Partilhando leituras

Livros sobre Caldas da Rainha, Rainha D. Leonor, Bordalo Pinheiro, caricaturas,

cerâmicas, gatos e algo mais...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Confraria do Príapo - Parte II

"Leda e o Cisne" , de Ferreira da Silva
Café Pópulos

Ontem, um grupo de caldenses concretizou a realização da Confraria do Príapo.

Sabendo nós que o Príapo é o deus da fertilidade podemos dizer que a cerimónia decorreu com toda a vitalidade.

A partir de agora, Confrades e “Confradas” vão meter as mãos à obra e tudo fazer para divulgar e recriar a cerâmica erótica das Caldas.

A notícia da criação desta confraria suscitou as mais diversas reacções, na sua maior parte muito positivas. Um exemplo desse facto é o conjunto de comentários recebidos. Nunca foram tantos!...

Nem a Rainha D. Leonor, ou Rafael ou Columbano Bordalo Pinheiro, ou El-Rei D. João II, ou o pintor Malhoa, ou a arte da caricatura, temas habitualmente tratados neste blog, despertaram tanta curiosidade.

É um assunto com imensas potencialidades, que desperta um vivo interesse e suscita muita curiosidade quanto ao modo como pode vir a ser encarado.

Indissociável da nossa tradição, o falo das Caldas, nas suas mais variadas vertentes, é sem qualquer sombra de dúvida um elemento enriquecedor da nossa cultura.

domingo, 26 de abril de 2009

O Lugar do Vento

Moinhos do Oeste
[César Francisco Martins Alves - Blog: Olhares]

O lugar do vento

Desde sempre quis saber porque razão se chama moinho a este pequeno navio.
As velas projectam a velocidade que não desloca o moinho mas, pelo contrário, interioriza essa velocidade e transforma-a em farinha de milho e de trigo.

Alguns teimosos ainda fazem pão verdadeiro
porque recusam o pão de plástico do hipermercado.
De vez em quando um cabo trava o movimento das velas
tal como a âncora que imobiliza o navio, no sossego da tarde, no tempo suspenso,
no lugar do vento onde se junta o sal do mar e a argila desta terra singular.

A terra de onde parti e aonde hei-de voltar um dia para descansar perto do lugar do vento, sem obter resposta para a minha dúvida de sempre:
saber porque razão se chama moinho a este pequeno navio.
José do Carmo Francisco

[É bom receber poesia como prenda. Um poema do amigo José de Carmo Francisco]

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Uma Questão de Saúde

A leitora (1770-1772)
Jean-Honoré Fragonard

quinta-feira, 23 de Abril de 2009 19:11

Quem mais lê melhor cuida da sua saúde, conclui estudo

Quem lê livros é mais capaz de adoptar estilos de vida saudável, de gerir as doenças e de compreender a mensagem do médico, conclui um estudo sobre os hábitos de leitura realizado em centros de saúde.

“Há uma relação positiva entre os níveis de literacia dos cidadãos e o nível de saúde de uma população”, afirmam os médicos Rosa Costa e Rui Macedo, num trabalho apresentado hoje na Feira do Livro de Coimbra, no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Livro.

O trabalho, sobre hábitos de leitura e compra de livros, jornais e revistas, foi realizado através de questionário, entre 2 e 11 de Março último a utentes de dois centros de saúde de Coimbra onde estes médicos desenvolvem a actividade clínica, o da Fernão de Magalhães, e o de S. Martinho do Bispo.

Diário Digital / Lusa

Confraria do Príapo

Príapo - Casa Vetti, Pompeia, Século I

Projecto de Estatutos da
Confraria do Príapo

Capítulo I
Denominação, Sede e Objecto
Artigo 1º
(Denominação e Sede)
1. É constituída a Confraria do Príapo, doravante designada por Confraria.
2. A Confraria identifica-se pelos símbolos que vierem a ser aprovados em Assembleia-Geral.
3. A Confraria tem a sua sede nas Caldas da Rainha, durando por tempo indeterminado.

Artigo 2º
(Objecto Social)
1. A Confraria é uma pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, tendo por objecto social defender, valorizar e promover, com identidade própria, a cerâmica erótica das Caldas da Rainha, de que o falo é a principal peça e símbolo.
2. A Confraria privilegia uma abordagem cultural, artística e elegante do seu objecto social, rejeitando toda e qualquer iniciativa que se caracterize pela vulgaridade, grosseria e ofensa social.
3. Na prossecução do seu objecto, a Confraria propõe-se:
a) Promover o registo e a defesa do falo e de toda a cerâmica erótica das Caldas da Rainha;
b) Incentivar a inovação na abordagem artística e criativa;
c) Estimular a produção de peças com qualidade certificada;
d) Apoiar iniciativas de investigação e divulgação;
e) Promover conferências, exposições, concursos e outros eventos;
f) Identificar peças e colecções ligadas à cerâmica erótica das Caldas da Rainha;
g) Estabelecer relações com entidades, nacionais e estrangeiras, cujo objecto seja similar ou complementar ao da Confraria;
h) Colaborar com os órgãos locais, regionais, nacionais e internacionais de cultura, comércio, turismo e indústria cerâmica, em todas as acções que interessem ao seu objecto social.

Capítulo II
Dos Confrades
Artigo 3º
(Admissão e Demissão)
1. Os membros da Confraria denominam-se Confrades.
2. São admitidos como Confrades os candidatos que se identifiquem com o seu objecto social, aceitem os Estatutos e sejam aprovados em Assembleia-Geral, por proposta de pelo menos dois Confrades.
3. Perdem a qualidade de Confrades, aqueles que o requeiram por escrito ou que violem os Estatutos, de forma grave ou reiterada.
4. A demissão de Confrade carece de confirmação em Assembleia-Geral.

Artigo 4º
(Direitos)
1. Constituem direitos dos Confrades:
a) Participar na vida e actividades da Confraria;
b) Usar os símbolos da Confraria;
c) Eleger e ser eleitos para os órgãos sociais da Confraria.
2. Os direitos dos Confrades cessam no caso de incumprimento dos deveres estabelecidos.

Artigo 5º
(Deveres)
Constituem deveres dos Confrades:
a) Cumprir os Estatutos e os Regulamentos da Confraria, bem como as deliberações da Assembleia-Geral;
b) Defender e prestigiar o bom nome da Confraria;
c) Colaborar nas actividades da Confraria, conforme as suas possibilidades.

Capítulo III
Dos Órgãos Sociais
Artigo 6º
(Órgãos Sociais)
1. Os órgãos sociais da Confraria são:
a) Assembleia-Geral, dirigida por um Presidente, um Vice-Presidente e um Secretário;
b) Conselho Fiscal, composto por um Presidente, um Vice-Presidente e um Secretário;
c) Direcção, composta por um Presidente, um Vice-Presidente, um Tesoureiro, 1 Secretário e 3 Vogais.
2. Os órgãos sociais são eleitos pelo período de dois anos, podendo ser reeleitos, apresentando-se as listas a sufrágio para a totalidade dos cargos.
3. Os Confrades eleitos mantêm-se em funções até ao 15º dia seguinte ao da eleição dos novos corpos sociais.
4. Os órgãos sociais e os Confrades que os compõem podem ser destituídos em Assembleia-Geral.
5. O ano social coincide com o ano civil e a fracção do primeiro ano de mandato conta como um ano completo.

Artigo 7º
(Assembleia-Geral)
1. A Assembleia-Geral é o órgão máximo da Confraria, deliberando sobre as competências e decisões dos demais órgãos sociais.
2. A Assembleia-Geral reúne ordinariamente no primeiro trimestre de cada ano, para apreciar o relatório e contas do exercício findo e aprovar o orçamento e plano de actividades para o ano seguinte.
3. A Assembleia-Geral ordinária tem carácter electivo de dois em dois anos.
4. A Assembleia-Geral reúne extraordinariamente quando assim o requeiram a Direcção ou um quinto dos Confrades, com uma finalidade legítima, devendo sempre expor os motivos da convocatória e a ordem de trabalhos.
5. As reuniões da Assembleia-Geral são convocadas pela Direcção com uma antecedência mínima de quinze dias, por anúncio público no principal órgão de comunicação social local, contendo a indicação do dia, hora, local da reunião e respectiva ordem de trabalhos.
6. A Assembleia-Geral delibera, em primeira convocação, com a presença de pelo menos metade dos Confrades, ou com qualquer número de Confrades trinta minutos depois da hora marcada na convocatória.
7. Cada Confrade tem direito a um voto, sendo as deliberações da Assembleia-Geral tomadas por maioria simples dos Confrades presentes.
8. As votações em Assembleia-Geral são efectuadas por voto secreto.
9. As deliberações da Assembleia-Geral são registadas em Acta pelo Secretário, sendo esta assinada pelos membros da Mesa.
10. A acta deverá ser enviada a todos os Confrades no prazo de 60 dias.

Artigo 8º
(Conselho Fiscal)
1. O Conselho Fiscal reúne ordinariamente uma vez por ano e extraordinariamente sempre que se justificar, mediante convocatória do seu Presidente, deliberando apenas com a maioria dos seus membros presente.
2. O Conselho Fiscal pronuncia-se sobre o relatório e contas da Confraria, assim como pela interpretação e cumprimento dos Estatutos.
3. As decisões do Conselho Fiscal são registadas em Acta, sendo esta assinada pelos seus membros.

Artigo 9º
(Direcção)
1. A Direcção reúne ordinariamente quatro vezes por ano e extraordinariamente sempre que se justificar, mediante convocatória do seu Presidente, deliberando apenas com a maioria dos seus membros presente.
2. À Direcção compete gerir os assuntos correntes da Confraria e representá-la externamente, propondo à Assembleia-Geral as decisões que competem a este órgão.
3. As decisões da Direcção são registadas em Acta, sendo esta assinada pelos membros presentes.
4. A Confraria obriga-se mediante a assinatura de dois dos seus membros, entre o Presidente, o Vice-Presidente e o Tesoureiro.

Capítulo IV
Disposições Finais
Artigo 10º
(Alteração dos Estatutos)
Os Estatutos podem ser alterados por deliberação de dois terços dos Confrades presentes em Assembleia-Geral.

Artigo 11º
(Dissolução da Confraria)
A Confraria pode ser dissolvida por deliberação de dois terços dos Confrades presentes em Assembleia-Geral.


Príapo, Man Ray

Certificado de Admissibilidade de Firma ou Denominação

Código de Certificado de Admissibilidade: 6678-4122-8110
Número do Certificado de Admissibilidade: 2009026216

Firma ou denominação aprovada para os elementos abaixo indicados:
CONFRARIA DO PRÍAPO
Com o NIPC: 508949661

Certificado requerido por:
Nome: Teresa Maria Sampaio Pereira Monteiro
Identificação: Número de inscrição na Ordem dos Notários - 00066

Para efeitos de constituição de: Associação de direito privado
Sede: Concelho de Caldas da Rainha, distrito de Leiria
Objecto social:
Defender, valorizar e promover, com identidade própria, a cerâmica erótica das Caldas da Rainha, de que o falo é a principal peça e símbolo. Privilegia uma abordagem cultural, artística e elegante do seu objecto social, rejeitando toda e qualquer iniciativa que se caracterize pela vulgaridade, grosseria e ofensa social. Na prossecução do seu objecto propõe-se a promover o registo e a defesa do falo e de toda a cerâmica erótica das Caldas da Rainha, incentivar a inovação na abordagem artística e criativa, estimular a produção de peças com qualidade certificada, apoiar iniciativas de investigação e divulgação, promover conferências, exposições, concursos e outros eventos, identificar peças e colecções ligadas à cerâmica erótica das Caldas da Rainha, estabelecer relações com entidades, nacionais e estrangeiras, cujo objecto seja similar ou complementar ao da Confraria, colaborar com os órgãos locais, regionais, nacionais e internacionais de cultura, comércio, turismo e indústria cerâmica, em todas as acções que interessem ao seu objecto social.
Aprovado por:
Ana Cristina Cabaço Leonardo Ramos, Conservador auxiliar
Emitido em: 14-04-2009
Válido até: 14-07-2009 (inclusive)
Utilização do certificado: Por utilizar



quinta-feira, 23 de abril de 2009

Apresentação de Livro

CENTRO CULTURAL E DE CONGRESSOS

Apresentação de livro «A EDUCAÇÃO DO MEU UMBIGO» DE PAULO GUINOTE
25 Abril 2009 18:00 Pequeno Auditório

"A Educação do Meu Umbigo" começou por ser um blogue e Paulo Guinote estava longe de imaginar que, poucos anos depois, os seus textos seriam publicados num livro.Segundo a Porto Editora, o blogue de Paulo Guinote "ganhou o estatuto de referência mobilizadora da revolta de toda uma classe profissional", a dos professores.

A verdade é que "A Educação do Meu Umbigo" é um exemplo de como a blogosfera se transformou num espaço de intervenção cívica, com grande poder de influência aos mais diferentes níveis, nomeadamente político.Agora, em formato de livro, o projecto de Paulo Guinote ganha um outro estatuto, chegando a novos leitores e com o claro objectivo de alimentar o debate sobre uma das áreas mais importantes da sociedade: a Educação.

São 400 páginas que revisitam o que de mais importante se passou nos últimos anos no âmbito da realidade educativa em Portugal, “lançando um olhar ácido sobre situações, protagonistas e outras incredulidades que têm afligido o nosso sistema educativo”, como refere Paulo Guinote.

Textos que revelam um conhecimento de causa incontestável e que contribuíram para transformar este como o "blogue-bandeira" de toda uma classe e, ao mesmo tempo, um espaço incómodo para determinados círculos.Organizado numa perspectiva cronológica, o livro constitui um documento fundamental para perceber as polémicas que marcam a agenda da política educativa no nosso país.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

370ª. Página Caldense

Balneário das Águas Santas
Caldas da Rainha

"V Exposição Agrícola Pecuária Industrial e de Antomóveis no Parque do Hospital Rainha D. Leonor das Caldas da Rainha 21 a 28 de Agosto de 1927

O maior certame realisado em Portugal

Inauguração e abertura do certame por S. Exª. o Presidente da República, Governo e Entidades oficiais. - Missa Campal celebrada por S. Exª. Revmª. o Bispo de Leiria, seguida de procissão a S. Izidoro patrono dos lavradores e benção de gados. - Parada Agrícola. - Festa dos Bombeiros Portuguezes. - Orfeão composto por 300 figuras. - Concertos pelas bandas da Guarda Nacional Republicana, pela do Corpo de Marinheiros, Infantaria 5 e mais 15 filarmónicas. - Excursões. - Demonstrações de maquinaria agrícola e outros acessórios. - Touradas. - Desafios de Foot-Baal. - Animatógrafo ao ar livre e explendido serviço de restaurant no recinto da exposição. - jazz-band. - Concertos de Telefonia sum Fios. - Verbenas organisadas por senhoras Hespanholas e Portuguesas. - Fogos de artifício. - Cascatas e repuchos luminosos." [Página 3]

369ª. Página Caldense

JOSHUA BENOLIEL
1873-1932
REPÓRTER FOTOGRÁFICO - PHOTOJOURNALIST

Fotógrafo na feira das Caldas da Rainha, 1909
[Página 159]


[Joshua Benoliel 1873 - 1932. Repórter Fotográfico. Photojournalist. Este catálogo foi publicado por ocasião da exposição que decorreu na Cordoaria Nacional, Lisboa, de 18 de Maio a 21 de Agosto de 2005. Câmara Municipal de Lisboa]

terça-feira, 21 de abril de 2009

Proposta de Leitura ao Serão


GOVERNANTES NOJENTOS
Terry Dearly
Colecção História Horrível, Publicações Europa América

Exposição Universal de Paris 1889

Exposição Universal de Paris, cartaz
Panorama da exposição no Campo Marte e Torre Eiffel
Reprod. seg. fot., A. desc.in O Ocidente, Lisboa 1889,
vol. 12, pp. 140-141

120 anos da Exposição Universal de Paris de 1889

A partir de hoje e na companhia indispensável de Rafael Bordalo Pinheiro vamos evocar a Exposição Universal de Paris de 1889. Toda a documentação reunida no blog Expo Paris 1889.

sábado, 18 de abril de 2009

368ª. Página Caldense


Projecto para Monumento
a Rafael Bordalo Pinheiro
da Autoria de Francisco Elias

Os meus agradecimentos ao Sr. Joaquim Baptista pela cedência da fotografia deste estudo de um projecto nunca concretizado.

367ª Página Caldense


Bordalo Contemporâneo
e Contemporâneos com Bordalo
[Bordalo Contemporâneo e Contemporâneos com Bordalo. Galeria NovaOgiva. Óbidos. 22 de Novembro a 31 de Janeiro de 2008]

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Café Literário

Café Literário

Autor Convidado

José Ricardo Nunes

Livro:
Versos Olímpicos


Chá de Limão, Rua Dr. Leão Azedo

Dia 17 de Abril de 2009 (Sexta-Feira)
21,30 Horas

Loja 107 partilhando leituras com a cidade

A Visitar 2 em 1


As Farpas

Agradecendo o contacto passo a responder a Ana que me enviou um comentário, salientando o facto de As Farpas serem da autoria de Ramalho Ortigão.

Com a devida vénia passo a transcrever a introdução à obra As Farpas, Coordenação de Maria Filomena Mónica, Principia, Novembro de 2004.

" A 17 de Junho de 1871, começaram a aparecer, nas bancas de Lisboa, uns opúsculos de capa alaranjada, decorados com o diabo Asmodeus - o génio impuro de que falam as escrituras - ostentando o título As Farpas. Na vertical, figurava o nome de Eça de Queiroz e, na horizontal, o de Ramalho Ortigão. Os caderninhos, cujo subtítulo era Crónica Mensal da Política, das Letras e dos Costumes, tinham cerca de 100 páginas. Eram uma obra colectiva: exceptuando duas cartas assinadas, os restantes artigos apareciam na primeira pessoa do plural. Durante os primeiros anos, a totalidade dos artigos foi redigida por Eça. A sua colaboração terminaria no número de Setembro-Outubro de 1872, quando partiu, como cônsul, para as Antilhas espanholas; a de Ramalho estender-se-ia ao longo de onze anos."

quinta-feira, 9 de abril de 2009

3.º Encontro de Escritores de Torres Vedras


Tive a honra e o prazer de ser convidada a participar no 3.º Encontro de Escritores de Torres Vedras. Eis a minha intervenção:

"Muito boa tarde.

Quero desde já expressar a minha alegria por me encontrar entre vós, partilhando esta mútua e confessada paixão pelos livros.

Desejo igualmente felicitar a organização desde 3.º Encontro de Escritores em Torres Vedras, e agradecer o seu amável convite.

Antes de prosseguir, permitam-me que me apresente: chamo-me Isabel Castanheira e sou livreira nas Caldas da Rainha, profissão que exerço desde os tempos em que os livros eram identificados pelos seus títulos e autores, bem longe da actual prática que os considera meros produtos, transaccionáveis como quaisquer outros.

Calculem pois, há quanto tempo comecei!...

Quando, há cerca de um mês atrás, recebi este desafio – participar no debate da mesa, a que coube tratar o tema:

«A Literatura Improvável – A Promoção da leitura fora dos Grandes Centros»

- e acedi ao convite, foi, acreditem, com uma grande dose de inconsciência, que o fiz.

Impõe-se abrir aqui um pequeno parêntesis: o tema inicial foi, entretanto, parcialmente alterado pela organização.

Dado o facto de, à data, já ter a minha intervenção escrita e não ter tido, entretanto, a oportunidade de a refazer, é ao tema inicial que obedece a minha apresentação.

Reli, pois, o tema proposto e pus a mim própria esta simples questão: o que poderia significar «Literatura Improvável»?

Um pouco perplexa, consultei um dos mais vulgares dicionários, e fiquei a saber que literatura é simplesmente um conjunto de «Escritos narrativos, históricos, críticos, de eloquência, de fantasia, de poesia, etc.…»

E que improvável, será «…o que não oferece probabilidade de se realizar».

Partindo destas premissas, pus a mim própria uma nova questão:

- Dar-se-ia o caso de, fora das grandes urbes, talvez sob a influência de um ambiente menos stressante, ou por via, quem sabe, da existência de uma atmosfera impregnada de pólens dos plátanos, ou ainda, porventura, sob o sortilégio de uma certa ruralidade histórica, poder a literatura transfigurar-se?

O que até então era provável, tornar-se improvável? Seria tudo uma questão de microclima, de latitude, de longitude…?

Consideremos então esta hipótese…

- Seria provável que Deolinda, o grande amor do Dr. Sidónio Rosa, personagem de Mia Couto, trocasse de páginas com a Laurentina de Agualusa?

- Seria provável Romeu apaixonar-se por Isolda, deixando a Tristão o campo livre para cair nos braços de Julieta?

- Seria provável a Maigret – sem disso informar Simenon – viajar para a enevoada Londres, na pista de Sherlock Holmes?

- Seria provável encontrar Sal Paradise, o aventureiro de Kerouac, a remar a remar, enquanto o velho marinheiro, do velho Steinbeck, feito motoqueiro, percorria o grande continente americano?

- Seria provável à camiliana Teresa de Albuquerque deixar Coimbra, obrigando a queiroziana Maria Eduarda à troca?

Ainda sem certezas plenas, continuei a pôr-me questões:

- Seria provável encontrar o Capitão Haddock a defender a inexpugnável aldeia gaulesa, enquanto Obélix, na companhia de Astérix e Ideafix, se propunha conquistar o Tibete?

-Seria provável encontrar Corto Maltese a passear pelo casco velho de uma sedutora Barcelona, enquanto David Martin desvendava os segredos de Veneza?

Uma última dúvida:

- Seria provável encontrar o gato Zorbas na floresta de Jorge Amado ao mesmo tempo que o Sapo Cururu – que nas horas vagas se dedica à crítica literária – vagabundeia pela Hamburgo de Sepúlveda?

- E longe de mim, muito longe de mim mesmo, equacionar a probabilidade de o príncipe encantado casar com o Chapelinho Vermelho ou a Branca de Neve ser comida pelo Lobo Mau.

E cheguei à conclusão que as minhas questões, que eu considerava muito prováveis, eram simples e totalmente improváveis.

Retomando o fio à meada, claro está que o conteúdo de um livro é sempre o mesmo, independentemente do local onde se encontrar.
Em Nova Iorque, em Londres, em Lisboa, nas Caldas ou em Torres, o Auto da Barca do Inferno será sempre o mesmo; a diferença residirá no facto de Gil Vicente nada significar para os nova-iorquinos ou para os Londrinos enquanto que, para parte da população escolar de Lisboa, Caldas ou Torres, é leitura recomendada.

Simplificando, a Literatura não é, nem mais nem menos do que livros e mais livros, editados a uma média – dizem – de 40 títulos novos por dia.

Pergunto então:

- A quem compete promover a literatura, no sentido mais lato do termo?

Numa primeira análise, compete aos organismos públicos que têm – ou de quem se diz que têm – essa função, sejam eles o Ministério da Cultura, o Ministério da Educação, a Direcção Geral das Bibliotecas, o Instituto Camões, ou o Plano Nacional de Leitura.

Quanto a mim, confesso-vos a, digamos assim, minha bipolarização: se, por um lado, sou uma amante dos livros, totalmente livre na sua escolha, por outro lado, como livreira, estou condicionada pelo objectivo final, que é a sua venda.

Por outro lado, como cidadã interessada pelo saber, compete-me também a divulgação dessa mesma cultura escrita. E posso fazê-lo em Grupos de Leitores, assistindo a conferências ou colóquios de divulgação literária, participando de encontros como este, ou simplesmente numa troca de impressões com um amigo, sobre o último livro lido.

Na minha qualidade de livreira – compete-me saber vender livros; e não fazer diferenciação entre «Boa» e «Má» literatura.

A opção pela escolha e eventual compra é do Cliente/Leitor, a quem eu tenho que disponibilizar uma oferta diversificada.

Chamemos, neste ponto, em nossa defesa, um dos nomes tidos por intangíveis: Fernando Pessoa, que na revista de «Comércio e Contabilidade», n.º 1, de Janeiro de 1924, escreveu:

«Um comerciante, qualquer que seja, não é mais do que um servidor do público; e recebe uma paga a que chama o seu «lucro», pela prestação desse serviço. Ora toda a gente que serve deve, parece-nos, buscar agradar a quem serve – mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações; partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós – mas do princípio que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não) nós é que devemos pensar como eles: o que temos que ver é como eles efectivamente pensam, e não como é que nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem.»

É claro, pois, que posso influenciar a escolha do cliente, se a minha opinião for aceite.

Como livreira, tenho outra forma de promover um livro ou um escritor: convido-o a participar num Café Literário, e torno possível o contacto directo entre esse autor e os seus leitores; mas nada de ilusões: o propósito final é a venda dos livros desse autor.

Neste momento, confesso, que o que menos me preocupa é a Literatura e a sua divulgação.

O que me preocupa é a necessidade de vender livros.

Disse-vos há pouco, que temos todos os dias 40 títulos novos a chegarem ao mercado.

E é aqui é que reside o cerne da questão:

- Como ter conhecimento atempado dessa oferta?

- Como conseguir vender esses cerca de 1000 novos títulos mensais?

- Como dar a conhecer ao meu potencial cliente a sua existência?

- Como conquistar mercado num sector tão fragmentado?

- Como fazer a gestão económica desta oferta?

Não vale a pena estar com um discurso «politicamente correcto» por isso serei franca: não me interessa se o livro que vendo é considerado de conteúdo «literário» ou não; interessa-me sim vendê-lo, tanto mais quanto reconheço que a nossa sociedade actual, não conta a leitura no número das suas principais prioridades.

Já o efeito devastador do actual contexto económico nacional reflectido na minha actividade comercial preocupa-me e muito.

Não posso pois, de modo algum, dar-me ao luxo de assumir uma postura elitista e recusar probabilidades de vendas, seleccionando a qualidade literária dos livros que disponibilizo na minha livraria. Selecciono sim, mas aqueles que eu leio.

Por outro lado, o meu mercado não me permite uma especialização. Sou obrigada a ser especializada em generalidades.

Não é uma opção; é uma questão de sobrevivência, imposta pelas particularidades do contexto em que estou inserida.

Não é, seguramente, a vender a «Critica da Razão Pura» de Kant, ou o «Ulisses» de James Joyce, que uma livraria como a minha, consegue subsistir.

E vou confessar, correndo, quem sabe, o risco de ser convidada a sair, que não me importava nada – dava-me até muito jeito – ter amanhã, para vender, uma qualquer nova «Carolina Salgado». Acreditem porém que me custa muito admiti-lo.

Apesar do exposto, tenho e terei sempre o maior orgulho e prazer em ser a anfitriã de alguns dos mais ilustres escritores do nosso universo literário.

Conto receber muitos mais, se possível, muitos mais do que aqueles que já tive o gosto de receber até agora – e já foram mais de meia centena – sob o signo da partilha de leituras com a minha cidade.

Também tenho um agrado muito especial em alimentar um blog sôfrego de informação bibliográfica, quase toda relacionada com a história ou personalidades caldenses, resultante de mais de vinte anos de pesquisa e coleccionismo.

E a finalizar, novamente as palavras de um amigo: Fernando Pessoa

É verdade ou não, que:

O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.

Muito obrigada."

Torres Vedras, 28 de Março de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

366.ª Página Caldense

GRANDELA E A FOZ DO ARELHO
VASCO TRANCOSO

"Onde um mar agreste e uma costa desfavorável impediram o destino oceânico das populações, a lagoa ofereceu uma alternativa: a caça, a pesca, a recolha do limo, a apanha dos bivaldes e crustáceos, a agricultura nas várzeas que a marginam.
[...]
Grandela partilhava com o seu amigo Bordalo Pinheiro um encantamento pela região Caldas-Foz do Arelho.

Descobriu a Foz do Arelho nos últimos anos do século XIX, quando frequentava as Termas das Caldas, por conselho médico, para recuperar de uma fractura numa perna."

[Grandela e a Foz do Arelho. Vasco Trancoso. PH-Património Histórico - Cadernos de História Local n.º 6 - 2.ª Edição - Março de 2009]

A Mulher de Vestido Vermelho


Uma figura feminina longilínea ocupa o centro da cena; as pregas do seu vestido vermelho estampado a branco caem elegantemente escondendo um corpo que se prevê magro e ossudo.

Um cacho de uvas pretas de aspecto carnudo suporta o peso de um Zé-Povinho deitado de bruços, apoiando a cara nas mãos abertas em forma de concha. Olhos fechados, numa atitude de indiferença, como que meio adormecido, ausente do que se possa em seu redor.

Algumas parras sob as uvas rasgam o chão, acentuando os seus contornos aguçados.

Junto à cabeça do Zé erguendo uns finos braços ao alcance do seu chapéu, uma figura esquelética de criança. Logo atrás, um colo feminino embala outro corpo infantil. Dominando a cena, em pano de fundo, uma figura feminina de formas que se adivinham voluptuosas, envolta num manto cor térrea, ajeita ternamente o cabelo loiro da mulher vestida de vermelho.

Na parte superior da composição artística, um casal de sombrios corvos, empoleirados num ramo fino que se estende de um tronco seco que se ergue na zona limite direita.

Em traços ténues e finos, à esquerda, alheios à dramatização figurada, alguns pares dançam enleados ao som de uma música imaginada.

Esta página, publicada a 26 de Janeiro de 1901, nas páginas centrais de A Paródia, é da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. Tem por título: “A Actualidade – Fantasia”. Se mais não tivesse publicado, bastava a arte desta página para inscrever o nome do seu autor nos anais da nossa cultura. Um trabalho com um traço de vincada influência arte nova, surpreende-nos pelo contraste entre a sua harmonia estética e a dureza da mensagem que transmite.

É a critica social, em que o riso se transforma num esgar trágico.

Uma última nota: as cores. Neutras, castanhos de vários tons, beijes, cinzas e depois rasgando à vertical a página, um vermelho luminoso, cor de sangue.

Falta, por fim, identificar a legenda: “A Indiferença Mascara a Miséria”.

Esta composição podia ter sido assinada ontem ou hoje. É de uma actualidade impressionante. Sedutoramente a miséria mascarada, face a uma indiferença dolorosa de um espectador ausente. Não estamos nós hoje a viver num mundo de fantasia, que nada tem de real e em que a miséria é ocultada?


É esta a minha homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro, passados que são 136 anos do seu nascimento.

O Mestre nasceu no dia 21 de Março de 1846, na Rua da Fé, em Lisboa. Comemoram-se nesta mesma data, os dias Mundial da Poesia e da Árvore; quanto a efemérides, Rafael está em boa companhia.
[Publicado na Gazeta das Caldas de 28 de Março de 2009]