CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



terça-feira, 21 de abril de 2009

Proposta de Leitura ao Serão


GOVERNANTES NOJENTOS
Terry Dearly
Colecção História Horrível, Publicações Europa América

Exposição Universal de Paris 1889

Exposição Universal de Paris, cartaz
Panorama da exposição no Campo Marte e Torre Eiffel
Reprod. seg. fot., A. desc.in O Ocidente, Lisboa 1889,
vol. 12, pp. 140-141

120 anos da Exposição Universal de Paris de 1889

A partir de hoje e na companhia indispensável de Rafael Bordalo Pinheiro vamos evocar a Exposição Universal de Paris de 1889. Toda a documentação reunida no blog Expo Paris 1889.

sábado, 18 de abril de 2009

368ª. Página Caldense


Projecto para Monumento
a Rafael Bordalo Pinheiro
da Autoria de Francisco Elias

Os meus agradecimentos ao Sr. Joaquim Baptista pela cedência da fotografia deste estudo de um projecto nunca concretizado.

367ª Página Caldense


Bordalo Contemporâneo
e Contemporâneos com Bordalo
[Bordalo Contemporâneo e Contemporâneos com Bordalo. Galeria NovaOgiva. Óbidos. 22 de Novembro a 31 de Janeiro de 2008]

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Café Literário

Café Literário

Autor Convidado

José Ricardo Nunes

Livro:
Versos Olímpicos


Chá de Limão, Rua Dr. Leão Azedo

Dia 17 de Abril de 2009 (Sexta-Feira)
21,30 Horas

Loja 107 partilhando leituras com a cidade

A Visitar 2 em 1


As Farpas

Agradecendo o contacto passo a responder a Ana que me enviou um comentário, salientando o facto de As Farpas serem da autoria de Ramalho Ortigão.

Com a devida vénia passo a transcrever a introdução à obra As Farpas, Coordenação de Maria Filomena Mónica, Principia, Novembro de 2004.

" A 17 de Junho de 1871, começaram a aparecer, nas bancas de Lisboa, uns opúsculos de capa alaranjada, decorados com o diabo Asmodeus - o génio impuro de que falam as escrituras - ostentando o título As Farpas. Na vertical, figurava o nome de Eça de Queiroz e, na horizontal, o de Ramalho Ortigão. Os caderninhos, cujo subtítulo era Crónica Mensal da Política, das Letras e dos Costumes, tinham cerca de 100 páginas. Eram uma obra colectiva: exceptuando duas cartas assinadas, os restantes artigos apareciam na primeira pessoa do plural. Durante os primeiros anos, a totalidade dos artigos foi redigida por Eça. A sua colaboração terminaria no número de Setembro-Outubro de 1872, quando partiu, como cônsul, para as Antilhas espanholas; a de Ramalho estender-se-ia ao longo de onze anos."

quinta-feira, 9 de abril de 2009

3.º Encontro de Escritores de Torres Vedras


Tive a honra e o prazer de ser convidada a participar no 3.º Encontro de Escritores de Torres Vedras. Eis a minha intervenção:

"Muito boa tarde.

Quero desde já expressar a minha alegria por me encontrar entre vós, partilhando esta mútua e confessada paixão pelos livros.

Desejo igualmente felicitar a organização desde 3.º Encontro de Escritores em Torres Vedras, e agradecer o seu amável convite.

Antes de prosseguir, permitam-me que me apresente: chamo-me Isabel Castanheira e sou livreira nas Caldas da Rainha, profissão que exerço desde os tempos em que os livros eram identificados pelos seus títulos e autores, bem longe da actual prática que os considera meros produtos, transaccionáveis como quaisquer outros.

Calculem pois, há quanto tempo comecei!...

Quando, há cerca de um mês atrás, recebi este desafio – participar no debate da mesa, a que coube tratar o tema:

«A Literatura Improvável – A Promoção da leitura fora dos Grandes Centros»

- e acedi ao convite, foi, acreditem, com uma grande dose de inconsciência, que o fiz.

Impõe-se abrir aqui um pequeno parêntesis: o tema inicial foi, entretanto, parcialmente alterado pela organização.

Dado o facto de, à data, já ter a minha intervenção escrita e não ter tido, entretanto, a oportunidade de a refazer, é ao tema inicial que obedece a minha apresentação.

Reli, pois, o tema proposto e pus a mim própria esta simples questão: o que poderia significar «Literatura Improvável»?

Um pouco perplexa, consultei um dos mais vulgares dicionários, e fiquei a saber que literatura é simplesmente um conjunto de «Escritos narrativos, históricos, críticos, de eloquência, de fantasia, de poesia, etc.…»

E que improvável, será «…o que não oferece probabilidade de se realizar».

Partindo destas premissas, pus a mim própria uma nova questão:

- Dar-se-ia o caso de, fora das grandes urbes, talvez sob a influência de um ambiente menos stressante, ou por via, quem sabe, da existência de uma atmosfera impregnada de pólens dos plátanos, ou ainda, porventura, sob o sortilégio de uma certa ruralidade histórica, poder a literatura transfigurar-se?

O que até então era provável, tornar-se improvável? Seria tudo uma questão de microclima, de latitude, de longitude…?

Consideremos então esta hipótese…

- Seria provável que Deolinda, o grande amor do Dr. Sidónio Rosa, personagem de Mia Couto, trocasse de páginas com a Laurentina de Agualusa?

- Seria provável Romeu apaixonar-se por Isolda, deixando a Tristão o campo livre para cair nos braços de Julieta?

- Seria provável a Maigret – sem disso informar Simenon – viajar para a enevoada Londres, na pista de Sherlock Holmes?

- Seria provável encontrar Sal Paradise, o aventureiro de Kerouac, a remar a remar, enquanto o velho marinheiro, do velho Steinbeck, feito motoqueiro, percorria o grande continente americano?

- Seria provável à camiliana Teresa de Albuquerque deixar Coimbra, obrigando a queiroziana Maria Eduarda à troca?

Ainda sem certezas plenas, continuei a pôr-me questões:

- Seria provável encontrar o Capitão Haddock a defender a inexpugnável aldeia gaulesa, enquanto Obélix, na companhia de Astérix e Ideafix, se propunha conquistar o Tibete?

-Seria provável encontrar Corto Maltese a passear pelo casco velho de uma sedutora Barcelona, enquanto David Martin desvendava os segredos de Veneza?

Uma última dúvida:

- Seria provável encontrar o gato Zorbas na floresta de Jorge Amado ao mesmo tempo que o Sapo Cururu – que nas horas vagas se dedica à crítica literária – vagabundeia pela Hamburgo de Sepúlveda?

- E longe de mim, muito longe de mim mesmo, equacionar a probabilidade de o príncipe encantado casar com o Chapelinho Vermelho ou a Branca de Neve ser comida pelo Lobo Mau.

E cheguei à conclusão que as minhas questões, que eu considerava muito prováveis, eram simples e totalmente improváveis.

Retomando o fio à meada, claro está que o conteúdo de um livro é sempre o mesmo, independentemente do local onde se encontrar.
Em Nova Iorque, em Londres, em Lisboa, nas Caldas ou em Torres, o Auto da Barca do Inferno será sempre o mesmo; a diferença residirá no facto de Gil Vicente nada significar para os nova-iorquinos ou para os Londrinos enquanto que, para parte da população escolar de Lisboa, Caldas ou Torres, é leitura recomendada.

Simplificando, a Literatura não é, nem mais nem menos do que livros e mais livros, editados a uma média – dizem – de 40 títulos novos por dia.

Pergunto então:

- A quem compete promover a literatura, no sentido mais lato do termo?

Numa primeira análise, compete aos organismos públicos que têm – ou de quem se diz que têm – essa função, sejam eles o Ministério da Cultura, o Ministério da Educação, a Direcção Geral das Bibliotecas, o Instituto Camões, ou o Plano Nacional de Leitura.

Quanto a mim, confesso-vos a, digamos assim, minha bipolarização: se, por um lado, sou uma amante dos livros, totalmente livre na sua escolha, por outro lado, como livreira, estou condicionada pelo objectivo final, que é a sua venda.

Por outro lado, como cidadã interessada pelo saber, compete-me também a divulgação dessa mesma cultura escrita. E posso fazê-lo em Grupos de Leitores, assistindo a conferências ou colóquios de divulgação literária, participando de encontros como este, ou simplesmente numa troca de impressões com um amigo, sobre o último livro lido.

Na minha qualidade de livreira – compete-me saber vender livros; e não fazer diferenciação entre «Boa» e «Má» literatura.

A opção pela escolha e eventual compra é do Cliente/Leitor, a quem eu tenho que disponibilizar uma oferta diversificada.

Chamemos, neste ponto, em nossa defesa, um dos nomes tidos por intangíveis: Fernando Pessoa, que na revista de «Comércio e Contabilidade», n.º 1, de Janeiro de 1924, escreveu:

«Um comerciante, qualquer que seja, não é mais do que um servidor do público; e recebe uma paga a que chama o seu «lucro», pela prestação desse serviço. Ora toda a gente que serve deve, parece-nos, buscar agradar a quem serve – mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações; partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós – mas do princípio que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não) nós é que devemos pensar como eles: o que temos que ver é como eles efectivamente pensam, e não como é que nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem.»

É claro, pois, que posso influenciar a escolha do cliente, se a minha opinião for aceite.

Como livreira, tenho outra forma de promover um livro ou um escritor: convido-o a participar num Café Literário, e torno possível o contacto directo entre esse autor e os seus leitores; mas nada de ilusões: o propósito final é a venda dos livros desse autor.

Neste momento, confesso, que o que menos me preocupa é a Literatura e a sua divulgação.

O que me preocupa é a necessidade de vender livros.

Disse-vos há pouco, que temos todos os dias 40 títulos novos a chegarem ao mercado.

E é aqui é que reside o cerne da questão:

- Como ter conhecimento atempado dessa oferta?

- Como conseguir vender esses cerca de 1000 novos títulos mensais?

- Como dar a conhecer ao meu potencial cliente a sua existência?

- Como conquistar mercado num sector tão fragmentado?

- Como fazer a gestão económica desta oferta?

Não vale a pena estar com um discurso «politicamente correcto» por isso serei franca: não me interessa se o livro que vendo é considerado de conteúdo «literário» ou não; interessa-me sim vendê-lo, tanto mais quanto reconheço que a nossa sociedade actual, não conta a leitura no número das suas principais prioridades.

Já o efeito devastador do actual contexto económico nacional reflectido na minha actividade comercial preocupa-me e muito.

Não posso pois, de modo algum, dar-me ao luxo de assumir uma postura elitista e recusar probabilidades de vendas, seleccionando a qualidade literária dos livros que disponibilizo na minha livraria. Selecciono sim, mas aqueles que eu leio.

Por outro lado, o meu mercado não me permite uma especialização. Sou obrigada a ser especializada em generalidades.

Não é uma opção; é uma questão de sobrevivência, imposta pelas particularidades do contexto em que estou inserida.

Não é, seguramente, a vender a «Critica da Razão Pura» de Kant, ou o «Ulisses» de James Joyce, que uma livraria como a minha, consegue subsistir.

E vou confessar, correndo, quem sabe, o risco de ser convidada a sair, que não me importava nada – dava-me até muito jeito – ter amanhã, para vender, uma qualquer nova «Carolina Salgado». Acreditem porém que me custa muito admiti-lo.

Apesar do exposto, tenho e terei sempre o maior orgulho e prazer em ser a anfitriã de alguns dos mais ilustres escritores do nosso universo literário.

Conto receber muitos mais, se possível, muitos mais do que aqueles que já tive o gosto de receber até agora – e já foram mais de meia centena – sob o signo da partilha de leituras com a minha cidade.

Também tenho um agrado muito especial em alimentar um blog sôfrego de informação bibliográfica, quase toda relacionada com a história ou personalidades caldenses, resultante de mais de vinte anos de pesquisa e coleccionismo.

E a finalizar, novamente as palavras de um amigo: Fernando Pessoa

É verdade ou não, que:

O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.

Muito obrigada."

Torres Vedras, 28 de Março de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

366.ª Página Caldense

GRANDELA E A FOZ DO ARELHO
VASCO TRANCOSO

"Onde um mar agreste e uma costa desfavorável impediram o destino oceânico das populações, a lagoa ofereceu uma alternativa: a caça, a pesca, a recolha do limo, a apanha dos bivaldes e crustáceos, a agricultura nas várzeas que a marginam.
[...]
Grandela partilhava com o seu amigo Bordalo Pinheiro um encantamento pela região Caldas-Foz do Arelho.

Descobriu a Foz do Arelho nos últimos anos do século XIX, quando frequentava as Termas das Caldas, por conselho médico, para recuperar de uma fractura numa perna."

[Grandela e a Foz do Arelho. Vasco Trancoso. PH-Património Histórico - Cadernos de História Local n.º 6 - 2.ª Edição - Março de 2009]

A Mulher de Vestido Vermelho


Uma figura feminina longilínea ocupa o centro da cena; as pregas do seu vestido vermelho estampado a branco caem elegantemente escondendo um corpo que se prevê magro e ossudo.

Um cacho de uvas pretas de aspecto carnudo suporta o peso de um Zé-Povinho deitado de bruços, apoiando a cara nas mãos abertas em forma de concha. Olhos fechados, numa atitude de indiferença, como que meio adormecido, ausente do que se possa em seu redor.

Algumas parras sob as uvas rasgam o chão, acentuando os seus contornos aguçados.

Junto à cabeça do Zé erguendo uns finos braços ao alcance do seu chapéu, uma figura esquelética de criança. Logo atrás, um colo feminino embala outro corpo infantil. Dominando a cena, em pano de fundo, uma figura feminina de formas que se adivinham voluptuosas, envolta num manto cor térrea, ajeita ternamente o cabelo loiro da mulher vestida de vermelho.

Na parte superior da composição artística, um casal de sombrios corvos, empoleirados num ramo fino que se estende de um tronco seco que se ergue na zona limite direita.

Em traços ténues e finos, à esquerda, alheios à dramatização figurada, alguns pares dançam enleados ao som de uma música imaginada.

Esta página, publicada a 26 de Janeiro de 1901, nas páginas centrais de A Paródia, é da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. Tem por título: “A Actualidade – Fantasia”. Se mais não tivesse publicado, bastava a arte desta página para inscrever o nome do seu autor nos anais da nossa cultura. Um trabalho com um traço de vincada influência arte nova, surpreende-nos pelo contraste entre a sua harmonia estética e a dureza da mensagem que transmite.

É a critica social, em que o riso se transforma num esgar trágico.

Uma última nota: as cores. Neutras, castanhos de vários tons, beijes, cinzas e depois rasgando à vertical a página, um vermelho luminoso, cor de sangue.

Falta, por fim, identificar a legenda: “A Indiferença Mascara a Miséria”.

Esta composição podia ter sido assinada ontem ou hoje. É de uma actualidade impressionante. Sedutoramente a miséria mascarada, face a uma indiferença dolorosa de um espectador ausente. Não estamos nós hoje a viver num mundo de fantasia, que nada tem de real e em que a miséria é ocultada?


É esta a minha homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro, passados que são 136 anos do seu nascimento.

O Mestre nasceu no dia 21 de Março de 1846, na Rua da Fé, em Lisboa. Comemoram-se nesta mesma data, os dias Mundial da Poesia e da Árvore; quanto a efemérides, Rafael está em boa companhia.
[Publicado na Gazeta das Caldas de 28 de Março de 2009]

quarta-feira, 25 de março de 2009

364.ª Página Caldense

MUSEU DE JOSÉ MALHOA
Roteiro
Mercado das Caldas da Rainha, 1940
Alberto Sousa
Aguarela 38x54 cm
[Página 62]

[Museu de José Malhoa. Coordenação Matilde Tomaz do Couto / Clara Mineira. Edição: Instituto Português de Museus. 1.ª Edição - Julho de 2005. ISBN 972-776-221-2]

terça-feira, 24 de março de 2009

Convite

Os alunos da Escolal Raúl Proença da área projecto, consideraram como objecto de estudo a obra do Ferreira da Silva - Jardim das Águas - a crescer junto ao Hospital e perto do Chafariz das 5 Bicas.

Dão-nos a conhecer o seu trabalho e propostas apresentando o projecto denominado Cidade das Águas - Projecto de Requalificação Urbana, na próxima quinta feira - dia 26 de Março - pelas 22.00 horas, no Cheap n'Chic Café do CCC.

A não deixar de participar.

sábado, 21 de março de 2009

Efeméride

Há precisamente 163 anos nasceu - na Rua da Fé em Lisboa - Rafael Bordalo Pinheiro.
A Actualidade
Fantasia
A indiferença mascara a miséria