CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Que Canícula!

Paródia - nº. 133 - 18 de Agosto de 1905
- Que calôr! O' menina vê lá quanto marca o termómetro.
- Trinta e dois graus...
- Acima ou abaixo de zero?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Descobrir as Diferenças


A Paródia - nº. 129 - 2 de Julho de 1902 - 2.º Ano
Convénio
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro
[A dívida externa dá a extrema unção ao país]

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Rafael Bordalo em Braga


"No século XIX é longa e difícil a distância que separa Lisboa de Braga, mas no imaginário dos lisboetas a cidade minhota ocupa um cantinho muito próprio. À capital chegam as notícias de tradições ancestrais escrupulosamente cumpridas, os ecos de um clero conservador, sendo que o simples nome da antiga Bracara Augusta, depois cidade dos Arcebispos, é inevitavelmente associado à imagem de igrejas e capelas, de conventos e seminários, de confrarias e irmandades.

Estas representações tão vinculadamente religiosas não poderiam deixar de aguçar a curiosidade de Rafael Bordalo, alfacinha, republicano e maçon e de espicaçar a sua forte veia anticlerical."

Título: Crónicas Bracarenses de Rafael Bordalo Pinheiro

Autor: Maria Virgílio Cambraia Lopes

Editor: Fundação Bracara Augusta, Braga

Data de Edição: Braga, Novembro de 2009

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

De Livros e Editores - António Lobo Antunes


"A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores, insignificâncias em que não reparamos e ele repara, sensações, luzes, criaturas sem nexo. Usam o papel para ordenar este caos, vertebrar o desespero, dar ao ilógico uma coerência lógica e mostrar o nosso retrato autêntico em cacos de espelho, fundos de poço trémulos, superfícies convexas em que temos de emagrecer por nossa conta. Não se pode estender a mão a quem lê, tem de se caminhar sozinho num nevoeiro aparente em que, a pouco e pouco, as coisas se arrumam nos seus lugares. Em nenhum bom livro há personagens e história: quando muito aparência de personagens e história, usadas para tornar mais clara a vertigem do que somos. Tudo se passa no interior do interior e portanto não devia haver cursos de escrita criativa (um paradoxo de termos) mas de leitura criativa. Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara. Um autor do século dezanove dedicava os seus trabalhos aos felizes poucos,expressão roubada a Shakespeare (we few, we happy few, we band of brothers) capazes de nadarem ao seu lado em águas muito escuras e de regressarem à tona de mãos cheias.
Um livro é mais uma orelha que uma voz onde, no fim de contas, é o bom leitor quem conversa.O livro escuta. As páginas são ouvidos pacientes que nos guiam através da liberdade do silêncio, onde as nossas frases se reflectem e regressam com um sentido novo. O bom leitor só recebe na medida em que dá e a qualidade da obra depende desta troca constante, do fluxo e refluxo das emoções partilhadas. Temos de ser um agente activo do livro, fazê-lo nosso até que se torne, como queria Rilke de quem não sou admirador, excepto em raras passagens das Elegias, sangue, olhar e gesto. Se não for assim é uma comédia de enganos, um passatempo inócuo como quase tudo o que em Portugal se impinge, porque a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro. Uma editora comercialmente bem sucedida é má, ou então tem de fazer compromissos. A casa alemã onde estou, por exemplo, possui um catálogo honesto, dividido em duas partes, literatura e best-seller. O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar; pessoas a ler. Até Lenine compreendia isto, ao afirmar que a arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem se subir à arte. Claro que não é apenas um problema português, é um problema universal. Pasmo com as listas dos tops de ficção, dizem elas, quando a ficção não existe a não ser nas obras rasteiras. Se me dissessem que escrevia ficção sentia-me insultado: ficção que tolice, é o mundo inteiro que a gente mete entre as capas de um livro. Vende menos? Decerto mas há-de vender sempre. Se tivermos lado a lado, à nossa frente, Camões e o jornal, a tendência imediata é pegar no jornal, mas o jornal desaparecerá amanhã e Camões fica. Chamo jornalismo, explicava Gide, ao que é menos interessante amanhã do que hoje. E depois a Arte não é um desporto de competição: o editor que ponha numa cinta, por exemplo cem mil exemplares vendidos, ou julga falar de sabonetes ou não é um editor. Se o livro for bom há-de vender muito mais do que isso: quanto terá vendido Ovídio até hoje? É apenas uma questão de tempo, porque os bons leitores existirão sempre, ainda que poucos. O que me aborrece na Arte são os comerciantes que giram em volta dela, sem lhe tocar, porque tiram o seu alimento do efémero. Faz pouco tempo comecei uma biblioteca na empresa onde estou. Tolstoi foi o primeiro: ao receber o livro impresso reparei que as últimas três páginas eram propaganda a lixo. Como se pode, no fim de um livro de Tolstoi, fazer aquilo? Desonestidade? Ignorância? Não faço ideia de quem é o responsável mas devia ter sido fuzilado no berço: Tolstoi de mistura com livros de cozinha e ficções. Recomecei a colecção: até agora não repetiram a indignidade. Pergunta: - Como vão os livros da biblioteca?
Resposta:
- Pingam
e ainda bem que pingam. Se vendessem às grosas é que ficava alarmado. Os bons livros são para pingar eternidade fora: o Mondego começa gota a gota; a água suja basta virar o balde e encharca-nos. A água do balde acaba logo. O Mondego não tem princípio nem fim.
- Pingam.
e que maravilha pingarem. À força de pingarem hão-de engrossar irrestivelmente, enquanto os baldes se enferrujam, amolgados, num canto do jardim.
e o que interesse
(volto a Gide)
o amanhã? A gente vive no hoje, pá, o Horácio que se dane. Que se dane a Coroa, o que vale são as coroas e essas já cá cantam. O problema é que, se alguma nova editora aborda a minha agência, não começa por falar em dinheiro: fala nos nomes do catálogo. Todos eles pingam. Mas dão prestígio a uma Casa. Respeito demasiado o meu trabalho para o deixar à venda numa loja de trezentos.”

Visão, 19 de Agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Concurso Literário


"Theo

Às vezes o gato fitava
com estranheza
o que de nós (um excesso)
se interpunha entre nós e o gato,
a nossa presença."
Manuel António Pina, Cuidados Intensivos, Afrontamento

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Bestiário para o Século XXI


"O que é um gato? Não há criança que não o saiba. Todavia, entre os animais mais familiares, os gatos são inefavelmente misteriosos. Para que servem? O que querem? Os gatos passam 85 por cento do dia sem fazer absolutamente nada. Comer, beber, matar, evacuar e acasalar ocupa-lhes apenas quatro por cento da vida. Os outros 10 por cento são usados para andar por aí. Caso contrário estão a dormir, ou apenas sentados. Dizem que os gatos foram os últimos animais a ser domesticados, pelos antigos egípcios, há 3500 anos. Todavia, eles é que nos domesticaram a nós, com toda a calma e por motivos muito próprios."

Título: O Livro da Ignorância sobre o Mundo Animal
Autor/s: John LLoyd e John Mitchinson
Ilustrações: Ted Dewan
Editor: Casa das Letras

"Os albatrozes podem voar 10 anos sem parar
A vespa-do-mar tem 24 olhos, mas não tem traseiro
As cigarras sabem contar
Os elefantes não conseguem correr
Os gansos choram os mortos
Os coalas não bebem
As sanguessugas têm 34 cérebros
As lagostas vivem um século
Os ratos cantam quando fazem sexo
Os macacos pagam para ver pornografia
As aranhas voam
As térmitas casalam para toda a vida
As minhocas ficam viciadas em nicotina"

Questões de Sexo

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Cidade dos Livros

This Is Where We Live from 4th Estate on Vimeo.

"Madona" do Cencal


Homenagem no 135º aniversário da criação por RBP do Zé Povinho
O CENCAL vai abrir ao público na próxima sexta-feira o Jardim Rafael Bordalo Pinheiro, depois de uma reconstrução efectuada nas últimas semanas, numa homenagem ao famoso caricaturista e ceramista português.

A obra foi concebida e realizada pelo ceramista galego Xohan Viqueira, professor na Escola Superior de Cerâmica de Manises, que também terminou a estátua "Madona do CENCAL" (como se vê na foto), obra com quase 6 metros de altura, inspirada na figuras de movimento de Bordalo Pinheiro.

O público como se refere no texto pode visitar a exposição no jardim das 14 às 18 horas todos os dias (incluindo o fim de semana).