CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



domingo, 28 de outubro de 2007

Leituras

A BIBLIOTECA

UMBERTO ECO

[...] "... é preciso decidir se se queremos proteger os livros ou dá-los a ler. Não estou a dizer que é preciso optar por dá-los a ler sem os proteger, mas também não se deve optar por protegê-los sem os dar a ler. E também não pretendo dizer que é preciso encontrar uma posição intermédia. O que é preciso, sim, é que um desses ideais prevaleça, depois logo se procurará fazer as contas com a realidade de modo a defender o ideal secundário. Se o ideal é fazer com que o livro seja lido, há que tentar protegê-lo o mais possível, embora sabendo os riscos que se correm. Se o ideal é protegê-lo, dever-se-á também tentar deixar que o leiam, embora sabendo os riscos que se correm. Neste sentido o problema de uma biblioteca não é muito diferente do de uma livraria.

Há alias, dois tipos de livrarias. Há as livrarias muito sérias, ainda com estantes de madeira, onde, mal entramos, somos logo abordados, por um senhor que nos diz: «Que deseja?», após o que nos sentimos intimidados e saímos: nestas livrarias roubam-se poucos livros. Mas compram-se ainda menos. E há também as livrarias tipo supermercado, com estantes de plástico, onde, principalmente os jovens, circulam, olham, se informam acerca do que vai sendo editado, e aqui roubam-se imensos livros, apesar dos sistemas de detecção electrónica. Podemos surpreender um estudante a dizer: «Ah, este livro é interessante, amanhã venho roubá-lo»."[...] [Pág.42 e 43]

[A Biblioteca. Umberto Eco. Tradução de Maria Luisa Rodrigues de Feitas. Difel, Edição Editorial. 4.ª Edição, Fevereiro de 1998. ISBN 972-29-0174-5]

1 comentário:

Chat Gris disse...

:)
Eu gosto de livros...são especialmente quentinhos e costumo estar deitado neles... Não há melhor!