CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sábado, 27 de agosto de 2011

Bom fim de semana






Originais pintados a óleo de Renate Koblinger e Anna Hollerer

Kunsthandel und Edition Luka Basic - Austria

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Visita da Troika

Foram entrando um a um.
Três dignos cavalheiros, que depois de um certo acanhamento e dos cumprimentos da praxe, se acomodaram em redor da pequena mesa da minha livraria.
Um deles trazia uma pasta na mão. Uma daquelas pastas feitas à moda antiga, de design fora de moda, manufacturada à mão, de pele fininha, já um pouco sarrafada nos cantos. De aspecto vivido, de acordo com os muitos e muitos papéis que tinha transportado. E que segredos? Nunca viremos a sabê-lo; os segredos foram feitos para assim permanecerem.
O segundo, uma figura grandiosa, a impor respeito, trazia uma pasta de artista de onde iam caindo várias folhas desenhadas a crayon.

O terceiro homem, magro e um pouco encurvado, com a aba do chapéu caída obre os olhos, carregava uma maleta, com cantos de metal.

Sentaram-se. Cruzaram as pernas, acertando com cuidado o vinco das calças. Acenderam as suas cigarrilhas.


E logo no ar ficou a pairar um odor acre-doce e uma ténue névoa como que a esconder algo. Seria uma nuvem feita de sonhos a desfazerem-se em farrapos no ar?
Olharam em redor, quais generais a passar revista às tropas; nos seus rostos de linhas geométricas nem um sorriso traspassou.
Um deles, endireitou o cache-nez na cana do nariz abriu a pasta tirou um exemplar da “Correspondência de Fradique Mendes” e deixou-o em cima da mesa.



Um outro, após acariciar a ponta do bigode, tirou do bolso do colete bordado uma caneta, e da sua pasta de artista surgiu como que por magia um exemplar da “Lusa Bombochata”. Abriu o livro e na página de rosto desenhou com traços finos e rápidos a figura de um gato enroscado nas páginas do livro. Poisou este na mesa.
O terceiro homem tossicou várias vezes, pegou num dos livros que trazia na arca, abriu-o em determinada página e leu os seguintes versos:


“Bem sei que todas as mágoas
São como as mágoas que são
Parecidas com as águas
Que continuamente vão …”

“Segue o teu destino
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
Das árvores alheias.”

Também ele colocou o seu livro em cima da mesa.
Levantaram-se e saíram da livraria. Quando já iam do outro lado da rua, viraram-se para trás e disseram-me adeus. E nesse mesmo momento a brisa acariciou-me como se de um beijo se tratasse...
Fiquei a ver as suas figuras esfumarem-se ao longe.
Da visita da Troika, restaram-me três livros…

A Troika composta por Eça, Bordalo e Pessoa criados por Constantinos.

A Amizade da Maria

Um abraço bem apertado da Maria guardado Aqui junto ao coração.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Oração

"Santo Padre: Eu já não peço grandes milagres, mas se rogasses a Nossa Senhora para que fizesse baixar o preço das batatas, ficava-te eternamente agradecido."


Gaiola Aberta, Maio de 1982, N.º 110

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quadras

A Quadra Popular no Azulejo
Jaime Jorge Umbelino
Edição do Autor, 1992


Porta fechada... Acontece...
Mas a entrada não se nega!
Há sempre alguém que se apresse
A franqueá-la a quem chega.


Porque de azul me pintaram,
Tenho o nome de azulejo.
Foi do céu que copiaram
O vestido em que me vejo...


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um Abraço


Um abraço amigo aos seguintes blogues:
Viagens pelo Oeste
Isto não fica assim
O das Caldas
Cadeirão Voltaire
Os meus Livros
Chapéu e Bengala
Bibliotecário de Babel
Marcador de Livro
Blogtailors
Isto Não está Aqui

sexta-feira, 29 de julho de 2011

À Espera - Descubra as diferenças entre 1894 e 2011

"O Governo espera a solução do Brasil."

"A Oposição espera o poleiro."


"Os republicanos esperam "Amanhã".
"Os realistas esperam Hontem!"



"Os anarquistas esperam a véspera de Santo Novidade,"



"O sr. general Queiroz espera-os a todos."


"A finança espera a subida dos fundos."


"Os pretendentes esperam os ministros."




"Os operários esperam trabalho."

"A indústria espera capital."



"A agricultura espera que o sol ou a chuva lhes trabalhe a terra."

"Os lojistas esperam fregueses."



"A Ciencia espera a cólera"


"Tudo espera até a travessa da Espera está à espera."


" Ninguém avança nem recua."


"Alguns cansados de esperar vão esperar para o outro mundo, suicidando-se."


"Assim desaparecerá esta geração falta de esperar..."



"Dando lugar à geração nova que continuará, a esperar ... a mesma coisa!"



É sempre para mim um prazer e uma descoberta regressar às páginas ilustradas por Rafael Bordalo Pinheiro. O seu poder de síntese, a sua análise microscópica, a sua observação realista, fazem com que muitas das suas caricaturas sejham intemporais, pois mudando-se o decor e as personagens as situações são de uma actualidade surpreendente. É um elogio ao grande Artista, é uma crítica à nossa sociedade. Continuamos assim tão iguais ao que éramos em 1894?


Esta sequência de ilustrações compõem uma página dupla publicada n' O António Maria, a 12 de Junho de 1894.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

À Conversa com ...

Numária O Papel Moeda
Autor Convidado:
Luis Manuel Tudella
Café Centro Cultural Caldas da Rainha

Dia 28 de Julho - (quinta feira) 22 Horas

Loja 107, 35 anos partilhando leituras com a cidade