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domingo, 20 de dezembro de 2009

O meu Boneco de Neve


O meu boneco de Neve media cerca de um metro e vinte de altura, mais largo que barrigudo, mostrava-se com uma cara carrancuda e ainda por cima, careca.

Trouxe-o debaixo do braço, pu-lo no chão e perguntei-lhe: - o que é que eu vou fazer contigo, que te mostras tão pouco engraçado?

É claro que ele ficou mudo e quedo. A minha vontade era de o deixar lá fora, à porta, ao frio e à chuva.

E pensei cá para comigo: - mas que boneco é este, que mais se parece com o abominável homem das neves, ao invés de um boneco de neve alegre e terno?

Pensei, pensei, quase desesperei até que me veio à lembrança: - então são ou não, os livros mágicos?

Não são eles que nos conduzem a mundos nunca imaginados, que nos proporcionam momentos de alegria, que nos ensinam o desconhecido, que nos fazem companhia, que se tornam nossos indispensáveis amigos na jornada na vida?

E disse para o meu boneco tão pouco engraçado: - vou fazer-te de livro!

E assim fiz.

Os olhos são livros para ler. O nariz é um livro para a cheirar. A boca é um livro para saborear. Pestaneja, de um modo absolutamente sedutor, páginas de livros. Os ouvidos são livros para ouvir. Os braços e as mãos são livros para abraçar. Na cabeça um livro para pensar. E no lugar do coração, um livro para amar.


E o meu boneco de neve transfigurou-se no mais bonito boneco de neve, porque é feito de livros e de amor.


[Diz a sabedoria popular: Quem o feio ama, bonito lhe parece.]

2 comentários:

Maria disse...

Comoveste-me com este texto, Isabel.
Um abraço

JMiguel disse...

Ah, Grande Isabel!
Valeu a pena ter passado o ano a «aturar» gatos e bordalices para encontrar um boneco de neve que, em vez de se derreter, derreteu-me o coração
Um grande beijinho

JMiguel