CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sábado, 6 de julho de 2013

O caso em que os «os» fazem toda a diferença



Um dos elementos identificadores de um livro, é o seu título. E estou em crer que tanto o autor como o editor desejam que o livro escrito e editado seja possível de identificar sem qualquer equívoco. O título também é demonstrativo do cuidado como a edição é tratada, pretendendo-se que ele seja único.

Tenho notado que esse cuidado está um bocado esquecido, pois surgem no mercado livros com título iguais ou muito parecidos, proporcionando confusões.

É o caso de um livro surgido ultimamente e de grande divulgação na SIC, que tem o título «Sete Minutos», precisamente o mesmo título de um livro de Irving Wallace, que foi um grande sucesso, salvo erro, nos anos 80: «Os Sete Minutos», considerando pelo autor o tempo médio que uma mulher leva a atingir o orgasmo.

A publicação de um livro com o mesmo título, é cópia, distracção, ou ignorância?

Ou basta «os» para fazer toda a diferença?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Senhora Deitada Lendo um Livro

Almada Negreiros
Sem Título (Senhora deitada lendo um livro)
Grafite sobre papel, 1928
Colecção CAMJA/FCG
Fotografia de José Manuel Costa Alves
in: Almada Negreiros, Rui-Mário Gonçalves, Caminho

Uma imagem bela e serena em contraponto aos tempos conturbados que vivemos...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Museu Rafael Bordalo Pinheiro - Novas Aquisições


CICLO NOVAS AQUISIÇÕES

O Ciclo Novas Aquisições pretende apresentar, com periodicidade trimestral, as mais recentes peças inseridas no seu acervo (depois da reabertura do Museu em 2005), e nunca antes expostas ao público. Os visitantes terão acesso a informação detalhada da mesma e co-relacional às colecções do Museu e à obra de Rafael Bordalo Pinheiro.

Para esta quarta peça do Ciclo foi selecionado o exemplar
Prato Arte Nova, peça rodada em barro vermelho vidrado, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. Datada de 1905, esta é uma peça curiosa pela sua posição de charneira na produção cerâmica de Bordalo, revelando já a adesão assumida às novas tendências da Arte Nova. Foi adquirida em leilão pelo Museu Bordalo Pinheiro em 2005.

Esta mostra está patente de 18 de Junho a 31 de Agosto, no 1º piso do Museu Bordalo Pinheiro, de Terça a Sábado, das 10h00 às 18h00.

sábado, 15 de junho de 2013

Compositores do Período Barroco - Parabéns Zé Ricardo

Compositores do Período Barroco
José Ricardo Nunes
Deriva
Apresentação: dia 15 de Junho, 21,30 Horas, CCC

PORTA, Giovanni
(c.1675-1755)

«Por fixar mantém-se a data
do meu nascimento. Já a da morte
não oferece dúvidas:
testemunhos, papéis, o lastro
de uma vida inteira não a permite ignorada
e converge
nesse momento breve
que nos fecha e atribui, definitivo,
o sentido procurado em vão.
Depois até parece fácil,
que não podia ser
doutra maneira, já estava escrito.»

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Parabéns Fernando Pessoa / Santo António / Zé Povinho

Fernando Pessoa - Caricatura de António
Caricaturas do Metro Aeroporto, Documenta

 Santo António com o Menino ao colo
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha


Zé Povinho e Rafael Bordalo Pinheiro - Caricatura de António
Caricaturas do Metro Aeroporto, Documenta

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Santo António - 13 de Junho

O Milagre das Bilhas
Barro Vidrado policromo, peça modelada. Representação de Santo António consolando uma jovem que tem a seus pés uma bilha partida.
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro.
(Catálogo Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro: obra gráfica e cerâmica. MC-CR

Fernando Pessoa
SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.
Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?

Fernando Pessoa: Santo António, São João, São Pedro. Fernando Pessoa. (Organização de Alfredo Margarido.) Lisboa: A Regra do Jogo, 1986.

domingo, 2 de junho de 2013

Carta a Mia Couto - Prémio Camões 2013


Caro Mia Couto:

Votos de bem-estar e espero que esta mensagem o vá encontrar de boa saúde no seu longínquo e belo país de mar infindo.

O hábito de escrever cartas passou de moda, mas para mim que não sou propriamente uma jovem, a carta ainda é um meio de comunicar com as pessoas de que gostamos e que se encontram lá longe.

Esta semana foi-lhe conferido o Prémio Camões. O mais privilegiado prémio literário em língua portuguesa a ser concedido aos escritores que se expressam nesta nossa tão bela e mal tratada língua. Foi muito bem entregue.

Fiquei muito feliz. Uma alegria forte, bem sentida cá no fundo do meu coração. Porque gosto de si e gosto dos seus livros, que me conduzem a um mundo com os cheiros, névoas e sombras em tudo semelhantes às terras da minha juventude.

Tive a alegria e a honra de o receber por quatro vezes na minha livraria, bem distante da sua terra natal; nas Caldas da Rainha, a Loja 107.

Entretanto as coisas mudaram e muito. Tive que fechar a Livraria, porque se alterou drasticamente todo o negócio do livro. Hoje, este, não é um livro é um produto. Grandes grupos económicos, simultâneamente editores e livreiros, dominam o mercado, juntamente com os supermercados e a Fnac. Os livros publicados são muitos, tantos que até é difícil identificá-los. Quanto aos seus conteúdos abstenho-me de me pronunciar, porque não sendo crítica literária, corro o risco de ser injusta para um qualquer livro menos cinzento… Tornou-se inviável manter uma livraria nas actuais condições de mercado, num país em que a leitura está longe de ser uma prioridade. E a 107, fechou…

A vida neste país está muito difícil ; neste país que também é um bocadinho seu.

Recordo com muita saudade as suas visitas. Lembra-se das frutas exóticas que lhe foram oferecidas ao som de uma música dançada ao ritmo africano?

Ainda tem o gato bordaliano que quis que passasse a fazer parte da sua vida? Ele tem-se portado bem?

Lembra-se de ter tido a ousadia de lhe ter dito que era um homem bonito, o que o fez corar um pouco?

Sabe que vive em minha casa um gato da Danuta Wojciechowska, talvez fugido do seu livro “O Gato e o Escuro”. Acredite ou não, enquanto lambemos as nossa feridas, mantemos  grandes conversas sobre o que vamos lendo e muitas vezes não estamos de acordo.

Na última vez que cá esteve, em 2008, dedicou-me um autógrafo muito especial “À Isabel com a promessa de eterno retorno”.

Lanço-lhe um desafio, que é simultaneamente um desejo: quando tornar a Portugal a apresentar um seu novo livro, venha até às Caldas da Rainha. Faça desta cidade uma terra de eterno retorno, porque cá vive uma livreira, que tem pelos seus escritores um carinho muito especial e muitas saudades...

Isabel Castanheira
Ex Loja 107, Livraria Lda

quarta-feira, 29 de maio de 2013

APRe!

A APRe! -Aposentados, Pensionistas e  Reformados, é uma Associação constituída em 22 de Outubro de 2012, em Coimbra, onde tem a sua sede, e que tem como objectivo lutar pela defesa dos aposentados, pensionistas e reformados consignados na Constituição da República Portuguesa.
Neste momento tem delegações em Lisboa e no Porto e está a a constituir um núcleo na zona oeste,o qual deverá englobar, numa fase inicial, os concelhos de Peniche, Lourinhã, Bombarral, Cadaval, Óbidos e Caldas da Rainha.
Para sua apresentação, irá realizar-se uma reunião nas Caldas da Rainha, no próximo dia 31 de Maio, 6.ª feira, pelas 17,00 Horas, no Auditório da Câmara Municipal, onde estarão presentes membros da Direcção da APRe!, nomeadamente a Presidente Maria do Rosário Gama e o Vice-Presidente Fernando Matins, da coordenação do Núcleo do Oeste, e para a qual se convidam todos os interesados a participarem. 

sábado, 4 de maio de 2013

Caldas de Felgueira - Termas







Vivo nas Caldas da Rainha e vim a águas para Caldas de Felgueira. Quando aqui cheguei e me perguntaram a morada, não pude deixar de notar uma certa surpresa perante a minha resposta. Vir das Caldas, das famosas caldas cá para cima a cerca de 300 quilómetros, a banhos?
Pois é; é triste mas é verdade.
Este é um sítio aprazível, sossegado, de pessoas muito simpáticas e com umas águas, cujo resultado, até então se tem mostrado benéfico.
Pelo que percebi também estas termas passaram por uns tempos mais difíceis, sujeitaram-se a benefícios e cá estão elas a funcionar em pleno. Tem termas e Spa e principalmente utilizadores.
Será assim uma coisa tão difícil de fazer nas Caldas da Rainha?
Porque é que os caldenses se matam a pensar, a ameaçar fazer, e não executam? Era melhor falarem menos naquelas improdutivas discussões relatadas pelos jornais e actuarem mais. Lá vão as termas das Caldas para o "maneta"; vão ou já foram?
Quem pode que actue e reverta a situação custe o que custar! Que interessa elas existirem na posse do estado se estão fechadas?
Fazer termas não é um luxo; é uma necessidade para certas doenças que com a seu utilização se podem debelar, sem a agressividade dos químicos da medicina convencional.
E este problema visto de longe ainda é mais doloroso, porque aqui em Caldas de Felgueira, não encontrei nada que as Caldas não pudesse ter.
E Caldas da Rainha sofre de um mal; tudo leva séculos a ser resolvido e a fazer-se. Dá a sensação que as energias são todas direccionadas para a discussão fátua dos problemas.
Quem me dera a mim, da próxima vez que necessidade de fazer termas, fazê-las nas Caldas, não só por estar em casa, mas principalmente porque era sinal que os caldenses tinham resolvido o grande problema que faz com que a sua cidade vá agonizando pouco a pouco.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Redenção das Águas - As Peregrinações de D. João V à Vila das Caldas

ÀS 16:30 no Centro Cultural e de Congressos
A REDENÇÃO DAS ÁGUAS - As peregrinações de D. João V à Vila das Caldas
CARLOS QUERIDO

"Este romance leva-nos até aos anos entre 1742 e 1750 através da narração intimista de Pedro Fontes, criado do Infante D. Manuel, tendo por pano de fundo as angústias do rei absoluto e magnânimo, consciente da sua mortalidade física, aterrorizado com a possibilidade de não alcançar a imortalidade bemaventurada. Ao longo da narrativa, surgem referências ao mito do V Império e do Eterno Retorno, a propósito do suplício de Pedro Rates de Henequim, que veio "oferecer" ao Infante D. Manuel o império do Brasil, convicto de que ali se situou o paraíso terrestre, acabando por perecer na fogueira da Inquisição em auto de fé. À voz Pedro junta-se a de Sara, a filha ilegítima do rei (que no romance vive na vila das Caldas, mas que na realidade histórica viveu e morreu num convento em Lisboa). Foi nesta vila, a 6 de Agosto de 1742, que D. João V reconheceu os seus três filhos ilegítimos, filhos de três freiras do convento de Odivelas. Ao lado de um terror da morte que, como diz o narrador, retira todo o sentido à forma cuidadosa como organizámos a vida, com total desprezo e insensibilidade por títulos, precedências e protocolos, nasce um amor que parece abrir um rio de possibilidades. Uma época fascinante vai-se soltando do fio da narrativa como se de um quadro se tratasse, uma pintura capaz de incluir o perfume do barro e dos veludos."

A não faltar! E depois ficamos para ver
Espectáculo de Marionetas
A Ver Navios no reinado de D. João VI e Carlota Joaquina
Às 18:30

1807, Novembro. Quase às portas de Lisboa as tropas de Napoleão ameaçam fazer capitular o Rei, como já aconteceu por toda a Europa e mesmo com a vizinha Espanha com quem tinha anteriormente feito uma coligação. No gabinete D. João VI reúne com os seus conselheiros..... (Não esquecer de comprar bilhete)

sábado, 27 de abril de 2013

Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro

Pelas últimas notícias vindas a lume, tudo voltou a ser o que devia. O Agrupamento de Escolas vai ter o nome de Rafael Bordalo Pinheiro.