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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

387.ª Página Caldense


FIGURAS DE HONTEM E DE HOJE
Júlio Dantas

"Nos longos serões da patriarcais da família Bordalo, serões em que, sob a presidência do grande velho, probo e admirável mestre que o duque de Palmela, comissionara em Madrid para estudar a obra de Velásquez, todos os filhos se reuniam desenhando em volta da mesa até à hora do chá, aquele para quem se inclinava a predilecção paterna, o mais indisciplinado e o mais vivo, o mais tumultuoso e o mais brilhante, era precisamente o moço Rafael.

Incapaz de toda e qualquer disciplina mental, cheio de generosidades e de entusiasmos, impersistente e extremamente impressionável, com uma tendência manifesta para surpreender o lado inédito e pitoresco das coisas, as atenções do pai Bordalo voltam-se de preferência para ele, na esperança de conseguir orientar e dominar aquele espírito insubmisso e vertiginoso onde fulgurava um verdadeiro talento.
[…]
Só Rafael continuava sem destino na vida, cheio de horror aos livros, agarrado à caixa da aguarela, passeando pelas ruas a sua elegância pernalta de um lindo rapaz."[Pág. 199]

Júlio Dantas

[Figuras de Hontem e de Hoje. Júlio Dantas. Portugal Brasil Editora, Companhia Editora, Lisboa. 3.ª Edição, s/d ]

1 comentário:

antonior disse...

Realmente o Dantas não foi apenas a figura objecto do inflamado manifesto do Almada. Deixou-nos registos como este, que dificilmente se entendem comprometidos com as razões do seu detractor.

Um beijinho, Isabel.