Cavacos das Caldas
CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



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quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Redenção das Águas - As Peregrinações de D. João V à Vila das Caldas

ÀS 16:30 no Centro Cultural e de Congressos
A REDENÇÃO DAS ÁGUAS - As peregrinações de D. João V à Vila das Caldas
CARLOS QUERIDO

"Este romance leva-nos até aos anos entre 1742 e 1750 através da narração intimista de Pedro Fontes, criado do Infante D. Manuel, tendo por pano de fundo as angústias do rei absoluto e magnânimo, consciente da sua mortalidade física, aterrorizado com a possibilidade de não alcançar a imortalidade bemaventurada. Ao longo da narrativa, surgem referências ao mito do V Império e do Eterno Retorno, a propósito do suplício de Pedro Rates de Henequim, que veio "oferecer" ao Infante D. Manuel o império do Brasil, convicto de que ali se situou o paraíso terrestre, acabando por perecer na fogueira da Inquisição em auto de fé. À voz Pedro junta-se a de Sara, a filha ilegítima do rei (que no romance vive na vila das Caldas, mas que na realidade histórica viveu e morreu num convento em Lisboa). Foi nesta vila, a 6 de Agosto de 1742, que D. João V reconheceu os seus três filhos ilegítimos, filhos de três freiras do convento de Odivelas. Ao lado de um terror da morte que, como diz o narrador, retira todo o sentido à forma cuidadosa como organizámos a vida, com total desprezo e insensibilidade por títulos, precedências e protocolos, nasce um amor que parece abrir um rio de possibilidades. Uma época fascinante vai-se soltando do fio da narrativa como se de um quadro se tratasse, uma pintura capaz de incluir o perfume do barro e dos veludos."

A não faltar! E depois ficamos para ver
Espectáculo de Marionetas
A Ver Navios no reinado de D. João VI e Carlota Joaquina
Às 18:30

1807, Novembro. Quase às portas de Lisboa as tropas de Napoleão ameaçam fazer capitular o Rei, como já aconteceu por toda a Europa e mesmo com a vizinha Espanha com quem tinha anteriormente feito uma coligação. No gabinete D. João VI reúne com os seus conselheiros..... (Não esquecer de comprar bilhete)

domingo, 13 de maio de 2012

D. João V nas Caldas da Rainha



Café Literário

Carlos Querido


Foyer
Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha [www.ccc.eu.com]

Dia 13 de maio 17,00 Horas


Reza uma gazeta manuscrita da época, que no dia 10 de Maio de 1742 D. João V despachava o expediente do reino quando “lhe sobreveio um estupor que o privou dos sentidos, e ficou leso da parte esquerda, e com a boca à banda”.
Este acontecimento está na origem de 13 deslocações que o rei fará à vila das termas, em busca da cura nas águas mais famosas do reino.
A primeira visita ocorre no Verão de 1742 e será a mais marcante.
Toda a corte foi notificada para comparecer na vila termal. À frente, segue o arquitecto João Frederico Ludovice para organizar o alojamento da família real e da corte e o Cardeal da Cunha para benzer as estradas. Na vila das Caldas disponibilizam-se 62 moradias de particulares, para condigna instalação do rei e da corte, para além das quintas dos arredores.
São expedidas ordens às vilas vizinhas para que enviem trabalhadores para o conserto dos caminhos e calçadas.
Constroem-se palácios e casas de campo de madeira para garantir o conforto do real enfermo. O rei chega às Caldas da Rainha no dia 10 de Julho e a pequena vila saboreia nesse Verão o estatuto breve de capital do império.
O Folheto de Lisboa descreve com pormenor a viagem do rei. Vestido de preto, com longa e volumosa cabeleira branca, atravessa a ponte da Casa da Índia e acena gravemente às mulheres da Ribeira e mais povo que se juntou em frente do Paço.
A peruca, que lhe confere um ar venerando e solene, foi importada de terras de França, da corte de Luís XIV, como muitos outros hábitos com que tentou fazer da corte lusa uma imitação, ainda que pálida, do brilho intenso de Versalhes.
No Tejo aguardam quatro escaleres que hão-de seguir em procissão. Uma pequena embarcação de oito remos transporta na popa a imagem de Nossa Senhora das Necessidades e as relíquias de S. Vicente Mártir e do Patriarca S. Bento. Seguirá na frente, próxima e visível, para tranquilizar e proteger o soberano de alguma tempestade que a amenidade do rio e dotempo não deixam prever.
Segue-se o escaler do soberano, de 40 remos, com a sua comitiva mais íntima: o príncipe herdeiro D. José, os infantes D.Pedro e D. António, Frei Gaspar da Encarnação, o padre jesuíta João Baptista Carbone, o médico Manuel Dias Ortigão, o cirurgião António Soares Freire e um criado com funções de estribeiro menor.
Os aposentos do rei e da rainha situam-se do lado nascente e poente da ermida de S. Sebastião, onde começa a Rua do Cabo da Vila. O rei, o príncipe e o infante D. Pedro ocupam as Casas do Dr. António Moreira de Lima, a rainha e a princesa do Brasil ocupam as casas do desembargador João de Proença. Entre estas habitações, por detrás da ermida, há um passadiço construído em madeira.
O Cardeal da Cunha (Inquisidor-mor) assiste nas casas de José da Mata, na Rua do Cabo da Vila, bem perto da Igreja de S. Sebastião e dos aposentos reais. O Cardeal da Mota e os três secretários de estado ocupam três casas no topo da Rua Nova, junto ao Largo e à Igreja do Espírito Santo. O Duque do Cadaval, mordomo-mor, D. Jaime Álvares Pereira de Melo, está hospedado na Casa Real em que assistiu a rainha fundadora, onde o rei não ficou por não ter comodidades adequada à sua doença. O Marquês mordomo-mor encontra-se instalado junto ao Terreiro das Gralhas, também conhecido por Rossio Pequeno.
Ninguém ousa desobedecer à convocatória do rei, e todos os dignitários da corte comparecem na vila.
A comitiva do infante D. Francisco, de lendária crueldade imortalizada por José Saramago no Memorial do Convento, não chega à vila, detendo-se a meia légua de distância, em Vale de Flores, nas Gaeiras, na quinta de Bernardo Freire de Sousa, que veio a ser denominada Quinta das Janelas e a pertencer a Faustino da Gama. Ali morre o infante de congestão, na noite de 21 de Julho de 1742. Na corte das Caldas há luto sem consternação. Nos arredores de Queluz a população viverá atemorizada durante muitos anos, por acreditar que a alma do infante em expiação dos pecados passa as noites a penar na quinta que lhe pertenceu.
O infante D. Manuel, herói reconhecido e celebrado nas cortes europeias por ter lutado ao serviço do Príncipe Eugénio e do imperador da Áustria, acomoda-se na Quinta da Foz, pertencente a Filipe de Alarcão Mascarenhas Sotomaior, que foi Governador e Capitão General da Ilha da Madeira.
O infante D. António, irmão mais próximo do rei, hospeda-se na Quinta dos Pinheiros, pertencente a José da Serra de Moraes.
Frei Gaspar da Encarnação, homem de confiança do rei, a quem este confiou a tutela dos seus três filhos varões nascidos de relações amorosas que manteve com três freiras do convento de Odivelas (chamados meninos e Palhavã), trouxe-os para a quinta de Silvério da Silva da Fonseca, alcaide-mor da vila de Alfeizerão, parente do cardeal patriarca D. Tomás de Almeida.
Nas Caldas, no dia 6 de Agosto de 1742, o rei subscreve o documento de reconhecimento, que no seu início reza assim:
«Por entender que sou obrigado, declaro que tenho três filhos ilegítimos de mulheres limpas de todo o sangue infecto…».
O esplendor do rei, magnânimo e absoluto, projecta-se nas cerimónias litúrgicas realizadas na Igreja de Nossa senhora do Pópulo, nas esmolas generosas que distribui a esmo para prosperidade do clero e salvação da sua alma, e nas obras que hão-de mudar de􀃶nitivamente a face da vila termal: reedificação do Hospital, construção de três chafarizes, construção dos Paços do Concelho, cadeia e açougue da vila.
D. João V assume como nenhum dos seus antecessores a dimensão religiosa da liturgia do poder, consciente do deslumbramento do povo com o esplendor das cerimónias e procissões que glorificavam a monarquia, tendo obtido de Roma a criação do patriarcado de Lisboa e o título de Fidelíssimo que o elevará junto da Cúria a uma dignidade nunca antes alcançada pela monarquia portuguesa.
Para a humilde vila termal, que tem na sua génese a simplicidade da água e do barro, a presença da família real e de toda a corte naquele Verão de 1742 é motivo de profundo orgulho que há-de perdurar na memória e nos escritos da época. É esse momento mágico e breve que revisitamos.


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“A vinda de D. João V e da corte e as profundas alterações que provocou na vila das termas”
Café Literário - Foyer 17h00 - Carlos Querido - Dia 13 de Maio
Caldas, Capital do Reino de Verão de 1742, por Carlos Querido
A vinda de D. João V e da corte e as profundas alterações que provocou na vila das termas dá tema à palestra que será proferida pelo juiz desembargador Carlos Querido, autor de várias obras do domínio do património histórico - cultural.
O autor irá conduzir os presentes numa jornada sobre diversos temas, desde a antiguidade até ao reinado de D. João V, mais especi􀃶camente até ao ano de 1742 e à sua viagem que marcou definitivamente a vila das termas.
Carlos Querido além de juiz desembargador é ainda colaborador da Gazeta das Caldas e responsável por várias rubricas relacionadas com Direito, Justiça e História Local.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Chafariz na Estrada da Foz - Nota Negativa





Este é um dos três chafarizes joaninos construídos ente 1748 e 1751.

Localizado inicialmente junto ao Hospital, enquadrado por dois longos bancos laterais curvados, encontra-se actualmente na Estrada Foz, um pouco abaixo do Largo da Rainha.

Com a data de 1749, apresenta a inscrição "Pleiadum Prima", ou seja, esta é a primeira Plêiade.Uma estrela envolve a bica.

Infelizmente, como muitas das paredes da nossa cidade, encontra-se neste deplorável estado.


sábado, 3 de abril de 2010

Gratidão Real

D. João V, Rei Absoluto
Fernando Mendes

"1747 - 1750 - A doença de D. João V e os melhoramentos das Caldas da Rainha

Deixou ainda D. João V o seu reinado ligado a algumas obras de reconhecida utilidade, a que não devemos recusar uma breve referência.

Ocupar-nos-emos, em primeiro lugar, dos melhoramentos com que este monarca dotou os banhos das Caldas da Rainha.

Começando com D. João V a padecer de uma paralisia que lhe afectou o lado esquerdo, recorreu o soberano aqueles afamados banhos, e tanto eles o aliviaram do seu mal que, durante treze anos sucessivos, ali ia passar uma temporada a família real com toda a corte. Quiz D. João V patentear a sua gratidão pelos benéficos resultados obtidos nas Caldas da Rainha, e ordenou que o respectivo hospital fosse reedificado desde os alicerces, para lhe dar maior amplitude e engrandece-lo com a forma actual.

Confiados os trabalhos ao arquitecto director brigadeiro Manuel da Maia, que fora arquitecto e construtor do aqueduto das Águas Livres, deu-se princípio à demolição do antigo estabelecimento em Maio de 1747, ficando concluída a obra em 1750.

Para alargamento do hospital das Caldas, comprou D. João V algumas moradas das Caldas, que foram demolidas assim como a primitiva casa da câmara e cadeia.

À obra beneficente representada na construção do hospital das Caldas da Rainha, mandou el-rei destinar primeiro dois mil depois quatro mil cruzados, por mês.

Os paços do concelho e a cadeia foram mandados construir, com muitos melhoramentos, pela rainha D. Maria Ana de Aústria, esposa de D. João V, escolhendo-se para isso o local no rocio da vila."[Pág. 229/230]


[Título: D. João V, Rei Absoluto. Quase meio século de esplendor, de ostentação ruinosa, de magnificência louca, de escandalosas estroinices reais. 1706-1750. Colecção: Portugal Histórico. Autor: Fernando Mendes. Editor: João Romano Torres & C.ª. Livraria Editora, Rua Alexandre Herculano, 70, 76 - Lisboa.s/d.]

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

363.ª Página Caldense

Correspondendo ao interesse de vários leitores, continuamos a fazer folhear:
As Amantes de D. João V
de
Alberto Pimentel

“Quando em 1742 D. João V sofreu o primeiro ataque de paralisia, o físico Bernardes teve este dito de espírito, que brigava com as conveniências palacianas:

- Cure-o João Jaques, que sabe o que lhe fez, e Manuel da Costa, que sabe o que ele fez.

Não obstante o Rei negá-lo aos médicos, toda a gente sabia até que ponto D. João V abusava dos excitantes.

Lord Freeman, que viajou em Portugal de 1778 a 1779, diz numa das suas cartas que «D. João V dissipou a sua vida com clérigos e mulheres; que depois de ter introduzido a Patriarcal, deixou reduzir a tropa a nada, e que decaído pela idade, para gozar mais tempo das damas, tomou cantáridas, as quais o reduziram a uma suma frouxidão; que tendo vivido como sultão, fez as pazes com o Céu, e acabou como santo, segundo as vozes dos lisonjeiros padres que lhe assistiram.»

Costigan e outros falam pela mesma boca.

Depauperado, exangue, o Rei vira chegar a paralisia complicada com reverdecimentos de antiga luxúria asiática, por me servir da linguagem de Santo Agostinho.

Não vampirizou, para robustecer-se, o sangue das crianças, como de Luís XI conta a lenda, nem chuchurreou no peito das mulheres, para alimentar-se a leite, como o cardeal D. Henrique.

Voltou-se para Deus e para as Caldas da Rainha.”

[Página 199 - As Amantes de D. João V, Alberto Pimentel, Bonecos Rebeldes, 3.ª Edição, Fevereiro de 2009]

PS – Amanhã daremos seguimento a tão empolgante história…

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

395.ª Página Caldense

D. JOÃO V O HOMEM E A SUA ÉPOCA
MÁRIO DOMINGUES

“Havia uma secreta intenção de suborno, por parte do soberano, na liberalidade com que distribuía riquezas por igrejas, por conventos, por imagens. Tratava-se do mesmo equívoco em que ainda hoje vivem muitos crentes, de que basta adular os santos ou o próprio Criador com valiosas prendas para se obter uma protecção muitas vezes imerecida. D. João V julgava enganar a Deus, esquecendo-se de que, pela sua própria doutrina, Deus lê claro em todas as consciências e não há possibilidade de ludibriá-lo nem com basílicas de Mafra, nem com esmolas de pedrarias raras e ouro do Brasil.


As Caldas da Rainha também sacaram algum proveito da enfermidade do Magnânimo, só porque os médicos lhe recomendaram os afamados banhos daquela estância, que ele passou a frequentar todos os anos, pousando ali uma temporada com a família real e toda a corte. Estas deslocações periódicas de uma verdadeira multidão de luxo, seguida de uma numerosa comitiva de criados, custavam rios de dinheiro, ninharias a que o monarca se mostrava indiferente, como de costume. Além disso, aproveitava sempre o ensejo de para insistir na prática das suas liberalidades, conforme nos conta o seu admirador frei Cláudio da Conceição:

«Foram muitas as esmolas que D. João V deu no tempo que se demorou nas Caldas, não só aos pobres particulares que de todos aqueles contornos acorriam a ele, com petições abonadas pelos párocos, mas aos conventos circunvizinhos e mais igrejas […]. Deu ricos ornamentos para a igreja das Caldas e mandou renovar os altares, deu-lhe também uma banqueta de prata sobredoirada e castiçais da mesma para todos os altares, turíbulo e naveta, e um sino.»"

(Páginas 291 e 292)

[Mário Domingues. D. João V O Homem e a sua Época. Prefácio – Edição de Livros e Revistas Lda. s/data (2005?) Sem indicação de edição.]

terça-feira, 25 de agosto de 2009

392-ª Página Caldense

As Amantes de D. João V
Alberto Pimentel

"Graças a estas melhoras, os médicos resolveram que D. João V devia ir completar o tratamento nas termas das Caldas da Rainha.
[…]
Antes de o Rei partir, mandou-se consertar as estradas e construir palácios de madeira, ao longo delas, para alojamento da corte.

Feito isto, o Cardeal da Cunha foi benzer o caminho por onde o Rei havia de transitar.

Dom João V saiu para as Caldas no dia 9 de Julho. A rainha partiu no dia 11, logo diremos porquê. O infante D. Francisco partiu nesse mesmo dia.
[…]
Pelo caminho, os priores de São Nicolau e São Miguel foram espalhando doze mil cruzados em esmolas de cento e vinte, cem e sessenta réis.
[…]
Logo que entrou nas Caldas, também orou à imagem da Senhora do Pópulo, que estava à porta do hospital.

El-Rei hospedou-se em casa de António de Lima, contígua à do desembargador João de Proença, onde a rainha se aposentou: entre os dois prédios estabeleceu-se um passadiço.

O infante D. Francisco domiciliou-se na quinta de Bernardo Freire, junto ao convento das Gaeiras, onde, dentro de dez dias, faleceu.

Os filhos naturais de D. João V poisaram próximo de Alfeizerão, em casa de Silvério da Silva.

Os frades de Alcobaça, logo que o Rei chegou às Caldas, enviaram-lhe 69 vitelas, 194 presuntos, 182 queijos, 210 perus, 692 galinhas, 12 cargas de fruta, 36 paios, 333 caixas com doce. Que bernadíssima comezaina!

O Rei repartiu o presente por toda a família, pela corte, pelos frades das Gaeiras, aos quais mandou dar também duzentos mil réis, e como o guardião lhe fosse agradecer a dádiva, esmolou-lhe mais duzentos mil réis.
[…]
Foram arrancadas a um interessante manuscrito, que existe na contadoria do hospital das Caldas da Rainha, Livro da Fundação Deste Real Hospital, composto pelo padre mestre Jorge de S. Paulo, as páginas referentes à primeira viagem que D. João V fizera àquela estação termal, e que continham os nomes das principais pessoas que acompanharam Suas Majestades, bem como a designação das casas em que assistiram. Priva-nos aquela mutilação do prazer de podermos agora informar mais detidamente o leitor.

O que porém se sabe, porque o diz Frei Claúdio da Conceição, é que D. João V regressou a Lisboa no dia 16 de Agosto, saindo das Caldas pelas quatro horas da manhã, vindo embarcar em Vila Nova da Rainha. Chegou na Lisboa às seis horas da tarde com algumas melhoras. Antes de sair das Caldas, o magnânimo Soberano, despejou ondas de oiro nos cofres das igrejas e conventos circunvizinhos. Aos enfermeiros que o metiam no banho agraciou com o Hábito da (sic) Cristo, tenças, e cem peças de 6$400 réis a cada um. Aos médicos de Coimbra e das Caldas, quer lhe assistiram, condecorou também, estipulou tenças, e mandou entregar grandes ajudas de custo. A António de Lima, que o hospedou, concedeu, além do Hábito, uma tença de 80 mil réis; e ao desembargador João Proença, que hospedara a Rainha, aposentou-o na Relação do Porto como ordenado por inteiro.

Muito caro ficou ao erário a Petronilla… e as outras!

O povo delirava de alegria por ver que os banhos das Caldas tinham avigorado um pouco o cansado organismo do Monarca.

A academia dos Escolhidos, presidida por Monterroio Mascaranhas, discutiu três problemas transcendentes em honra do restabelecimento do Soberano: 1.º Se foi tão grande a moléstia de Sua Majestade como a afectuosa piedade dos seus vassalos. 2.º Se na doença de Sua Majestade mostraram mais fineza nas suas rogativas os habitantes da corte ou os de fora de Lisboa. 3.º Se foi no Reino tão grande o sentimento na queixa de Sua Majestade como o gosto na sua melhora.

Que genial cabeça era preciso ter para atingir a resolução de tão graves problemas!” [Páginas 191 a 195]

[Alberto Pimentel. As Amantes de D. João V. Bonecos Rebendes. 3.ª Edição Fevereireiro de 2009. (1.ª Edição, 1892) ISBN 978-989-8137-29-6]