CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

240.ª Página Caldense

ESPECTADORES - TEATRO LIRICO
RAFAEL BORDALO PINHEIRO
1899

"Os que vão para ver."

"Os que vão para ser vistos."
"Os que vão para ouvir."
"Os que vão para que os ouçam."
"A critica."
"Música clássica."

"Na Zarzuela."
"Vendo artistas estrangeiros."

"Vendo artistas nacionais."



[Theatros - Ligeiros Apontamentos. Espectadores - Theatro Lyrico. Commercio do Porto Illustrado. 1899. Raphael Bordallo Pinheiro]

239.ª Página Caldense

FRONTARIA DO HOSPITAL DAS CALDAS COMO SE ACHAVA EM 28 DE MARÇO DE 1747

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Os Gatos Malteses

CORTO MALTESE - A FÁBULA DE VENEZA
HUGO PRATT

"No jardim do Éden havia de tudo: fígado de aves, rinzinhos, carne picada, peixinhos vermelhos e malgas de leite. Mas havia também lago incomestível: "a espinha de peixe proibida", que crescia..." [Pág. 55 - pormenor]
"no meio desse magnífico paraíso terrestre. Um dia, Miau-Miau, a primeira gata, encontrou o diabo disfarçado de rato ..." [Pág. 55 - pormenor]

[Corto Maltese - A Fábula de Veneza (sirat al bunduqiyyah). Hugo Pratt. Meribérica-Lliber Editores, Lda. Julho de 2004. ISBN 972-45-1651-2]

Dia dos Namorados


[in: Guia dos Apaixonados. Mordillo. Booktree. 1.ª edição Setembro de 2002. ISBN 972-8718-46-2]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

238ª Página Caldense

MARCHA DO ÓDIO
GUERRA JUNQUEIRO
Música de Miguel Angelo - Desenhos de Bordallo Pinheiro
Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro
[Pormenor Pág. 7]

Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro
[Pormenor Página 13]

[Marcha do Ódio. Guerra Junqueiro. Música de Miguel Angelo. Desenhos de Bordalo Pinheiro. Livraria Civilização Casa Editora de Costa Santos, Sobrinho e Diniz. Santo Ildefonso, 2/12 - Porto. Tipografia Elzeviriana, Rua de S. Lázaro, 393. Sem data de publicação. 20 páginas + capas. Dmensão: 19,30 cms x 28,00 cms. O título na capa, apresenta-se impresso a vermelho, as ilustrações a verde seco.]

Memórias d´Escritas


EDUARDO PRADO COELHO
Póvoa do Varzim, 2006

[in: Quartos de Escrita. Daniel Mordzinski. Catálogo da Exposição: Fotografias. Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. Póvoa do Varzim. 7 de Fevereiro a 30 de Março. Catálogo publicado pelas Correntes d'Escritas, Póvoa do Varzim, 2007.]

Um Sorriso pela Manhã


O PINTOR DE SORRISOS
CÉSAR MADUREIRA / ANDRÉ LETRIA

[O Pintor de Sorrisos. Contos Sonhados em Português. 1 - Europa - Portugal. César Madureira Escreveu. André Letria Ilustrou. Quidnovi. ISBN 978-972-8998-97-4]

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Leituras à Hora do Almoço

BIBLIOTECA
ZORAN ZIVKOVIC

"Enquanto estava a fechar a porta do frigorífico, surgiu-me uma ideia.
[...]
Fui ao escritório, peguei no livro e voltei à cozinha. Pu-lo no prato, sentei-me à mesa e coloquei o guardanapo por baixo do colarinho da camisa. Com a faca e o garfo separei primeiro a capa, como teria feito com qualquer espécie de de casca ou pele. O que estava ali escrito prometia uma verdadeira iguaria, mas uma pessoa não podia fazer fé na honestidade dos que o prepararam. Quem sabe que tipo de gato podia comer-se por lebre escondido atrás do título Biblioteca.

No índice do livro vi que estava composto por seis partes. Supus que os seus sabores fossem diferentes, de modo que não convinha comê-los todos ao mesmo tempo. Separei, por isso, todas as partes com a faca. Antes de começar a almoçar, perguntei-me se devia pôr especiarias. Revesti a capa de ambos os lados esperando encontrar uma instrução ou um conselho mas, como não vi nada, decidi não fazer experiências para não estragar as coisas. Também, sem saber que bebida era a mais aconselhável, optei por água. Aí não podia errar.

"Biblioteca virtual" assemelhava-se a um boa salada russa. Apenas talvez tivesse maionese a mais para meu gosto." [...] [Páginas 90 e 91][Texto retirado do capítulo: Biblioteca Requintada]

[Biblioteca. Zoran Zivkovic. Autor premiado com o World Fantasy Award. Tradução do sérvio de Arijana Medvedec. Cavalo de Ferro. 1.ª Edição. Maio de 2005. ISBN 972-8791-83-6]

Correntes D'escritas

9.º ENCONTRO DE ESCRITORES DE EXPRESSÃO IBÉRICA
PÓVOA DO VARZIM, 13 A 16 DE FEVEREIRO 2008

Paz


Ontem numa montra das Caldas.

Gato-siamês do Sião, da Tailândia, adormecido, sob a vigilância feroz de um cão de combate Shar-Pei, da China.

Amizade entre raça inimigas?

Acordos bilaterais entre países do Oriente?

Não, apenas um gato a sonhar com peixes e um cão de louça a sonhar com gatos.
[Fotografia e texto de Margarida Araújo]

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

237.ª Página Caldense


AUTORES
BOLETIM DA SOCIEDADE DE ESCRITORES E COMPOSITORES PORTUGUESES

O "ZÉ POVINHO"
O pai dos "Zés", compères de revista

"José Peres, nascido em Abrantes nos fins do primeiro quartel do século XIX, pertencia a uma família modesta; não seguira estudos; mas possuia qualidades de trabalho e um sentido prático da vida que lhe conferiam uma situação relativamente preponderante no seu meio. Lavrador, negociante, empreiteiro de obras públicas - em Abrantes e arredores toda a gente o conhecia. O seu próprio tipo físico - atarracado, tronchudo, face larga, barba à passa-piolho, chapéu braguês, jaquetão de saragoça, cinta vermelha - tornava-o inconfundível. Ora, um belo dia, o nosso José Peres tomou conta de uma empreitada pública; mas, terminada a obra, a respeito de ver o dinheiro nada. Pediu, insistiu, até que resolveu vir a Lisboa falar directamente com o ministro das Obras Públicas, o conselheiro António Cardoso Avelino, que era seu conhecido. Desembarcou na Estação de Santa Apolónia e dirigiu-se ao Terreiro do Paço. Como o ministro não tivesse chegado ainda, decidiu esperá-lo debaixo da Arcada, junto ao portão de aceso ao Ministério e, para maior comodidade, sentou-se na cadeira de um engraxador que ali estacionava. Bordalo Pinheiro era então - ele, o grande artista! - simples amanuense da Secretaria da Câmara dos Pares, coincidiu ir ao Ministério das Obras Públicas levar uns documentos destinados a uma das repartições e, ao atravessar a Arcada, deparou com um vulto tronchudo, sentado na cadeira do engraxador, a enrolar um cigarro, com um grosso marmeleiro ao lado. Num relance, Bordalo fitou-o da cabeça aos pés, murmurou de si para si "Que bom tipo!" e galgou o portão do Ministério. Quando voltou, o homem continuava no mesmo sítio e Bordalo meteu conversa com ele.
[...]
Bordalo afastou-se, mas a figura daquele homem que o destino colocara, inesperadamente, no seu caminho, jamais se desprendeu do seu espírito. Instintivamente - maravilhoso o instinto dos verdadeiros artistas - "sentiu" que estava ali, não apenas uma figura pitoresca, mas um tipo característico.
[...]
No segundo número da Lanterna Mágica, após o encontro de Bordalo com José Peres, surgia, pela primeira vez, em esboço, o tipo do "Zé Povinho".
[...]
Desde aí o "Zé Povinho", com a sua face larga e risonha, a sua barba à passa-piolho, o seu chapéu braguês, a sua jaqueta de briche, o seu ar ao mesmo tempo caturra e paciente, pé de boi e filósofo, nunca mais deixou de acompanhar a obra satírica de Bordalo. Teria sido, de facto, a figura do "Zé Povinho" inspirada, se não psicologicamente, pelo menos fisicamente, pela figura do Zé Peres, de Abrantes?" [Páginas11 a 14][Artigo não Assinado]

[Autores. Boletim da Sociedade de Escritores e Compositores Portugueses. Director: Luis de Oliveira Guimarães. Redacção e Administração: Avenida Duque de Loulé, 111 - 1.º - Lisboa. Número 64. Ano XIV - Julho - Agosto de 1972.]

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Vandalismo

Caldas da Rainha é uma cidade que não sendo conhecida pela riqueza das fachadas dos seus prédios, tem alguns que se distinguem pela sua variedade azulejar e que são dignos de nota.

Entre eles, destaca-se um, bem perto de mim, na rua Heróis da Grande Guerra. Uma pequena fachada, cuja superfície superior é totalmente forrada a azulejo.


Identificamos 5 diferentes padrões de azulejo.

Azulejos de padrão "Renascença" forram grande parte da fachada e a meia lua que se distingue a meio. Ao centro, um medalhão com as iniciais (em relevo) do original dono do prédio.

Em cima, simetricamente dispostas, duas barras em azulejo padrão "Granada", delimitadas por uma pequena barra decorativa.

Mais abaixo, destacam-se outras duas barras de um padrão muito belo: gatos.

Um focinho de um grande gato, com grossos bigodes e, ao pescoço, um guiso. A enquadrar a cabeça do felino, duas flores grandes, em azul e olho amarelo. Fundo branco. A rematar, na parte inferior, um friso de finos azulejos, relevados, verdes.

Escusado será dizer que estes azulejos são obra da Fábrica do Mestre Rafael Bordalo Pinheiro.

Há uns anos atrás o prédio tinha o aspecto que se pode ver no postal inicialmente reproduzido.



Em Fevereiro de 2007, estava assim.




Hoje, está assim.

Azulejos datados dos finais do século XIX. Na minha rua, mantiveram-se belos durante 100 anos.

Até serem sujeitos a um puro acto de vandalismo.

A partir de hoje, a minha rua é uma rua mais triste...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

236.ª Página Caldense

" Sou um bule com forma de cabeça de janota.
E fui criado por Rafael Bordalo Pinheiro.
Na época em quer nasci, em 1897, não era fácil "estar na moda."
Uma das grandes dificuldades era os colarinhos das camisas, muitos altos e muito duros. Para que ficassem sempre direitos, eram passados a ferro com goma, uma pasta de água e amido que se colocava na roupa para a endurecer.
O laço apertado também não facilitava.
Mas, como vaidoso que sou, gosto de ver o resultado final!
Também não dispenso o meu chapéu de palha para os meus passeios e, como muita gente, tenho um macaquinho como animal de estimação.
Afinal é fundamental "estar na moda"!"
Museu Bordalo Pinheiro

235.ª Página Caldense

DIGRESSÕES GASTRONÓMICAS NO PAÍS DAS UVAS
ADOLFO COELHO

[...] Em torno das Caldas da Rainha, célebre de longa data pelas suas águas sulfurosas, encontra-se a opulenta Várzea da Rainha, onde se colhem pêssegos, peras, figos, nêsperas e ameixas de admirável frescura e sabor.

Se por lá passardes a um domingo, deveis visitar o seu pitoresco mercado ao ar livre, que vos oferecerá o mais completo estendal de vitualhas, evocador daqueles tempos de outrora em que a cozinha portuguesa asombrava os estrangeiros. Aí vereis, com aquela tão apetitosa frescura dos produtos trazidos directamente da fazenda pelos cultivadores: montes de batatas túrgidas e tão limpas que mal parece que se geraram no seio da terra, cebolas volumosas e odoríferas, hortaliças verdejantes a ressumar frescura, cabazes de pêssegos vermelhos e penugentos, ou amarelos e glabos, que por isso são chamados carecas, ameixas rubras, raiadas ou nacarinas, peras sumarentas e esplenderosas, ovos, galinhas, coelhos, patos grasnadores, e perus, sem esquecer os casais de pombos que a vendedora encosta ao seio num gesto amoroso, mais parecendo que faz votos para que não surja comprador. E nos açafates, com a sua lava toalha bordada, o saboroso pão saloio, a broa de milho e os bolos de festa, aromatizados a erva doce.

E, na praça do peixe ....

Mas não podeis seguir viagem sem terdes tomado contacto com os doces da terra, famosos em todo o país, cavacas esponjosas e macias com a sua capa de acuçar, e esse prodígio que são as troiuxas de ovos. E procurai, para as acompanhar, um certo vinho branco, alegrete, espirituoso e aromático, que tem fama no termo. [Página 51 e 52]

[Digressões Gastronómicas no País das Uvas. Adolfo Coelho. Chaves Ferreira Publicações. Dezembro de 2000. Conjunto de textos originalmente publicados na Informação Vinícola, publicação editada pela Junta Nacional do Vinho, entre 24 de Dezembro de 1938 e 6 de Maio de 1939.]