Cavacos das Caldas
CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



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sábado, 15 de junho de 2013

Compositores do Período Barroco - Parabéns Zé Ricardo

Compositores do Período Barroco
José Ricardo Nunes
Deriva
Apresentação: dia 15 de Junho, 21,30 Horas, CCC

PORTA, Giovanni
(c.1675-1755)

«Por fixar mantém-se a data
do meu nascimento. Já a da morte
não oferece dúvidas:
testemunhos, papéis, o lastro
de uma vida inteira não a permite ignorada
e converge
nesse momento breve
que nos fecha e atribui, definitivo,
o sentido procurado em vão.
Depois até parece fácil,
que não podia ser
doutra maneira, já estava escrito.»

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Apresentação Dr. Carlos Querido



Minhas Senhoras e Meus Senhores, muito boa tarde.

Estar perante vós com a incumbência de apresentar um palestrante que é também um amigo, que sempre me distinguiu com a sua ternura e amizade – no que faz pleno jus ao seu apelido – deixa-me muito grata e dá-me uma grande alegria.

É assim com redobrado prazer que estou hoje na vossa companhia.

O Dr. Carlos Querido é o autor de duas obras inspiradas em temas locais, a saber, a «Praça da Fruta» e «Salir d’Outrora».

Hoje, dá-nos o privilégio de partilhar connosco as suas investigações sobre D. João V, o rei magnânimo, intimamente ligado à história local e que no verão de 1742 transformou as Caldas da Rainha na sua capital.

Se não fossem os livros como podíamos nós hoje ter conhecimento de factos vividos na cidade e pela cidade e de acontecimentos gerados pelas gentes de lugares, vilas ou lugarejos por mais recônditos que sejam ou tenham sido?

Sendo assim, é por bons motivos que me atrevo a pedir a vossa permissão e um pouco da vossa paciência para convosco relembrar a importância de alguns livros.

Desde logo por a nossa mais bela biblioteca levar o nome de D. João V.

Biblioteca onde os mais valiosos livros vivem guardados pelas sombras de morcegos que, de dia, se escondem por detrás da figura tutelar do rei magnífico.

Depois porque Caldas da Rainha se pode gabar de ter uma rica herança literária uma vez que desde tempos remotos a sua existência esteve intimamente ligada à palavra escrita.

Tomaria até a liberdade de dizer que esta terra foi parida por entre as palavras desenhadas num texto assinado por uma certa Rainha, onde ela definiu os seus princípios de conduta.

Ao longo dos tempos numerosos escritores, cientistas, turistas e poetas escreveram inspirados nesta cidade, o que nos permite sermos hoje os guardiões desses saberes contados.

«Não há nas Caldas
Melancolia
Dão alegria
Os ares seus»

Sabiam que se trata de palavras de Nicolau Tolentino de Almeida, o tal da cabeleira dentro do toucado, que por cá passou e deixou o seu testemunho, de par com as suas dores?

Não é este o momento e o local oportuno para vos fazer uma listagem exaustiva de todos aqueles que à nossa cidade dedicaram as suas loas ou os seus cânticos.

Gostava no entanto de convosco recordar alguns:

- O catalão Luis Vermell Y Busquets, autor de um livro frágil e de pequeno formato sobre o Real Hospital, que é, sem dúvida, uma das preciosidades da bibliografia caldense.

- O médico Ramalho Ortigão que, com precisão cirúrgica, descreveu os «tipos» caldenses, com particular incidência na indígena, cujos trajes cheiravam a maçã camoesa.

- O cronista Júlio César Machado, o grande caminhante da zona oeste, que com as descrições do mundo rural e dos seus passeios campestres, nos proporcionou o conhecimento da rica culinária regional.

- Augusto da Silva Carvalho, que com a sua Memória das Caldas nos legou não só preciosas informações do mister hospitalar como também sobre a vida social e politica de então.

- Manuel Pinheiro Chagas, que se queixou do piano do club matraqueando em contínuo polcas de manhã até à noite.

- Fialho de Almeida, o tal d’Os Gatos, que considerou a vila das Caldas comparável às mais célebres terras de águas francesas e alemãs.

- Jorge de São Paulo, padre lóio que nos legou a história do «Hospital das Caldas da Rainha até ao ano de 1656», obra sem a qual muito dificilmente nos seria possível reconstituir os tempos infantes da nossa terra.

- E Eça de Queiroz? José Maria, nunca sabia quem partia para as Caldas, quem estava nas Caldas, quem chegava das Caldas ...

- Francisco Giner de los Rios, o turista catalão que descreveu o refulgir dos azulejos da nossa capela, que considerou a mais bela da península.

- Já vos falei da Princesa Letizia Rattazzi que só «À Vol d’Oiseaux”» é que se apercebeu de que fez os seus tratamentos termais juntamente com as mulheres do povo?

- E Miguel Torga, que se queixou de que toda a gente fazia dele o confidente ideal das mais diversas maleitas?

- Não esqueço Alberto Pimentel que nas suas crónicas fez renascer o pipiar das andorinhas e que nos relatou as aventuras do Rei com outras aves, mais consentâneas com o paraíso…

- João Nunes Gago, Joaquim Inácio de Seixas Brandão, Francisco Tavares, alguns dos que dedicaram o seu interesse ao estudo das águas da Rainha, passando a escrito as suas impressões profilaxias e curativas.

- E um último nome: a referência a Rafael Bordalo Pinheiro que nos doou páginas de escrita e sobretudo de croquis, de caricaturas, de ilustrações que são, sem dúvida, alguma da nossa mais rica herança gráfica.

Espero não vos ter cansado com este longo desfiar de alguns dos escritores que se inspiraram na nossa terra, ainda que não se trate de uma listagem exaustiva, longe disso.

Mas para quem ama, lê, guarda e divulga os livros, é sempre motivo de grande satisfação prever que o nosso conhecimento e a nossa biblioteca serão em breve enriquecidos com um novo exemplar que terá, provavelmente, por título «Caldas da Rainha, capital do reino no verão de 1742», e por autor Carlos Querido.

Desse modo, a nossa herança ficará ainda mais rica.

Muito obrigada.

13 de Maio de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

D. João V nas Caldas da Rainha



Café Literário

Carlos Querido


Foyer
Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha [www.ccc.eu.com]

Dia 13 de maio 17,00 Horas


Reza uma gazeta manuscrita da época, que no dia 10 de Maio de 1742 D. João V despachava o expediente do reino quando “lhe sobreveio um estupor que o privou dos sentidos, e ficou leso da parte esquerda, e com a boca à banda”.
Este acontecimento está na origem de 13 deslocações que o rei fará à vila das termas, em busca da cura nas águas mais famosas do reino.
A primeira visita ocorre no Verão de 1742 e será a mais marcante.
Toda a corte foi notificada para comparecer na vila termal. À frente, segue o arquitecto João Frederico Ludovice para organizar o alojamento da família real e da corte e o Cardeal da Cunha para benzer as estradas. Na vila das Caldas disponibilizam-se 62 moradias de particulares, para condigna instalação do rei e da corte, para além das quintas dos arredores.
São expedidas ordens às vilas vizinhas para que enviem trabalhadores para o conserto dos caminhos e calçadas.
Constroem-se palácios e casas de campo de madeira para garantir o conforto do real enfermo. O rei chega às Caldas da Rainha no dia 10 de Julho e a pequena vila saboreia nesse Verão o estatuto breve de capital do império.
O Folheto de Lisboa descreve com pormenor a viagem do rei. Vestido de preto, com longa e volumosa cabeleira branca, atravessa a ponte da Casa da Índia e acena gravemente às mulheres da Ribeira e mais povo que se juntou em frente do Paço.
A peruca, que lhe confere um ar venerando e solene, foi importada de terras de França, da corte de Luís XIV, como muitos outros hábitos com que tentou fazer da corte lusa uma imitação, ainda que pálida, do brilho intenso de Versalhes.
No Tejo aguardam quatro escaleres que hão-de seguir em procissão. Uma pequena embarcação de oito remos transporta na popa a imagem de Nossa Senhora das Necessidades e as relíquias de S. Vicente Mártir e do Patriarca S. Bento. Seguirá na frente, próxima e visível, para tranquilizar e proteger o soberano de alguma tempestade que a amenidade do rio e dotempo não deixam prever.
Segue-se o escaler do soberano, de 40 remos, com a sua comitiva mais íntima: o príncipe herdeiro D. José, os infantes D.Pedro e D. António, Frei Gaspar da Encarnação, o padre jesuíta João Baptista Carbone, o médico Manuel Dias Ortigão, o cirurgião António Soares Freire e um criado com funções de estribeiro menor.
Os aposentos do rei e da rainha situam-se do lado nascente e poente da ermida de S. Sebastião, onde começa a Rua do Cabo da Vila. O rei, o príncipe e o infante D. Pedro ocupam as Casas do Dr. António Moreira de Lima, a rainha e a princesa do Brasil ocupam as casas do desembargador João de Proença. Entre estas habitações, por detrás da ermida, há um passadiço construído em madeira.
O Cardeal da Cunha (Inquisidor-mor) assiste nas casas de José da Mata, na Rua do Cabo da Vila, bem perto da Igreja de S. Sebastião e dos aposentos reais. O Cardeal da Mota e os três secretários de estado ocupam três casas no topo da Rua Nova, junto ao Largo e à Igreja do Espírito Santo. O Duque do Cadaval, mordomo-mor, D. Jaime Álvares Pereira de Melo, está hospedado na Casa Real em que assistiu a rainha fundadora, onde o rei não ficou por não ter comodidades adequada à sua doença. O Marquês mordomo-mor encontra-se instalado junto ao Terreiro das Gralhas, também conhecido por Rossio Pequeno.
Ninguém ousa desobedecer à convocatória do rei, e todos os dignitários da corte comparecem na vila.
A comitiva do infante D. Francisco, de lendária crueldade imortalizada por José Saramago no Memorial do Convento, não chega à vila, detendo-se a meia légua de distância, em Vale de Flores, nas Gaeiras, na quinta de Bernardo Freire de Sousa, que veio a ser denominada Quinta das Janelas e a pertencer a Faustino da Gama. Ali morre o infante de congestão, na noite de 21 de Julho de 1742. Na corte das Caldas há luto sem consternação. Nos arredores de Queluz a população viverá atemorizada durante muitos anos, por acreditar que a alma do infante em expiação dos pecados passa as noites a penar na quinta que lhe pertenceu.
O infante D. Manuel, herói reconhecido e celebrado nas cortes europeias por ter lutado ao serviço do Príncipe Eugénio e do imperador da Áustria, acomoda-se na Quinta da Foz, pertencente a Filipe de Alarcão Mascarenhas Sotomaior, que foi Governador e Capitão General da Ilha da Madeira.
O infante D. António, irmão mais próximo do rei, hospeda-se na Quinta dos Pinheiros, pertencente a José da Serra de Moraes.
Frei Gaspar da Encarnação, homem de confiança do rei, a quem este confiou a tutela dos seus três filhos varões nascidos de relações amorosas que manteve com três freiras do convento de Odivelas (chamados meninos e Palhavã), trouxe-os para a quinta de Silvério da Silva da Fonseca, alcaide-mor da vila de Alfeizerão, parente do cardeal patriarca D. Tomás de Almeida.
Nas Caldas, no dia 6 de Agosto de 1742, o rei subscreve o documento de reconhecimento, que no seu início reza assim:
«Por entender que sou obrigado, declaro que tenho três filhos ilegítimos de mulheres limpas de todo o sangue infecto…».
O esplendor do rei, magnânimo e absoluto, projecta-se nas cerimónias litúrgicas realizadas na Igreja de Nossa senhora do Pópulo, nas esmolas generosas que distribui a esmo para prosperidade do clero e salvação da sua alma, e nas obras que hão-de mudar de􀃶nitivamente a face da vila termal: reedificação do Hospital, construção de três chafarizes, construção dos Paços do Concelho, cadeia e açougue da vila.
D. João V assume como nenhum dos seus antecessores a dimensão religiosa da liturgia do poder, consciente do deslumbramento do povo com o esplendor das cerimónias e procissões que glorificavam a monarquia, tendo obtido de Roma a criação do patriarcado de Lisboa e o título de Fidelíssimo que o elevará junto da Cúria a uma dignidade nunca antes alcançada pela monarquia portuguesa.
Para a humilde vila termal, que tem na sua génese a simplicidade da água e do barro, a presença da família real e de toda a corte naquele Verão de 1742 é motivo de profundo orgulho que há-de perdurar na memória e nos escritos da época. É esse momento mágico e breve que revisitamos.


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“A vinda de D. João V e da corte e as profundas alterações que provocou na vila das termas”
Café Literário - Foyer 17h00 - Carlos Querido - Dia 13 de Maio
Caldas, Capital do Reino de Verão de 1742, por Carlos Querido
A vinda de D. João V e da corte e as profundas alterações que provocou na vila das termas dá tema à palestra que será proferida pelo juiz desembargador Carlos Querido, autor de várias obras do domínio do património histórico - cultural.
O autor irá conduzir os presentes numa jornada sobre diversos temas, desde a antiguidade até ao reinado de D. João V, mais especi􀃶camente até ao ano de 1742 e à sua viagem que marcou definitivamente a vila das termas.
Carlos Querido além de juiz desembargador é ainda colaborador da Gazeta das Caldas e responsável por várias rubricas relacionadas com Direito, Justiça e História Local.

terça-feira, 29 de março de 2011

As Miniaturas dos Elias























Muito bom dia.

Desafiada pelo Luis Elias a dizer umas palavras na abertura desta Exposição dedicada à sua família, com particular incidência na obra do seu pai – Herculano Elias – foi com muito agrado que acedi ao convite, tanto pela admiração que tenho pelo Artista como pela amizade que sinto pelo Homem.

Do meu imaginário infantil, antes de menina e moça ter sido levada pelos meus pais para longes terras, faz parte um certo número de recordações caldenses, que pairam na ténue fronteira entre a realidade e a ficção. Permitam-me partilhar convosco algumas dessas memórias de infância.

Lembro, por exemplo as tardes de brincadeira vividas no Parque que, à data, ainda era povoado por alguns dos fantásticos animais do universo bordaliano. Ao entardecer, de regresso a casa pela mão da minha mãe, o nosso percurso passava invariavelmente pela Praça da Fruta, cujo empedrado testemunhava as derradeiras correrias do dia.

Seguíamos depois Rua das Montras afora e quase no seu final, à esquerda, quedava-me ante a montra de uma pastelaria. E por muito estranho que isso possa parecer, não eram as bolas de Berlim, os éclairs ou os pastéis de nata que me deixavam colada aos vidros da referida montra.

Eram sim, umas figuras pequeninas, brancas, e aparentemente frágeis que, do outro lado do vidro, despertavam a minha curiosidade e o meu desejo de tocá-las, como se de brinquedos se tratasse.

Belas, delicadas e minúsculas ali estavam elas ao alcance do meu olhar mas inacessíveis ao meu toque.

Passaram-se os anos…

E após longas páginas lidas no livro da vida, pontuadas por episódios de partidas e de regressos que terminaram no acolhimento por parte das terras caldenses, aqui reencontrei essas tais pequenas figurinhas que constituíam uma imagem feliz da minha primeira infância.

E conheci o seu autor: Herculano Elias.

Mestre Herculano Elias é o herdeiro do nome e dos saberes de uma insigne família de miniaturistas cerâmicos, que desde o último quartel do século XIX, tem vindo a enriquecer a digna e nobre arte do barro caldense. É autor de uma vasta obra de que se destacam as suas miniaturas, ilustrativas dos hábitos, costumes e afazeres do povo e que constituem uma verdadeira galeria etnográfica a que a sua liliputiana dimensão confere uma original singularidade.

Vejamos, por exemplo:

- A vendedora da praça que oferece as maçãs dispostas num cesto de vime colocado aos seus pés; - O saloio apoiado ao cajado retirando dos alforges suportados pelo burro os legumes e as flores colhidas ao nascer do sol;

- O pastor que toca o seu rebanho a caminho do pasto; - A junta de bois puxando a carroça carregada com as pipas do bom vinho saído dos lagares;

- O casal de campónios que encaminha a vara para o recinto da feira; - Os pescadores a conduzir os bois que puxam para terra o barco regressado, em boa hora, da faina do mar.

E estas outras:

- A montada ao javali com os cavaleiros a incitarem a matilha no encalço da caça;

- Os cavalos livres e belos que correm voando de crinas ao vento pelas pradarias alentejanos;

- Os campinos de varapau em riste cavalgando no rasto dos toiros que vagueiam pelas lezírias.

E ainda:

- Os forcados que, com galhardia e destreza, pegam de caras os toiros, sendo que esta cena está montada nas abas largas de um chapéu à mazantino.

- Os vários pares rodopiando num ritmo bem alegre ao som de uma música que se quer popular; realce-se que um ou outro se enlaçam um pouco mais, sem contudo esquecerem a batida compassada dos pés.

- E como não referir a recriação de uma das mais emblemáticas obras do pintor Malhoa, o Fado, perante a qual esperamos ver, a qualquer momento, o chinelo cair do pé da mulher que numa atitude displicente, escuta o choro da guitarra…

Muito mais haveria a dizer sobre o trabalho do Mestre Herculano Elias, mas não me compete a mim, a quem faltam o engenho e o saber, fazer a avaliação artística e técnica de uma obra que se estende por mais de seis décadas de trabalho e dedicação.

Se alguma dúvida houvesse sobre o apreço, o carinho e a consideração que me merece a obra de Herculano Elias, bastava lembrar que partilhamos a admiração, o gosto e o respeito pela obra do inigualável Rafael Bordalo Pinheiro.

A este propósito, permitam-me que partilhe convosco algumas impressões sobre a sua alegoria a Rafael Bordalo Pinheiro. Trata-se de uma peça encimada por um anjo protector de asas abertas a resguardarem um Rafael sentado, de boina e fato de trabalho, com uma das mãos a apoiar o queixo, numa atitude de reflexão, e com o olhar perdido em cogitações…

Rodeiam-no as suas mais emblemáticas figuras de movimento: o Cura, o Sacristão, a Ama das Caldas, o Polícia de Giro e a Maria. O Zé-Povinho, por seu turno, sempre interventivo e inconformado, brinda-nos com um manguito.

É assim a obra de Mestre Herculano Elias: construída por cerâmicas e por afectos. Junto a mim, partilhando das alegrias e das tristezas dos meus dias, tenho a companhia de um busto de Bordalo Pinheiro, modelado pelas mãos de Herculano Elias, que o Mestre me ofereceu.

Sorte a minha: dois grandes nomes da cerâmica caldense numa obra só; e minha.

Mestre Herculano Elias: a terminar um agradecimento e um desejo. Agradecer-lhe toda a sua obra, de que nós os caldenses muito nos orgulhamos e expressar o meu desejo de que continue a contemplar-nos por muitos e muitos anos, com as suas pequeninas esculturas que tornam grande a sua obra.

Caldas da Rainha, 26 de Março de 2011



Palavras lidas na inauguração da Exposição da Família Elias.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma Viagem à Costa Rica

"Na viagem de regresso (que ainda não começou), penso insistentemente nos poemas que jamais escreverei. Um salto para o vazio. Pensarei nisso ao perfurar a noite sobre o Atlântico. Palavras há que não direi por não coincidirem com a minha vida. Ritmos logo desfeitos pela força dos acontecimentos que os tornam numa fugaz e inconsequente visão interior. E eu pensarei nisso. E pensarei que rapidamente, ao chegar a minha hora, a morte me converterá em mais uma página em branco. Olho para a floresta virgem e penso que não merecemos mais do que essa angústia."

José Ricardo Nunes

[Uma Viagem à Costa Rica. José Ricardo Nunes. Fotografias de Margarida Araújo. Edição de Autor. Junho de 2010]

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Autor Caldense

O livro "Marechal Costa Gomes" da autoria de Luis Nuno Rodrigues considerado entre os melhores livros de história actualmente no mercado.
Revista "Ler" de Janeiro de 2010

domingo, 20 de dezembro de 2009

Autor Caldense - Um dos melhores da década


José Ricardo Nunes incluído na lista dos mais significativos poetas da última década, por Eduardo Pitta, na revista Ler de Dezembro de 2009.

JR Nunes nasceu nas Caldas da Rainha, em 1964.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Café Literário - Praça da Fruta 2


Praça da Fruta de Carlos Querido

Dia 15 de Novembro (Domingo)
16 Horas
Salir de Matos
Antiga Adega do Mosteiro de Alcobaça
Rua de Santo António, n.º 20

«Praça da Fruta» de Carlos Querido

"Para muitos de nós, caldenses de nascimento ou de adopção por vivências escolares, pessoais e militares, a Praça da Fruta é um lugar mágico de onde todos trouxemos algum pó público nos sapatos particulares. Os meninos do meu tempo de menino tinham (os que podiam) um fato dos Armazéns do Chiado no dia do exame da quarta classe.

O ponto de partida para esta ficção narrativa é o próprio lugar: «A névoa das manhãs do Oeste dissipa-se sempre devagar. É então que surge um momento de luz perfeita, quando céu já é azul e o chão ainda reflecte o orvalho da noite. Nesse instante único, em que a limpidez do olhar chega a tornar-se insuportável, surpreendo-me a observar as imperfeições da calçada. Marcas do tempo, cicatrizes, rugas, sinais de envelhecimento que nos passam despercebidos por os vermos todos os dias».

É neste espaço mágico que se articulam duas histórias paralelas: a do Narrador com Marília e a da viúva do Casal da Areia que mandou matar o marido muito mais velho do que ela. Do primeiro caso temos a história e o enredo; do segundo apenas a memória. Em ambos a diferença de idades é flagrante. Mas não só: os sonhos também são opostos. O Narrador é um empregado de uma Repartição; Marília é professora. Um apenas regista; outra semeia. Um gosta dos papéis do passado, outra ouve a música do futuro. Conheceram-se na Praça da Fruta quando Marília vendia pêssegos para ajudar a família. Juntou-se o peso da Cultura com a força da Natureza. Um dos momentos mais conseguidos da narrativa é a chegada do Narrador à casa da família de Marília num dia de matança do porco. Leva na mão um ramo de flores que não consegue entregar à mãe do seu amor porque a mesma se encontra integrada nas tarefas inadiáveis de não deixar coalhar o sangue do animal pendurado no tecto. E é o avô de Marília que o integra no espaço e no tempo com uma espécie de radiografia antropológica do que era viver na nossa terra nos anos 40 e 50 do século XX.

Surge neste livro a eterna disfunção entre Natureza e Cultura, entre o rodar maquinal e certeiro das sementeiras e das colheitas (Marília) e o fascínio dos velhos alfarrábios, jornais, livros, cartazes, actas camarárias e postais antigos (Narrador). Mesmo com livros comprados na livraria «107» e lanches na pastelaria Machado, a ligação entre Narrador e Marília começa a perder-se. Falta de comunicação num tempo em que há comunicação em excesso. Tal como a viúva Marreiros, Marília procura algo mais. A primeira teve um criado espanhol, a segunda tem a Internet. Diria um leitor cínico: «Se tivessem um bebé já nada disto acontecia!». Mas se assim fosse já era outra história. Não era esta história que começa na vida de um lugar e atravessa a vida da vila que foi da cidade que hoje é e do país do qual faz parte. E nos envolve a todos, porque todos os que lá estiveram e passaram nunca mais deixam de lá estar e viver. Lá ficaram mesmo quando não parece. E cabem todos nas 160 páginas deste livro. Um livro a não perder, sem falta."

José do Carmo Francisco

[Os meus agradecimentos ao José do Carmo Francisco pela partilha desta sua crónica publicada na Gazeta das Caldas.]

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Em breve - Praça da Fruta

Praça da Fruta
Carlos Querido
Editor: Corrida de Letras
Prefácio: Laborinho Lúcio
Apresentação: Café Concerto, Centro Cultural e de Congressos
15 de Outubro, 21,45 Horas
*********************
Balada da Praça da Fruta
(a Carlos Querido)


"João Cristo, sua cocheira
Onde o meu avô sabia
Que a burra trabalhadeira
Era a dez tostões por dia
Ficava ela a descansar
Nas cocheiras da cidade
Desconfiada do lugar
E moscas em quantidade
Minha tia Francelina
Nascida no Zambujal
Vinha vender obra fina
Os bichos do seu quintal
Numa carroça pequena
É que o seu mundo cabia
Sempre calma e serena
Dava-me um beijo e sorria

Exame era uma guerra
Bebemos uma gasosa
O grupo da minha terra
Não levou uma raposa
Nos armazéns do Chiado
Pronto-a-vestir é um fato
Nunca tinha reparado
Neste novo artesanato
Meu exame da terceira
Foi feito sem companhia
Em Abril, segunda-feira
Já não me lembro o dia
Chamado para a inspecção
Sou dado como capaz
Dentro duma contradição
Não sou guerra mas paz
Minha prima Deolinda
Professora de crianças
Na doçura que não finda
Dava-me muitas esperanças
Suas torradas matinais
A caminho do regimento
Davam-me forças especiais
Para marcha e movimento


Fosse das suas orações
Ou fosse da entrevista
Eu passei sem ralações
E fiquei em contabilista
Com três filhos crescidos
E acrescentado um neto
Compro beijinhos pedidos
E cavacas no Gato Preto
Praça da Fruta eterna
Onde o mundo nunca pára
És tão antiga e moderna
Porque és uma praça rara
Povoada por mil paixões
Todos nós mesmo distantes
Trouxemos nos corações
A força dos teus instantes
E mesmo na chuva londrina
Tomas, meu neto à escuta
Recorda Santa Catarina
E lembra a Praça da Fruta"

José do Carmo Francisco

[de José do Carmo Francisco um poema dedicado a Carlos Querido.Os meus agradecimentos ao autor pela oportunidade de publicação da Balada da Praça da Fruta no blog Cavacos das Caldas]

domingo, 26 de abril de 2009

O Lugar do Vento

Moinhos do Oeste
[César Francisco Martins Alves - Blog: Olhares]

O lugar do vento

Desde sempre quis saber porque razão se chama moinho a este pequeno navio.
As velas projectam a velocidade que não desloca o moinho mas, pelo contrário, interioriza essa velocidade e transforma-a em farinha de milho e de trigo.

Alguns teimosos ainda fazem pão verdadeiro
porque recusam o pão de plástico do hipermercado.
De vez em quando um cabo trava o movimento das velas
tal como a âncora que imobiliza o navio, no sossego da tarde, no tempo suspenso,
no lugar do vento onde se junta o sal do mar e a argila desta terra singular.

A terra de onde parti e aonde hei-de voltar um dia para descansar perto do lugar do vento, sem obter resposta para a minha dúvida de sempre:
saber porque razão se chama moinho a este pequeno navio.
José do Carmo Francisco

[É bom receber poesia como prenda. Um poema do amigo José de Carmo Francisco]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

366.ª Página Caldense

GRANDELA E A FOZ DO ARELHO
VASCO TRANCOSO

"Onde um mar agreste e uma costa desfavorável impediram o destino oceânico das populações, a lagoa ofereceu uma alternativa: a caça, a pesca, a recolha do limo, a apanha dos bivaldes e crustáceos, a agricultura nas várzeas que a marginam.
[...]
Grandela partilhava com o seu amigo Bordalo Pinheiro um encantamento pela região Caldas-Foz do Arelho.

Descobriu a Foz do Arelho nos últimos anos do século XIX, quando frequentava as Termas das Caldas, por conselho médico, para recuperar de uma fractura numa perna."

[Grandela e a Foz do Arelho. Vasco Trancoso. PH-Património Histórico - Cadernos de História Local n.º 6 - 2.ª Edição - Março de 2009]

sábado, 21 de março de 2009

Primavera


Uma memória de luz ou pequena dissertação sobre a Primavera

Uma tarde estava eu na Ilha de Murano
A ver o esplendor do fogo das forjas
De onde saem peixes, relógios e cavalos
Quando me lembrei da força da terra
Não da terra propriamente dita, o planeta
Mas a terra de onde viemos e nos espera

Terá sido porque tinha estado em Burano
E no caminho vi o cemitério de Veneza
Cruzando a força das rendas das mulheres
E das redes dos pescadores dessa laguna
Com a fragilidade das flores mais secas
Sobre as pedras com as datas e os nomes

Lembrei-me mais da Primavera nesse lugar
Onde a terra era tão escassa e o mar imenso
No sono dos pequenos barcos no nevoeiro
No sossego interrompido pelos navios de luxo
Que descem o Adriático ao som da música
Mais fria, pobre e triste que se pode imaginar

Lembrei-me mais do cortejo do trem do cuco
Quando as coisas mais velhas e mais feias
Enchiam todos os carros de bois em desfile
Por entre os risos dos homens de barrete
E a desaprovação das mulheres velhas à porta
Porque havia ali coisas ainda boas de servir

Lembrei-me mais das fogueiras antigas
Nessas noites de cortejo no nosso Largo
Onde o Pelourinho é memória de justiça
E os rapazes mais velhos não deixavam
Que os pequenos saltassem a fogueira
Porque tudo tem o seu tempo na vida

Lembrei-me mais da nossa primeira festa
Que era sempre no Domingo de Pascoela
No Lugar da Granja Nova onde eu ia a pé
E o primeiro arroz de ervilhas da minha avó
Com o coelho do meu avô e dos meus tios
Era comido pelos músicos à beira do rio

Lembrei-me das nossas procissões à tarde
Quando eu segurava a naveta do incenso
E o turíbulo tinha brasas da nossa lareira
Que o meu tio ia buscar sempre a correr
Porque tinha o casaco de músico para vestir
Tocava trompete e fazia falta na filarmónica

Lembrei-me mais das festas de arraial
As gasosas a subirem do poço num cesto
A frescura nada tem a ver com frigorífico
Quando o vinho tinto amolecia as cavacas
E só assim o menino que era eu as comia
A olhar o coreto rodeado de sol e de pó

Lembrei-me mais de eu ser tão pequeno
E toda a gente na família me dizia
Para me levantar cedo e eu falhava
Não sejas lapão não deixes entrar o Maio
Repreendia a minha avó todos os anos
Sem nunca me explicar esta sua fala

Lembrei-me mais de ir ao Vale de Água
Para trazer os vários ramos da Primavera
Para nós, para a Tia Velha, para a Ti Zabel
Será por isso que ainda hoje no Chiado
Há quem venda estes ramos a alto preço
E um vai logo para o meu neto em Londres

Será isso hoje a Primavera possível
Um ramo num envelope almofadado
Ingénua maneira de prolongar o tempo
Que flutua numa memória qualificada
Mas não existe na verdade no campo
Onde se vive o esplendor dos pesticidas

Afinal nem tudo se perdeu, nem tudo caiu
Como eu não percebia as falas da minha avó
O meu neto vai demorar a perceber o ramo
Que ele possa chegar ao Outono como eu
Com o fogo da Primavera no seu olhar
E uma memória de luz onde tudo continua


José do Carmo Francisco


Poema, oferta do José de Carmo Francisco neste primeiro dia de Primavera. As flores são da Margarida Araújo. Que bom que é ter amigos com sensibilidade e arte. Um abraço carinhoso aos autores. Aos leitores uma saudação primaveril, num braçado de flores.

sábado, 14 de março de 2009

Pré Publicação

José de Carmo Francisco enviou-me a sua crónica "O homem que morreu à espera do comboio das Caldas". Não resisti. Aqui vai a sua pré publicação. Espero que o autor me perdoe a ousadia. Era irresistível ...

ESTRADA DE MACADAME – José do Carmo Francisco
CLXXXII - «O homem que morreu à espera do comboio das Caldas»

No tempo da «estrada de macadame» eu andava muito de comboio. Vinha com a família do Montijo de barco, fazia a Rua do Ouro a pé e apanhava o comboio no Rossio às 17h 20m para chegar às Caldas (à tabela) às 19h 20m para apanhar a carreira dos Capristanos que ia à estação da CP buscar os passageiros. E não esperava um minuto porque a carreira (como os médicos) nunca espera pela gente, nós é que esperamos por ela.

Quando fui para a tropa em Abril de 1972 fazia muitas viagens porque vivia em Lisboa desde 1966 e vinha a casa no sábado mas apanhava de novo o comboio para as Caldas no domingo à tarde porque ia ainda jantar com os meus avós a Santa Catarina apanhando depois a última carreira para as Caldas às 22h 30m ainda a tempo de entrar no Quartel antes do recolher da meia noite.

Para mim a degradação do «comboio das Caldas» terá começado quando o tiraram da estação do Rossio e o levaram para o Cacém. Agora, segundo sei, parte de Meleças o que ainda é mais fora de mão. Jacinto do Prado Coelho falava sempre com muita ternura desse comboio que apanhava aos sábados à tarde no Verão depois de dar aulas a alunos estrangeiros para arredondar o fim do mês entre Lisboa e São Martinho do Porto.

Descobri uma história espantosa num livro de memórias de jornalistas. Trata-se de um depoimento de Belo Redondo que recorda o dia 14 de Dezembro de 1918, o dia em que Sidónio Pais foi assassinado na estação do Rossio. Alfredo da Silva Rei era corcunda, tinha 22 anos e era conhecido como o marreco do Casal Ventoso. Fazia fretes aos passageiros e ia entregar o dinheiro à sua mãe que morava numa viela do Casal Ventoso. De um momento para o outro e por um acaso do azar passou a ser o cadáver nº 6347 do Necrotério de Lisboa. Mas passemos às palavras de Belo Redondo: «Nessa noite o Rei apareceu na estação do Rossio para a vida habitual. Era um sábado e tudo lhe indicava que iam ser rendosas aquelas horas. O rápido do Porto e o comboio das Caldas haviam de trazer-lhe, certamente, gente que quisesse alguns fretes ou alguns despachos de bagagens. E a fiscalização devia ser nula, facto essencial para ele que não tinha a licença policial. Os jornais anunciavam que o presidente da República seguiria para o Porto às 23h 30m e a Polícia, preocupada em defender a vida de Sidónio Pais e manter a ordem na estação, daria tréguas, sem dúvida, aos moços que enxameavam a ante-gare. O corcunda exultava de contentamento, enquanto os guardas, de luvas e cordões brancos, iam organizando as alas de povo, por entre as quais havia de passar o Chefe de Estado. Às 23 horas eram já muitos os homens de todas as classes que se aglomeravam desde as escadinhas do Duque até á gare. A imprensa preparara o ambiente a favor de Sidónio Pais e o recente atentado de Belém quase que fizera esquecer os erros e os crimes da entourage do presidente. A Polícia não confiava porém muito na atmosfera de simpatia que rodeava o ditador e estabelecera uma rigorosa vigilância desde o palácio de Belém à estação. Os agentes à paisana vigiavam tudo e todos, enquanto a multidão impaciente ameaçava a todo o momento romper os cordões de guardas que a continham. Alfredo Rei, o corcunda, não percebia dessas coisas da Política mas tinha um desejo enorme de ver aquele viajante tão ansiosamente aguardado e foi, com outros, postar-se num dos frisos da janela da ante-gare». Depois foi o que já se adivinha: estava à espera do comboio das Caldas e acabou sendo o cadáver 6347 do Necrotério. A Polícia desconfiou dele e matou o pobre marreco.

domingo, 19 de outubro de 2008

321.ª Página Caldense


CRÓNICA DOS TEMPOS IDOS
LUIZ TEIXEIRA

"O bom tempo das Caldas não morreu.

Vendo bem, acompanhou apenas a transfiguração que pôs, nas estradas, em lugar das diligências do José Paulo, os autocarros dos Capristanos; que substituiu as velhas hospedarias do Cercal e da Ota pelas pousadas do Castelo de Óbidos e de São Martinho; e fez da calma e remota vila esta recente e próspera cidade.

O que era grande e essencial, nas épocas que passaram, permanece, resiste e não se amesquinhou com o decorrer dos anos: as belas árvores, a pureza do clima, o pitoresco e a poesia dos costumes rústicos, a tradição da hospitalidade e a nobreza dos sentimentos e virtudes exemplares da gente caldense. O resto,todo esse sonho animado e frívolo que faz o fulgor ocasional da crónica dos tempos idos, desapareceu, é certo. Mas deixou na atmosfera desta terra mais do que uma nostalgia de recordações; a palpitação de uma sorridente frescura e uma bela, envolvente e estimuladora insinuação de espiritualidade...! [Pág. 35 e 36]

[Crónica dos Tempos Idos. Luiz Teixeira. Lisboa. 1954. Palestra pronunciada na noite de 25 de junho de 1954 no Rotary Clube das Caldas da Rainha.]

O meu agradecimento ao amigo Vitor Pires pela partilha desta fonte bibliográfica caldense.

domingo, 7 de setembro de 2008

306.ª Página Caldense

REDIGIR CORRECTAMENTE
RENATO ANDRÉ RAMOS (Padre)

[...] "Assustados, os mocinhos arrojavam ruidosamente as cadeiras ao levantatrem-se na maior desordem, quando o gato da Mimi, assanhado, se libertou da dona e se punha a fugir por cima das carteiras e a deixar tudo, atrás de si, no mais completo desalinho... Ao cair, atordoado, sobre a mesa do Francisco, o assustado felino estacou diante do pacífico rato branco... Por causa do susto, pois nunca tinha visto um rato com tal aspecto, ao gato arqueou-se-lhe o dorso e eriçaram-se os pelos por todo o corpo... Por uns segundos, o amedrontado felino ficou, ali, imóvel... estonteado... de olhos fitos no misterioso rato branco... O roedor, porém, muito à vontade, aproximou-se do felino e farejava... farejava...até que chegou o focinho dele ao nariz do adormecido gato... O bichano como que acordou, espantadíssimo, desatou numa corrida louca para a porta da sala, e, mal de apoiando nos degraus da escada, parecia voar até ao primeiro andar, para aí começar a fazer um estardalhaço dos dianhos...[...] [Pág. 74]

[Redigir Correctamente, Estudo através duma narrativa cheia de cenas imprevisíveis. Renato André Ramos, Pároco de Tornnada, Julho de 1997.]

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

303.ª Página Caldense


PERFIL DE SALAZAR
LUIS TEIXEIRA

[Perfil de Salazar. Elementos para a história da sua vida e da sua época. Luiz Teixeira. Lisboa. 1938. Deste livro, edição do Autor, composto e impresso durante o mês de 1938 nas oficinas gráficas do Anuário Comercial, Praça dos Restauradores, 24, Lisboa, fez-se uma tiragem especial em "manchester ledger", numerada de 1 a 10]

302.ª Página Caldense


LISBOA E OS SEUS CRONISTAS
LUIZ TEIXEIRA

[Lisboa e os Seus Cronistas. Luiz Teixeira. Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa. 1943]

sexta-feira, 25 de julho de 2008

294.ª Página Caldense


BORBOLETA PÚRPURA
O PEQUENO GRANDE MUNDO
CATARINA PARAMOS
[...)"Os mais crescidos dizem-me para contar a alguém os sonhos maus que tenho, para que eles não se realizem. Quero contar o meus Sonho, para que ninguém, em parte alguma do mundo, sonhe alguma vez com ele." [...]

[Borboleta Púrpura. Catarina Paramos. Obra vencedora do Prémio Literário Luiz Teixeira, atribuído pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha. Março de 2004. Edição; Câmara Municipal das Caldas da Rainha, com o apoio da Universidade Autónoma de Lisboa. Tiragem 500 Exemplares. ISBN 972-99014-3-0]

terça-feira, 27 de maio de 2008

283.ª Página Caldense

DO TEMPO SITIADO
PAULO FERREIRA BORGES


"MATA-BORRÃO

Para não esqueceres escrevias
na mão, com a tinta
impermanente da quarta classe.

O aparo arranhava docemente.

Dava-te os meus lábios por mata-borrão."

Pataias, ao abrir a gaveta de cima da memória, s/d

[Paulo Ferreira Borges. Do Tempo Sitiado. Geopoemas s/d. Textiverso. Colecção Poesia 3. 1.ª Edição Maio de 2008. ISBN 978-989-8044-07-5]

Os meus agradecimentos ao Autor pela oferta amiga deste exemplar.