Cavacos das Caldas
CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



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terça-feira, 29 de março de 2011

As Miniaturas dos Elias























Muito bom dia.

Desafiada pelo Luis Elias a dizer umas palavras na abertura desta Exposição dedicada à sua família, com particular incidência na obra do seu pai – Herculano Elias – foi com muito agrado que acedi ao convite, tanto pela admiração que tenho pelo Artista como pela amizade que sinto pelo Homem.

Do meu imaginário infantil, antes de menina e moça ter sido levada pelos meus pais para longes terras, faz parte um certo número de recordações caldenses, que pairam na ténue fronteira entre a realidade e a ficção. Permitam-me partilhar convosco algumas dessas memórias de infância.

Lembro, por exemplo as tardes de brincadeira vividas no Parque que, à data, ainda era povoado por alguns dos fantásticos animais do universo bordaliano. Ao entardecer, de regresso a casa pela mão da minha mãe, o nosso percurso passava invariavelmente pela Praça da Fruta, cujo empedrado testemunhava as derradeiras correrias do dia.

Seguíamos depois Rua das Montras afora e quase no seu final, à esquerda, quedava-me ante a montra de uma pastelaria. E por muito estranho que isso possa parecer, não eram as bolas de Berlim, os éclairs ou os pastéis de nata que me deixavam colada aos vidros da referida montra.

Eram sim, umas figuras pequeninas, brancas, e aparentemente frágeis que, do outro lado do vidro, despertavam a minha curiosidade e o meu desejo de tocá-las, como se de brinquedos se tratasse.

Belas, delicadas e minúsculas ali estavam elas ao alcance do meu olhar mas inacessíveis ao meu toque.

Passaram-se os anos…

E após longas páginas lidas no livro da vida, pontuadas por episódios de partidas e de regressos que terminaram no acolhimento por parte das terras caldenses, aqui reencontrei essas tais pequenas figurinhas que constituíam uma imagem feliz da minha primeira infância.

E conheci o seu autor: Herculano Elias.

Mestre Herculano Elias é o herdeiro do nome e dos saberes de uma insigne família de miniaturistas cerâmicos, que desde o último quartel do século XIX, tem vindo a enriquecer a digna e nobre arte do barro caldense. É autor de uma vasta obra de que se destacam as suas miniaturas, ilustrativas dos hábitos, costumes e afazeres do povo e que constituem uma verdadeira galeria etnográfica a que a sua liliputiana dimensão confere uma original singularidade.

Vejamos, por exemplo:

- A vendedora da praça que oferece as maçãs dispostas num cesto de vime colocado aos seus pés; - O saloio apoiado ao cajado retirando dos alforges suportados pelo burro os legumes e as flores colhidas ao nascer do sol;

- O pastor que toca o seu rebanho a caminho do pasto; - A junta de bois puxando a carroça carregada com as pipas do bom vinho saído dos lagares;

- O casal de campónios que encaminha a vara para o recinto da feira; - Os pescadores a conduzir os bois que puxam para terra o barco regressado, em boa hora, da faina do mar.

E estas outras:

- A montada ao javali com os cavaleiros a incitarem a matilha no encalço da caça;

- Os cavalos livres e belos que correm voando de crinas ao vento pelas pradarias alentejanos;

- Os campinos de varapau em riste cavalgando no rasto dos toiros que vagueiam pelas lezírias.

E ainda:

- Os forcados que, com galhardia e destreza, pegam de caras os toiros, sendo que esta cena está montada nas abas largas de um chapéu à mazantino.

- Os vários pares rodopiando num ritmo bem alegre ao som de uma música que se quer popular; realce-se que um ou outro se enlaçam um pouco mais, sem contudo esquecerem a batida compassada dos pés.

- E como não referir a recriação de uma das mais emblemáticas obras do pintor Malhoa, o Fado, perante a qual esperamos ver, a qualquer momento, o chinelo cair do pé da mulher que numa atitude displicente, escuta o choro da guitarra…

Muito mais haveria a dizer sobre o trabalho do Mestre Herculano Elias, mas não me compete a mim, a quem faltam o engenho e o saber, fazer a avaliação artística e técnica de uma obra que se estende por mais de seis décadas de trabalho e dedicação.

Se alguma dúvida houvesse sobre o apreço, o carinho e a consideração que me merece a obra de Herculano Elias, bastava lembrar que partilhamos a admiração, o gosto e o respeito pela obra do inigualável Rafael Bordalo Pinheiro.

A este propósito, permitam-me que partilhe convosco algumas impressões sobre a sua alegoria a Rafael Bordalo Pinheiro. Trata-se de uma peça encimada por um anjo protector de asas abertas a resguardarem um Rafael sentado, de boina e fato de trabalho, com uma das mãos a apoiar o queixo, numa atitude de reflexão, e com o olhar perdido em cogitações…

Rodeiam-no as suas mais emblemáticas figuras de movimento: o Cura, o Sacristão, a Ama das Caldas, o Polícia de Giro e a Maria. O Zé-Povinho, por seu turno, sempre interventivo e inconformado, brinda-nos com um manguito.

É assim a obra de Mestre Herculano Elias: construída por cerâmicas e por afectos. Junto a mim, partilhando das alegrias e das tristezas dos meus dias, tenho a companhia de um busto de Bordalo Pinheiro, modelado pelas mãos de Herculano Elias, que o Mestre me ofereceu.

Sorte a minha: dois grandes nomes da cerâmica caldense numa obra só; e minha.

Mestre Herculano Elias: a terminar um agradecimento e um desejo. Agradecer-lhe toda a sua obra, de que nós os caldenses muito nos orgulhamos e expressar o meu desejo de que continue a contemplar-nos por muitos e muitos anos, com as suas pequeninas esculturas que tornam grande a sua obra.

Caldas da Rainha, 26 de Março de 2011



Palavras lidas na inauguração da Exposição da Família Elias.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Exposição Vicente




Exposição Vicente
António Vasconcelos Lapa
Exposição de Cerâmica Contemporânea
Galeria do Museu Rafael Bordalo Pinheiro
4 de Março a 22 de Maio 2011

sábado, 18 de abril de 2009

368ª. Página Caldense


Projecto para Monumento
a Rafael Bordalo Pinheiro
da Autoria de Francisco Elias

Os meus agradecimentos ao Sr. Joaquim Baptista pela cedência da fotografia deste estudo de um projecto nunca concretizado.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

356.ª Página Caldense

HERCULANO ELIAS
Miniaturas em Terracota

"Herculano Elias, nasce em Caldas da Rainha em 7 de Julho de 1932. Descende de uma família de ceramistas, cujos nomes é relevante destacar: seu tio-avô Francisco Elias (O Mestre Elias, criador do Ramo das Miniaturas em barro); o avô Herculano Elias, ambos discipulos de Rafael Bordalo Pinheiro e, seu primo Eduardo Mafra Elias. Ligado à família, Manuel Cipriano Gomes (o Mafra), o ceramista mais qualificado e com obra notável, anterior a "Mestre" Rafael Bordalo Pnheiro.

Herculano Elias desenvolve a barrística desde os 5 .anos de idade. Vê a luz do dia pela primeira vez, ao lado da oficina do avô, onde toma o seu baptismo num tanque de barro, aos 2 anos."[...]

[Herculano Elias. Miniaturas em Terracota. Junta do Turismo da Costa do Estoril. 29 de Novembro / 13 Dezembro. Sem indicação de ano.]

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ferreira da Silva

HOMENAGEM A FERREIRA DA SILVA
DOMINGO - DIA 1 DE FEVEREIRO DE 2009 - CCC
PROGRAMA

16.00h - Exibição do documentário “Gravura, esta mútua aprendizagem”, de Jorge de Silva Melo
17.00h - Mesa redonda sobre os caminhos da cerâmica portuguesa contemporânea, com a presença dos mestres Querubim Lapa, Eduardo Nery e Ferreira da Silva, e do Dr. Paulo Henriques (director do Museu de Arte Antiga). Moderador: Prof. João Serra.
18.00h. – Retrospectiva breve da obra cerâmica de Ferreira da Silva através de imagens (João Serra, Margarida Araújo)
18.20h - Apresentação das Linhas Gerais do Programa da Festa da Cerâmica 2009
18.40h - Inauguração de uma peça da autoria de Ferreira da Silva no foyer do Centro Cultural e de Congresso

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Rafael Bordalo Pinheiro

Rafael Bordalo Pinheiro de Herculano Elias




É dia de Natal.

Nesta época da vida em que os anos passam quase sem se dar por isso, para mim, esta data perdeu parte do seu encanto.

Apesar dos presentes, das cores dos papéis e das fitas, das mil e uma luzes que brilham na cidade, das mesas postas e bem compostas, do conforto da presença da família, das mensagens dos amigos, não deixa de ser uma data sombreada por uma certa nostalgia.

Esqueceu-se a sua origem, uma data de celebração e vida: o nascimento de uma criança.

Seja-se ou não filho de deus – deveria ser sempre um dia de júbilo e de esperança.

Mas não é o que me é dado sentir.

Nos noticiários das televisões – preferencialmente decoradas a dourado – assistimos aos jantares servidos aos sem abrigo.

Consoadas de bacalhau e grelos servidos com fraternidade.

E nos restantes dias do ano, o que sucede? Não há sem abrigo, não há jantares ou não há reportagens sobre o assunto?

Mesmo no Natal, por vezes, também recebemos más notícias. Este ano é o enceramento da Fábrica Bordalo Pinheiro.

Sei bem que esta fábrica nada tem a ver com a que o Mestre funda em 1884: a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, que após vicissitudes é arrematada em hasta pública por Godinho Leal, em 1908.

De qualquer modo a fábrica até hoje existente na Caldas, surge também em 1908 fundada por Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, podendo por isso ser considerada a herdeira dos saberes, dos genes e do espírito de Rafael Bordalo Pinheiro.

Por tudo isto não sei se gosto muito desta época; acho que este ano perdi completamente o espírito natalício.

Compensa esta tristeza a companhia da expressiva e bela escultura em cerâmica de Mestre Rafael Bordalo Pinheiro, modelada pelas mãos sábias e sensíveis de outro grande senhor da cerâmica caldense: Mestre Herculano Elias.

Os meus mais reconhecidos agradecimentos a Mestre Herculano Elias pela sua tão generosa e simbólica oferta.