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domingo, 4 de dezembro de 2011

Comentários a Desabafo

Recebi estes dois comentários que não consegui enviar para os comentários do post anterior, por isso tomei a liberdade de os copiar para aqui.



Loja de História Natural <http://www.blogger.com/profile/14030312348206238428> deixou um novo comentário na sua mensagem "Desabafo <http://cavacosdascaldas.blogspot.com/2011/12/desabafo.html> ":
As feiras e as lojas temporárias que abrem pela altura do Natal são concorrência desleal.
Que tenham o apoio de entidades públicas só mostra o completo desvario das mesmas que não fazem ideia do prejuízo que é para uma cidade não ter lojas abertas. (mas vão descobrir em breve).
É uma tristeza. As associações não podem querer substituir-se aos comerciantes, como fazem repetidamente. Seja qual for a causa.
E sim, e o IVA é uma boa pergunta.




Cara livreira,
Antes de mais as minhas saudações. Escrevo de Maputo, capital moçambicana. Mesmo deste recanto tenho acompanhado, com preocupação, os recentes acontecimentos no mercado livreiro português. Através dos blogues, principalmente, fico sempre informado do que por aí vai acontecendo. Sou um jovem moçambicano de 20 anos e trabalho na mais antiga livraria de Moçambique, há quase dois anos.
É lamentável que aqueles que durante décadas dedicaram-se a uma causa tão nobre estejam a ser sacrificados pelas leis de mercado estúpidas e o comando cretino das grandes editoras.
Em Moçambique, por causa da existência de pouquíssimas livrarias e por o sistema não estar consolidado, o problema não se tem colocado ao nível da influência das editoras e distribuidoras. Aqui o maior problema é mesmo dos leitores, que não existem. É verdade que com a crise aí muita gente tem que decidir entre gastar para livros ou para o pão.
É um esforço hercúleo conseguir que muitas pessoas comprem e passa sempre por estratégias de negócio bastante agressivas. O que vende aqui é, sobretudo, o livro técnico. Quanto à ficção, os compradores são quase sempre os mesmos e enquanto não se conquistar mais leitores a tendência será sempre essa. A educação formal é deficiente e por isso não consegue instigar as pessoas a ler. Em casa raramente há incentivos para se ler, primeiro porque não há livros, e segundo porque o hábito não existe. Mas há tantas questões a volta disso.
Fico por aqui, e mesmo à esta distância lamento o que se passou consigo pois sei, como livreiro, como é terrível ver um projecto ao qual nos dedicamos uma vida acabar assim.


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