CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



domingo, 19 de julho de 2009

Qual o papel do Idoso no Séc. XXI - 2.ª Parte

A minha intervenção nas jornadas "Qual o papel do idoso no séc. XXI", em que me coube a apresentação do Dr. Fernando Nobre.

Muito boa tarde e muito obrigada pela vossa presença.

É para mim um prazer e uma honra estar aqui ante vós.

Conto com a vossa benevolência para, antes de passar à apresentação do nosso ilustre convidado, vos dirigir umas breves palavras.

Desde já, um agradecimento muito especial à organização das jornadas, por me permitir, a par de tão insignes convidados, participar na reflexão de um tema tão premente e actual como este: “Qual é o papel do Idoso no Século XXI?”

Não obstante os meus cabelos brancos, quando os responsáveis me convidaram a participar, a minha primeira reacção foi de recusa, porque ao questionar-me sobre o tema em questão, conclui que o meu desconhecimento era de uma acentuada e preocupante dimensão.

Livreira que sou, e amante confessada da leitura, vieram-me à lembrança autores e obras, em que o tema velhice é tratado, nuns casos com um áurea de romantismo, noutros com a cruel rudeza da realidade.

Recordo John Steinbeck, com o seu inesquecível velho marinheiro; evoco Luís Sepúlveda criador de um incansável leitor amante da vida; lembro David Lodge, gerador de personagens presas numa vida em surdina; relembro Sandor Marai com as suas surpreendentes velas de hino a uma velha amizade.

E por fim trago à memória, o autor de, porventura, alguns dos mais belos textos jamais escritos sobre a velhice: Herman Hesse, prémio Nobel da Literatura.

Autor da obra “Elogio da Velhice” partilha com o leitor os seus mais íntimos sentimentos e as suas mais profundas emoções, à medida que vai avançando nos anos, transmitindo o sentido poético de um entardecer de vida.

E os poetas? Posso eu esquecer os poetas? Não, não posso e não devo.

Mesmo correndo o risco de uma certa inoportunidade, solicito-vos que os escutem, pela voz de Olavo Bilac.

“Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas…

O homem, a fera e o insecto, à sombra delas
Vivem, livres da fome e de fadigas:
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo. Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória de alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!”

Se o meu conhecimento quanto ao tema em debate, se limita quase só a uma visão intelectualizada, tal não me impede de me aperceber que a realidade não é, de certeza, um romance cor de rosa.

A realidade é outra.

Basta ler os jornais, estar atenta às notícias, ou escutar as conversas tristes daqueles com quem ao acaso nos cruzamos. A par das dificuldades económicas, dos achaques da saúde, das saudades dos tempos idos, o que é mais sentido é uma profunda e dolorosa solidão.

A velhice não tem de ser necesáriamente um tempo de dor, de desilusão, de tristeza, de pobreza e abandono mas impõe-se que todos nós, os mais e os menos novos, optem por uma atitude pró activa perante a vida.

Há quem se preocupe com problemas sociais que hoje se sentem, com especial incidência num determinado grupo etário mais frágil, mais desamparado ou mais desprotegido.

Mas, mais do que reflectir ou preocuparem-se, algumas pessoas, ocupam-se e agem.

Actuam no terreno, combatem a exclusão social, lutam contra a pobreza, saram as feridas do espirito e do corpo.

São homens e as mulheres de coração e de coragem.

Junto a mim, um desses homens.

Também autor de vários livros que nos transmitem a sua vivência actuante em alguns dos locais mais sensíveis espalhados pelos quatros cantos do mundo, é um homem de acção com uma grande experiência de intervenção de carácter humanitário.

Presidente da AMI - Assistência Médica Internacional – o Dr. Fernando Nobre pelo seu trabalho, intervenção e dedicação em prol dos mais necessitados e auxílio prestado a populações em risco, é altamente merecedor da nossa admiração e sobretudo da nossa profunda gratidão.

Dr. Fernando Nobre, com os meus, e seguramente nossos mais sinceros agradecimentos, queira por favor partilhar connosco o seu saber de experiência feito.

Muito obrigada por estar hoje na nossa companhia.
CR, 17 de Julho de 2009

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