CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O Povinhorum Contribuintibus

Eis-nos chegados ao fim do ano de 2008.

Foram 365 dias vividos com a intensidade possível e um interesse moderado. Um ano de coisas boas e de outras más, apresentando um saldo a tender para o negativo.

Não resisto a recorrer a Rafael Bordalo Pinheiro que me ajudará a sintetizar a situação que hoje nos é dado viver
.


No início de um novo ano, o de 1883, Rafael desenha “Botânica Política – O Povinhorum Contribuintibus”.

Passo a descrever. Zé Povinho é uma árvore de raízes bem assentes na terra. Pelo tronco acima desliza um sem número de políticos, que se vão agarrando aqui e ali com o intuito de treparem por ali acima.

Juntamente com os políticos e seus aprendizes, alguns membros do clero. Não esquecendo os capitalistas. Tantos são e é tal o seu empenho, que o tronco vai secando, secando, de tanto ser sugado…

Em segundo plano e com a descrição devida, observam a situação um burguês acompanhado por um membro da realeza.

Nos extremos desta árvore empestada de parasitas, nuns ramos um tanto ou quanto débeis, florescem meia dúzia de folhas e algumas florecas.

Quando os parasitam lá chegarem, desaparecerão.

A legenda desta página é “Árvore que começa a rebentar e dará fructos se a limparem do phylloxera e outros parasitas”.

Esta imagem tem 125 anos. Tendo em atenção as devidas diferenças existentes entre a sociedade de 1883 e a actual, esta imagem mantém uma inquietante actualidade.

Mérito de Bordalo? A intemporalidade da caricatura? Infelicidade nossa?

“O Povinhorum Contribuintibus”, continua a existir: somos nós.

BOTANICA POLITICA

O Povinhorum Contribuintibus
[Publicado no dia 4 de Janeiro de 1883, n’O António Maria.]

sábado, 27 de dezembro de 2008

331.ª Página Caldense

OS SUCESSORES DE ZACUTO
O ALMANQUE NA BIBLIOTECA NACIONAL DO SÉCULO XV AO XXI
ALMANACH DE CARICATURAS PARA 1874
RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO
[179]



ALMANACH DE CARICATURAS PARA 1875 -2.º ANNO
ALMANACH DE CARICATURAS PARA 1876 -3.º ANNO
RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO
[179]
ALMANACH BIJOU 1881
BRINDE AOS CONSUMIDORES DA CASA HAVANEZA - PRAÇA DO LORETO, LISBOA
RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO
[66]


[Os Sucesores de Zacuto. O Almanaque na Biblioteca Nacional do século XV ao XXI. Coordenação: Rosa Maria Galvão. Pesquisa, índices e revisão: Aurora Machado. Apresentação: João Luis Lisboa. Biblioteca Nacional. Bibliografias BN.1000 Exemplares. Edição: 2002, Lisboa. ISBN: 972-565-337-8.]

330.ª Página Caldense

GENTE RISONHA
Palavras sobre a caricatura e alguns caricaturistas do nosso tempo, no primeiro serão d'arte do Salão de Humoristas do Porto
NUNO SIMÕES
[...]
Carlos Parreira, um artista, que vosselencias mal conhecem, mas cuja prosa é dum maravilhoso lavor de outomnerias, conta não sei onde, este episódio do velho Egipto, das múmias e dos túmulos.

Mandára o senhor castigar o camponez que não pagou ou dizimos; a vergasta da palmeira escevêra hieroglifos de sangue na pelle do escravo. E o bronze da revolta, sob o açoite retesou-se; na sua face erecta passou um estremeçao de dôr que, reprimido um momento, foi sorriso e logo se tranfez em pantomina.

Devia ter nascido, assim, o humor.
Mais tarde, esculptando máscaras e máscaras, mudando a dôr em esgar ou da expressão mais séria truncando a sombra cómica, o humor criou Poncio Pilatos, Voltaire e Don Quixote e o Romantismo attribui-lhe as culpas de, nas tragédias anónimas, rasgar as calças, ao heroe, no quinto acto.

Depois o humor ter-se-hia modificado, e parece que entre nós, de favor em favor, não tardou que ao humor dessem um lugar na Academia - onde sinceramente a historia ia rinchando - uma carteira entre os dignos pares, onde, pelos óculos, pela calva luzidia e pelos ditos conspicuos, foram descobril-o limpando o suor do rosto - penhor immortal da sua dedicação patriótica.

O humor teria assim tido a sua mór expressão na calva do poder legislativo...

Os bons tempos do mestre Rafael Bordalo!

[Gente Risonha. Palavras sobre a caricatura e alguns carcaturistas do nosso tempo, no primeiro serão d'arte do Salão dos Humoristas do Porto. Autor: Nuno Simões. Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira. Praça dos Restauradores, 17. Ano de edição: 1915.]

Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal

Catarina Cardoso enviou-me ma mensagem a perguntar-me que informações dispunha sobre “O Gafanhoto”.

Passo a responder, recorrendo ao ”Dicionário de Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal”, de Leonardo de Sá e António Dias de Deus.


Passo a transcrever da entrada relativa a:

BORDALLO PINHEIRO, Manuel Gustavo:

[…] “Teve extensa participação, com cartoons, ilustrações e histórias aos quadradinhos, em “A Paródia”, desde o começo, em 1930, continuando a publicação após a morte de Raphael, até 1907. Em Abril de 1903, aparecia o primeiro número da luxuosa revista infantil “O Gafanhoto”. Tinha como directores Henrique Lopes de Mendonça (autor da letra de “A Portuguesa”) e Thomaz Bordallo Pinheiro, respectivamente cunhado e irmão do grande Raphael. “O Gafanhoto” teve o primeiro herói (homónimo) dos quadradinhos infantis portugueses, desenhado por Manuel Gustavo. Todavia, a quase totalidade das ilustrações era de origem estrangeira. Exceptua-se, ainda, Francisco Valença, autor das capas, numa das quais figura um gafanhoto.

A revista acabou no número 24, em 1904. Em Janeiro de 1910, foi posto à venda o primeiro número da 2.ª. série de “O Gafanhoto”. Pode dizer-se que a preciosa revista tinha o destino ligado ao regime monárquico – sobreviveu-lhe apenas três meses, extinguindo-se no n.º 24, em Dezembro.” [pág. 25]

Por agora é tudo; é meu desejo que estas informações lhe sejam úteis.

Se descobrir mais elementos, transmitirei. Muito obrigada pelos votos de Boas Festas.Bom Ano Novo.

[Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal. Leonardo de Sá e António Dias de Deus. Edições Época de Ouro. 1.ª Edição , Novembro de 1999. Tiragem: 2000 Exemplares. ISBN 972-98395-0-6]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Poses Natalícias


A todos os amigos que me enviaram os seus votos de Boas Festas e de Feliz Ano Novo, em meu nome, Garfield agradece e retribui.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Rafael Bordalo Pinheiro

Rafael Bordalo Pinheiro de Herculano Elias




É dia de Natal.

Nesta época da vida em que os anos passam quase sem se dar por isso, para mim, esta data perdeu parte do seu encanto.

Apesar dos presentes, das cores dos papéis e das fitas, das mil e uma luzes que brilham na cidade, das mesas postas e bem compostas, do conforto da presença da família, das mensagens dos amigos, não deixa de ser uma data sombreada por uma certa nostalgia.

Esqueceu-se a sua origem, uma data de celebração e vida: o nascimento de uma criança.

Seja-se ou não filho de deus – deveria ser sempre um dia de júbilo e de esperança.

Mas não é o que me é dado sentir.

Nos noticiários das televisões – preferencialmente decoradas a dourado – assistimos aos jantares servidos aos sem abrigo.

Consoadas de bacalhau e grelos servidos com fraternidade.

E nos restantes dias do ano, o que sucede? Não há sem abrigo, não há jantares ou não há reportagens sobre o assunto?

Mesmo no Natal, por vezes, também recebemos más notícias. Este ano é o enceramento da Fábrica Bordalo Pinheiro.

Sei bem que esta fábrica nada tem a ver com a que o Mestre funda em 1884: a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, que após vicissitudes é arrematada em hasta pública por Godinho Leal, em 1908.

De qualquer modo a fábrica até hoje existente na Caldas, surge também em 1908 fundada por Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, podendo por isso ser considerada a herdeira dos saberes, dos genes e do espírito de Rafael Bordalo Pinheiro.

Por tudo isto não sei se gosto muito desta época; acho que este ano perdi completamente o espírito natalício.

Compensa esta tristeza a companhia da expressiva e bela escultura em cerâmica de Mestre Rafael Bordalo Pinheiro, modelada pelas mãos sábias e sensíveis de outro grande senhor da cerâmica caldense: Mestre Herculano Elias.

Os meus mais reconhecidos agradecimentos a Mestre Herculano Elias pela sua tão generosa e simbólica oferta.

Breve Reportagem de uma Noite Memorável

As boas vindas às Caldas da Rainha e ao Centro Cultural e de Congressos

A mesa e o discurso do Sr. Presidente da Câmara

A entrega pelo Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, da Madalha de Ouro da Cidade ao Escritor António Lobo Antunes
Escritor medalhado

As andorinhas bordalianas: Partem, mas regressam todos os anos
As prendas: o lagarto, as andorinhas e o Zé Povinho
Zé Povinho no seu devido lugar
A fila para os autógrafos
Os autógrafos
A despedida: conversa a três.

Muito boa noite a todos.

Neste quase final de ano de 2008, em que a Loja 107 realiza, em colaboração com o CCC, este último Café Literário, permitam-me que as minhas primeiras palavras se dirijam à Direcção do Centro Cultural e de Congressos.

Em primeiro lugar para agradecer, publicamente, todo o apoio recebido sempre que me propus organizar ou dinamizar eventos relacionados com o livro e a sua divulgação; em seguida, para exprimir a minha gratidão pela confiança demonstrada na capacidade de concretização das várias actividades realizadas; por fim para manifestar os meus votos, o meu desejo, de que este modelo de colaboração, ou um outro, quem sabe, possa continuar a dar bons frutos em anos futuros.

À Direcção do CCC, o meu muito e muito obrigada.

Não posso ainda, nesta ocasião, deixar de referir um amigo de longa data, o Zé Francisco Feição, das Publicações Dom Quixote, pois sem a sua intervenção, uma noite como esta nunca teria sido possível. Zé Francisco, para si, um forte abraço.

Quanto a todos os que optaram por passar mais este serão na nossa companhia, não quero deixar de aproveitar a oportunidade de vos desejar Boas Festas e um Feliz Natal, e de fazer votos para que nos seja possível ultrapassar os tempos difíceis e duros que nos esperam.

Esta é uma noite muito, mas muito especial.

Somos os anfitriões – pela quinta vez – do escritor António Lobo Antunes.

Seja-me pois permitida a imodéstia de sublinhar que este facto é, sem sombra de dúvida, o elemento que mais valoriza o meu curriculum livreiro.

Escritor fascinante, senhor de um trabalho ímpar de destreza escrita, detentor de uma personalidade vincadamente literária, autor de mais de 20 livros, galardoado com um sem número de prémios e distinções universais de carácter cultural, António Lobo Antunes dá-nos hoje, uma vez mais, a satisfação de podermos contar com a sua presença.

Não vos vou falar da obra do escritor: falta-me, para tanto, o conhecimento e também «o engenho e a arte».

Sobra-me contudo o direito de falar e de sentir o autor da obra.

E, mesmo a propósito, vem-me à lembrança Daniel Pennac que, no seu livro “Como um Romance”, define os 10 princípios que designa como os direitos de quem lê.

Permitam-me então que vos relembre "Os Direitos Inalienáveis do Leitor":

1.º – O direito de não ler;

2.º - O direito de saltar páginas;

3.º - O direito de não acabar um livro;

4.º - O direito de reler;

5.º - O direito de ler não importa o quê;

6.º - O direito de amar os heróis dos romances;

7.º - O direito de ler não importa aonde;

8.º - O direito de saltar de livro em livro;

9.º - O direito de ler em voz alta;

10.º - O direito de não falar do que se leu.

E agora, permitam-me ainda que acrescente eu própria, mais um, que a partir deste momento se torna também universal:

Décimo primeiro artigo dos "Direitos Inalienáveis do Leitor":

- O direito de uma livreira expressar publicamente o seu amor pela obra de um grande escritor, quando esse escritor se chama António Lobo Antunes.

Muito obrigada.

Isabel Castanheira, Livreira
Caldas da Rainha, 12 de Dezembro de 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Natal

Natal

Outro Natal
Outra comprida noite
De consoada
Fria,
Vazia,
Bonita só de ser imaginada
Que fique dela, ao menos,
Mais um poema breve
Recitado
Pela neve
A cair, ao de leve,
No telhado.

Miguel Torga
Antologia Poética

Boas Festas e um Bom Ano Novo são os desejos sinceros da Loja 107

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Vírus no Computador !!!


Eis um novo vírus, perigosíssimo, até então pouco conhecido e que está a suscitar grandes preocupações nos escritores de literatura dedicada à infância.

É um vírus assaz estranho, de aparência bizarra, pois surge coberto de pêlo (quase sempre suave) tem unhas compridas, orelhas alerta, um rabo comprido e ondulante, emite sons melodiosos e gosta de quentinho.…

Ataca de preferência o hardware. Todos os cuidados são poucos com os vírus desta estirpe!

Vou mandar uma mensagem para O Jardim Assombrado na esperança que este vírus vá fazer companhia às personagens do artigo sobre Literatura Infantil, publicado no Notícias Sábado (suplemento do Diário de Notícias), dia 13 de Dezembro.

Carla Maia de Almeida, o vírus já vai a caminho!

Hoje e Amanhã na Gulbenkian

XVIII Encontro de Literatura para Crianças - 15 e 16 de Dezembro de 2008
Fundação Calouste Gulbenkian

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Medalha de Ouro da Cidade

A Câmara Municipal das Caldas da Rainha, conferiu a Medalha de Ouro da Cidade ao escritor António Lobo Antunes.

A cerimónia da entrega da medalha terá lugar no decorrer do Café Literário a realizar no dia 12 de Dezembro no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (21,30 Horas).

Este Café Literário é uma co-produção Loja 107 - Centro Cultural.

Caldas da Rainha, cidade das Artes e da Cultura


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Erro Corrigido

Agradeço os comentários referentes ao meu erro quanto à data indicada para a realização do café literário com a António Lobo Antunes.

É bom verificar que há leitores com muito mais atenção do que a blogger.

Todas as corrrecções são bem vindas. Obrigada.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Café Literário

ANTÓNIO LOBO ANTUNES
de regresso às Caldas da Rainha

É com um extremo orgulho e a mais íntima alegria, que temos o grato prazer de informar que o escritor António Lobo Antunes estará de regresso à nossa cidade. O escritor fascinante, senhor de um trabalho de destreza escrita, autor de mais de 20 livros, galardoado com um sem número de prémios e distinções literárias, confere-nos o agrado da sua presença.

Café Literário
Autor convidado: António Lobo Antunes
Apresentação do livro: O Arquipélago da Insónia

Dia 12 de Dezembro de 2008
No Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha
21,30 Horas

Loja 107, partilhando Leituras com a cidade
contamos consigo

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um Gato à Janela

Fotografia de David de Abreu
Lisboa - Campo de Ourique

“a impressão que um gato e gato algum, o encolher das sombras que é a mesma coisa vista que eu nunca entendi se os gatos existem ou não passam de condensação do escuro a detalharem-nos numa curiosidade preguiçosa”

António Lobo Antunes