CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vinho da Estremadura



Juraste ser sempre minha...
Ai de mim! quebraste a jura! ...
Valha-me o sumo da vinha,
Da vinha da Estremadura!...

Olhos negros, encantados,
São bagos de uva madura
Dos vinhedos pendurados
Nos montes da Estremadura.


Se queres que nasça alegria
Onde só cresce amargura,
Rega a alma, dia a dia,
Com vinho da Estremadura.


Juraste ser sempre minha...
Ai de mim! quebraste a jura! ...
Valha-me o sumo da vinha,
Da vinha da Estremadura!...

Olhos negros, encantados,
São bagos de uva madura
Dos vinhedos pendurados
Nos montes da Estremadura.

Se queres que nasça alegria
Onde só cresce amargura,
Rega a alma, dia a dia,
Com vinho da Estremadura.



Os vinhos de Portugal,
Que tanta fama nos dão,
Não tem no mundo rival
Se da Estremadura são...

Que belo nectar, o vinho,
A Estremadura nos dá.
Do Algarve até ao Minho,
Melhor qu'ele não há

Tua boca é garrafinha
De vinho - marca afamada!
Quem dera ser saca rolhas
Dessa garrafa lacrada!



Petiscos de bacalhau,
Ou gorda sardinha assada,
Sem vinhos da Estremadura
Não são petiscos, - nem nada.

Para haver paz, faz-se a guerra...
- Vejam que grande loucura!
Só se encontra a paz na terra
Nas pipas da Estremadura.

Beber vinho é dar o pão
A um milhão de portugueses,
Mas bebe-se tal porção
E falta o pão tantas vezes!...


Minha menina ora ouça
Que esta é a melhor das baldas
É tão rica como a louça
A bela pinga das Caldas.

Quadras dos Jogos Florais da Festa do Vinho, realizados por altura das Comemorações Centenárias na Província da Estremadura - Caldas da Rainha, 8 de Setembro de 1940. Cerâmicas de Bordalo Pinheiro.




domingo, 20 de janeiro de 2013

O Último Imposto


Rafael Bordalo Pinheiro
O António Maria, 10 de Janeiro de 1885

«O pobre do povo
A quem o destino,
O fado mofino
Trabalhos não poupa,
Em volta da nora,
De lombo albardado,
Gemia, coitado,
Co'o peso ... da roupa...

Mas Fontes ao vê-lo
Comove-se um dia,
E o triste alivia
Tirando-lhe a niza;
Mais tarde, os calções,
A cinta, o colete,
Sapatos, barrete
E, em suma, a camisa!

P'la causa do povo,
Que ao burro comparo,
Não há como o Caro
Que mais se desvele;
E é justo que o povo
Que ao Fontes exalta
Lhe entregue o que falta
Mandando-lhe a pele...»

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Watercolour Meeting in CR

Praça da Fruta - Marimar Gonzalez - Espanha
Parque - Pedro Orozco - Espanha
Praça da Fruta - Alain Bisoire - França
Rua das Montras - Eugen Chrisnicean - Moldávia
Parque - Carlos Almeida - Portugal

Watercolour Meeting in Caldas da Rainha 2010/2012
Edição: Centro Cultural e Congressos - Caldas da Rainha
(Colecção Completa: 12 postais)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sempre Fixe

Ao mais «fixe» dos Artistas - Francisco Valença, o «Napoleão» da Caricatura Portuguesa

Os Desenhos de Almada n'«O Sempre Fixe»
1926-1935
Fundação Calouste Gulbenkian - Centro de Arte Moderna
Lisboa, 1984

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Riso

«A vida é demasiado importante para se falar dela a sério»
 Oscar Wilde

Tentando reverter a atmosfera de sentido muito negativo vivido ao longo de 2012, aproveitei o último dia desse ano para ir visitar a exposição RISO no Museu da Electricidade, em Lisboa.  

Riso uma Exposição a Sério, apresenta o riso expresso nos mais variados suportes: vídeo, audio, cinema, imprensa, desenho, pintura, fotografia, cartoon, escultura, etc, etc. E como cereja no cimo do bolo  mais de trinta desenhos da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro destinados a teatro.

A não perder. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Caco


Este pedaço de azulejo apanhei-o do chão na antiga Praça do Peixe, percurso habitual das minhas caminhadas  citadinas. Caiu da fachada de um prédio que se encontra em muito mau estado de conservação,  mas que é rico em azulejos, marca da arquitectura caldense na transição do século XIX para XX. Este caco, um pequeno pedaço de azulejo verde é bem o retrato da cidade. Ao abandono e a desfazer-se aos bocados. Enquanto é feita uma recuperação do pavimento das ruas, as fachadas das prédios encontram-se mal tratadas, e sempre, sempre com os abomináveis grafitis, que apesar de todos os esforços em contrário, nascem da noite para o dia como ervas daninhas. Será que não se pode explicar a quem anda a conspurcar as paredes das casas, que isso é vandalizar a propriedade alheia, e que aquela riscaria toda não é propriamente uma obra de arte que deixe todos agradecidos e de boca aberta de espanto? Porque é que esses pseudos criadores não se limitam a pintar as paredes dos quartos em que vivem? Eles ficavam mais felizes porque preservavam as suas obras; e nós também, porque éramos poupados aquelas visões de duvidoso valor estético .

domingo, 16 de dezembro de 2012

Caldas da Rainha MCMXXIII

Ontem publiquei a noticia referente à publicação do Álbum das Caldas, 1923, da responsabilidade da Associação Comercial. Faltou uma informação: o Álbum e o mapa vendem-se em conjunto a 5 Euros. Ontem, sábado, estava à venda na rua, no inicio da Rua Dr. Miguel Bombarda, do lado da Rua Heróis da Grande Guerra. A Associação Comercial, na Av. 1.º de Maio é outro local de venda.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Parabéns Associação Comercial



A Associação Comercial das Caldas da Rainha e Óbidos que comemora 110 anos de existência, resolveu publicar um mapa das Caldas da Rainha - que bem necessário era porque o que havia tinha uns largos anos em cima - a que juntou uma edição facsimilada do Álbum Caldas da Rainha de 1923.
Saudamos esta Iiniciativa  com muito apreço.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Agradecimento

Ao Victor Pires o meu muito obrigada pelo seu carinho e pelos seus ensinamentos. Um abraço amigo
Isabel

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Indiscrições

"Exma. Senhora D. Elvira Agoas Barreiras
Rua da Penha de França nr 137 Lisboa
Caldas da Rainha (data do carimbo: 22 de Agosto de 1921)

Minha Querida Elvira:

Para te provar que ainda sei escrever desejo saber se estás boa assim como o Augusto, nós felizmente bem mas muito combalidos com os tratamentos que é muito maçador razão porque não te tenho escrito ando muito cansada. Tenho sabido da vossa saúde pelo Júlio, quando vai a Lisboa. Também tenho descansado mais por causa disso. Dá muitas saudades ao Augusto e tu aceita um grande abraço da tua irmã muito amiga que é a Maria Ruivo."

Indiscretamente transcrevi o texto de um postal ilustrado enviado das Caldas da Rainha para Lisboa na época do verão dos anos 20 do século passado. O postal mostra-nos uma parte do Parque das Faianças existente junto à Fábrica fundada por Rafael Bordalo Pinheiro. Lugar aprazível, de diversão e de descanso, decorado com cerâmicas de grande dimensão, não deixando por isso de ser um lugar de trabalho. Veja-se a personagem em primeiro plano que carrega sobre o seu ombro esquerdo um bilha? ou barril de pequeno formato?... Não sei. Note-se o garboso representante das forças armadas, elegantemente sentado num banco Junto a uma peça de cerâmica de tamanho considerável. Parece-se um Santo António: não é uma figura masculina tendo ao colo um menino?
Quando a estas imagens dos anos idos, só nos resta fantasiar sobre elas. Nada restou. Sem querer ser saudosista e só valorizar o que havia antes, lamento que o nosso património seja esquecido e mau tratado. Principalmente a nossa herança cerâmica. E mudando de rumo; o que vai ser do nosso Parque? Subsistiu mais de cem anos. E agora? Vai conhecendo uma deterioração contínua e uma inexorável destruição? Lá pela cidade ter um aspecto pouco cuidado, a que os grafitis que conferem um ar totalmente terceiro mundista, vamos deixar que o Parque tenha o mesmo destino?