Cavacos das Caldas
CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Escritores em Portugueses Selos

 Alexandre Herculano (1810 - 1877)

  Alexandre Herculano (1810 - 1877)

 Almada Negreiros, Auto-retrato, 1926

 António Sérgio Sousa (1883 - 1969)
Aquilino Ribeiro (1885 - 1963)

Fernando Pessoa (1888 - 1935)

Luis de Camões

Natália Correia (1923 - 1993)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

José Saramago

Se fosse vivo, José Saramago, amanhã, dia 19 de Novembro, festejaria o seu aniversário. Aqui fica a lembrança (dupla) com uma fotografia da sua visita à Loja 107, no ano de 1998, dias depois de se saber que o Prémio Nobel lhe tinha sido atribuído.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

De Livros e Editores - António Lobo Antunes


"A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores, insignificâncias em que não reparamos e ele repara, sensações, luzes, criaturas sem nexo. Usam o papel para ordenar este caos, vertebrar o desespero, dar ao ilógico uma coerência lógica e mostrar o nosso retrato autêntico em cacos de espelho, fundos de poço trémulos, superfícies convexas em que temos de emagrecer por nossa conta. Não se pode estender a mão a quem lê, tem de se caminhar sozinho num nevoeiro aparente em que, a pouco e pouco, as coisas se arrumam nos seus lugares. Em nenhum bom livro há personagens e história: quando muito aparência de personagens e história, usadas para tornar mais clara a vertigem do que somos. Tudo se passa no interior do interior e portanto não devia haver cursos de escrita criativa (um paradoxo de termos) mas de leitura criativa. Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara. Um autor do século dezanove dedicava os seus trabalhos aos felizes poucos,expressão roubada a Shakespeare (we few, we happy few, we band of brothers) capazes de nadarem ao seu lado em águas muito escuras e de regressarem à tona de mãos cheias.
Um livro é mais uma orelha que uma voz onde, no fim de contas, é o bom leitor quem conversa.O livro escuta. As páginas são ouvidos pacientes que nos guiam através da liberdade do silêncio, onde as nossas frases se reflectem e regressam com um sentido novo. O bom leitor só recebe na medida em que dá e a qualidade da obra depende desta troca constante, do fluxo e refluxo das emoções partilhadas. Temos de ser um agente activo do livro, fazê-lo nosso até que se torne, como queria Rilke de quem não sou admirador, excepto em raras passagens das Elegias, sangue, olhar e gesto. Se não for assim é uma comédia de enganos, um passatempo inócuo como quase tudo o que em Portugal se impinge, porque a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro. Uma editora comercialmente bem sucedida é má, ou então tem de fazer compromissos. A casa alemã onde estou, por exemplo, possui um catálogo honesto, dividido em duas partes, literatura e best-seller. O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar; pessoas a ler. Até Lenine compreendia isto, ao afirmar que a arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem se subir à arte. Claro que não é apenas um problema português, é um problema universal. Pasmo com as listas dos tops de ficção, dizem elas, quando a ficção não existe a não ser nas obras rasteiras. Se me dissessem que escrevia ficção sentia-me insultado: ficção que tolice, é o mundo inteiro que a gente mete entre as capas de um livro. Vende menos? Decerto mas há-de vender sempre. Se tivermos lado a lado, à nossa frente, Camões e o jornal, a tendência imediata é pegar no jornal, mas o jornal desaparecerá amanhã e Camões fica. Chamo jornalismo, explicava Gide, ao que é menos interessante amanhã do que hoje. E depois a Arte não é um desporto de competição: o editor que ponha numa cinta, por exemplo cem mil exemplares vendidos, ou julga falar de sabonetes ou não é um editor. Se o livro for bom há-de vender muito mais do que isso: quanto terá vendido Ovídio até hoje? É apenas uma questão de tempo, porque os bons leitores existirão sempre, ainda que poucos. O que me aborrece na Arte são os comerciantes que giram em volta dela, sem lhe tocar, porque tiram o seu alimento do efémero. Faz pouco tempo comecei uma biblioteca na empresa onde estou. Tolstoi foi o primeiro: ao receber o livro impresso reparei que as últimas três páginas eram propaganda a lixo. Como se pode, no fim de um livro de Tolstoi, fazer aquilo? Desonestidade? Ignorância? Não faço ideia de quem é o responsável mas devia ter sido fuzilado no berço: Tolstoi de mistura com livros de cozinha e ficções. Recomecei a colecção: até agora não repetiram a indignidade. Pergunta: - Como vão os livros da biblioteca?
Resposta:
- Pingam
e ainda bem que pingam. Se vendessem às grosas é que ficava alarmado. Os bons livros são para pingar eternidade fora: o Mondego começa gota a gota; a água suja basta virar o balde e encharca-nos. A água do balde acaba logo. O Mondego não tem princípio nem fim.
- Pingam.
e que maravilha pingarem. À força de pingarem hão-de engrossar irrestivelmente, enquanto os baldes se enferrujam, amolgados, num canto do jardim.
e o que interesse
(volto a Gide)
o amanhã? A gente vive no hoje, pá, o Horácio que se dane. Que se dane a Coroa, o que vale são as coroas e essas já cá cantam. O problema é que, se alguma nova editora aborda a minha agência, não começa por falar em dinheiro: fala nos nomes do catálogo. Todos eles pingam. Mas dão prestígio a uma Casa. Respeito demasiado o meu trabalho para o deixar à venda numa loja de trezentos.”

Visão, 19 de Agosto de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Rosa Lobato de Faria

A escritora Rosa Lobato de Faria, morreu, em Lisboa, aos 77 anos.
Fotografia: Quartos de Escrita, Daiel Mordzinski
Correntes de Escritas, 2007

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Visita a Tormes - A casa de Eça

“Jacinto estendera o braço:

- Que casarão é aquele, além do outeiro, com a torre?

Eu não sabia. Algum solar de fidalgote do Douro…Tormes era nesse feitio atarracado e maciço. Casa de séculos e para séculos – mas sem torre.

- E logo se vê, da estação, Tormes?...

-Não, muito no alto, numa prega da serra, entre arvoredo.

No meu Príncipe, já evidentemente nascera uma curiosidade pela sua rude casa ancestral. Mirava o relógio, impaciente. Ainda trinta minutos! Depois, sorvendo o ar e a luz, murmurava, no primeiro encanto de iniciado:

- Que doçura, que paz…

- Três horas e meia, estamos a chegar, Jacinto!

O espaço imenso repousava num imenso silêncio. Naquelas solidões de monte e penedia os pardais, revoando no telhado, pareciam aves consideráveis.


E ao fundo das faias, com efeito, aparecia o portão da quinta de Tormes, com o seu brasão de armas, de secular granito, que o musgo retocava e mais envelhecia.
[…]
Jacinto replicou, com uma decisão furiosa:

- Amanhã troto, mas para baixo, para a estação!... E depois, para Lisboa!

E subiu a gasta escadaria do seu solar com amargura e rancor. Em cima uma larga varanda acompanhava a fachada do casarão, sob um alpendre de negras vigas, toda ornada, por entre os pilares de granito, com caixas de pau onde floriam cravos.







Através das janelas escancaradas, sem vidraças, o grande ar da serra entrava e circulava como num eirado, com um cheiro fresco de horta regada. Mas o que avistávamos, da beira da enxerga, era um pinheiral cobrindo um cabeço e descendo pelo pendor suave, à maneira de uma hoste em marcha, com pinheiros em frente, destacados, direitos, emplumados de negro; mais longe as serras de alem rio, de uma fina cor de violeta; depois a brancura do céu, todo liso, sem uma nuvem, de uma majestade divina.

- E esta varanda também é agradável! – murmurou ele mergulhando a face no aroma dos cravos. – Precisa grandes poltronas, grandes divãs de verga …

Daquela janela, aberta sobre as serras, entrevia uma outra vida, que não anda somente cheia do Homem e do tumulto da sua obra.”

Eça de Queiroz
A Cidade e as Serras
[Eça de Queiroz. A Cidade e as Serras. Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses. 2001. 6.ª Edição].

terça-feira, 5 de maio de 2009

Companhias Felinas

SIDONIE GABRIELLE COLETTE
(1873 / 1954 - Escritora Francesa)
JORGE LUIS BORGES
(1899 / 1986 - Escritor Argentino)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

352.ª Página Caldense

O ANTÓNIO MARIA, 26 DE MARÇO DE 1892
RAFAEL BORDALO PINHEIRO


[ - Até que emfim vamos ser considerados gente! ... gritam os gatos, em coro, sabendo da contribuição que sobre suas cabeças vae pesar.
Sentidas condolencias ao nosso amigo Fialho d'Almeida pelo enorme imposto que terá de pagar.]


"Meus Senhores, aqui estão os gatos!

Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato.

Ao crítico deu ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ronrom e a garra, a língua espinhosa e a câlinerie. Fê-lo nervoso e ágil, reflectido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até à tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários. Um pouco lambeiro talvez perante as coisas belas, e um quase nada céptico perante as coisas consagradas; achando a quase todos os deuses pés de barro, ventre de jibóia a quase todos os homens, e a quase todos os tribunais, portas travessas. Amigo de fazer jongleries com a primeira bola de papel que alguém lhe atire, ou seja um poema, ou seja um tratado, ou seja um código. Paciente em aguardar, manso e pagado, com um ar de mistério, horas e horas, a surtida de um rato pelos interstícios de um tapume, e pelando-se, uma vez caçada a presa, por fazer da agonia dela uma distracção; ora enrolando-a como um cigarro, entre as patinhas de veludo; ora fingindo que lhe concede a liberdade, atirando-a ao ar, recebendo-a entre os dentes, roçando-se por ela e moendo-a, até a deixar num picado ou num frangalho.

Desde que o nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o burro, o cão e o gato - isto é, o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia - porque não escolheremos nós o travesti do último? É o que se quadra mais no nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro.

Razão porque nos acharás aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca.”

Fialho d'Almeida
Os Gatos [Prefácio]

[Entre 1889 e 1894, Fialho de Almeida escreve "Os Gatos, Publicação Mensal d'Inquérito à Vida Portuguesa", um conjunto de crónicas jornalísticas. São várias as referencias a este escritor na obra gráfica de Bordalo. É bem conhecida a jarra Fialho de Almeida, oferecida pelo artista ao seu amigo escritor.]

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Medalha de Ouro da Cidade

A Câmara Municipal das Caldas da Rainha, conferiu a Medalha de Ouro da Cidade ao escritor António Lobo Antunes.

A cerimónia da entrega da medalha terá lugar no decorrer do Café Literário a realizar no dia 12 de Dezembro no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (21,30 Horas).

Este Café Literário é uma co-produção Loja 107 - Centro Cultural.

Caldas da Rainha, cidade das Artes e da Cultura


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

313.ª Página Caldense

O ANTÓNIO MARIA, 15 DE JULHO DE 1880

Eça de Queiroz

(O seu último romance O Mandarim, em publicação no
Diário de Portugal)

"Graça, verve, fantasia, invensão, espiríto, observação, crítica, génio, tudo quanto é preciso para fazer maus artigos de fundo e admiráveis romances.

O António Maria aproveita-se das circunstâncias para anunciar o 9.º número do Album das Glórias que amanhã é posto à venda, convidando os coleccionadores a adquirirem o perfil do autor de Primo Bazílio. Se não se esgota a edição principiamos a descrer do reclame."

BUSTO DE EÇA DE QUEIROZ

Barro policromado, Rafael Bordalo Pinheiro, 1901

(Museu Rafel Bordalo Pinheito, postal s/d)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Zélia Gattai



Zélia Gattai, escritora, mulher de Jorge Amado faleceu aos 91 anos. A autora de "Anarquistas Graças a Deus" foi a quinta mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

+ Um Prémio


PRÉMIO JOSÉ DONOSO PARA ANTÓNIO LOBO ANTUNES
[Foto: António Lobo Antunes nas Caldas da Rainha, no Pópulus, a nosso convite.]

O escritor António Lobo Antunes foi ontem (sexta-feira) agraciado com o Prémio José Donoso, um dos mais prestigiados no panorama literário Ibero-Americano, atribuído pela Universidade de Talca, do Chile. A cerimónia de entrega decorreu no Instituto Cervantes, em Lisboa, pelas 18h00.

"O Prémio José Donoso é outorgado anualmente, desde 2001, à obra de um destacado escritor ibero-americano, de acordo com um júri internacional, constituído por cinco personalidades distintas do mundo literário e académico ibero-americano. António Lobo Antunes é o primeiro escritor ibérico a receber este Prémio, que lhe foi atribuído em 2006, mas que só agora lhe será entregue. O júri elogiou a grande variedade de temas, linguagens e estruturas na obra do consagrado escritor, bem como o amor ao seu país de origem e o talento para captar “o papel das culturas periféricas no mundo”. [Informação SIC]

"Façamos qualquer coisa que o mundo diga de nós que somos loucos."
António Lobo Antunes

Guardiã de Letras

" A gata da filha de José Cardoso Pires em cima das versões do conto [Lavagante] que serão entregues à Biblioteca Nacional"
Ípsilon - Sexta Feira 22 de Fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008