
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
O Gato e o Cisne
Não é só o Cavaco das Caldas a gostar de gatos. A Margarida Araújo nos seus passeios internéticos encontrou este blogue que me enviou. A desfrutar.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O Orçamento

Janeiro
No dia de S. Policarpo (26), Fontes Pereira de Melo imponentemente montado num dromedário cor de mel, ergue a sua varinha mágica, aponta-a em direcção a um ignoto horizonte e logo surge uma estrela brilhante iluminando tudo e todos, como se de mil sóis se tratasse.
Fontes não está sozinho. Acompanham-no na sua temerária corrida dois dos seus mais fiéis ministros.
Enquanto isso, preso numa bola, um professor das economias, carismático e realista, conhecido por passar a vida a vociferar quanto ao despesismo e à corrupção.
Incomodativo, resmunga que se farta, mas quem deve, não o ouve.
Faz vento, frio e chuva.
Gatos vadios correm a abrigar-se sob um chapéu de chuva abandonado. Alguém já anda descalço, pois ali jazem uns sapatos sem pés.
Brilha em todo o seu esplendor a luz incandescente proveniente da estrela cadente.
Iriante, brilha o orçamento…
No dia de S. Policarpo (26), Fontes Pereira de Melo imponentemente montado num dromedário cor de mel, ergue a sua varinha mágica, aponta-a em direcção a um ignoto horizonte e logo surge uma estrela brilhante iluminando tudo e todos, como se de mil sóis se tratasse.
Fontes não está sozinho. Acompanham-no na sua temerária corrida dois dos seus mais fiéis ministros.
Enquanto isso, preso numa bola, um professor das economias, carismático e realista, conhecido por passar a vida a vociferar quanto ao despesismo e à corrupção.
Incomodativo, resmunga que se farta, mas quem deve, não o ouve.
Faz vento, frio e chuva.
Gatos vadios correm a abrigar-se sob um chapéu de chuva abandonado. Alguém já anda descalço, pois ali jazem uns sapatos sem pés.
Brilha em todo o seu esplendor a luz incandescente proveniente da estrela cadente.
Iriante, brilha o orçamento…
Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro publicado como enquadramento ao mês de Janeiro, no Almanaque d’ O António Maria do ano de 1883.
Não sei porquê esta ilustração fez-me lembrar qualquer coisa… Oh! diabos, onde é que estão os meus sapatos?...
Não sei porquê esta ilustração fez-me lembrar qualquer coisa… Oh! diabos, onde é que estão os meus sapatos?...
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
368.ª Página Caldense

Manual do Viajante em Portugal
"Em frente do hospital o club, onde se dão, no verão, reuniões, bailes, concertos e outras diversões muito concorridas, e um vasto terreno, o Parque da Copa, com um grande lago, diversos jogos desportivos e longas ruas ensombradas por plátanos seculares. A igreja matriz, Nossa Senhora do Pópulo, construída em 1448 a 1502 e restaurada por D. João V, tem uma interessante torre. Ao N. o Chafariz das Cinco Bicas, de construção imponente; e a Mata, aprazivel passeio com terreno de corridas e outras diversões." [Pág 171]
[Manual do Viajante em Portugal de L. de Mendonça e Costa, concluído por Carlos d'Ornelas. Com itinerários de excursões em todo o país, e para Madrid, Paris, Vigo, Sant'lago, Salamanca, Badajoz e Sevilha. 5.ª Edição. Junho de 1924. Typ. da "Gazeta dos Caminhos de Ferro", Rua da Horta Seca, 7 - Lisboa.]
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Bestsellers ?

Surgiu nos jornais e em vários blogues mais vocacionados para o debate dos assuntos relacionados com a edição e comercialização dos livros, uma curiosa polémica.
Discute-se: - que título vendeu mais no ano de 2009?
- O Símbolo Perdido, de Dan Brown (Bertrand)
Ou
- Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos (Gradiva)
O nosso bestseller do ano transacto não foi nenhum destes títulos.
Foi um livro cujo título é "A Praça da Fruta", da autoria de Carlos Querido e edição da responsabilidade da Corrida das Letras, uma novíssima editora chegada ao mercado.
A importância dos nichos de mercado.
Discute-se: - que título vendeu mais no ano de 2009?
- O Símbolo Perdido, de Dan Brown (Bertrand)
Ou
- Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos (Gradiva)
O nosso bestseller do ano transacto não foi nenhum destes títulos.
Foi um livro cujo título é "A Praça da Fruta", da autoria de Carlos Querido e edição da responsabilidade da Corrida das Letras, uma novíssima editora chegada ao mercado.
A importância dos nichos de mercado.
Prémios Edição Ler / Booktailors
Mais uma vez os leitores e os apreciadores de livros podem votar em diferentes modalidades para escolher as obras ganhadoras do prémio Ler/Booktailors.
Ver aqui
Os prémios serão entregues no decorrer das Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Preito de Homenagem
A gata que dorme no seu canto abre um olho numa interrogação. Que se passa por aqui que incomoda o meu descanso?
Ele entra com ar decidido, passa as mãos pelos ombros a dispersar umas quantas gotas de chuva, equilibra melhor o monóculo no olho direito, engelha o nariz e diz, alto e em bom som:
Ele entra com ar decidido, passa as mãos pelos ombros a dispersar umas quantas gotas de chuva, equilibra melhor o monóculo no olho direito, engelha o nariz e diz, alto e em bom som:
- "Estão à minha espera, não é verdade?"

Surpreendida e encabulada, articulo com dificuldade meia dúzia de palavras:
- Estávamos sim, mas não o esperávamos tão cedo…
- "Sempre gostei de surpresas! Vim mais cedo porque quero saber o que por aqui se passa. Já dei por aí umas voltas. Desci pela rua que tem o meu nome, passei pelo hospital, dei uma volta pelo parque, subi à praça, caminhei por esta rua aqui em frente e reconheci logo este prédio. Mudaram os azulejos mas a fachada está quase na mesma. E entrei."
Surpreendida e encabulada, articulo com dificuldade meia dúzia de palavras:
- Estávamos sim, mas não o esperávamos tão cedo…
- "Sempre gostei de surpresas! Vim mais cedo porque quero saber o que por aqui se passa. Já dei por aí umas voltas. Desci pela rua que tem o meu nome, passei pelo hospital, dei uma volta pelo parque, subi à praça, caminhei por esta rua aqui em frente e reconheci logo este prédio. Mudaram os azulejos mas a fachada está quase na mesma. E entrei."
Senta-se, olha para mim e apercebo-me das rugas marcadas no seu rosto, amenizado por um certo ar zombeteiro e o seu bigode farfalhudo e bem aparado, apresenta, aqui e ali, levíssimos traços brancos.
Predominante, a sua poupa formada por um cem número de caracóis artisticamente armados, confere-lhe um ar de dandy, simultaneamente elegante e sedutor.
Entrementes o gato abeira-se e queda-se a ouvir-nos.
Conversamos sobre tudo e sobre todos. Confesso-lhe o quanto lamento o facto de não o ter por cá a desenhar esta nossa realidade, por vezes tão irreal.
Que grandes páginas paródicas podia assinar!
Segredo-lhe que podemos queixar-nos de muitas coisas, menos da existência de situações e/ou personagens burlescas; essas não nos faltam; até as temos em demasia.
E ali estávamos em íntima cavaqueira quando, silenciosa e sorrateiramente, o gato salta-lhe para o colo e logo se aninha enrolando-se sobre si mesmo, numa atitude de entrega total.
Enquanto isto, na rua a chuva chove a bom chover.
Divagação a partir das obras de:
Carlos Constantino que modelou em barro um busto de Bordalo Pinheiro e de Carlos Moreira que o desenhou acompanhado do gato Gil Vicente, a partir de uma fotografia de RBP datada de 1874/5.
Busto e ilustração feitas em homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro, 105 anos decorridos após a sua morte, ocorrida a 23 de Janeiro de 1905.
Ambas as obras podem ser admiradas na Loja 107, que agradece a amizade e elogia a criatividade dos dois Carlos.
E ali estávamos em íntima cavaqueira quando, silenciosa e sorrateiramente, o gato salta-lhe para o colo e logo se aninha enrolando-se sobre si mesmo, numa atitude de entrega total.
Enquanto isto, na rua a chuva chove a bom chover.
Divagação a partir das obras de:
Carlos Constantino que modelou em barro um busto de Bordalo Pinheiro e de Carlos Moreira que o desenhou acompanhado do gato Gil Vicente, a partir de uma fotografia de RBP datada de 1874/5.
Busto e ilustração feitas em homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro, 105 anos decorridos após a sua morte, ocorrida a 23 de Janeiro de 1905.
Ambas as obras podem ser admiradas na Loja 107, que agradece a amizade e elogia a criatividade dos dois Carlos.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Efeméride
Se fosse vivo, Eugénio de Andrade faria hoje 87 anos.
"1,2,3
Um, dois, três,
lá vai outra vez
o gato maltês
a correr atrás
da franga pedrês,
talvez a mordesse
apenas no pé,
o sítio ao certo
não sei bem qual é
(quatro, cinco, seis),
ou só lhe arranhasse
a ponta da crista,
e talvez nem isso,
seria só susto,
ou nem sequer mesmo
foi susto nenhum;
sete, oito, nove,
para dez falta um."

"O lagarto
Vejam que janota
o lagarto vem!
Parece um ministro.
Irá a Belém?
Vem do costureiro?
Vem de trabalhar?
Que pergunta tola:
Vem só de almoçar.
E que bem que comeu
O nosso janota!
Quem seria o parvo
Que pagou a conta?"
[Aquela Nuvem e Outras. Poemas de Eugenio Andrade. Ilustrações de Joana Quental. Quasi Edições. Junho de 2005]
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Perfil do Blogger
367.ª Página Caldense
A Estremadura
Introdução, selecção e notas: Urbano Tavares Rodrigues
“A Fábrica das Caldas da Rainha
Uma grande parte dos principais tipos do nosso incomparável vasilhame português, convertida em artigos de luxo pela delicada aplicação de um acessório ornamental: o alcatruz das nossas noras mouriscas; o moringue, que importámos da Índia e da América; o jarro chinês, imitado da taça Tsio e da taça «dos grandes letrados» que os nossos viajantes da China trouxeram pela primeira vez à Europa; várias bilhas populares, em que se conservam com admirável pureza as formas gregas e romanas da «cratera», do «bombylio», da «ambula» e do «cantharo» consagrado a Baco; muitas das formas que herdámos dos árabes, como a «almotolia», a «alcanzia», o «alguidar», a «bátega», a «aljofaina»; os vasos figurativos, imitação dos que fomos os primeiros a ver, no Peru e no México; os vários recipientes de origem propriamente popular, como os funis, os pichéis, as púcaras, as quartinhas, as ancoretas, os cantis e os tarros. Inúmeros motivos decorativos, uns tradicionais, outros inteiramente novos, tirados da fauna e da flora desta zona da Estremadura: flores e folhas de cardo, de pimentos, de girassóis, de hera, de vinha, de oliveira, de papoila, de carvalho, de feijoeiro; algas, pimentos, conchas, musgos, asas de grilos, cabeças de camarões, caranguejos, tartarugas, ruivos, mexilhões, enguias, rãs, lagostins; grupos de frutas, de peixes, de parrecos e de pintassilgos; revoadas de pombos e de andorinhas, ondulações de lagartos, lampejos doirados de escaravelhos e de abelhas; estilizações ou simples atitudes de carneiros, de bácaros, de burros, de touros, de gatos borralheiros e de gatos bravos; variadíssimas aplicações ornamentais de ferramentas ou de utensílios domésticos, gigas vindimas, cabazes, alforges, seirões, borrachas, esteiras, abanos, tamancos, odres, redes, bóias, cordames e linhas de pesca.” […]
(Da monografia “A Fábrica das Caldas da Rainha”)
Pág. 50/51
Uma grande parte dos principais tipos do nosso incomparável vasilhame português, convertida em artigos de luxo pela delicada aplicação de um acessório ornamental: o alcatruz das nossas noras mouriscas; o moringue, que importámos da Índia e da América; o jarro chinês, imitado da taça Tsio e da taça «dos grandes letrados» que os nossos viajantes da China trouxeram pela primeira vez à Europa; várias bilhas populares, em que se conservam com admirável pureza as formas gregas e romanas da «cratera», do «bombylio», da «ambula» e do «cantharo» consagrado a Baco; muitas das formas que herdámos dos árabes, como a «almotolia», a «alcanzia», o «alguidar», a «bátega», a «aljofaina»; os vasos figurativos, imitação dos que fomos os primeiros a ver, no Peru e no México; os vários recipientes de origem propriamente popular, como os funis, os pichéis, as púcaras, as quartinhas, as ancoretas, os cantis e os tarros. Inúmeros motivos decorativos, uns tradicionais, outros inteiramente novos, tirados da fauna e da flora desta zona da Estremadura: flores e folhas de cardo, de pimentos, de girassóis, de hera, de vinha, de oliveira, de papoila, de carvalho, de feijoeiro; algas, pimentos, conchas, musgos, asas de grilos, cabeças de camarões, caranguejos, tartarugas, ruivos, mexilhões, enguias, rãs, lagostins; grupos de frutas, de peixes, de parrecos e de pintassilgos; revoadas de pombos e de andorinhas, ondulações de lagartos, lampejos doirados de escaravelhos e de abelhas; estilizações ou simples atitudes de carneiros, de bácaros, de burros, de touros, de gatos borralheiros e de gatos bravos; variadíssimas aplicações ornamentais de ferramentas ou de utensílios domésticos, gigas vindimas, cabazes, alforges, seirões, borrachas, esteiras, abanos, tamancos, odres, redes, bóias, cordames e linhas de pesca.” […]
(Da monografia “A Fábrica das Caldas da Rainha”)
Pág. 50/51
[Antologia da Terra Portuguesa. A Estremadura. Introdução Selecção e Notas de Urbano Tavares Rodrigues. Livraria Bertrand, Lisboa.s/d.]
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Amizade(s)
Bom passar pela tua livraria atulhada de livros e de memórias boas e de coisas felinas. Trocar dois dedos de conversa, falar desta cidade, de projecto novos ou relembrarmos-nos de antigos e sempre a teimosia saudável de não desistir.
"A 107" faz parte viva desta cidade, deste país e de mim própria.
E os gatos continuam a ser testemunhos da nossa amizade.
E aqui para nós que ninguém nos ouve, eu acho que a Isabel já fala "miês", ou então, mais provável, a Florbela aprendeu português de tanto conviver com livros.
um beijo grande
Margarida
[Dois ternos abraços (meu e da gata Florbela) à Margarida pela sua amizade]
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