CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Os Gatos do Google


Hoje os gatos tomaram conta do Google!
126.º Aniversário de Erwin Schrdingers
Prémio Nobel da Física de 1933

sábado, 27 de julho de 2013

As Moscas

Li, nos jornais locais, que presentemente por estas bandas existe um grande problema que tem dado muitas dores de cabeça a muito boa gente.

De que se trata? De moscas… Quem diria que num país com tantos problemas, com tantas danças políticas, com tantos fandangos autárquicos, surgia agora o problema motivado por tão irrequieto insecto. Como a leitura das notícias referentes a tão insólito fenómeno, me deixou muitíssimo preocupada, tentei encontrar uma solução para tão exótico acontecimento.

Li, li, reli e eis que ... Eureka!

Solução à vista: desenhada por Rafael Bordalo Pinheiro, numa página d’O António Maria de 1892. Título: A Política. 

As moscas todas metidas dentro de uma gaiola. O Zé Povinho toma conta delas não vá alguma dar de frosques!

Um pequeno senão … estas moscas são os políticos, tão chatos como as moscas propriamente ditas. Estão ambos,em boa companhia, os políticos e as moscas, bem aferroados na gaiola. 

Há que confiar no Zé Povinho para que não deixe escapar nem os politicos nem as moscas...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Bordalo vai ao Teatro

 Rafael Bordalo Pinheiro
Imagens e Memórias de Teatro
Autor: Maria Virgílio Cambraia LOpes
Edição: Museu Bordalo Pinheiro / Imprensa Nacional Casa da Moeda
Tiragem: 1000 Exemplares - 1.ª Edição Fevereiro  de 2013 

Zé Chucha
(Museu Rafael Bordalo Pinheiro)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Sá da Costa

Livraria Sá da Costa

A notícia era esperada. Amanhã sábado, a Livraria Sá da Costa fecha as suas portas. Situada em pleno Chiado, um dos lugares privilegiados da baixa Lisboa, mais uma livraria que encerra.

Como livreira tive contactos assíduos com a editora Sá da Costa, cujos escritórios se situavam um pouco mais acima, no Largo Camões, num velho prédio pombalino, que tinha umas escadas que pareciam que terminavam no céu.

O catálogo da Sá da Costa, era um catálogo escolhido, principalmente, de autores portugueses, de que hoje já não se fala, e que desapareceram completamente do mercado. Alguns, ainda se vão encontram nos alfarrabistas.

Mas hoje em dia, quem lê? - António Sérgio, Frei Luis de Sousa, Vergílio, Cavaleiro de Oliveira, D. Francisco Manuel de Melo, Albino Forjaz Sampaio, Rodrigues Lobo, João de Barros, Diogo do Couto, Sá de Miranda, Diogo do Couto, e tantos mais … Fernão Mendes Pinto, Bocage, António Gedeão …

Com umas edições sóbrias onde predominava o castanho, as capas dos seus livros possuíam uma linha identificativa, simples e agradável.

Hoje são, na sua grande maioria, autores sem leitores.

Não se passou assim tanto tempo, mas os hábitos de leitura alteram-se radicalmente. Para bem ? para mal? Escuso-me de comentar. Como em tudo, há excepções.

Esses livros, não estão na moda; não possuem capas brilhantes, nem títulos enigmáticos a focar a atenção do futuro leitor para conteúdos surpreendentes.
Relembrei algumas edições da Sá da Costa. A partir de domingo, nem livros, nem livraria.


Lamento o desaparecimento de mais uma livraria.Não restam dúvidas que os tempos actuais são mortíferos para com a cultura …

Na minha última visita à Livraria Sá da Costa, feita talvez no início deste ano, encontrei lá a pintar um artista de origem asiática. Pintava gatos com o formato dos símbolos da caligrafia oriental. Comprei um gato. É preto, elegante, de cauda erguida, porte elegante e focinho meigo. É a minha útima recordação da Sá da Costa, que vive junto a todos os  meus gatos que são lembranças de vivências. 

sábado, 6 de julho de 2013

O caso em que os «os» fazem toda a diferença



Um dos elementos identificadores de um livro, é o seu título. E estou em crer que tanto o autor como o editor desejam que o livro escrito e editado seja possível de identificar sem qualquer equívoco. O título também é demonstrativo do cuidado como a edição é tratada, pretendendo-se que ele seja único.

Tenho notado que esse cuidado está um bocado esquecido, pois surgem no mercado livros com título iguais ou muito parecidos, proporcionando confusões.

É o caso de um livro surgido ultimamente e de grande divulgação na SIC, que tem o título «Sete Minutos», precisamente o mesmo título de um livro de Irving Wallace, que foi um grande sucesso, salvo erro, nos anos 80: «Os Sete Minutos», considerando pelo autor o tempo médio que uma mulher leva a atingir o orgasmo.

A publicação de um livro com o mesmo título, é cópia, distracção, ou ignorância?

Ou basta «os» para fazer toda a diferença?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Senhora Deitada Lendo um Livro

Almada Negreiros
Sem Título (Senhora deitada lendo um livro)
Grafite sobre papel, 1928
Colecção CAMJA/FCG
Fotografia de José Manuel Costa Alves
in: Almada Negreiros, Rui-Mário Gonçalves, Caminho

Uma imagem bela e serena em contraponto aos tempos conturbados que vivemos...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Museu Rafael Bordalo Pinheiro - Novas Aquisições


CICLO NOVAS AQUISIÇÕES

O Ciclo Novas Aquisições pretende apresentar, com periodicidade trimestral, as mais recentes peças inseridas no seu acervo (depois da reabertura do Museu em 2005), e nunca antes expostas ao público. Os visitantes terão acesso a informação detalhada da mesma e co-relacional às colecções do Museu e à obra de Rafael Bordalo Pinheiro.

Para esta quarta peça do Ciclo foi selecionado o exemplar
Prato Arte Nova, peça rodada em barro vermelho vidrado, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. Datada de 1905, esta é uma peça curiosa pela sua posição de charneira na produção cerâmica de Bordalo, revelando já a adesão assumida às novas tendências da Arte Nova. Foi adquirida em leilão pelo Museu Bordalo Pinheiro em 2005.

Esta mostra está patente de 18 de Junho a 31 de Agosto, no 1º piso do Museu Bordalo Pinheiro, de Terça a Sábado, das 10h00 às 18h00.

sábado, 15 de junho de 2013

Compositores do Período Barroco - Parabéns Zé Ricardo

Compositores do Período Barroco
José Ricardo Nunes
Deriva
Apresentação: dia 15 de Junho, 21,30 Horas, CCC

PORTA, Giovanni
(c.1675-1755)

«Por fixar mantém-se a data
do meu nascimento. Já a da morte
não oferece dúvidas:
testemunhos, papéis, o lastro
de uma vida inteira não a permite ignorada
e converge
nesse momento breve
que nos fecha e atribui, definitivo,
o sentido procurado em vão.
Depois até parece fácil,
que não podia ser
doutra maneira, já estava escrito.»

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Parabéns Fernando Pessoa / Santo António / Zé Povinho

Fernando Pessoa - Caricatura de António
Caricaturas do Metro Aeroporto, Documenta

 Santo António com o Menino ao colo
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha


Zé Povinho e Rafael Bordalo Pinheiro - Caricatura de António
Caricaturas do Metro Aeroporto, Documenta

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Santo António - 13 de Junho

O Milagre das Bilhas
Barro Vidrado policromo, peça modelada. Representação de Santo António consolando uma jovem que tem a seus pés uma bilha partida.
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro.
(Catálogo Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro: obra gráfica e cerâmica. MC-CR

Fernando Pessoa
SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.
Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?

Fernando Pessoa: Santo António, São João, São Pedro. Fernando Pessoa. (Organização de Alfredo Margarido.) Lisboa: A Regra do Jogo, 1986.