CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Café Literário

Praça da Fruta
Carlos Querido

Centro Cultural e de Congressos
15 de Outubro, 21,45 Horas

Apresentação Dr. Álvaro Laborinho Lúcio

"Há sempre uma praça. Herdeira da ágora ateniense, do fórum romano, do rossio medieval, território comum, pausa no labirinto da malha urbana, largo onde convergem e desaguam as ruas da cidade, ponto de todos os encontros e de alguns desencontros."

Loja 107, partilhando leituras com a cidade

sábado, 10 de outubro de 2009

No País dos Abortos

A Nação no seu estado interessante aguarda um novo aborto
Rafael Bordalo Pinheiro
A Paródia, n.º 122, 3.º Ano, 14 de Maio de 1902

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Movimento Eleitoral

"O resultado das últimas eleições republicanas em Lisboa estabelece a medida de um movimento progressivo com que se vai apertando sobre os factos a grande prensa chamada ... a opinião."
O Movimento Eleitoral
Rafael Bordalo Pinheiro
O António Maria, 10 de Novembro de 1881

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Novo Parlamento

O Novo Parlamento
Sistema Velho em Casa Nova
Rafael Bordalo Pinheiro
Suplemento da Paródia, 7 de Janeiro de 1903

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Crise Económica


Crise económica.
É muito pior do que pensávamos, mas os gatos exageram sempre!!!!...

Àrvore de Natal

Não tenho por hábito tornar públicos os pedidos de email recebidos. Mas considero este irrecusável.

"Venho solicitar a vossa ajuda para um novo 'projecto' com as crianças do IPO.

Pretendemos recordar a importância de reaproveitarmos os materiais a custo zero com uma actividade criativa.Um dos objectivos é fazer uma árvore de Natal. Vamos fazer esculturas com cápsulas Nespresso usadas /recicladas!

Juntem as vossas cápsulas usadas num saco ou caixa. Para este trabalho também aceitamos telas de qualquer tamanho. Os sacos podem ser deixados na Acreditar (Rua do IPO), enviados em caixas próprias dos CTT, ou acordar comigo o modo de entrega.
Obrigado a todos.

Contactos:
Pedro Bello
bello.pedro@hotmail.com
telemóvel: +351 916852874 +351 916852874
ou
ACREDITAR
A/C Filipa Carvalho
Rua Prof. Lima Basto, 73
1070-210 LISBOA
Tlfn: + 351 217 221 150 + 351 217 221 150
E-mail:fc@acreditar.pt

PS: Felizmente, a maioria de vós não sabe o que é o dia a dia de uma criança com cancro e, estou a pedir pouco mais do que nada para as distrair. Divulguem sff."

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Em breve - Praça da Fruta

Praça da Fruta
Carlos Querido
Editor: Corrida de Letras
Prefácio: Laborinho Lúcio
Apresentação: Café Concerto, Centro Cultural e de Congressos
15 de Outubro, 21,45 Horas
*********************
Balada da Praça da Fruta
(a Carlos Querido)


"João Cristo, sua cocheira
Onde o meu avô sabia
Que a burra trabalhadeira
Era a dez tostões por dia
Ficava ela a descansar
Nas cocheiras da cidade
Desconfiada do lugar
E moscas em quantidade
Minha tia Francelina
Nascida no Zambujal
Vinha vender obra fina
Os bichos do seu quintal
Numa carroça pequena
É que o seu mundo cabia
Sempre calma e serena
Dava-me um beijo e sorria

Exame era uma guerra
Bebemos uma gasosa
O grupo da minha terra
Não levou uma raposa
Nos armazéns do Chiado
Pronto-a-vestir é um fato
Nunca tinha reparado
Neste novo artesanato
Meu exame da terceira
Foi feito sem companhia
Em Abril, segunda-feira
Já não me lembro o dia
Chamado para a inspecção
Sou dado como capaz
Dentro duma contradição
Não sou guerra mas paz
Minha prima Deolinda
Professora de crianças
Na doçura que não finda
Dava-me muitas esperanças
Suas torradas matinais
A caminho do regimento
Davam-me forças especiais
Para marcha e movimento


Fosse das suas orações
Ou fosse da entrevista
Eu passei sem ralações
E fiquei em contabilista
Com três filhos crescidos
E acrescentado um neto
Compro beijinhos pedidos
E cavacas no Gato Preto
Praça da Fruta eterna
Onde o mundo nunca pára
És tão antiga e moderna
Porque és uma praça rara
Povoada por mil paixões
Todos nós mesmo distantes
Trouxemos nos corações
A força dos teus instantes
E mesmo na chuva londrina
Tomas, meu neto à escuta
Recorda Santa Catarina
E lembra a Praça da Fruta"

José do Carmo Francisco

[de José do Carmo Francisco um poema dedicado a Carlos Querido.Os meus agradecimentos ao autor pela oportunidade de publicação da Balada da Praça da Fruta no blog Cavacos das Caldas]

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Visita a Tormes - A casa de Eça

“Jacinto estendera o braço:

- Que casarão é aquele, além do outeiro, com a torre?

Eu não sabia. Algum solar de fidalgote do Douro…Tormes era nesse feitio atarracado e maciço. Casa de séculos e para séculos – mas sem torre.

- E logo se vê, da estação, Tormes?...

-Não, muito no alto, numa prega da serra, entre arvoredo.

No meu Príncipe, já evidentemente nascera uma curiosidade pela sua rude casa ancestral. Mirava o relógio, impaciente. Ainda trinta minutos! Depois, sorvendo o ar e a luz, murmurava, no primeiro encanto de iniciado:

- Que doçura, que paz…

- Três horas e meia, estamos a chegar, Jacinto!

O espaço imenso repousava num imenso silêncio. Naquelas solidões de monte e penedia os pardais, revoando no telhado, pareciam aves consideráveis.


E ao fundo das faias, com efeito, aparecia o portão da quinta de Tormes, com o seu brasão de armas, de secular granito, que o musgo retocava e mais envelhecia.
[…]
Jacinto replicou, com uma decisão furiosa:

- Amanhã troto, mas para baixo, para a estação!... E depois, para Lisboa!

E subiu a gasta escadaria do seu solar com amargura e rancor. Em cima uma larga varanda acompanhava a fachada do casarão, sob um alpendre de negras vigas, toda ornada, por entre os pilares de granito, com caixas de pau onde floriam cravos.







Através das janelas escancaradas, sem vidraças, o grande ar da serra entrava e circulava como num eirado, com um cheiro fresco de horta regada. Mas o que avistávamos, da beira da enxerga, era um pinheiral cobrindo um cabeço e descendo pelo pendor suave, à maneira de uma hoste em marcha, com pinheiros em frente, destacados, direitos, emplumados de negro; mais longe as serras de alem rio, de uma fina cor de violeta; depois a brancura do céu, todo liso, sem uma nuvem, de uma majestade divina.

- E esta varanda também é agradável! – murmurou ele mergulhando a face no aroma dos cravos. – Precisa grandes poltronas, grandes divãs de verga …

Daquela janela, aberta sobre as serras, entrevia uma outra vida, que não anda somente cheia do Homem e do tumulto da sua obra.”

Eça de Queiroz
A Cidade e as Serras
[Eça de Queiroz. A Cidade e as Serras. Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses. 2001. 6.ª Edição].

terça-feira, 25 de agosto de 2009

392-ª Página Caldense

As Amantes de D. João V
Alberto Pimentel

"Graças a estas melhoras, os médicos resolveram que D. João V devia ir completar o tratamento nas termas das Caldas da Rainha.
[…]
Antes de o Rei partir, mandou-se consertar as estradas e construir palácios de madeira, ao longo delas, para alojamento da corte.

Feito isto, o Cardeal da Cunha foi benzer o caminho por onde o Rei havia de transitar.

Dom João V saiu para as Caldas no dia 9 de Julho. A rainha partiu no dia 11, logo diremos porquê. O infante D. Francisco partiu nesse mesmo dia.
[…]
Pelo caminho, os priores de São Nicolau e São Miguel foram espalhando doze mil cruzados em esmolas de cento e vinte, cem e sessenta réis.
[…]
Logo que entrou nas Caldas, também orou à imagem da Senhora do Pópulo, que estava à porta do hospital.

El-Rei hospedou-se em casa de António de Lima, contígua à do desembargador João de Proença, onde a rainha se aposentou: entre os dois prédios estabeleceu-se um passadiço.

O infante D. Francisco domiciliou-se na quinta de Bernardo Freire, junto ao convento das Gaeiras, onde, dentro de dez dias, faleceu.

Os filhos naturais de D. João V poisaram próximo de Alfeizerão, em casa de Silvério da Silva.

Os frades de Alcobaça, logo que o Rei chegou às Caldas, enviaram-lhe 69 vitelas, 194 presuntos, 182 queijos, 210 perus, 692 galinhas, 12 cargas de fruta, 36 paios, 333 caixas com doce. Que bernadíssima comezaina!

O Rei repartiu o presente por toda a família, pela corte, pelos frades das Gaeiras, aos quais mandou dar também duzentos mil réis, e como o guardião lhe fosse agradecer a dádiva, esmolou-lhe mais duzentos mil réis.
[…]
Foram arrancadas a um interessante manuscrito, que existe na contadoria do hospital das Caldas da Rainha, Livro da Fundação Deste Real Hospital, composto pelo padre mestre Jorge de S. Paulo, as páginas referentes à primeira viagem que D. João V fizera àquela estação termal, e que continham os nomes das principais pessoas que acompanharam Suas Majestades, bem como a designação das casas em que assistiram. Priva-nos aquela mutilação do prazer de podermos agora informar mais detidamente o leitor.

O que porém se sabe, porque o diz Frei Claúdio da Conceição, é que D. João V regressou a Lisboa no dia 16 de Agosto, saindo das Caldas pelas quatro horas da manhã, vindo embarcar em Vila Nova da Rainha. Chegou na Lisboa às seis horas da tarde com algumas melhoras. Antes de sair das Caldas, o magnânimo Soberano, despejou ondas de oiro nos cofres das igrejas e conventos circunvizinhos. Aos enfermeiros que o metiam no banho agraciou com o Hábito da (sic) Cristo, tenças, e cem peças de 6$400 réis a cada um. Aos médicos de Coimbra e das Caldas, quer lhe assistiram, condecorou também, estipulou tenças, e mandou entregar grandes ajudas de custo. A António de Lima, que o hospedou, concedeu, além do Hábito, uma tença de 80 mil réis; e ao desembargador João Proença, que hospedara a Rainha, aposentou-o na Relação do Porto como ordenado por inteiro.

Muito caro ficou ao erário a Petronilla… e as outras!

O povo delirava de alegria por ver que os banhos das Caldas tinham avigorado um pouco o cansado organismo do Monarca.

A academia dos Escolhidos, presidida por Monterroio Mascaranhas, discutiu três problemas transcendentes em honra do restabelecimento do Soberano: 1.º Se foi tão grande a moléstia de Sua Majestade como a afectuosa piedade dos seus vassalos. 2.º Se na doença de Sua Majestade mostraram mais fineza nas suas rogativas os habitantes da corte ou os de fora de Lisboa. 3.º Se foi no Reino tão grande o sentimento na queixa de Sua Majestade como o gosto na sua melhora.

Que genial cabeça era preciso ter para atingir a resolução de tão graves problemas!” [Páginas 191 a 195]

[Alberto Pimentel. As Amantes de D. João V. Bonecos Rebendes. 3.ª Edição Fevereireiro de 2009. (1.ª Edição, 1892) ISBN 978-989-8137-29-6]

sábado, 22 de agosto de 2009

391.ª Página Caldense

Quando o grande migalheiro (sic) se rachar, se partir, para onde correrá a massa?
O António Maria, 23 de Julho de 1891, página 167
Rafael Bordalo Pinheiro

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

390.ª Página Caldense

O UNIVERSO DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO
da Caricatura à Cerâmica
Bilha de Santo António / 1895
Rafael Bordalo Pinheiro
Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça
[Página 98]
Prato com Ramo em Flor e Pintassilgos / 1898
Marca: Fábrica de Faianças Artísticas Rafael Bordalo Pinheiro
Colecção Berardo
[Página 89]


[O Universo de Rafael Bordalo Pinheiro, da Caricatura à Cerâmica, Museu do Douro / Colecção Berardo. Coordenação Geral. Fernando Seara / Márcia Barros. 2009]

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

389.ª Página Caldense


"A época nas Caldas da Rainha
Um pic-nic e burricada ao conventinho

No plano principal: D. Luiza Machado, D. Emilia de Brederode Smith, D. Marianna e D. Maria da Graça Reynolds, Henrique Reynolds, Ruy de Siqueira (S. Martinho), Luiz Perdigão (Ervideira) e Francisco de Aboim Caldeira."

Fotografia não datada, facultada pelo Sr. Oliveira (Móveis Oliveira), a quem agradeço a gentileza.