CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



domingo, 4 de janeiro de 2009

335.ª Página Caldense

O ANTÓNIO MARIA – 10 DE JANEIRO DE 1884 – Página 11

A SEMANA

"Muita falta de assuntos a primeira semana do ano novo…

Ao começar julgámos que os altos poderes políticos que nos regem, empanturrados de peru e broa de milho ao ponto de se lhe tocar com dedo, estavam em casa estendidos sobre o fofo sofá de molas, de coletes desabotoados para facilitar a operação do chylo, não tardando porém que, uma vez satisfeitas as urgências da digestão, saltassem lestos para o seio da representação nacional, desabotoando aí os alçapões da eloquência sobre as importantes questões que se acham fermentando no amassadoiro das reformas.

Qual carapuça!...

A política impanzinada chegou ao parlamento de língua de fora, não lhe sobrando o fôlego senão para nomear comissões, n’aquela azáfama de afazeres de quem não tem nada que fazer.

Abençoadas broas e abençoado peru! Ao menos, em quanto se opera aquela digestão de jibóia e a politica descansa a nomear comissões, em vez de se ocupar em lançamentos de decimas,

Descansamos nós também
No chão deitados de costas;
Que em quanto o pau vai e vem
Sempre vão folgando as costas…"

334.ª Página Caldense

O ANTÓNIO MARIA – 3 DE JANEIRO DE 1884 – Página 6

A ANO NOVO

"Ei-lo! O jovem recém vindo!
- Ora, então, seja bem vindo
Ao país formoso e lindo
Onde cresce a laranjeira…
Aos seus dons faço justiça,
Mas hei-de ir logo ir ouvir missa,
Porque, enfim, sempre me enguiça,
Começando à quinta feira…

Além d’este, só existe,
Mais funesto que lemiste,
Outro agoiro negro e triste,
Que me oprime e que me pese:
- Fora se o ano aziago,
Abrenúncio! Saramago!
Além do dia presságio,
Começaste em dia 13!...

Mas, com meio enguiço apenas,
Virão misérias pequenas;
E, com rezas e novenas,
Talvez que o mal se debele…
- Consultei a pitonisa,
E, eis que ela profetisa:
«Ides ficar sem camisa,
Mas ninguém vos tira a pele…»

N’estes termos, pois, já vemos,
Que os males não são extremos,
E que um recurso inda temos
Na rica pele que nos resta:
Quando o erário, enfim, exausto,
Já não der p’ra o régio fausto,
Oferta-a em holocausto,
P’ra ser o bombo da festa!...

Eia, pois! Nada de sustos!
Não virão tempos adustos…
E, demais, somos robustos,
Temos bom lombo p’ra carga…
O melhor, penso p’ra mim,
É suportar o selim,
Deixar girar o marfim…
E o coração sempre à larga…

Isto assentado, isto posto,
É mostrar alegre o rosto;
Que nem sombra de desgosto,
Nos venha atrasar o chilo…
P’ra que ver as coisas lívidas,
Se elas são róseas e vívidas?
Tristezas não pagam dívidas…
Ora, pois, sebo de grilo!

E, em suma, quando o diabo,
De raiva mordendo o rabo,
Protestar, enfim, dar cabo
Da desditosa Parvónia,
Temos certo que Inglaterra
- Visto que aos mortos se enterra –
Nos dá dois palmos de terra…
… E Deus Fontes super omnia!..."

Pan
(Pseudónimo de Alfredo Morais Pinto, que também assina Pan-Tarântula)

sábado, 3 de janeiro de 2009

333.ª Página Caldense

A FOZ DO ARELHO NA LENDA E NA HISTÓRIA
JAIME UMBELINO

[...]"Segundo essa antiga lenda, teria existido no Monte do Facho, um poderoso castelo, cujo último senhor teria sucumbido aos golpes traiçoeiros de uma outra personagem lendária: o barão do Penedo Furado. E acontece que, em todo o decorrer da narração, é citada a Lagoa que, nas suas águas tranquilas, tinha, do lado nascente, o Penedo Furado, em cujas escarpas assentavam os paredões do antigo castelo, sendo alheio a um e outro o povoado da actual Foz do Areho, o que o põe totalmente "fora da lenda"."[...]


[A Foz do Arelho na Lenda e na História. Jaime Umbelino. Edição do Autor. 1000 Exemplares. 2006.]

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Livros de Mais


No final do ano passado foi publicado um livro cujo título é: “Livros de mais, Ler e Publicar na Era da Abundância”.

Nunca um livro foi mais actual, com a particularidade de o título retratar uma situação que é vivida no dia a dia de qualquer livraria.

O autor, Gabriel Zaid, vive na cidade do México com a artista Basia Batorska, três gatos e dez mil livros.

Antes de ter lido o livro senti logo uma grande afinidade com o autor.

Tal, deve-se à particularidade de também viver com gatos, de estar rodeada de milhares de livros e principalmente, de me preocupar com o facto de haver livros de mais.

“Nasce um livro de trinta em trinta segundos”, informa o autor.

Certamente que cá em Portugal a média não é esta. Não sei qual é.

Claro está, que li este livro. E a sua leitura suscitou-me algumas considerações enquanto livreira, e relativamente ao mercado do livro em Portugal.

Umas das minhas preocupações é sem sombra de dúvida a quantidade desmesurada dos livros publicados entre nós.

E isto porque:

- Não chego a tomar conhecimento dos inúmeros títulos que diariamente saem para o mercado; se há editores que dão a conhecer as suas publicações, outros há, talvez devido à sua dimensão, que acreditam nos dotes adivinhadeiros dos livreiros;

- Como resultado dessa atitude, ou os seus títulos são falados nos média, e aí tornam-se conhecidos, ou então passam para o limbo dos títulos desconhecidos;

- E esta situação acentuou-se com a possibilidade de publicação “a pedido”;

- E da oferta que nos é feita, que livros escolher? Dado o facto impossível (tanto sob o ponto de vista económico, como logístico) de encomendar todos os livros que são publicados, que critério aplicar na sua selecção? O título mais comercial? O autor de nome mais sonante? O mais “intelectual”? O mais barato? O mais caro? O que oferece mais desconto? O da capa ais apelativa? Utilizar a técnica do “achamento”: Eu acho que? …

- Depois temos outro problema: os custos dos portes, que se estão a tornar incomportáveis; não esquecer que a minha realidade não está localizada em Lisboa, ou Porto, onde a entrega de livros é frequentemente feita num curto espaço de tempo e directamente pelo editor/distribuidor;

- Tempo de entrega das encomendas? Temos de tudo; desde a entrega no dia seguinte ao pedido, até … quando chegar logo se vê;

- Quando um determinado livro é sujeito a uma grande procura, por vezes certas livrarias fazem encomendas muito significativas, e pura e simplesmente deixa de haver mais livros para distribuição; mais tarde aparecem, resultante de devoluções;

- Este parágrafo é inesperado; então queixo-me que há livros de mais, e depois não tenho livros para vender? Mas é um facto; incongruências do mundo livreiro…

- Eis que os livros chegam à livraria, onde é necessário efectuar todo um trabalho de carácter administrativo: conferi-los e marcá-los, fazer uma ficha bibliográfica; todos nós sabemos que o Livreiro é por principio um individuo possuidor de uma certa cultura (será?); mas daí a saber classificar todos os livros quanto ao assunto versado, vai uma grande distância; porque não trazem uma pequena ficha técnica à semelhança da generalidade das edições estrangeiras, de onde consta a classificação do assunto?

- Agora torna-se necessário arrumá-los; torná-los visíveis aos olhos de um potencial cliente é a nossa intenção; como consegui-lo sem anular a visibilidade dos livros recebidos ontem? E isto considerando que nem todas as livrarias são da dimensão de um estádio de futebol (só que com muito menos espectadores…)

- E depois, vendê-los? Trabalhamos para um nicho de mercado, menos de 50% da população portuguesa, compra 1 livro por ano. Qual a percentagem de livros comprados dos muitos que semanalmente são postos no mercado? Alguém sabe?

- Livros há que recebo x exemplares; 3/4 meses depois continuam os mesmos x exemplares. Pergunto: falta de visibilidade? Título não atractivo? Autor desinteressante? No mínimo, uma (minha) má compra.

- Mais um elemento: a moda de publicar por quem está na moda. O facto de se ser visível, de aparecer, não quer dizer que tenha algo a escrever. Mas por aqui não quero entrar; a qualidade de muitos livros publicados – é a qualidade mensurável? com que critérios? - deixa muito a desejar.

- Será viável uma política de publicação desenfreada, em que o objectivo é a ocupação de espaço comercial, e não quebrar de modo algum a cadeia de publicação em cascata?

Estas são algumas considerações – básicas e exclusivamente profissionais – que me suscitou a leitura de “Livros de mais. Ler e Publicar na Era da Abundância”.

Uma certeza tenho: no mundo da edição estamos a viver acima das nossas possibilidades, mesmo assim, não satisfazendo as nossas necessidades, pois inúmeros títulos de obrigatória publicação, estão esgotados.

Já nem ouso referir o facto de tanto papel gasto inutilmente...

Serão estas as considerações atabalhoadas de uma livreira que não sabe o que há-de fazer a tantos livros?

Será o desabafo fracassado de quem não conseguiu publicar um único livrito?

Será que o cemitério dos livros criado por um autor muito em voga existe mesmo? Não me custa em crer.

Será o desejo íntimo de um ano editorial diferente para 2009?

É, sem dúvida.

PS: não existe qualquer semelhança entre o que aqui ficou escrito e o conteúdo do livro mencionado.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

332.ª Página Caldense

FIGURA DE MOVIMENTO - VELHA MARIA - 1901
Rafael Bordalo Pinheiro
Postal Edição IPPC
PRATO CAMACHO -1892
Rafael Bordalo Pinheiro
Postal Edição: IPM
JARRA ALGAS - 1905
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro
Postal Edição IPPC
BILHA DE SERENATA - 1896
Rafael Bordalo Pinheiro
Postal Edição: IPPC

CANUDO POPA - 1900
Rafael Bordalo Pinheiro
Postal Edição: IPPC

JARRA MAGNÓLIA - 1900
Fábrica de Faiança das Caldas da Rainha
Postal Edição: IPM

JARRA - 1892/1896
Atelier Cerâmica, Visconde de Sacavém
Postal Edição: Museu da Cerâmica

JARRA DO DR. FEIJÃO - 1888
Rafael Bordalo Pinheiro
Postal Edição: IPPC

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O Povinhorum Contribuintibus

Eis-nos chegados ao fim do ano de 2008.

Foram 365 dias vividos com a intensidade possível e um interesse moderado. Um ano de coisas boas e de outras más, apresentando um saldo a tender para o negativo.

Não resisto a recorrer a Rafael Bordalo Pinheiro que me ajudará a sintetizar a situação que hoje nos é dado viver
.


No início de um novo ano, o de 1883, Rafael desenha “Botânica Política – O Povinhorum Contribuintibus”.

Passo a descrever. Zé Povinho é uma árvore de raízes bem assentes na terra. Pelo tronco acima desliza um sem número de políticos, que se vão agarrando aqui e ali com o intuito de treparem por ali acima.

Juntamente com os políticos e seus aprendizes, alguns membros do clero. Não esquecendo os capitalistas. Tantos são e é tal o seu empenho, que o tronco vai secando, secando, de tanto ser sugado…

Em segundo plano e com a descrição devida, observam a situação um burguês acompanhado por um membro da realeza.

Nos extremos desta árvore empestada de parasitas, nuns ramos um tanto ou quanto débeis, florescem meia dúzia de folhas e algumas florecas.

Quando os parasitam lá chegarem, desaparecerão.

A legenda desta página é “Árvore que começa a rebentar e dará fructos se a limparem do phylloxera e outros parasitas”.

Esta imagem tem 125 anos. Tendo em atenção as devidas diferenças existentes entre a sociedade de 1883 e a actual, esta imagem mantém uma inquietante actualidade.

Mérito de Bordalo? A intemporalidade da caricatura? Infelicidade nossa?

“O Povinhorum Contribuintibus”, continua a existir: somos nós.

BOTANICA POLITICA

O Povinhorum Contribuintibus
[Publicado no dia 4 de Janeiro de 1883, n’O António Maria.]

sábado, 27 de dezembro de 2008

331.ª Página Caldense

OS SUCESSORES DE ZACUTO
O ALMANQUE NA BIBLIOTECA NACIONAL DO SÉCULO XV AO XXI
ALMANACH DE CARICATURAS PARA 1874
RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO
[179]



ALMANACH DE CARICATURAS PARA 1875 -2.º ANNO
ALMANACH DE CARICATURAS PARA 1876 -3.º ANNO
RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO
[179]
ALMANACH BIJOU 1881
BRINDE AOS CONSUMIDORES DA CASA HAVANEZA - PRAÇA DO LORETO, LISBOA
RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO
[66]


[Os Sucesores de Zacuto. O Almanaque na Biblioteca Nacional do século XV ao XXI. Coordenação: Rosa Maria Galvão. Pesquisa, índices e revisão: Aurora Machado. Apresentação: João Luis Lisboa. Biblioteca Nacional. Bibliografias BN.1000 Exemplares. Edição: 2002, Lisboa. ISBN: 972-565-337-8.]

330.ª Página Caldense

GENTE RISONHA
Palavras sobre a caricatura e alguns caricaturistas do nosso tempo, no primeiro serão d'arte do Salão de Humoristas do Porto
NUNO SIMÕES
[...]
Carlos Parreira, um artista, que vosselencias mal conhecem, mas cuja prosa é dum maravilhoso lavor de outomnerias, conta não sei onde, este episódio do velho Egipto, das múmias e dos túmulos.

Mandára o senhor castigar o camponez que não pagou ou dizimos; a vergasta da palmeira escevêra hieroglifos de sangue na pelle do escravo. E o bronze da revolta, sob o açoite retesou-se; na sua face erecta passou um estremeçao de dôr que, reprimido um momento, foi sorriso e logo se tranfez em pantomina.

Devia ter nascido, assim, o humor.
Mais tarde, esculptando máscaras e máscaras, mudando a dôr em esgar ou da expressão mais séria truncando a sombra cómica, o humor criou Poncio Pilatos, Voltaire e Don Quixote e o Romantismo attribui-lhe as culpas de, nas tragédias anónimas, rasgar as calças, ao heroe, no quinto acto.

Depois o humor ter-se-hia modificado, e parece que entre nós, de favor em favor, não tardou que ao humor dessem um lugar na Academia - onde sinceramente a historia ia rinchando - uma carteira entre os dignos pares, onde, pelos óculos, pela calva luzidia e pelos ditos conspicuos, foram descobril-o limpando o suor do rosto - penhor immortal da sua dedicação patriótica.

O humor teria assim tido a sua mór expressão na calva do poder legislativo...

Os bons tempos do mestre Rafael Bordalo!

[Gente Risonha. Palavras sobre a caricatura e alguns carcaturistas do nosso tempo, no primeiro serão d'arte do Salão dos Humoristas do Porto. Autor: Nuno Simões. Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira. Praça dos Restauradores, 17. Ano de edição: 1915.]

Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal

Catarina Cardoso enviou-me ma mensagem a perguntar-me que informações dispunha sobre “O Gafanhoto”.

Passo a responder, recorrendo ao ”Dicionário de Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal”, de Leonardo de Sá e António Dias de Deus.


Passo a transcrever da entrada relativa a:

BORDALLO PINHEIRO, Manuel Gustavo:

[…] “Teve extensa participação, com cartoons, ilustrações e histórias aos quadradinhos, em “A Paródia”, desde o começo, em 1930, continuando a publicação após a morte de Raphael, até 1907. Em Abril de 1903, aparecia o primeiro número da luxuosa revista infantil “O Gafanhoto”. Tinha como directores Henrique Lopes de Mendonça (autor da letra de “A Portuguesa”) e Thomaz Bordallo Pinheiro, respectivamente cunhado e irmão do grande Raphael. “O Gafanhoto” teve o primeiro herói (homónimo) dos quadradinhos infantis portugueses, desenhado por Manuel Gustavo. Todavia, a quase totalidade das ilustrações era de origem estrangeira. Exceptua-se, ainda, Francisco Valença, autor das capas, numa das quais figura um gafanhoto.

A revista acabou no número 24, em 1904. Em Janeiro de 1910, foi posto à venda o primeiro número da 2.ª. série de “O Gafanhoto”. Pode dizer-se que a preciosa revista tinha o destino ligado ao regime monárquico – sobreviveu-lhe apenas três meses, extinguindo-se no n.º 24, em Dezembro.” [pág. 25]

Por agora é tudo; é meu desejo que estas informações lhe sejam úteis.

Se descobrir mais elementos, transmitirei. Muito obrigada pelos votos de Boas Festas.Bom Ano Novo.

[Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal. Leonardo de Sá e António Dias de Deus. Edições Época de Ouro. 1.ª Edição , Novembro de 1999. Tiragem: 2000 Exemplares. ISBN 972-98395-0-6]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Poses Natalícias


A todos os amigos que me enviaram os seus votos de Boas Festas e de Feliz Ano Novo, em meu nome, Garfield agradece e retribui.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Rafael Bordalo Pinheiro

Rafael Bordalo Pinheiro de Herculano Elias




É dia de Natal.

Nesta época da vida em que os anos passam quase sem se dar por isso, para mim, esta data perdeu parte do seu encanto.

Apesar dos presentes, das cores dos papéis e das fitas, das mil e uma luzes que brilham na cidade, das mesas postas e bem compostas, do conforto da presença da família, das mensagens dos amigos, não deixa de ser uma data sombreada por uma certa nostalgia.

Esqueceu-se a sua origem, uma data de celebração e vida: o nascimento de uma criança.

Seja-se ou não filho de deus – deveria ser sempre um dia de júbilo e de esperança.

Mas não é o que me é dado sentir.

Nos noticiários das televisões – preferencialmente decoradas a dourado – assistimos aos jantares servidos aos sem abrigo.

Consoadas de bacalhau e grelos servidos com fraternidade.

E nos restantes dias do ano, o que sucede? Não há sem abrigo, não há jantares ou não há reportagens sobre o assunto?

Mesmo no Natal, por vezes, também recebemos más notícias. Este ano é o enceramento da Fábrica Bordalo Pinheiro.

Sei bem que esta fábrica nada tem a ver com a que o Mestre funda em 1884: a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, que após vicissitudes é arrematada em hasta pública por Godinho Leal, em 1908.

De qualquer modo a fábrica até hoje existente na Caldas, surge também em 1908 fundada por Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, podendo por isso ser considerada a herdeira dos saberes, dos genes e do espírito de Rafael Bordalo Pinheiro.

Por tudo isto não sei se gosto muito desta época; acho que este ano perdi completamente o espírito natalício.

Compensa esta tristeza a companhia da expressiva e bela escultura em cerâmica de Mestre Rafael Bordalo Pinheiro, modelada pelas mãos sábias e sensíveis de outro grande senhor da cerâmica caldense: Mestre Herculano Elias.

Os meus mais reconhecidos agradecimentos a Mestre Herculano Elias pela sua tão generosa e simbólica oferta.

Breve Reportagem de uma Noite Memorável

As boas vindas às Caldas da Rainha e ao Centro Cultural e de Congressos

A mesa e o discurso do Sr. Presidente da Câmara

A entrega pelo Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, da Madalha de Ouro da Cidade ao Escritor António Lobo Antunes
Escritor medalhado

As andorinhas bordalianas: Partem, mas regressam todos os anos
As prendas: o lagarto, as andorinhas e o Zé Povinho
Zé Povinho no seu devido lugar
A fila para os autógrafos
Os autógrafos
A despedida: conversa a três.

Muito boa noite a todos.

Neste quase final de ano de 2008, em que a Loja 107 realiza, em colaboração com o CCC, este último Café Literário, permitam-me que as minhas primeiras palavras se dirijam à Direcção do Centro Cultural e de Congressos.

Em primeiro lugar para agradecer, publicamente, todo o apoio recebido sempre que me propus organizar ou dinamizar eventos relacionados com o livro e a sua divulgação; em seguida, para exprimir a minha gratidão pela confiança demonstrada na capacidade de concretização das várias actividades realizadas; por fim para manifestar os meus votos, o meu desejo, de que este modelo de colaboração, ou um outro, quem sabe, possa continuar a dar bons frutos em anos futuros.

À Direcção do CCC, o meu muito e muito obrigada.

Não posso ainda, nesta ocasião, deixar de referir um amigo de longa data, o Zé Francisco Feição, das Publicações Dom Quixote, pois sem a sua intervenção, uma noite como esta nunca teria sido possível. Zé Francisco, para si, um forte abraço.

Quanto a todos os que optaram por passar mais este serão na nossa companhia, não quero deixar de aproveitar a oportunidade de vos desejar Boas Festas e um Feliz Natal, e de fazer votos para que nos seja possível ultrapassar os tempos difíceis e duros que nos esperam.

Esta é uma noite muito, mas muito especial.

Somos os anfitriões – pela quinta vez – do escritor António Lobo Antunes.

Seja-me pois permitida a imodéstia de sublinhar que este facto é, sem sombra de dúvida, o elemento que mais valoriza o meu curriculum livreiro.

Escritor fascinante, senhor de um trabalho ímpar de destreza escrita, detentor de uma personalidade vincadamente literária, autor de mais de 20 livros, galardoado com um sem número de prémios e distinções universais de carácter cultural, António Lobo Antunes dá-nos hoje, uma vez mais, a satisfação de podermos contar com a sua presença.

Não vos vou falar da obra do escritor: falta-me, para tanto, o conhecimento e também «o engenho e a arte».

Sobra-me contudo o direito de falar e de sentir o autor da obra.

E, mesmo a propósito, vem-me à lembrança Daniel Pennac que, no seu livro “Como um Romance”, define os 10 princípios que designa como os direitos de quem lê.

Permitam-me então que vos relembre "Os Direitos Inalienáveis do Leitor":

1.º – O direito de não ler;

2.º - O direito de saltar páginas;

3.º - O direito de não acabar um livro;

4.º - O direito de reler;

5.º - O direito de ler não importa o quê;

6.º - O direito de amar os heróis dos romances;

7.º - O direito de ler não importa aonde;

8.º - O direito de saltar de livro em livro;

9.º - O direito de ler em voz alta;

10.º - O direito de não falar do que se leu.

E agora, permitam-me ainda que acrescente eu própria, mais um, que a partir deste momento se torna também universal:

Décimo primeiro artigo dos "Direitos Inalienáveis do Leitor":

- O direito de uma livreira expressar publicamente o seu amor pela obra de um grande escritor, quando esse escritor se chama António Lobo Antunes.

Muito obrigada.

Isabel Castanheira, Livreira
Caldas da Rainha, 12 de Dezembro de 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Natal

Natal

Outro Natal
Outra comprida noite
De consoada
Fria,
Vazia,
Bonita só de ser imaginada
Que fique dela, ao menos,
Mais um poema breve
Recitado
Pela neve
A cair, ao de leve,
No telhado.

Miguel Torga
Antologia Poética

Boas Festas e um Bom Ano Novo são os desejos sinceros da Loja 107

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Vírus no Computador !!!


Eis um novo vírus, perigosíssimo, até então pouco conhecido e que está a suscitar grandes preocupações nos escritores de literatura dedicada à infância.

É um vírus assaz estranho, de aparência bizarra, pois surge coberto de pêlo (quase sempre suave) tem unhas compridas, orelhas alerta, um rabo comprido e ondulante, emite sons melodiosos e gosta de quentinho.…

Ataca de preferência o hardware. Todos os cuidados são poucos com os vírus desta estirpe!

Vou mandar uma mensagem para O Jardim Assombrado na esperança que este vírus vá fazer companhia às personagens do artigo sobre Literatura Infantil, publicado no Notícias Sábado (suplemento do Diário de Notícias), dia 13 de Dezembro.

Carla Maia de Almeida, o vírus já vai a caminho!