Associação Comercial e das Câmaras.


A principal responsabilidade cabe às Editoras /Distribuidoras que participam nestas acções, em concorrência directa com quem exerce o comércio livreiro no seu dia a dia.

Nada tenho contra as Associações que prestam o seu serviço cívico. Também presto voluntariado em associações de carácter humanista.

Mas não será possível a estas optarem por outras práticas que não afectem a acção comercial estabelecida? Ainda que mal pergunte: e o Iva ?

E porque é que estas feiras só são feitas com livros? Por ser mais fácil? Por ser um artigo "cultural"? Ou porque a comercialização do livro está pelas ruas da amargura, sem critério e com uma acentuada falta de deontologia comercial em que tudo é permitido para vender mais uns?

Assim não há livraria que aguente!

PS: Quero deixar bem claro que nada, mas mesmo nada me move contra a Associação Olha-te, a quem desejo um bom trabalho no âmbito da sua finalidade: ajudar os doentes com Cancro.

Sei também que este é um assunto muito sensível, em que na maior parte das vezes os livreiros referem ignorar a arranjar conflitos.

Mas a mim, ainda me dói muito o fecho da minha Livraria....

5 comentários:

Fernando Frazão disse...

A mim também me dói. Soube pelo seu irmão que tinha fechado a Livraria apenas há duas semanas atrás.
A única coisa que posso fazer é lamentar que tal tenha acontecido e, como consumidor, continuar a priveligiar as livrarias independentes neste meu vício compulsivo de comprar e ler livros.
Bem haja.

Anónimo disse...

ALGUEM QUE LHES ARRANJE UMA CONSCIÊNCIA

Cara Amiga

Compreendemos bem o seu desabafo e gostaríamos de manifestar toda a admiração que temos pelo que foi a sua luta. Na Galileu nunca ninguém esquecerá “ a Padeira de Aljubarrota” alcunha que lhe foi dada por muitos vendedores que a visitavam.
Nós próprios “ GALILEU” estamos numa situação muito difícil. Em Janeiro teremos que repensar toda a nossa actividade, fomos no entanto bafejados pela sorte, temos uma Câmara digna que fará estou certa tudo o que for preciso para nos ajudar. Sempre são 40 anos ao serviço dos Munícipes.
Mas percebemos que muitos livreiros pelo País fora (tenho viajado cá dentro) enfrentarão grandes dificuldades!
Que grande ironia…Quando um Presidente da Republica apela todos os dias na comunicação social :
Á contenção de gastos (Nós percebemos porquê)
À poupança ( os nossos bancos bem precisam)
E a comprar Nacional…
Temos Municípios a encher jardins públicos de comércio que por sua vez
Incitam á compra de um produto Alemão!
É o pais do absurdo.
Tenho pena que não tenha tido saúde para continuar a lutar, pois acredito que estamos numa época de mudança.
O comerciante Português foi imortalizado pelo Hergé na personagem de Oliveira Da Figueira capaz de vender guarda chuvas no deserto. Foi o que a Galileu sempre fez.
Temos que manter a esperança
Um grande abraço, sabemos sentir a sua dor.
A Família Galileu





FRANCISCO! Regular não custa dinheiro.

Anónimo disse...

mas a livraria não está já fechada? que diferença faz? fui culpa das feiras do livro?

Galileu disse...

ALGUEM QUE LHES ARRANJE UMA CONSCIÊNCIA

Cara Amiga

Compreendemos bem o seu desabafo e gostaríamos de manifestar toda a admiração que temos pelo que foi a sua luta. Na Galileu nunca ninguém esquecerá “ a Padeira de Aljubarrota” alcunha que lhe foi dada por muitos vendedores que a visitavam.
Nós próprios “ GALILEU” estamos numa situação muito difícil. Em Janeiro teremos que repensar toda a nossa actividade, fomos no entanto bafejados pela sorte, temos uma Câmara digna que fará estou certa tudo o que for preciso para nos ajudar. Sempre são 40 anos ao serviço dos Munícipes.
Mas percebemos que muitos livreiros pelo País fora (tenho viajado cá dentro) enfrentarão grandes dificuldades!
Que grande ironia…Quando um Presidente da Republica apela todos os dias na comunicação social :
Á contenção de gastos (Nós percebemos porquê)
À poupança ( os nossos bancos bem precisam)
E a comprar Nacional…
Temos Municípios a encher jardins públicos de comércio que por sua vez
Incitam á compra de um produto Alemão!
É o pais do absurdo.
Tenho pena que não tenha tido saúde para continuar a lutar, pois acredito que estamos numa época de mudança.
O comerciante Português foi imortalizado pelo Hergé na personagem de Oliveira Da Figueira capaz de vender guarda chuvas no deserto. Foi o que a Galileu sempre fez.
Temos que manter a esperança
Um grande abraço, sabemos sentir a sua dor.
A Família Galileu





FRANCISCO! Regular não custa dinheiro.

Hélio Peixoto disse...

Sou livreiro há 4 décadas e sei bem o que sente. Somos uma espécie em vias de extinção!E como bem diz por culpa das editoras, mas também pelas atitudes dessa ditas instituições que deviam defender os seus associados e são as primeiras a maltratar-nos. Assim aconteceu comigo e me obrigou a deixar de ser sócio depois de mais de 30 anos de associado e até dirigente.Noutros tempos , claro!