Cavacos das Caldas
CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



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sábado, 17 de dezembro de 2011

Album das Caldas 1929



Álbum das Caldas – Ano 1 – N.º 1 – Primavera de 1929
Director e Editor: J. Fernandes dos Santos


"Muita gente conhece as Caldas da Rainha pela fama da sua cerâmica artística. As primeiras peças de que há notícia são da época da Rainha D. Leonor. Desde a fundação da vila houve sempre nela oleiros que fabricavam louça de uso e artistas de maior ou menor mérito que realizavam obras artísticas. Aparece menção de trabalhos vidrados da época de D. João V e depois até ao séc. XIX faiança caldense progredia sempre.

O mais antigo dos artistas de valor de que há memória foi Manuel Mafra (1853-1887).

Os grandes impulsos foram-lhe dados por Rafael Bordalo Pinheiro, que fez uma revolução na arte do barro e lhe deu uma orientação que se tornou célebre; por José Fuller e o sr. Visconde de Sacavém (José) e finalmente por Costa Mota (Sobrinho), o grande escultor que criou numerosos modelos duma grande correcção, excelentes vidrados, reflexos metálicos incomparáveis, cores novas nas Caldas, etc.

A influência de Costa Mota foi das mais notáveis, deixando peças de grande valor.

Os modelos da Fábrica Bordalo Pinheiro não conhecem fronteiras, encontrando-se muitos deles no Brasil, França, Espanha, etc. Ainda ultimamente no certame ibero-americano que se está realizando em Sevilha, a louça das Caldas obteve um extraordinário triunfo, causando a melhor impressão a Suas Magestades os Reis de Espanha.

Quem visitar o Museu Oceanográfico de Mónaco tem o prazer de ver trabalhos portugueses numa vitrine, e esses trabalhos, que figuram em gravura nos catálogos, são precisamente obras de Rafael Bordalo Pinheiro, representando animais marinhos.

Actualmente existem várias fábricas de faianças artísticas, que justificam sobejamente só por si, e provocam constantemente visitas às Caldas da Rainha.


A Fábrica Bordalo Pinheiro onde trabalham José Carlos dos Santos e Acelino de Carvalho, discípulos de Bordalo,, o «atelier » de Francisco Elias, outro discípulo de Rafael Bordalo, o miniaturista notável conhecido em todo o País, a fábrica da viúva de Avelino Belo, que era considerado o melhor técnico cerâmico das Caldas, discípulo também do grande caricaturista, as de Eduardo Elias, que se tem dedicado à fabricação de imagens, José Alves Cunha, Suc., José Belo, etc., são dignas de visita, encontrando-se nelas algumas obras dignas de figurar ao lado das melhores do mundo."

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Os Ridículos (em Lisboa)

Desenho publicado n'Os Ridículos de 1914-02-04
Desenho publicado n'Os Ridículos de 1915-06-09
Desenho publicado n'Os Ridículos de 1919-04-02
Desenho publicado n'Os Ridículos de 1919-07-26

MUSEU RAFAEL BORDALO PINHEIRO
SILVA MONTEIRO - DESENHO HUMORÍSTICO N’OS RIDICULOS
1908-1926
Inauguração - 1 de Outubro, pelas 19h00

Galeria do Museu Rafael Bordalo Pinheiro
Campo Grande, 382 - Lisboa
Exposição patente de 2 de Outubro a 5 de Dezembro de 2010

Horário: Terça-feira a Domingo, das 10h às 18h
Encerra à Segunda-Feira e Feriados - Entrada Gratuita

José Jaime Pinto da SILVA MONTEIRO foi um caricaturista muito popular na I República. Durante anos (1908 - 1926) assegurou, nas primeiras páginas do bissemanário humorístico lisboeta Os Ridículos, um comentário gráfico actualizado e mordaz, bastante bordaliano, ao ponto de quase podermos fazer a história do novo regime republicano a partir dos seus desenhos. Era um “desenhador e ilustrador de méritos invulgares”, um “artista”, como escrevia A Voz na sua edição de 19 de Janeiro de 1937, por ocasião da sua morte.

A par do Sempre Fixe, o jornal Os Ridículos foi um dos mais importantes e duradouros títulos humorísticos publicados em Portugal, facto que contribuiu para a massificação das caricaturas de SILVA MONTEIRO, granjeando-lhe “muita admiração e simpatia”.

Mas hoje, cem anos depois, com excepção dos especialistas, praticamente ninguém conhece ou ouviu falar de SILVA MONTEIRO – pretexto para esta homenagem da cidade de Lisboa, integrada nas comemorações municipais do centenário da República.

A realização desta exposição, no museu dedicado à obra do genial caricaturista português, Rafael Bordalo Pinheiro, é possível graças à colecção Ricon Peres, que disponibilizou os desenhos originais de SILVA MONTEIRO, depositados no Museu da Presidência da República e aqui expostos pela primeira vez para apreciação do público. Em simultâneo, o contributo generoso da colecção J. C. Monteiro Alegria, herdeira de vários objectos pessoais de SILVA MONTEIRO, torna possível uma abordagem mais próxima ao homem por detrás do artista.

A clara influência do Mestre serve de mote para a exibição de alguns desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro, e do seu filho, Manuel Gustavo, em paralelo com o trabalho do discípulo SILVA MONTEIRO, plasmado finalmente nas páginas d’Os Ridículos, provenientes da colecção da Hemeroteca Municipal de Lisboa.

Desta sinergia de equipamentos culturais, nasce a primeira exposição dedicada a SILVA MONTEIRO, caricaturista de “privilegiados dotes” que, além d’Os Ridículos, fez banda desenhada para A Época, foi redactor artístico d’A Voz, colaborando esporadicamente para A Capital, Papagaio Real, O Século e o Diário de Lisboa. [Press Release]