quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Escritores em Portugueses Selos
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
José Saramago
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
De Livros e Editores - António Lobo Antunes

"A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores, insignificâncias em que não reparamos e ele repara, sensações, luzes, criaturas sem nexo. Usam o papel para ordenar este caos, vertebrar o desespero, dar ao ilógico uma coerência lógica e mostrar o nosso retrato autêntico em cacos de espelho, fundos de poço trémulos, superfícies convexas em que temos de emagrecer por nossa conta. Não se pode estender a mão a quem lê, tem de se caminhar sozinho num nevoeiro aparente em que, a pouco e pouco, as coisas se arrumam nos seus lugares. Em nenhum bom livro há personagens e história: quando muito aparência de personagens e história, usadas para tornar mais clara a vertigem do que somos. Tudo se passa no interior do interior e portanto não devia haver cursos de escrita criativa (um paradoxo de termos) mas de leitura criativa. Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara. Um autor do século dezanove dedicava os seus trabalhos aos felizes poucos,expressão roubada a Shakespeare (we few, we happy few, we band of brothers) capazes de nadarem ao seu lado em águas muito escuras e de regressarem à tona de mãos cheias.
Um livro é mais uma orelha que uma voz onde, no fim de contas, é o bom leitor quem conversa.O livro escuta. As páginas são ouvidos pacientes que nos guiam através da liberdade do silêncio, onde as nossas frases se reflectem e regressam com um sentido novo. O bom leitor só recebe na medida em que dá e a qualidade da obra depende desta troca constante, do fluxo e refluxo das emoções partilhadas. Temos de ser um agente activo do livro, fazê-lo nosso até que se torne, como queria Rilke de quem não sou admirador, excepto em raras passagens das Elegias, sangue, olhar e gesto. Se não for assim é uma comédia de enganos, um passatempo inócuo como quase tudo o que em Portugal se impinge, porque a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro. Uma editora comercialmente bem sucedida é má, ou então tem de fazer compromissos. A casa alemã onde estou, por exemplo, possui um catálogo honesto, dividido em duas partes, literatura e best-seller. O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar; pessoas a ler. Até Lenine compreendia isto, ao afirmar que a arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem se subir à arte. Claro que não é apenas um problema português, é um problema universal. Pasmo com as listas dos tops de ficção, dizem elas, quando a ficção não existe a não ser nas obras rasteiras. Se me dissessem que escrevia ficção sentia-me insultado: ficção que tolice, é o mundo inteiro que a gente mete entre as capas de um livro. Vende menos? Decerto mas há-de vender sempre. Se tivermos lado a lado, à nossa frente, Camões e o jornal, a tendência imediata é pegar no jornal, mas o jornal desaparecerá amanhã e Camões fica. Chamo jornalismo, explicava Gide, ao que é menos interessante amanhã do que hoje. E depois a Arte não é um desporto de competição: o editor que ponha numa cinta, por exemplo cem mil exemplares vendidos, ou julga falar de sabonetes ou não é um editor. Se o livro for bom há-de vender muito mais do que isso: quanto terá vendido Ovídio até hoje? É apenas uma questão de tempo, porque os bons leitores existirão sempre, ainda que poucos. O que me aborrece na Arte são os comerciantes que giram em volta dela, sem lhe tocar, porque tiram o seu alimento do efémero. Faz pouco tempo comecei uma biblioteca na empresa onde estou. Tolstoi foi o primeiro: ao receber o livro impresso reparei que as últimas três páginas eram propaganda a lixo. Como se pode, no fim de um livro de Tolstoi, fazer aquilo? Desonestidade? Ignorância? Não faço ideia de quem é o responsável mas devia ter sido fuzilado no berço: Tolstoi de mistura com livros de cozinha e ficções. Recomecei a colecção: até agora não repetiram a indignidade. Pergunta: - Como vão os livros da biblioteca?
Resposta:
- Pingam
e ainda bem que pingam. Se vendessem às grosas é que ficava alarmado. Os bons livros são para pingar eternidade fora: o Mondego começa gota a gota; a água suja basta virar o balde e encharca-nos. A água do balde acaba logo. O Mondego não tem princípio nem fim.
- Pingam.
e que maravilha pingarem. À força de pingarem hão-de engrossar irrestivelmente, enquanto os baldes se enferrujam, amolgados, num canto do jardim.
e o que interesse
(volto a Gide)
o amanhã? A gente vive no hoje, pá, o Horácio que se dane. Que se dane a Coroa, o que vale são as coroas e essas já cá cantam. O problema é que, se alguma nova editora aborda a minha agência, não começa por falar em dinheiro: fala nos nomes do catálogo. Todos eles pingam. Mas dão prestígio a uma Casa. Respeito demasiado o meu trabalho para o deixar à venda numa loja de trezentos.”
Visão, 19 de Agosto de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Rosa Lobato de Faria
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Visita a Tormes - A casa de Eça
- Que casarão é aquele, além do outeiro, com a torre?
Eu não sabia. Algum solar de fidalgote do Douro…Tormes era nesse feitio atarracado e maciço. Casa de séculos e para séculos – mas sem torre.
- E logo se vê, da estação, Tormes?...
-Não, muito no alto, numa prega da serra, entre arvoredo.
No meu Príncipe, já evidentemente nascera uma curiosidade pela sua rude casa ancestral. Mirava o relógio, impaciente. Ainda trinta minutos! Depois, sorvendo o ar e a luz, murmurava, no primeiro encanto de iniciado:
- Que doçura, que paz…
- Três horas e meia, estamos a chegar, Jacinto!
O espaço imenso repousava num imenso silêncio. Naquelas solidões de monte e penedia os pardais, revoando no telhado, pareciam aves consideráveis.
[…]
Jacinto replicou, com uma decisão furiosa:
- Amanhã troto, mas para baixo, para a estação!... E depois, para Lisboa!
E subiu a gasta escadaria do seu solar com amargura e rancor. Em cima uma larga varanda acompanhava a fachada do casarão, sob um alpendre de negras vigas, toda ornada, por entre os pilares de granito, com caixas de pau onde floriam cravos.
- E esta varanda também é agradável! – murmurou ele mergulhando a face no aroma dos cravos. – Precisa grandes poltronas, grandes divãs de verga …
Daquela janela, aberta sobre as serras, entrevia uma outra vida, que não anda somente cheia do Homem e do tumulto da sua obra.”
terça-feira, 5 de maio de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
352.ª Página Caldense

"Meus Senhores, aqui estão os gatos!
Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato.
Desde que o nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o burro, o cão e o gato - isto é, o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia - porque não escolheremos nós o travesti do último? É o que se quadra mais no nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro.
Razão porque nos acharás aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca.”
Fialho d'Almeida
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Medalha de Ouro da Cidade
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha, conferiu a Medalha de Ouro da Cidade ao escritor António Lobo Antunes.A cerimónia da entrega da medalha terá lugar no decorrer do Café Literário a realizar no dia 12 de Dezembro no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (21,30 Horas).
Este Café Literário é uma co-produção Loja 107 - Centro Cultural.
Caldas da Rainha, cidade das Artes e da Cultura
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
313.ª Página Caldense
BUSTO DE EÇA DE QUEIROZ
Barro policromado, Rafael Bordalo Pinheiro, 1901
(Museu Rafel Bordalo Pinheito, postal s/d)
segunda-feira, 19 de maio de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
+ Um Prémio

"O Prémio José Donoso é outorgado anualmente, desde 2001, à obra de um destacado escritor ibero-americano, de acordo com um júri internacional, constituído por cinco personalidades distintas do mundo literário e académico ibero-americano. António Lobo Antunes é o primeiro escritor ibérico a receber este Prémio, que lhe foi atribuído em 2006, mas que só agora lhe será entregue. O júri elogiou a grande variedade de temas, linguagens e estruturas na obra do consagrado escritor, bem como o amor ao seu país de origem e o talento para captar “o papel das culturas periféricas no mundo”. [Informação SIC]



















