CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

343.ª Página Caldense

O ANTÓNIO MARIA
N.º 469, 14 DE ABRIL DE 1898

O CALDEIRÃO DA POLITICA

(Impressões de um Cozinheiro)

Politica: - Que tal achas?

: - Semsaborão! Falta de tomates!

Assinado: Rafael Bordalo Pinheiro

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

342.ª Página Caldense

ROTEIRO ARTESÃO PORTUGUÊS
ESTREMADURA

"Zé pacóvio
Zé povinho
Por tais nomes sou crismado.
Dai-me destas, dai-me vinho
Se me querem animado!

Assim nada m'importa,
Esta vida são dois dias
Quer vá direita ou torta
Nada me mete arrelias.

Perseguido e vencido
Tal sorte nunca me larga.
Hei-de ser até morrer
Eterno burro de carga.

Extraído de um texto de Calderon Dinis, intitulado Tipos e Factos de Lisboa do Meu Tempo." [Página 62]


[Roteiro Artesão Português 8. Estremadura. Maria Natália Almeida D'Eça. Edição de Autor. 1.ª Edição 1000 exemplares. 1995.]

1.º Encontro de Bloggers do Oeste







Para quem já leu o post a propor a realização do 1.º Encontro de Bloggers do Oeste, solicitamos que anotem a alteração da data do dia 14 para 21 de Março. Tudo o mais mantem-se.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

1.º Encontro de Bloggers do Oeste

O amigo Zé Ventura lançou o repto: concordei de imediato. Vamos promover o 1.º Encontro de Bloggers do Oeste.

Como não poderia deixar de ser, recomenda-se uma jantarada, que será no dia 21 de Março, sábado, pelas 20,00 Horas. Local escolhido: O Zé do Barrete, na Cova da Onça.

As inscrições (nome do participante, nome do blog e número de telemóvel), podem ser feitas na
Electrolider, ou na
Loja 107, Livraria (ambos na Rua Heróis da Grande Guerra, em Caldas da Rainha)
ou por meio dos seguintes endereços electrónicos:
zeventura@netvisao.pt
loja107@sapo.pt

Quanto ao custo do jantar, saber-se-á na altura do pagamento.

Será que nesse dia, iremos jantar o Zé Ventura e eu, ou teremos companhia?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

341.ª Página Caldense

BORDALO

Sobretudo no verão de pouco serve
Salvo a chimpanzé de pano de pó
A vida cabe num instante breve
Passa na travessa um sol-e-dó

Amanhã ficamos em Fernão Pó
E para que a noite seja leve
Dormimos os dois numa cama só
- Olha-me a ideia que ela teve

Mais assassina inesperada rima
Que do meritíssimo o veredicto
Desilude a gente mas anima

Um bote de artista que não falha
E ao apurar a gesta da navalha
Assina a sorte com um manguito

Júlio Pomar
[Jornal das Letras, 28 de Janeiro - 10 de Fevereiro de 2009]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

De novo, Eça

Há anos de grande actividade política; por princípio, todos eles o são. Mas uns, são mais do que outros (ter Orwell à mão é sempre uma mais valia…).

E o presente ano promete: eleições para a Parlamento Europeu, eleições para a Assembleia da República e eleições Autárquicas.

Certamente que a esta hora já existem muitos putativos candidatos, preocupados com sua preparação física, mental e cultural para se posicionarem favoravelmente nos lugares de partida, e de preferência nos de chegada.

Consciente da minha responsabilidade social, imbuída de grande sentido de cidadania, quero contribuir positivamente para essa aprendizagem.

Convidei para me acompanhar nesta árdua e mui responsável tarefa, Eça de Queiroz.

Fruto da argúcia, inteligência e sentido crítico da pena queiroziana, emocionada e persuadida da sua utilidade pública, passo a transcrever:

[capa de "As Farpas", de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, editado em 1871, ilustração de Manuel Macedo ]

“Junho 1871

Há muitos anos a política em Portugal apresenta este singular estado:

Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente, possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder… O poder não sai de uns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, numa explosão de risadas.

Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os que lá não estão - os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do país, e outras injúrias pequenas, mais particularmente dirigidas aos seus carácteres e às suas famílias.

Os outros , os que não estão no poder são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais - os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do país e da pátria.

Mas, cousa notável!

Os cinco que estão no poder fazem tudo o que podem – intrigam, trabalham para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do país, durante o maior tempo possível! E os que não estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de se- o mais depressa que puderem - os verdadeiros liberais, e os interesses do País!

Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros - os verdadeiros liberais - entram triunfalmente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do país; e os que caíram do poder, resignam-se, cheios de fel e de tédio - a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.

Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu torno esbanjador da fazenda e ruína do País….

Não hã nenhum que não tenha sido demitido ou obrigado a pedir a demissão pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis…

Não há nenhum que não tenha sido incapaz de dirigir as coisa públicas - pela imprensa, pela palavra dos oradores, pela pela acusação da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador…

E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o país neste caminho em que ele vai, feliz, coberto de luz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num choito* tão triunfante!

Ora dá-se na política um caso singular:

Um homem é tanto mais célebre, tanto mais consagrado, quantas mais vezes tem sido ministro - isto é, quantas vezes mais vezes tem sido incompantível com a felicidade do país, quanto mais vezes tem montrado a sua incapacidade nos negócios!

Assim o Sr. Carlos Bento foi uma primeira vez ministro da fazenda; teve a sua demissão, e não foi naturalmente pelos serviços que estava fazendo à sua pátria, pelo engrandecimento que estava dando à ceita pública, etc… se caiu foi porque naturalmente a opinião, a imprensa, os partidos coligados, o poder moderador, etc, o julgaram menos conveniente para administrar a riqueza nacional.

Por isto foi ministro da fazenda uma segunda vez: caiu; mostrou de novo a sua incompatibildade, ou a sua inapacidade – pelo menos assim o julgou por essa ocasião, o poder moderador. E a importância do Sr. Carlos Bento cresceu!

Por consequência foi terceira vez ministro: caiu; devemos portanto ainda supor que naturalmente deu provas de não ser competente para estar na direcção dos negócios. E a sua importância aumentou, prodigiosamente.

É novamente ministro: se tiver a fortuna de ser derrubado do poder, se tiver a extrema felicidade de ser convencido, pela opinião, duma incapacidade absoluta, será elevado a um título, dar-se-lhe-ão embaixadas, entrará permanentemente no Almanaque de Gota.

[Eça de Queiroz - Página de "O Besouro", de 4 de Maio de 1878, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro]


E o quem não conseguiu sendo espirituoso e fino, alcancá-lo-à logo que o poder moderador , demitindo-o, tenha provado que ele é incapaz.

Honrada política! Tu és santa, bela, pura, imaculada, coberta de coisas!

Ora tudo isto nos faz pensar que:

Quanto mais um homem prova a sua incapacidade, tanto mais apto se torna para governar o seu país!

O que fará proceder o chefe do estado da seguinte maneira seguinte na apreciação dos homens:

O menino Eleutério fica reprovado no seu exame de francês. O poder moderador deita-lhe logo o olho.

O menino Eleutério, continuando a sua bela carreira política, fica reprovado no seu exame de história. O poder moderador, alvoraçado, acena-lhe com um lenço branco.

O caloiro Eleutério, fica reprovado no 1.º ano da faculdade de direito. O poder moderador exulta e quer a todo o transe ter com com ele umas falas.

O sr. Eleutério fica reprovado no 5.º ano. O poder moderador não pode conter o júbilo e fá-lo ministro da justiça.

E a opinião aplaude.

De modo que, se um homem pudesse apresentar-se ao chefe do estado com os seguintes documentos:

Espírito de total modo bronco que nunca pôde aprender a somar;

Estupidez tão espessa que nunca pôde distinguir as letras do A B C ;

Reprovações sucessivas em todas as matérias de todos os cursos.

O chefe do Estado tomá-lo-ia pela mão, e dir-lhe-ia, sufocado em júbilo :

- Tu Marcellus eris! Tu serás, para todo o sempre, presidente do conselho!"

Eça de Queiroz

[Eça de Queiroz n' O António Maria, de 15 de julho de 1880, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro]

[Nota: texto transcrito de As Farpas.Crónica mensal da política, das letras e dos costumes. Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão. Coordenação geral e introdução Maria Filomena Mónica. Principia, 1.ª Edição, 2004]

PS: Comento-me a mim mesma: saboriei cada palavra deste texto de Eça. A ironia em política é uma arma fatal ...

A Visitar

Biblioteca Multimédia Online da Europa


Os meus agradecimentos à Dra. Matilde Tomaz do Couto pela informação

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ferreira da Silva

HOMENAGEM A FERREIRA DA SILVA
DOMINGO - DIA 1 DE FEVEREIRO DE 2009 - CCC
PROGRAMA

16.00h - Exibição do documentário “Gravura, esta mútua aprendizagem”, de Jorge de Silva Melo
17.00h - Mesa redonda sobre os caminhos da cerâmica portuguesa contemporânea, com a presença dos mestres Querubim Lapa, Eduardo Nery e Ferreira da Silva, e do Dr. Paulo Henriques (director do Museu de Arte Antiga). Moderador: Prof. João Serra.
18.00h. – Retrospectiva breve da obra cerâmica de Ferreira da Silva através de imagens (João Serra, Margarida Araújo)
18.20h - Apresentação das Linhas Gerais do Programa da Festa da Cerâmica 2009
18.40h - Inauguração de uma peça da autoria de Ferreira da Silva no foyer do Centro Cultural e de Congresso

Recomendamos uma visita

http://www.spamcartoon.com

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Reportagem à Distância


Tenho por hábito quase diário uma visita ao Blogtailors, da responsabilidade dos Booktailors.

É um blog cujo conteúdo incide sobre o universo editorial, livreiro e cultural; os textos são tratados com grande actualidade, seriedade e profissionalismo.

Considero este blog uma fonte de informação profissional de consulta obrigatória, tanto mais que não me encontro propriamente onde as coisas "importantes" se passam; quer a gente queira quer não, é em Lisboa, que quase tudo vai acontecendo (pelo menos noticiado).

Qualquer notícia referente ao vasto mundo dos livros, nas suas mais variadas vertentes, é transcrita pelos autores deste blog. E os diversos "postes" são frequentemente enriquecidos com os comentários que suscitam.

Por vezes, lá surgem umas opiniões mais discordantes; mas a polémica é saudável, é, não é?

Ontem, ao fim da tarde decorreu na Casa Fernando Pessoa a apresentação do livro “Livros em abundância” da autoria de Gabriel Zaid; uns dias atrás neste blog, este livro mereceu-me uma muito ligeira reflexão.

Personalidades de fortes nomes na área do livro, foram os seus apresentadores: editores, escritores, tradutores.

A novidade está no facto de Blogtailores ter utilizado uma nova ferramenta chamada twitter, possibilitando assistir à distância e quase em tempo real à conversa a recorrer em Lisboa.

Minuto a minuto o repórter de serviço, Paulo Ferreira, ia transcrevendo as ideias chaves expressas pelos participantes, todos eles de grande experiência e profundos conhecedores do assunto em questão.

Só tomei conhecimento das frases chaves e não do discurso total; penitencio-me pelo facto, porque esta conversa era merecedora de uma deslocação a Lisboa. Mas tal não foi possível.

E lamento muito mais porque a informação que até mim chegou, deixou-me com água na boca; soube-me a pouco.

Será que foi falada a actual situação do livro em Portugal? Falou-se ou não que também por cá se publicam livros a mais? Referiu-se a situação difícil sentida por grande parte dos intervenientes do sector? Foi referida a taxa de leitores? E de compradores? E das diferenças de práticas comercias praticadas?

Voltemos ao Blogtailores: podemos ler neste blog notícias referentes às situações de profunda alteração de mercado vividas por este sector em países como, Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, etc.

Noticias que nos digam directamente respeito; salvo erro, uma única: o lamentável fecho da Byblos.

Nada se passa por cá? Vivemos no melhor dos mundos?

Não tenho essa percepção.

Será que quando as coisas correm menos bem, fazemos como a avestruz? Lá metemos a cabeça dentro de terra e esperamos que o tempo passe e que ninguém dê por nós?

E nem sequer falamos no assunto, com receio de sermos apelidados de fracos ou falhados?

Está ou não instalada uma crise no nosso sector editorial e livreiro? Gostava de ver debatido este assunto. Ou ando eu a ver fantasmas onde eles não existem, talvez influenciada pela duplo centenário de Edgar Allan Poe?

Pelo sim, pelo não, recomendo a mim mesma que não comemore efemérides...
[A ilustração inicial deste "poste" é, como não podia deixar de ser, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro]

Café Literário

Café Literário

Autor convidado: António Eloy

Livro: Ambiente Letra a Letra

Local: Café Mazagran

Dia 28 – Quarta-feira
Horas: 21,30

Realização: Loja 107, Livraria
e
Núcleo Oeste da Amnistia Internacional

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

340.ª Página Caldense

CARANGUEJO Fábrica Bordalo Pinheiro
[Fotografia de João B. Serra]

"Estando o caranguejo sob uma pedra para apanhar os peixes que se metiam lá debaixo, veio a maré cheia com grande precipitação de pedras que, ao rebolarem, esfacelaram o caranguejo."

Leonardo da Vinci [in: Bestiário, Fábulas e Outros Escritos. Leonardo da Vinci. Selecção, tradução e apresentação de José Colaço Barreiros. Biblioteca de Editores Independentes, Novembro de 2007]

domingo, 18 de janeiro de 2009

339.ª Página Caldense

As Madres


Nas notícias ultimamente publicadas em vários órgãos de comunicação social, acerca da difícil situação vivida pela Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro, fala-se muito das “madres”.

Refere-se sobretudo a necessidade de preservar as “madres” ainda existentes e que remontam ao tempo de Rafael Bordalo Pinheiro ceramista nas Caldas.


Mas sabemos nós do que falamos, quando falamos das “madres”?

Tentando dar uma achega ao assunto, recorri à página da Internet da responsabilidade de Cencal (Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica), dali recolhendo um pequeno texto do ficheiro intitulado “Elementos Constituintes do Processo Cerâmico", ao qual anexei um conjunto de fotografias de madres existentes na Fábrica.


Quero expressar o meu agradecimento ao sr. Formigo, que me conduziu pelos corredores do armazém onde estão bem guardadas as madres, classificadas e identificadas, fruto de um trabalho de minúcia e de extrema dedicação. Agradecimentos extensivos à Elsa Rebelo.


O texto intitula-se: “Caracterização e constituição de uma peça de cerâmica”, que passo a transcrever:

“Para se reproduzirem peças em cerâmica industrialmente, é necessário que estas passem por um processo mais ou menos elaborado até que se consiga obter a peça final.


Estes processos iniciam-se cm a definição do processo de conformação, a partir do qual a peça será reproduzida, e com a execução dos modelos em gesso ou barro, pode-se utilizar as técnicas de facetamento, torneamento, escantilhão, manuais ou mistas. Depois de se ter definido o processo de conformação e se ter optado por uma das técnicas para construir o modelo, é necessário executar o molde original que reproduzirá a forma do modelo. Este molde originalmente também está ligado ao processo de conformação, sendo a sua forma final definida por este.


Para que se possam posteriormente reproduzir vários moldes iguais, é necessário construir uma madre de cada uma das partes que o compõem, podendo ser constituídas em gesso, resina ou silicone.


A última etapa, antes do processo de conformação, é a reprodução a partir das madres, de vários moldes de produção que irão alimentar cada uma das máquinas ou das mesas de enchimento. O processo de conformação pode ser feito por via líquida ou pastoso, existindo para o efeito vários tipos de máquinas. As peças, posteriormente acabadas, serão secas e cozidas.


No final, as peças em barro são decoradas e novamente cozidas. Em alguns casos, podem ser cozidas só uma vez em mono cozedura, porque se coze a pasta e o vidro ao mesmo tempo anunciando una etapa, ou no inverso ser necessário cozê-lo três vezes quando existe uma decoração de terceiro fogo que tem de ir novamente ao forno depois de aplicada sobre um vidro cozido.”

PS: Este texto refere o actual processo de constitução de uma peça cerâmica, em tudo semelhante à utilizada no tempo de Bordalo, à excepção da utilização de materiais como por exemplo o silicone.