CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Crise Económica


Crise económica.
É muito pior do que pensávamos, mas os gatos exageram sempre!!!!...

Àrvore de Natal

Não tenho por hábito tornar públicos os pedidos de email recebidos. Mas considero este irrecusável.

"Venho solicitar a vossa ajuda para um novo 'projecto' com as crianças do IPO.

Pretendemos recordar a importância de reaproveitarmos os materiais a custo zero com uma actividade criativa.Um dos objectivos é fazer uma árvore de Natal. Vamos fazer esculturas com cápsulas Nespresso usadas /recicladas!

Juntem as vossas cápsulas usadas num saco ou caixa. Para este trabalho também aceitamos telas de qualquer tamanho. Os sacos podem ser deixados na Acreditar (Rua do IPO), enviados em caixas próprias dos CTT, ou acordar comigo o modo de entrega.
Obrigado a todos.

Contactos:
Pedro Bello
bello.pedro@hotmail.com
telemóvel: +351 916852874 +351 916852874
ou
ACREDITAR
A/C Filipa Carvalho
Rua Prof. Lima Basto, 73
1070-210 LISBOA
Tlfn: + 351 217 221 150 + 351 217 221 150
E-mail:fc@acreditar.pt

PS: Felizmente, a maioria de vós não sabe o que é o dia a dia de uma criança com cancro e, estou a pedir pouco mais do que nada para as distrair. Divulguem sff."

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Em breve - Praça da Fruta

Praça da Fruta
Carlos Querido
Editor: Corrida de Letras
Prefácio: Laborinho Lúcio
Apresentação: Café Concerto, Centro Cultural e de Congressos
15 de Outubro, 21,45 Horas
*********************
Balada da Praça da Fruta
(a Carlos Querido)


"João Cristo, sua cocheira
Onde o meu avô sabia
Que a burra trabalhadeira
Era a dez tostões por dia
Ficava ela a descansar
Nas cocheiras da cidade
Desconfiada do lugar
E moscas em quantidade
Minha tia Francelina
Nascida no Zambujal
Vinha vender obra fina
Os bichos do seu quintal
Numa carroça pequena
É que o seu mundo cabia
Sempre calma e serena
Dava-me um beijo e sorria

Exame era uma guerra
Bebemos uma gasosa
O grupo da minha terra
Não levou uma raposa
Nos armazéns do Chiado
Pronto-a-vestir é um fato
Nunca tinha reparado
Neste novo artesanato
Meu exame da terceira
Foi feito sem companhia
Em Abril, segunda-feira
Já não me lembro o dia
Chamado para a inspecção
Sou dado como capaz
Dentro duma contradição
Não sou guerra mas paz
Minha prima Deolinda
Professora de crianças
Na doçura que não finda
Dava-me muitas esperanças
Suas torradas matinais
A caminho do regimento
Davam-me forças especiais
Para marcha e movimento


Fosse das suas orações
Ou fosse da entrevista
Eu passei sem ralações
E fiquei em contabilista
Com três filhos crescidos
E acrescentado um neto
Compro beijinhos pedidos
E cavacas no Gato Preto
Praça da Fruta eterna
Onde o mundo nunca pára
És tão antiga e moderna
Porque és uma praça rara
Povoada por mil paixões
Todos nós mesmo distantes
Trouxemos nos corações
A força dos teus instantes
E mesmo na chuva londrina
Tomas, meu neto à escuta
Recorda Santa Catarina
E lembra a Praça da Fruta"

José do Carmo Francisco

[de José do Carmo Francisco um poema dedicado a Carlos Querido.Os meus agradecimentos ao autor pela oportunidade de publicação da Balada da Praça da Fruta no blog Cavacos das Caldas]

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Visita a Tormes - A casa de Eça

“Jacinto estendera o braço:

- Que casarão é aquele, além do outeiro, com a torre?

Eu não sabia. Algum solar de fidalgote do Douro…Tormes era nesse feitio atarracado e maciço. Casa de séculos e para séculos – mas sem torre.

- E logo se vê, da estação, Tormes?...

-Não, muito no alto, numa prega da serra, entre arvoredo.

No meu Príncipe, já evidentemente nascera uma curiosidade pela sua rude casa ancestral. Mirava o relógio, impaciente. Ainda trinta minutos! Depois, sorvendo o ar e a luz, murmurava, no primeiro encanto de iniciado:

- Que doçura, que paz…

- Três horas e meia, estamos a chegar, Jacinto!

O espaço imenso repousava num imenso silêncio. Naquelas solidões de monte e penedia os pardais, revoando no telhado, pareciam aves consideráveis.


E ao fundo das faias, com efeito, aparecia o portão da quinta de Tormes, com o seu brasão de armas, de secular granito, que o musgo retocava e mais envelhecia.
[…]
Jacinto replicou, com uma decisão furiosa:

- Amanhã troto, mas para baixo, para a estação!... E depois, para Lisboa!

E subiu a gasta escadaria do seu solar com amargura e rancor. Em cima uma larga varanda acompanhava a fachada do casarão, sob um alpendre de negras vigas, toda ornada, por entre os pilares de granito, com caixas de pau onde floriam cravos.







Através das janelas escancaradas, sem vidraças, o grande ar da serra entrava e circulava como num eirado, com um cheiro fresco de horta regada. Mas o que avistávamos, da beira da enxerga, era um pinheiral cobrindo um cabeço e descendo pelo pendor suave, à maneira de uma hoste em marcha, com pinheiros em frente, destacados, direitos, emplumados de negro; mais longe as serras de alem rio, de uma fina cor de violeta; depois a brancura do céu, todo liso, sem uma nuvem, de uma majestade divina.

- E esta varanda também é agradável! – murmurou ele mergulhando a face no aroma dos cravos. – Precisa grandes poltronas, grandes divãs de verga …

Daquela janela, aberta sobre as serras, entrevia uma outra vida, que não anda somente cheia do Homem e do tumulto da sua obra.”

Eça de Queiroz
A Cidade e as Serras
[Eça de Queiroz. A Cidade e as Serras. Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses. 2001. 6.ª Edição].