CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sexta-feira, 6 de março de 2009

360.ª Página Caldense

O TRIPEIRO
2.º ANO - NR.º 50 - 10 DE NOVEMBRO DE 1909

Um Ramo de Flores
Páginas 217 e 218
Artigo assinado por Eduardo Sequeira
Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro

[…]
"Rafael Bordalo Pinheiro, em companhia dos representantes dos jornais de Lisboa, veio assistir às festas portuenses e buscar assunto para as páginas hilariantes do António Maria, onde fustigou os ridículos das manifestações sindicateiras e despiedadamente troçou, em alfinetadas para sempre celebres, um pretendido atentado contra o poeta Gomes Leal, então, como hoje e sempre, fero inimigo de todas as testas coroadas.

Bordalo Pinheiro enquanto se hospedou no Porto, foi positivamente o menino bonito de toda a mocidade literária e divertida do norte do país, que positivamente o trouxe ao colo, especialmente em uma visita a Braga, que só por si merecia pormenorizado relato, se o assunto não estivesse fora da justa orbita onde navega O Tripeiro.[…]

[O Tripeiro. Repositório de notícias portucalenses, publicando-se nos dias 1, 10 e 20 de cada mês. Director e Proprietário: Alfredo Ferreira de Faria. Administração e Redacção: Rua Formosa, 199 Porto. Composto e Impresso na Cooperativa Graphica. Gravuras do Atelier de Gravura Chimica.]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mulheres Leitoras

Retrato de uma Jovem Mulher
Jean-Marc Nattier (1685-1766)
Museu do Louvre
Carta de Amor
Fernando Botero

359.ª Página Caldense

MEMÓRIAS DO TEMPO
Dos Finais da Monarquia à Primeira República

[Memórias do Tempo. Exposição. Dos Finais da Monarquia à Primeira República. Museu do Ciclismo, Rua de Camões n. 57 - Caldas da Rainha. Coordenação Mário Lino. Sem data (2008 ?)]

segunda-feira, 2 de março de 2009

358.ª Página Caldense

LOIÇA DAS CALDAS
Colecção de Duarte Pinto Coelho

"A colecção de louça das Caldas de Duarte Pinto Coelho, que agora se mostra, tem um núcleo central que é precisamente constituído por peças de Manuel Mafra e seus "seguidores". São sobretudo pratos puramente decorativos de inspiração "Palissy", cobertos de "musgo", de répteis, batráquios e insectos relevados, jarros com decoração idêntica mas desino funcional, tal como as jarras que evocam diferentes modelos renascentistas, os bules, as vasilhas e os castiçais com formas animalistas ou que utilizam representações de animais como adereço decorativo."

Vasilha de Aguardente
Faiança policroma, último quartel do século XIX. João Coelho Cezar.


[Loiça das Caldas. Colecção Duarte Pinto Coelho. Galeria das Exposições Temporárias Museu de Artes Decorativas Portuguesas. Novembro de 1995. Edição: Fundação Ricardo do Espirito Santo Silva.]

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

357.ª Página Caldense

Umas breves palavras sobre o livro desta Página Caldense.

Não é um livro. É um livrinho; tanto pelas suas modestas dimensões, 14 por 10,5 centímetros, como pela sua vetusta idade. A sua edição remonta a 1878. Com 38 páginas numeradas, perde-se no meio dos exemplares mais robustos. Apesar do seu tamanho, este livrinho (como eu gosto de lhe chamar) é uma verdadeira preciosidade.

O seu título. “Origem do Real Hospital e da Villa das Caldas da Rainha com mais alguma noticia interessante assim histórica como archeologica, e também acerca da virtude das aguas mineraes da dita villa”.

O seu autor: D. Luis Vermell y Busquets (o peregrino espanhol),”Pintor, e esculptor-entalhador da Real Casa de Sua Magestade o Senhor D. Fernando.”

Editado em Lisboa na “Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, impressor da Casa real, Rua dos Calafates, 110

Falta informar que é um “excerpto do tomo VI da obra inédita das viagens”, do autor.

A páginas 32, um capítulo que suscitou o meu particular interesse, intitulado:

“Quatro palavras acerca da villa das Caldas da Rainha

Tem esta Villa 4.000 habitantes que muitos possuem um quinhão de terra; outros vivem da productiva colheita dos banhos como já se disse; alguns de commercio e venda de rendas brancas feitas em Peniche; outros de oleiros e mais trabalhos de louças de utilidade e de mero adorno. Este ultimo producto é d’um género especial e exclusivo d’esta localidade e são três os principais fabricantes o sr. Francisco de Souza, o sr. Manuel Mafra e a sr.ª Henriqueta chamada a viúva. Esta industria é exercida por jovens do sexo masculino e feminino que dá gosto vel-os trabalhar, aquelles com engenho e facilidade, e estas com dedicadeza; elles construindo formas e d’ellas tirando mil objectos, figuras e animais cujos corpos que de propósito saem mutilados, logo os membros de pernas, braços e orelhas conforme o animal, são soldados com a maior frescura e graça do mundo; ellas lavrando uns cestinhos como de junco, pratos para collocar frutas e infinidades d’outros objectos engraçados que é um prazer observar estas tranquillas e separadas oddicinas. O mais admirável d’estes obreiros é que nenhum sabe dezenho, e que até inventam! Porém é sensível que se não dedicam a estudar a arte que em todas as peças lhes falta! E que muitas com menos trabalho, isto é, mais sóbrias de ornato seriam mais lindas. Enfim, ainda com os adiantamentos que na forma e na cor lhes faltam a estes trabalhos de louça, o caso é, que é muito sympathica e incita adquirir algum exemplar, pois alguns, sobretudo de animaes e vegetaes formados do natural, traz alguma recordação dos afamados feitos na Itália séculos atraz.”

O conteúdo deste pequeno grande livro obriga a que volte ele. Transcreverei outros capítulos. É a visão abalizada de um turista em passeio pela nossa cidade, passados que são cento e trinta e um anos. É meu desejo que seja do agrado dos eventuais leitores destas páginas caldenses. Tanto como me agradou a mim partilhá-lo.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carta Aberta

Carta Aberta apela à salvaguarda da Fábrica Bordalo Pinheiro

Segundo noticia publicada no Diário de Notícias de hoje, "profissionais da arte de património, estão a apelar, em carta aberta, a uma intervenção do Estado para que a Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, seja salva de um futuro incerto. Os autores exortam o primeiro-ministro, José Socrates, a intervr no sentido de salvaguardar a integridade do espólio do artista ainda existe na empresa."

O documento encontra-se alojado em:

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

356.ª Página Caldense

HERCULANO ELIAS
Miniaturas em Terracota

"Herculano Elias, nasce em Caldas da Rainha em 7 de Julho de 1932. Descende de uma família de ceramistas, cujos nomes é relevante destacar: seu tio-avô Francisco Elias (O Mestre Elias, criador do Ramo das Miniaturas em barro); o avô Herculano Elias, ambos discipulos de Rafael Bordalo Pinheiro e, seu primo Eduardo Mafra Elias. Ligado à família, Manuel Cipriano Gomes (o Mafra), o ceramista mais qualificado e com obra notável, anterior a "Mestre" Rafael Bordalo Pnheiro.

Herculano Elias desenvolve a barrística desde os 5 .anos de idade. Vê a luz do dia pela primeira vez, ao lado da oficina do avô, onde toma o seu baptismo num tanque de barro, aos 2 anos."[...]

[Herculano Elias. Miniaturas em Terracota. Junta do Turismo da Costa do Estoril. 29 de Novembro / 13 Dezembro. Sem indicação de ano.]

Novo Blog


Boas vindas ao Nicolau Borges com o seu blog Velaturas

domingo, 22 de fevereiro de 2009

355.ª Página Caldense

BORDALO CARICATURAS
Para desenhar, Recortar e Pintar

[Bordalo Caricaturas para desenhar, recortar e pintar. Museu Rafael Bordalo Pinheiro.Design Gráfico Silva! Créditos Fotográficos: Luisa Lopes, José Manuel Costa Alves. 2006. ISBN 972-8403-27-5]

sábado, 21 de fevereiro de 2009

354.ª Página Caldense

O ENTRUDO
A Toilette
"Como nós queremos transformar este gajo..."

PARÓDIA COMÉDIA PORTUGUESA
N.º 2, 21 de Janeiro de 1903

RAFAEL BORDALO PINHEIRO

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

António Lobo Antunes entrevistado

[Ilustração de Susana Monteiro que acompanha a crónica de António Lobo Antunes, publicada na Visão de 19 de Fevereiro de 2009]

Folhas numa mão aberta ...

Há dois dias atrás, António Lobo Antunes concedeu uma grande entrevista ao Diário de Notícias.

Hoje, quinta feira a revista Visão publicou mais uma crónica sua.

O escritor anunciou que vai escrever mais dois livros e depois remete-se à solidão de uma escrita não partilhada.

Quando António Lobo Antunes nos permite um olhar fugidio à sua intimidade, surpreende-nos; confessa-nos o fim de um ciclo, que se completa quando tudo o que tinha que escrever já considera tê-lo feito.

Tive o privilégio de ter sido anfitriã de António Lobo Antunes, por cinco vezes.

Confesso o meu fascínio pela sua escrita, apesar de não deixar de sentir que ele brinca comigo, como o gato joga com o rato. Diverte-se (o escritor) a provocar-me (a sua leitora), com as palavras, as personagens, as armadilhas feitas de frases… Percebeste-me? Compreendeste-me? Então, acompanhas-me ou não?...Desistes? …

E lá vou eu, como que encantada, numa leitura feita de ternuras, de sentimentos fortes, de personagens que extravasam dos páginas dos livros e que me acompanham na vida.

As suas frases, por vezes inacabadas… O seu sorriso meigamente irónico… Os seus silêncios…

... Já sinto a nostalgia, por saber que daqui a pouco tempo já não terei mais um livro em que ele me escreva: Para a Isabel com amor …António

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

353.ª Página Caldense

RELATÓRIO
"Das expedições a Madrid, por onde se prova o desenvolvimento material e moral da nossa raça, segundo as teorias de Darwin." "Francamente, se isto é o aperfeiçoamento da minha especie, sinto-me feliz por me ter conservado no primitivo estado de gorila..."

O ANTÓNIO MARIA, 3 DE MAIO DE 1883 [Página 144]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

352.ª Página Caldense

O ANTÓNIO MARIA, 26 DE MARÇO DE 1892
RAFAEL BORDALO PINHEIRO


[ - Até que emfim vamos ser considerados gente! ... gritam os gatos, em coro, sabendo da contribuição que sobre suas cabeças vae pesar.
Sentidas condolencias ao nosso amigo Fialho d'Almeida pelo enorme imposto que terá de pagar.]


"Meus Senhores, aqui estão os gatos!

Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato.

Ao crítico deu ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ronrom e a garra, a língua espinhosa e a câlinerie. Fê-lo nervoso e ágil, reflectido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até à tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários. Um pouco lambeiro talvez perante as coisas belas, e um quase nada céptico perante as coisas consagradas; achando a quase todos os deuses pés de barro, ventre de jibóia a quase todos os homens, e a quase todos os tribunais, portas travessas. Amigo de fazer jongleries com a primeira bola de papel que alguém lhe atire, ou seja um poema, ou seja um tratado, ou seja um código. Paciente em aguardar, manso e pagado, com um ar de mistério, horas e horas, a surtida de um rato pelos interstícios de um tapume, e pelando-se, uma vez caçada a presa, por fazer da agonia dela uma distracção; ora enrolando-a como um cigarro, entre as patinhas de veludo; ora fingindo que lhe concede a liberdade, atirando-a ao ar, recebendo-a entre os dentes, roçando-se por ela e moendo-a, até a deixar num picado ou num frangalho.

Desde que o nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o burro, o cão e o gato - isto é, o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia - porque não escolheremos nós o travesti do último? É o que se quadra mais no nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro.

Razão porque nos acharás aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca.”

Fialho d'Almeida
Os Gatos [Prefácio]

[Entre 1889 e 1894, Fialho de Almeida escreve "Os Gatos, Publicação Mensal d'Inquérito à Vida Portuguesa", um conjunto de crónicas jornalísticas. São várias as referencias a este escritor na obra gráfica de Bordalo. É bem conhecida a jarra Fialho de Almeida, oferecida pelo artista ao seu amigo escritor.]