CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 12 de março de 2008

262.ª Página Caldense

ESTUDOS DE ARTE E CRÍTICA
LUIS VARELA ALDEMIRA

"Meus Queridos Filhos
Hoje (8 de Setembro de 1879, dia em que o Tomás atingiu 18 anos, idade exigida por lei para a emancipação) que já se acha na maioridade o mais moço dentre vós e que todos estão em pleno gozo dos seus direitos, entendi dizer-vos qual é o estado desta casa que subsiste ha perto de quarenta annos e que d'envolta com trabalhos, dissabores e também muitas alegrias, eu com vossa virtuosa mãe administramos por espaço de quasi trinta e sete anos e que com a annuencia de meus filhos maiores e dos credores ao cazal continuarei a administrar no decurso dos últimos trez annos subsequentes á grande fatalidade da sua perda." [...]

Manuel Maria Bordalo Pinheiro (pai de Rafael)

[Estudos de Arte e de Crítica. Luis Varela Aldemira da Academia Nacional de Belas Artes. O Pintor El Greco, Apostilas a Ricardo Jorge / Columbano, Apreciado por seu Pai Manuel Maria Bordalo Pinheiro / m. Teixeira Gomes / O Pintor Mário Augusto. Livraria Portugália. Rua do Carmo, Lisboa. 1942. Edição de 300 exemplares numerados e rubricados pelo autor. Exemplar n.º 292]

segunda-feira, 10 de março de 2008

261.ª Página Caldense

O FUTURO DAS CALDAS
SEMANÁRIO INDEPENDENTE, NOTICIOSO, AGRICOLA E LITERÁRIO
1 DE AGOSTO DE 1896
ANO I - N.º 1

"SALVÉ
É amanhã que a formosa e cavalheirosa villa das Caldas da Rainha, traja as suas mais ricas e estimadas galas, para receber, com a gentileza que lhe é característica e tradicional, Sua Majestade El-Rei D. Carlos I.

Sua Magestade acaba de dar mais uma vez preferencia à melhor e mais aprazível estação thermal do nosso paiz, vindo aqui residir durante o mez d'agosto.

E na verdade, não poderia escolher estação, que pelas suas condições climatericas e commodidades, podesse offerecer lhe garantias mais salutares e beneficas.

Caldas da Rainha, situada a 10 kilometros do mar, e a 8 kilometros da pittoresca Lagôa d'Óbidos, cintada de pinhais, contendo um Parque, Matta, magnificos passeios e avenidas onde abundam os platanos e frondosos e tapetes de relva, n'uma florescencia rica de vegetação por toda a parte, offerece no conjunto dos seus elementos naturais, um clima ameno, deleitoso, vivificante, um clima que podemos classificar - maritimo, mas sem os rigores que por vezes affectam esta especie de climas.

É um oasis, deveras convidativo para o touriste e principalmente para o doente, que reclama ar puro, e temperatura agradavel, no meio do deserto arido e quente da estação que corre.

A preferencia de El-Rei, além de ser uma honra para todos os caldenses, é também um valioso concurso para o engrandecimento e progredimento d'esta terra, padrão vivo, glorioso e immorredoiro, da caridade d'uma Rainha, a santa e virtuosa D. Leonor de Lencastre, esposa de El-Rei D. João II.

Prevemos pois, que a recepção de ámanhã, em que certamente tomarão logar: - o Senado Caldense, a Magistratura, a Administração, a Fiscalisação, o Militarismo, emfim, todas as entidades politicas, civis e ecclesiasticas, e o Povo, não será mais do que o simples inicio da solvencia d'uma divida de gratidão, contrahida pelos habitantes d'esta villa, para com El-Rei.

Será um hymno triumphante, entoado por milhares de vozes, em que o brio e a gentileza dos caldenses correrão a par da sua fidalguia proverbial.

O affecto que os caldenses tributam ao sr. D. Carlos, tem-se patenteado já largamente em annos preteritos, e estamos convencidos que, mais uma vez se patenteará, servindo para estreitar os laços de sympathia que E-Rei tem demonstrado, pelas Caldas da Rainha.

Nós, humildes representantes da imprensa local, associamo-nos expontaneamente à manifestação, fazendo votos para que Sua Magestade se demore bastante, entre os que do coração o estimam, e leve gratas recordações da sua estada aqui.

E bradamos: Salvé! El-Rei!"

[O Futuro das Caldas. Semanario Independente, Noticioso, Agrícola e Litterario. Director: Ricardo Vasques. Secretário de Redacção: A. Sotto Maior. Administrador: Augusto Rodrigues. Redacção e Administração: Rua de S. Sebastião, n.º 23, 1.º - Caldas da Rainha]

O meu agradecimento ao Joaquim Saloio pela partilha desta fonte bibliográfica caldense.

Café Literário

AUTORA CONVIDADA:
IRENE FLUNSER PIMENTEL
PRÉMIO PESSOA 2007


"Irene Flunser Pimentel é licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mestre em História Contemporânea (Século XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Elaborou diversos estudos sobre o Estado Novo, o período da II Guerra Mundial, a situação das mulheres e a polícia política durante a ditadura de Salazar e Caetano.
É investigadora do Instituto de História Contemporânea, autora do livro História das Organizações Femininas do Estado Novo, dos textos relativos a Portugal da obra Contai aos Vossos Filhos. Um Livro sobre o Holocastro na Europa, 1933-1945, de Judeus em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial. Em Fuga de Hitler e do Holocaustro, e Vítimas de Salazar. Estado Novo e Violência Política, em co-autoria com João Madeira e Luis Farinha. No prelo encontra-se o livro Um País de Refúgio, Os Refugiados em Portugal. 1933-1945 (a sair na Alemanha).
Foi distinguida com o Prémio Pessoa 2007"
Café Literário
Pópulos - Parque D. Carlos I
Dia 14 de Março (sexta-feira) - 21,30 Horas
Loja 107, partilhando leituras com a cidade

sexta-feira, 7 de março de 2008

260.ª Página Caldense

PORTUGAL DE RELANCE
MARIA RATTAZZI

"Entrámos nas Caldas às seis horas da manhã. Todas as ruas das adeias parecem-se umas com as outras; sempre as mesmas pedras agudas e hostis, as mesmas crianças bronzedas pelo sol, esfarrapadas, correndo atrás das galinhas; um cão que ladra com toda a força dos pulmões, uma diligência que chega, branca de poeira, arrastada por uns cavalos lazarentos e tísicos. E pelo caminho, frescas aldeãs com cestos à cabeça, com bilhas de leite nos braços, fazendo meia e parando para dar os bons dias aos compadres.
[... ]
Perdão, a velha Caldas, a primitiva Caldas, aquela que não mudará provavelmente nunca, não passa de uma aldeia que não deve nada à civilização das elegantes vivendas que se lhe agrupam em torno.
[...]
A propósito, sucedeu-me uma dessas pequenas catátrofes que fazem as delícias dos narradores de anedotas.

Não devendo passar senão três dias nas Caldas, quis aproveitá-los para tomar um ou dois banhos sulfúricos.

Cheguei pois muito cedo ao estabelecimento. Parece que era a hora propícia, segundo se depreendia da afluência dos banhistas e do facto de não haver uma única tina disponível, conforme julguei perceber ao empregado que me falava numa linguagem inintelígivel. Cansada de esperar, pedi a uma das mulheres encarregadas do serviço dos banhos, que me conduzisse à piscina. Ela obedeceu de má catadura, tentando primeiro dissuadir-me por meio de uma pantomina expressiva. Foi só então que reparei para o tapete de areia ondulante depositado no fundo da tina. Tomei o banho na companhia de duas ou três mulheres que não me pareceram modelos de distinção e graça. Mas não se deve ser demasiado exigente, e de resto nem só a beleza constitui título de recomendação.

Começava a experimentar o encanto de uma temperatura doce e igual e calculava mentalmente o bem que deveriam fazer estes banhos, mesmo tomados em pequena quantidade, quando ouvi de repente uma voz áspera dizer. «Vamos, vamos, é preciso sair, são horas da sopa!»

Imediatamente as boas velhas precipitaram-se para a escada em vez de voltarem altivamente as costas, como eu esperava. Horresco referens!. Eram doentes do hospital, o banho era gratuito e eu tinha confraternizado com as pobrezinhas, que tornei a ver descalças, quando fiz a minha primeira visita oficial da tarde, e que me olharam familiarmente... Imagine-se a extensão do meu infortúnio!..." [Páginas 438 a 442]

[Portugal de Relance. Maria Rattazzi. Actualização do texto, introdução e notas de José M. Justo. Título original: Portugal à vol d'Oiseaux. Antígona. 1997. ISBN 972-608-090-8. Originalmente publicado em 1879, em Paris.]

PRINCESA RATTAZZI
ALBUM DAS GLORIAS - ABRIL DE 1880
RAFAEL BORDALO PINHEIRO

segunda-feira, 3 de março de 2008

Cabana de Livros (ou para ler)

"Cabana de Livros

Dantes morava numa casa como toda a gente, contou-me ele com a sua voz maliciosa. Mas perdia demasiado tempo a ir à biblioteca ou à livraria fazer as minhas aquisições. Um belo dia, decidi virar uma página e viver rodeado dos meus livros. Eu era ainda jovem, e a minha cabana não tinha tecto. Era muito desagradável. As capas dos livros empenavam, as palavras apagavam-se, as palavras desapareciam. Depois, com o passar dos anos, as minhas obras acumularam-se e a minha cabana ganhou amplitude: tem agora vários andares e totaliza setenta e sete divisões. A que eu mais gosto? Aquela onde leio versos nos dias de inverno à luz de uma vela, quadras nas madrugadas, octossílabos à segunda e sonetos nos anos bissextos."[Pág. 14]

[Sementes de Cabanas. Philipe Lechermeier e Éric Puybaret. Kalandraka. ISBN 978-972-8781-68-2]

259.ª Página Caldense

MAIA
PASTICHES DE MICHELANGELO

[Pastiches de Michelangelo. Pintura, Cartoons. António Calado da Maia. 14 de Novembro a 8 de Dezembro de 1996. Osíris Galeria Municipal. Caldas da Rainha. Desdobrável.]

domingo, 2 de março de 2008

258.ª Página Caldense

O ZÉ POVINHO E OUTRAS CARICATURAS
RUI PIMENTEL

[O Zé Povinho e outras Caricaturas. Rui Pimentel. Câmara Municipal de Lisboa, Pelouro da Cultura, Departamento de Bibliotecas e Arquivos, Biblioteca-Museu República e Resistência. Tiragem>: 1000 exemplares. Sem data.
ISBN 972-8695-23-3]

257.ª Página Caldense

CLUB DE RECREIO - CALDAS DA RAINHA
SÁBADO, 23 DE AGOSTO DE 1941
HORA DE VARIEDADES

sábado, 1 de março de 2008

O Gato da Rosário


"Sete anos me aguardam de incertezas. O gato gordo,
sobre o muro, é apenas uma figura transitória. Tu vais
ficando, um livro abandonado no melhor
do enredo, aberto para sempre sobre a cama. Eu

sento-me à janela onde houve uma vez uma figueira.
E fico. Aguardo provavelmente a tua voz no silêncio
demorado dos quartos ao entardecer. E também adomeço,
se não for a memória do ruído ensurdecedor dos
espelhos, rebentando pela casa em mil pequenos cacos
incertos. Sete anos

para reler uma história demasiado conhecida ou
folhear um livro branco até ao fim. O gato já
desapareceu. Digo que escolhe, como tu, outra
cama para desafiar a lua. Eu não, eu eu fico."

Maria do Rosário Pedreira

[A Casa e o Cheiro dos Livros. Maria do Rosário Pedreira. Gótica. Colecção Poesia. 1.ª edição 1996.
Prémio Poème e prémio Maria Amália Vaz de Carvalho. ISBN 972-792-044-6]]

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

256.ª Página Caldense

GRANDIOSO ESPECTACULO A FAVOR DO DISPENSÁRIO ANTI TUBERCULOSO
DAS CALDAS DA RAINHA
Teatro Pinheiro Chagas - 2 de Julho de 1949

255.ª Página Caldense


AUDIÇÃO DE DISCIPULAS DE ADELAIDE PEREIRA
COM A COLABORAÇÃO DE ANTIGAS ALUNAS
Caldas da Rainha, 19 de Junho de 1949

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Os Livros do Vincent

Portrait of Dr. Gachet Seated at a table
1890. Oil on canvas 67 x 56 cm
Tokyo, Collection Ryoei Salto
Majolica Jar with Branches of Oleander
1888. Oil on canvas 60,3 x 73,6 cm
New York, The Metropolitan Museum of Art

Still Life and Bible
1885. Oil on canvas 65 x 78 cm
Amsterdam, Vicent Van Gogh Museum
Gauguin's Chair with books and Candle
1888. Oil on canvas 90,5 x 72,5 cm
Amsterdam, Vincent van Gogh Museum
L'Artesienne Madame Ginoux with Books
1888. Oil on canvas 91,4 x 73,7 cm
New York, The Metropolitan Museum of Art

[Van Gogh, Taschen Diary, 2008]

254.ª Página Caldense

PAVILHÕES DO PARQUE
PARQUE D. CARLOS I - Caldas da Rainha
VALTER VINAGRE [s/d]