
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
217.ª Página Caldense

"Ermida de S. Sebastião. Caldas da Rainha. Portugal. [Colecção de 6 marcadores de livros. Edição: Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, 2004]
216.ª Página Caldense
"Logo quer o médico me deu alta, lá fomos todos, convidados pela Manuela e pelo meu cunhado Raul Gilman, para a Quinta do Sande, nas Caldas da Rainha, onde eles, habitualmente, passavam o Verão.
A vida nas Caldas era muito divertida e foi lá que conheci a minha querida Mané (Maria Manuela Lima de Carvalho) que afirma a pés juntos ter sido eu que a ensinei a dançar o charleston, o que deve ser engano dela e não meu, como ela pretende, porque eu era mestra, sim, mas no black bottom e não no charleston, que dançava, também, mas não o suficiente para a ensinar.
Havia muitas festas nas quintas e nas ganadarias próximas, com ferras, tentas, largadas de toiros, etc.
Elegantíssima nos seus impecáveis fatos de amazona, a minha irmã Manuela andava horas atrás dos toiros, a cavalo, com os campinos, sem nunca mostrar o mínimo receio.
Uma vez fomos a uma festa deste género nas Gaeiras e os convidados que não montavam ficavam sentados em bancos de pau sobre os curros, assistindo, assim, ao trabalho dos campinos e à largada dos toiros." [...] [Pág. 205 a 207]
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
214.ª página Caldense
"Por falta de noticias recentes, cuidamos que a oficina fábrica que o Mestre Rafael Bordalo Pinheiro fundou nas Caldas da Rainha em 1884 já não existia; julgávamos que as suas belas caricaturas em cerâmica haviam sido destruidas pelo tempo; que da sua obra apenas restava uma saudade e um museu em Lisboa. Estivemos no principio deste mês nas Caldas da Rainha - cidade alegre da Estremadura - e fomos de romagem ao local onde o Mestre instalou a sua primeira oficina, para ver os últimos vestígios da sua escola ... e surpreendeu-nos ver funcionar com toda a actividade as secções que o Mestre fundou há 70 anos, tal como se ele tivesse saído para o campo, por momentos, em pesquisa de novos motivos na fauna e na flora da região.
A preparação do barro, a moldagem das célebres jarras de motivos clássicos, a pintura das figuras populares do fim do século XIX, a esmaltagem brilhante como vidro, dando realce às cores que só o Mestre conseguiu empregar no seu tempo, todo o aspecto duma escola de cerâmica nitidamente portuguesa, criada por um incomparável artista, continuam a ter vida própria no mesmo local onde nasceu, com as mesmas características de outrora, criando e divulgando as anedóticas figuras que não têm concorrência em qualquer outro país.
O motivo por que não nos têm chegado notícias das faianças artísticas de Bordalo Pinheiro explica-se pela exportação quase total de produção da fábrica, actualmente orientada por um grupo de figuras de destaque nas Caldas da Rainha que mantém com muito carinho uma das mais notáveis indústrias regionais - a única que possui os autênticos modelos criados pelo Mestre.
Sentimos então extraordinária alegria ao revivermos as impagáveis figuras de movimento que fizeram parte integrante das casas de jantar dos nossos avós; o polícia de enorme chanfalho e bigodeira, o moço de forcado elegante e fanfarrão, a rosada ama com todos os seus volumes, o sacristão de bochechas salientes, o eterno Zé povinho barrigudo, o arola chegado do Brasil cheio de ouro e de patacas, o archeiro da Casa Real e quantas figuras que se tornaram célebres em Portugal, e actualmente são adquiridas e disputadas no Canadá, no Brasil e em Espanha.
Os mais recentes modelos são do artista coronel Vasco Lopes de Mendonça.
Contudo a faiança das Caldas não está unicamente limitada à fabricação dos bonecos; as folhas de arbustos e de hortaliça transformadas em peças de utilidade têm muita procura e são deveras apreciadas nos hóteis de grande luxo da América do Norte, depois de uma importante exportação realizada em Chicago (U.S.A.).
A verdade é que as loiças, criação de Rafael Bordalo Pinheiro contnuam a ser divulgadas por terras estranhas: estiveram há poucos meses numa exposição em Boston (Canadá) e criaram fama; foram admiradas na ultima exposição internacional de Barcelona (Espanha) e as encomendas duplicaram; nalguns estabelecimentos do Rio de Janeiro (Brasil) estão sendo esgotadas as últimas peças enquanto o governo brasileiro não facilitar a sua exportação.
A célebre indústria criada pelo génio de Rafael Bordalo que nós julgavamos extinta, dificilmente consegue cumprir as encomendas vindas de todo o mundo."
A.S.B.
[Flama. Revista Semanal de Actualidades. Ano VIII - n.º 178 - 3 de Agosto de 1951. Preço: 2$50. Redacção e Administração: Rua de Santa Marta, 48. Lisboa. Propriedade da União Gráfica S.A.R.L.Imprime-se na União Gráfica e na Neogravura, Lda. Director-Editor: Mário Simas.]
O Gato Americano
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
213.ª Página Caldense
Homenagem a José António D'Araujo
"Meu poeta, d'aurea fronte,
Meu velho rapaz!... Agora,
Cantas, como Anacreonte,
E, no límpido horizonte,
O teu sol-posto - é aurora!
Quando ao cabo de cem anos
Tentarem pôr-te o «Aqui jaz»,
Na pedra dos desenganos,
Eu bradarei aos profanos:
-«Ohem que é vivo e rapaz!»
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Luiz Pacheco 1925 - 2008

domingo, 6 de janeiro de 2008
211.ª Página Caldense
"Hoje enriquesse a nossa galeria,
E vem honrar o nosso Suplemento
O artista genial, cujo talento
Mostramos aos demais com ufania.
N'este descrer, que sobe dia a dia,
No liquidar do ultimo momento,
A Arte, eis o que traz o esquecimento,
Consolação na hora fugidia.
Por ella vive ainda o luctador,
E n'ella encontra o lume sempre vivo
Que lhe transforma em riso a própria dor.
Sauda o povo o artista sobre e altivo,
que há poemas de luz, sonhos d'amor,
No seu riso de toça, convulsivo."
210.ª Página Caldense
Legenda:
"Andam os senhores toda a vida a subir, quando para ser-se grande não é preciso nem dinheiro nem política...
Basta ter talento, ex.ºs senhores!"
Agradecimentos ao Joaquim Saloio pelo empréstimo desta fonte bibliográfica ilustrada bordaliana.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
209.ª Página Caldense

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
208.ª Página Caldense
VINHETAS - CALDAS DA RAINHA 
207.ª Página Caldense
OS GATOSFIALHO DE ALMEIDA
Não trouxe das Caldas notas para dizer da fábrica e da louçaria artística ou trivial que ela labora, e porque semelhante trabalho seja impossível d'esmiuçar à simples reminiscência, reservá-lo-ei para quando, melhor ensinado, valha a pena informar o leitor com probidade. O que por agora me traz das Caldas às páginas ásperas e reputadamente hostis deste panfleto, é o desejo de fixar uma expressão do génio de Bordalo, que me parece ainda pouco conhecida, e de fazer a exacta reportagem duma das obras mais estranhamente originais que há muito tempo vêem luz na escultura do país. A coisa irá desta vez escorreita e sem arrebicados, à uma porque o estilo caseiro põe o escritor desiludido ao nível da bestialidade do seu tempo, à outra porque eu, a respeito de primores de forma, sabendo já que público arremangado tenho à perna, decido alfim não deitar pérolas a porcos. A cerâmica de Bordalo abrange artefactos de louça caseira ou decorativa, azulejos, telha de cores, etc., constituindo a produção usual da fábrica, e obras d'escultura que são, na desabrochante curva da vida artística do meu amigo, a terceira grande frase monumental do seu talento." [...] [Páginas 123 a 144]















