Cavacos das Caldas
CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Caricaturas do Metro Aeroporto


A caricatura é um género artístico que não é muito divulgado entre nós. Exceptuando algumas edições pontuais, poucas surgem em livro, ainda que em vários jornais elas sejam publicadas, veja-se o caso de o Expresso, do Público e do Correio da Manhã.

A caricatura utilizada em espaço público ainda é mais invulgar. Feliz foi o Metropolitano de Lisboa que decorou a sua nova estação no Aeroporto com caricaturas de grande dimensão, da autoria de António.

A editora Documenta publicou agora um precioso livro com as caricaturas que habitam o aeroporto. Personagens várias que não sabemos se estão de chegada, se vão de partida. Cinquenta (+1) caricaturas de figuras públicas que abrangem o final do século XIX até aos dias de hoje.

Ao começarmos a folhear o livro a primeira caricatura com que deparamos é a de Rafael Bordalo Pinheiro, na companhia do seu amigo Zé, mantido este, atrás em posição de respeito.

Escritores, políticos, pintores, poetas, actores, cantores, músicos, arquitectos, toda uma panóplia de figuras que se diferenciaram pela sua obra.

Autor desta galeria é António, conhecido de todos nós pelo seu apontamento semanal no Expresso.

Estes “bonecos” têm uma tal força, que quando nos aproximamos deles, temos a sensação que se arrancam da pedra e que vêm ao nosso encontro. O contraste entre o branco do mármore e o preto da tinta, tornam-nos numas figuras fortes que dá a sensação que nos acompanham no andar apressado a caminho do nosso destino…

O livro, em cuja capa as caricaturas são reproduzidas em pequeno formato, tem uma elegância e uma sobriedade muito particulares, a que já estamos desabituados, o que faz com que este livro se distinga das capas de muito mau gosto que hoje se tornou moda.

Cinquenta caricaturas vivem neste livro, acompanhadas de um texto, numa estrutura em tudo semelhante ao Álbum das Glórias do nosso amigo Rafael Bordalo Pinheiro, como bem referencia Joaquim Vieira autor da introdução.

Na minha prateleira de caricaturas este livro irá ocupar um lugar muito especial, pois é um painel das mais representativas personagens do meu tempo. E ser caricaturado por António é tornar-se imortal.

Os estudos das caricaturas do Metro de António, estão expostas no Museu Bordalo Pinheiro, no campo Grande em Lisboa. Visitei a exposição, e fiquei com o desejo imenso de na próxima vez que viajar, sei lá para onde, quando percorrer o longo corredor entre o metro e o aeroporto, pegar na mão de umas tantos daquelas imagens e desafiá-las a irem comigo para o mundo da fantasia. 

«Caricaturas de Metro Aeroporto» de António Antunes é uma edição Documenta.

Agradeço ao Luís Guerra a oferta deste exemplar autografado por António. Se o livro por si só era valioso, autografado, duplica o seu valor.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Teatro nas Caldas

Grupo de  Trabalho Teatral
Casa da Cultura das Caldas da Rainha
"A Máquina do Tempo"
de Maurice Yendt
estreia: 20 de Agosto de 1977

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Poema (Matematicamente Fantástico)

Uma amiga, muito sabedoura das coisas poéticas e afins, enviou-me este poema que obrigatoriamente tenho de partilhar.




Millôr Fernandes
POEMA

Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.


50º Concurso de Saltos Nacional - 1987

Festas da Cidade - 1987

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vinho da Estremadura



Juraste ser sempre minha...
Ai de mim! quebraste a jura! ...
Valha-me o sumo da vinha,
Da vinha da Estremadura!...

Olhos negros, encantados,
São bagos de uva madura
Dos vinhedos pendurados
Nos montes da Estremadura.


Se queres que nasça alegria
Onde só cresce amargura,
Rega a alma, dia a dia,
Com vinho da Estremadura.


Juraste ser sempre minha...
Ai de mim! quebraste a jura! ...
Valha-me o sumo da vinha,
Da vinha da Estremadura!...

Olhos negros, encantados,
São bagos de uva madura
Dos vinhedos pendurados
Nos montes da Estremadura.

Se queres que nasça alegria
Onde só cresce amargura,
Rega a alma, dia a dia,
Com vinho da Estremadura.



Os vinhos de Portugal,
Que tanta fama nos dão,
Não tem no mundo rival
Se da Estremadura são...

Que belo nectar, o vinho,
A Estremadura nos dá.
Do Algarve até ao Minho,
Melhor qu'ele não há

Tua boca é garrafinha
De vinho - marca afamada!
Quem dera ser saca rolhas
Dessa garrafa lacrada!



Petiscos de bacalhau,
Ou gorda sardinha assada,
Sem vinhos da Estremadura
Não são petiscos, - nem nada.

Para haver paz, faz-se a guerra...
- Vejam que grande loucura!
Só se encontra a paz na terra
Nas pipas da Estremadura.

Beber vinho é dar o pão
A um milhão de portugueses,
Mas bebe-se tal porção
E falta o pão tantas vezes!...


Minha menina ora ouça
Que esta é a melhor das baldas
É tão rica como a louça
A bela pinga das Caldas.

Quadras dos Jogos Florais da Festa do Vinho, realizados por altura das Comemorações Centenárias na Província da Estremadura - Caldas da Rainha, 8 de Setembro de 1940. Cerâmicas de Bordalo Pinheiro.




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

O Último Imposto


Rafael Bordalo Pinheiro
O António Maria, 10 de Janeiro de 1885

«O pobre do povo
A quem o destino,
O fado mofino
Trabalhos não poupa,
Em volta da nora,
De lombo albardado,
Gemia, coitado,
Co'o peso ... da roupa...

Mas Fontes ao vê-lo
Comove-se um dia,
E o triste alivia
Tirando-lhe a niza;
Mais tarde, os calções,
A cinta, o colete,
Sapatos, barrete
E, em suma, a camisa!

P'la causa do povo,
Que ao burro comparo,
Não há como o Caro
Que mais se desvele;
E é justo que o povo
Que ao Fontes exalta
Lhe entregue o que falta
Mandando-lhe a pele...»

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Watercolour Meeting in CR

Praça da Fruta - Marimar Gonzalez - Espanha
Parque - Pedro Orozco - Espanha
Praça da Fruta - Alain Bisoire - França
Rua das Montras - Eugen Chrisnicean - Moldávia
Parque - Carlos Almeida - Portugal

Watercolour Meeting in Caldas da Rainha 2010/2012
Edição: Centro Cultural e Congressos - Caldas da Rainha
(Colecção Completa: 12 postais)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sempre Fixe

Ao mais «fixe» dos Artistas - Francisco Valença, o «Napoleão» da Caricatura Portuguesa

Os Desenhos de Almada n'«O Sempre Fixe»
1926-1935
Fundação Calouste Gulbenkian - Centro de Arte Moderna
Lisboa, 1984

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Riso

«A vida é demasiado importante para se falar dela a sério»
 Oscar Wilde

Tentando reverter a atmosfera de sentido muito negativo vivido ao longo de 2012, aproveitei o último dia desse ano para ir visitar a exposição RISO no Museu da Electricidade, em Lisboa.  

Riso uma Exposição a Sério, apresenta o riso expresso nos mais variados suportes: vídeo, audio, cinema, imprensa, desenho, pintura, fotografia, cartoon, escultura, etc, etc. E como cereja no cimo do bolo  mais de trinta desenhos da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro destinados a teatro.

A não perder.