Cavacos das Caldas
CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



Mostrar mensagens com a etiqueta Livrarias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livrarias. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Sá da Costa

Livraria Sá da Costa

A notícia era esperada. Amanhã sábado, a Livraria Sá da Costa fecha as suas portas. Situada em pleno Chiado, um dos lugares privilegiados da baixa Lisboa, mais uma livraria que encerra.

Como livreira tive contactos assíduos com a editora Sá da Costa, cujos escritórios se situavam um pouco mais acima, no Largo Camões, num velho prédio pombalino, que tinha umas escadas que pareciam que terminavam no céu.

O catálogo da Sá da Costa, era um catálogo escolhido, principalmente, de autores portugueses, de que hoje já não se fala, e que desapareceram completamente do mercado. Alguns, ainda se vão encontram nos alfarrabistas.

Mas hoje em dia, quem lê? - António Sérgio, Frei Luis de Sousa, Vergílio, Cavaleiro de Oliveira, D. Francisco Manuel de Melo, Albino Forjaz Sampaio, Rodrigues Lobo, João de Barros, Diogo do Couto, Sá de Miranda, Diogo do Couto, e tantos mais … Fernão Mendes Pinto, Bocage, António Gedeão …

Com umas edições sóbrias onde predominava o castanho, as capas dos seus livros possuíam uma linha identificativa, simples e agradável.

Hoje são, na sua grande maioria, autores sem leitores.

Não se passou assim tanto tempo, mas os hábitos de leitura alteram-se radicalmente. Para bem ? para mal? Escuso-me de comentar. Como em tudo, há excepções.

Esses livros, não estão na moda; não possuem capas brilhantes, nem títulos enigmáticos a focar a atenção do futuro leitor para conteúdos surpreendentes.
Relembrei algumas edições da Sá da Costa. A partir de domingo, nem livros, nem livraria.


Lamento o desaparecimento de mais uma livraria.Não restam dúvidas que os tempos actuais são mortíferos para com a cultura …

Na minha última visita à Livraria Sá da Costa, feita talvez no início deste ano, encontrei lá a pintar um artista de origem asiática. Pintava gatos com o formato dos símbolos da caligrafia oriental. Comprei um gato. É preto, elegante, de cauda erguida, porte elegante e focinho meigo. É a minha útima recordação da Sá da Costa, que vive junto a todos os  meus gatos que são lembranças de vivências. 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

As Visitas


A gata Florbela leva uma vida pacata.

Durante o dia anda por aqui e por ali, vai ver quem passa na rua, aceita com relutância uma festa ou outra e deita-se em cima da secretária, principalmente quando tenho a papelada espalhada por tudo o que é sítio. Tem uma predilecção especial pelo computador. É mais quentinho.

À noite, empoleirada nas Fábulas e Contos de Italo Calvino, põe as leituras em dia, (ou será em noite?).

Raramente quebra a sua rotina. Há excepções.

Todos os dias de manhã (nunca aos domingos) aí por volta das 11 horas da manhã recebe a visita da Maria.

A Maria é uma menina pequenina, muito suave, loirinha e de olhos claros, que vem sempre trazida pela mão de uma das Avós.

A Maria vem visitar a Florbela.

Ao sábado, a rotina é diferente.

Em vez de uma, a Florbela tem duas visitas. É uma gatinha muito sortuda.

É o dia da visita da Oriana. Com os Pais ou com a Avó Isabel, a Oriana entra à procura da gata.

Também a Oriana é uma menina belíssima, com um olhar semelhante ao mar de Sophia.

A gata quando as vê entrar, refugia-se na prateleira por detrás da Bíblia.

Afasto os livros, gata olha-as, e as meninas sorriem felizes.

Uma livraria pode ser um lugar mágico.

Enquanto houver gatas livreiros e meninas bonitas.

… E porquê esconder-se atrás da Bíblia?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009