CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



terça-feira, 30 de março de 2010

O Comércio

"O Comércio"

"Voltou a polémica da abertura de superfícies comerciais aos domingos. E lá vieram as argumentações extremadas: uns dizendo que impede a criação de uns milhares de empregos; outros invocando as machadadas no comércio tradicional.

Voltemos às bases. A cidade é, em grande medida, intercâmbio. É praça, é mercado: de bens e serviços, de ideias e culturas. Uma boa cidade, um bom bairro, têm seguramente um bom e vivo comércio. Suas dinâmicas, características e localização, muito estruturam da cidade e dos quotidianos dos seus habitantes.

Parece-me que os debates estão enviesados. Bem mais importante do que abrir ou não aos domingos, é saber como o comércio - grande ou pequeno, tradicional ou moderno - pode contribuir para cidades mais vivas e sustentáveis.

Colocar o comércio em nós de estradas, nomeadamente, é um grave desperdício. É assumir a dependência do automóvel, e das cidades fragmentadas, insustentáveis. É deixar diminuir a densidade de relações na cidade. E é prejudicar a própria economia: diversos estudos confirmam como um emprego na cidade compacta é muito mais estável e - milagre!? - dinamizador de outros empregos e iniciativas económicas, que um emprego num local sem diversidade e de gestão única.

Há assim, que apoiar o comércio na cidade. Comércio aberto, fluido e de espaço público: que dá para a rua, que está nas praças e nos mercados, que é variado, inclusive na sua gestão. Pequeno e grande, azul e amarelo. Mais que "comércio tradicional" (termo que não gosto) que seja "comércio de proximidade": aos bairros, às pessoas. E aos seus tempos, necessidades e desejos."

João Seixas, Geógrafo

in: Público, Cidades, Domingo, 28 de Março de 2010

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