sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
337.ª Página Caldense

domingo, 4 de janeiro de 2009
336.ª Página Caldense
335.ª Página Caldense
A SEMANA
"Muita falta de assuntos a primeira semana do ano novo…
Ao começar julgámos que os altos poderes políticos que nos regem, empanturrados de peru e broa de milho ao ponto de se lhe tocar com dedo, estavam em casa estendidos sobre o fofo sofá de molas, de coletes desabotoados para facilitar a operação do chylo, não tardando porém que, uma vez satisfeitas as urgências da digestão, saltassem lestos para o seio da representação nacional, desabotoando aí os alçapões da eloquência sobre as importantes questões que se acham fermentando no amassadoiro das reformas.
Qual carapuça!...
A política impanzinada chegou ao parlamento de língua de fora, não lhe sobrando o fôlego senão para nomear comissões, n’aquela azáfama de afazeres de quem não tem nada que fazer.
Abençoadas broas e abençoado peru! Ao menos, em quanto se opera aquela digestão de jibóia e a politica descansa a nomear comissões, em vez de se ocupar em lançamentos de decimas,
Descansamos nós também
No chão deitados de costas;
Que em quanto o pau vai e vem
Sempre vão folgando as costas…"
334.ª Página Caldense
A ANO NOVO
"Ei-lo! O jovem recém vindo!
- Ora, então, seja bem vindo
Ao país formoso e lindo
Onde cresce a laranjeira…
Aos seus dons faço justiça,
Mas hei-de ir logo ir ouvir missa,
Porque, enfim, sempre me enguiça,
Começando à quinta feira…
Além d’este, só existe,
Mais funesto que lemiste,
Outro agoiro negro e triste,
Que me oprime e que me pese:
- Fora se o ano aziago,
Abrenúncio! Saramago!
Além do dia presságio,
Começaste em dia 13!...
Mas, com meio enguiço apenas,
Virão misérias pequenas;
E, com rezas e novenas,
Talvez que o mal se debele…
- Consultei a pitonisa,
E, eis que ela profetisa:
«Ides ficar sem camisa,
Mas ninguém vos tira a pele…»
N’estes termos, pois, já vemos,
Que os males não são extremos,
E que um recurso inda temos
Na rica pele que nos resta:
Quando o erário, enfim, exausto,
Já não der p’ra o régio fausto,
Oferta-a em holocausto,
P’ra ser o bombo da festa!...
Eia, pois! Nada de sustos!
Não virão tempos adustos…
E, demais, somos robustos,
Temos bom lombo p’ra carga…
O melhor, penso p’ra mim,
É suportar o selim,
Deixar girar o marfim…
E o coração sempre à larga…
Isto assentado, isto posto,
É mostrar alegre o rosto;
Que nem sombra de desgosto,
Nos venha atrasar o chilo…
P’ra que ver as coisas lívidas,
Se elas são róseas e vívidas?
Tristezas não pagam dívidas…
Ora, pois, sebo de grilo!
E, em suma, quando o diabo,
De raiva mordendo o rabo,
Protestar, enfim, dar cabo
Da desditosa Parvónia,
Temos certo que Inglaterra
- Visto que aos mortos se enterra –
Nos dá dois palmos de terra…
… E Deus Fontes super omnia!..."
Pan
sábado, 3 de janeiro de 2009
333.ª Página Caldense
[...]"Segundo essa antiga lenda, teria existido no Monte do Facho, um poderoso castelo, cujo último senhor teria sucumbido aos golpes traiçoeiros de uma outra personagem lendária: o barão do Penedo Furado. E acontece que, em todo o decorrer da narração, é citada a Lagoa que, nas suas águas tranquilas, tinha, do lado nascente, o Penedo Furado, em cujas escarpas assentavam os paredões do antigo castelo, sendo alheio a um e outro o povoado da actual Foz do Areho, o que o põe totalmente "fora da lenda"."[...]
[A Foz do Arelho na Lenda e na História. Jaime Umbelino. Edição do Autor. 1000 Exemplares. 2006.]
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Livros de Mais

No final do ano passado foi publicado um livro cujo título é: “Livros de mais, Ler e Publicar na Era da Abundância”.
Nunca um livro foi mais actual, com a particularidade de o título retratar uma situação que é vivida no dia a dia de qualquer livraria.
O autor, Gabriel Zaid, vive na cidade do México com a artista Basia Batorska, três gatos e dez mil livros.
Antes de ter lido o livro senti logo uma grande afinidade com o autor.
Tal, deve-se à particularidade de também viver com gatos, de estar rodeada de milhares de livros e principalmente, de me preocupar com o facto de haver livros de mais.
“Nasce um livro de trinta em trinta segundos”, informa o autor.
Certamente que cá em Portugal a média não é esta. Não sei qual é.
Claro está, que li este livro. E a sua leitura suscitou-me algumas considerações enquanto livreira, e relativamente ao mercado do livro em Portugal.
Umas das minhas preocupações é sem sombra de dúvida a quantidade desmesurada dos livros publicados entre nós.
E isto porque:
- Não chego a tomar conhecimento dos inúmeros títulos que diariamente saem para o mercado; se há editores que dão a conhecer as suas publicações, outros há, talvez devido à sua dimensão, que acreditam nos dotes adivinhadeiros dos livreiros;
- Como resultado dessa atitude, ou os seus títulos são falados nos média, e aí tornam-se conhecidos, ou então passam para o limbo dos títulos desconhecidos;
- E esta situação acentuou-se com a possibilidade de publicação “a pedido”;
- E da oferta que nos é feita, que livros escolher? Dado o facto impossível (tanto sob o ponto de vista económico, como logístico) de encomendar todos os livros que são publicados, que critério aplicar na sua selecção? O título mais comercial? O autor de nome mais sonante? O mais “intelectual”? O mais barato? O mais caro? O que oferece mais desconto? O da capa ais apelativa? Utilizar a técnica do “achamento”: Eu acho que? …
- Depois temos outro problema: os custos dos portes, que se estão a tornar incomportáveis; não esquecer que a minha realidade não está localizada em Lisboa, ou Porto, onde a entrega de livros é frequentemente feita num curto espaço de tempo e directamente pelo editor/distribuidor;
- Tempo de entrega das encomendas? Temos de tudo; desde a entrega no dia seguinte ao pedido, até … quando chegar logo se vê;
- Quando um determinado livro é sujeito a uma grande procura, por vezes certas livrarias fazem encomendas muito significativas, e pura e simplesmente deixa de haver mais livros para distribuição; mais tarde aparecem, resultante de devoluções;
- Este parágrafo é inesperado; então queixo-me que há livros de mais, e depois não tenho livros para vender? Mas é um facto; incongruências do mundo livreiro…
- Eis que os livros chegam à livraria, onde é necessário efectuar todo um trabalho de carácter administrativo: conferi-los e marcá-los, fazer uma ficha bibliográfica; todos nós sabemos que o Livreiro é por principio um individuo possuidor de uma certa cultura (será?); mas daí a saber classificar todos os livros quanto ao assunto versado, vai uma grande distância; porque não trazem uma pequena ficha técnica à semelhança da generalidade das edições estrangeiras, de onde consta a classificação do assunto?
- Agora torna-se necessário arrumá-los; torná-los visíveis aos olhos de um potencial cliente é a nossa intenção; como consegui-lo sem anular a visibilidade dos livros recebidos ontem? E isto considerando que nem todas as livrarias são da dimensão de um estádio de futebol (só que com muito menos espectadores…)
- E depois, vendê-los? Trabalhamos para um nicho de mercado, menos de 50% da população portuguesa, compra 1 livro por ano. Qual a percentagem de livros comprados dos muitos que semanalmente são postos no mercado? Alguém sabe?
- Livros há que recebo x exemplares; 3/4 meses depois continuam os mesmos x exemplares. Pergunto: falta de visibilidade? Título não atractivo? Autor desinteressante? No mínimo, uma (minha) má compra.
- Mais um elemento: a moda de publicar por quem está na moda. O facto de se ser visível, de aparecer, não quer dizer que tenha algo a escrever. Mas por aqui não quero entrar; a qualidade de muitos livros publicados – é a qualidade mensurável? com que critérios? - deixa muito a desejar.
- Será viável uma política de publicação desenfreada, em que o objectivo é a ocupação de espaço comercial, e não quebrar de modo algum a cadeia de publicação em cascata?
Estas são algumas considerações – básicas e exclusivamente profissionais – que me suscitou a leitura de “Livros de mais. Ler e Publicar na Era da Abundância”.
Uma certeza tenho: no mundo da edição estamos a viver acima das nossas possibilidades, mesmo assim, não satisfazendo as nossas necessidades, pois inúmeros títulos de obrigatória publicação, estão esgotados.
Já nem ouso referir o facto de tanto papel gasto inutilmente...
Serão estas as considerações atabalhoadas de uma livreira que não sabe o que há-de fazer a tantos livros?
Será o desabafo fracassado de quem não conseguiu publicar um único livrito?
Será que o cemitério dos livros criado por um autor muito em voga existe mesmo? Não me custa em crer.
Será o desejo íntimo de um ano editorial diferente para 2009?
É, sem dúvida.
PS: não existe qualquer semelhança entre o que aqui ficou escrito e o conteúdo do livro mencionado.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
332.ª Página Caldense
Postal Edição: IPM
Postal Edição IPPC
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
O Povinhorum Contribuintibus
Foram 365 dias vividos com a intensidade possível e um interesse moderado. Um ano de coisas boas e de outras más, apresentando um saldo a tender para o negativo.
Não resisto a recorrer a Rafael Bordalo Pinheiro que me ajudará a sintetizar a situação que hoje nos é dado viver.
No início de um novo ano, o de 1883, Rafael desenha “Botânica Política – O Povinhorum Contribuintibus”.Passo a descrever. Zé Povinho é uma árvore de raízes bem assentes na terra. Pelo tronco acima desliza um sem número de políticos, que se vão agarrando aqui e ali com o intuito de treparem por ali acima.
Juntamente com os políticos e seus aprendizes, alguns membros do clero. Não esquecendo os capitalistas. Tantos são e é tal o seu empenho, que o tronco vai secando, secando, de tanto ser sugado…
Em segundo plano e com a descrição devida, observam a situação um burguês acompanhado por um membro da realeza.
Nos extremos desta árvore empestada de parasitas, nuns ramos um tanto ou quanto débeis, florescem meia dúzia de folhas e algumas florecas.
Quando os parasitam lá chegarem, desaparecerão.
A legenda desta página é “Árvore que começa a rebentar e dará fructos se a limparem do phylloxera e outros parasitas”.
Esta imagem tem 125 anos. Tendo em atenção as devidas diferenças existentes entre a sociedade de 1883 e a actual, esta imagem mantém uma inquietante actualidade.
Mérito de Bordalo? A intemporalidade da caricatura? Infelicidade nossa?
“O Povinhorum Contribuintibus”, continua a existir: somos nós.
BOTANICA POLITICA
O Povinhorum Contribuintibus
[Publicado no dia 4 de Janeiro de 1883, n’O António Maria.]
sábado, 27 de dezembro de 2008
331.ª Página Caldense
[Os Sucesores de Zacuto. O Almanaque na Biblioteca Nacional do século XV ao XXI. Coordenação: Rosa Maria Galvão. Pesquisa, índices e revisão: Aurora Machado. Apresentação: João Luis Lisboa. Biblioteca Nacional. Bibliografias BN.1000 Exemplares. Edição: 2002, Lisboa. ISBN: 972-565-337-8.]
330.ª Página Caldense
[Gente Risonha. Palavras sobre a caricatura e alguns carcaturistas do nosso tempo, no primeiro serão d'arte do Salão dos Humoristas do Porto. Autor: Nuno Simões. Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira. Praça dos Restauradores, 17. Ano de edição: 1915.]
Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal
Passo a responder, recorrendo ao ”Dicionário de Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal”, de Leonardo de Sá e António Dias de Deus.

Passo a transcrever da entrada relativa a:
BORDALLO PINHEIRO, Manuel Gustavo:
[…] “Teve extensa participação, com cartoons, ilustrações e histórias aos quadradinhos, em “A Paródia”, desde o começo, em 1930, continuando a publicação após a morte de Raphael, até 1907. Em Abril de 1903, aparecia o primeiro número da luxuosa revista infantil “O Gafanhoto”. Tinha como directores Henrique Lopes de Mendonça (autor da letra de “A Portuguesa”) e Thomaz Bordallo Pinheiro, respectivamente cunhado e irmão do grande Raphael. “O Gafanhoto” teve o primeiro herói (homónimo) dos quadradinhos infantis portugueses, desenhado por Manuel Gustavo. Todavia, a quase totalidade das ilustrações era de origem estrangeira. Exceptua-se, ainda, Francisco Valença, autor das capas, numa das quais figura um gafanhoto.
A revista acabou no número 24, em 1904. Em Janeiro de 1910, foi posto à venda o primeiro número da 2.ª. série de “O Gafanhoto”. Pode dizer-se que a preciosa revista tinha o destino ligado ao regime monárquico – sobreviveu-lhe apenas três meses, extinguindo-se no n.º 24, em Dezembro.” [pág. 25]
Se descobrir mais elementos, transmitirei. Muito obrigada pelos votos de Boas Festas.Bom Ano Novo.
[Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal. Leonardo de Sá e António Dias de Deus. Edições Época de Ouro. 1.ª Edição , Novembro de 1999. Tiragem: 2000 Exemplares. ISBN 972-98395-0-6]


















