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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Orçamento


Janeiro

No dia de S. Policarpo (26), Fontes Pereira de Melo imponentemente montado num dromedário cor de mel, ergue a sua varinha mágica, aponta-a em direcção a um ignoto horizonte e logo surge uma estrela brilhante iluminando tudo e todos, como se de mil sóis se tratasse.

Fontes não está sozinho. Acompanham-no na sua temerária corrida dois dos seus mais fiéis ministros.

Enquanto isso, preso numa bola, um professor das economias, carismático e realista, conhecido por passar a vida a vociferar quanto ao despesismo e à corrupção.

Incomodativo, resmunga que se farta, mas quem deve, não o ouve.

Faz vento, frio e chuva.

Gatos vadios correm a abrigar-se sob um chapéu de chuva abandonado. Alguém já anda descalço, pois ali jazem uns sapatos sem pés.

Brilha em todo o seu esplendor a luz incandescente proveniente da estrela cadente.

Iriante, brilha o orçamento…

Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro publicado como enquadramento ao mês de Janeiro, no Almanaque d’ O António Maria do ano de 1883.

Não sei porquê esta ilustração fez-me lembrar qualquer coisa… Oh! diabos, onde é que estão os meus sapatos?...

1 comentário:

Luis Eme disse...

sempre os gatos misteriosos...

espero que exista um no jardim do Rafael no palácio camarário do Campo Grande, Isabel...