CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



domingo, 13 de janeiro de 2008

O Gato do Tolentino



Uma mesa de plástico, branca
junto da tarde que morre
e renasce por pequenas paixões
de repente estávamos sozinhos
as ilhas muito inacessíveis
agora que escureceu
o menor desejo teria um sentido delicado
os olhos velozes de um gato
viam coisas belas
lado a lado com os homens
pareciam quase não ter sofrido

a mesa estava encostada às janelas do café
e nós de forma desolada
ignorados, aturdidos, de passagem
não muito mais

procuro desse facto uma versão
que me não conduza à inconfidência

era uma mesa lisa, branca
uma razão soletrava ao acaso
a medida soberana do incerto

olhos velozes de um gato
os teus olhos


José Tolentino Mendonça
BALDIOS, Assírio & Alvim, 1999

Página da autoria da Margarida Aráujo.

sábado, 12 de janeiro de 2008

219.ª Página Caldense

1/2 dúzia de gatos de Rafael Bordalo
O ANTÓNIO MARIA
1 de Janeiro de 1880
O Ano de 1880
O ANTÓNIO MARIA
5 de Janeiro de 1882
A Critica
O ANTÓNIO MARIA
4 de Janeiro de 1883
Quinto Ano
O ANTÓNIO MARIA
10 de Fevereiro de 1883
A estampa carnavalesca do nosso último número

O ANTÓNIO MARIA
10 de Fevereiro de 1883
O Carnaval de Lisboa
O ANTÓNIO MARIA
Ano VI - 1884 - Pág. 240

[O António Maria - 1.ª Série - Jornal de Rafael Bordalo Pinheiro publicado entre 1979 (12 de Junho) e 1885 (21 de Janeiro. Ao longo do tempo, colaboraram: Guilherme de Azevedo, Ramalho Ortigão, Alfredo de Morais Pinto, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro e Columbano Bordalo Pinheiro.]

Zé Povinho face à Europa


Tratado Europeu
Com a devida vénia, transcrição da caricatura publicada no Inimigo Público - 11 de Janeiro de 2008, da autoria de António Jorge Gonçalves.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

218.ª Página Caldense

A INSPIRAÇÃO FOLCLÓRICA NA OBRA DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO
LUIS CHAVES

"Tudo servia a Rafael Bordalo Pinheiro para expressão do seu pensamento. A perscrutação investigadora, o elemento activo que o inspirava, a relacionação entre as perspectivas espirituais, abertas na frente da sua atenção viva e perspicaz, o aproveitamento de todos os factores dinamizadores de sugestão, podem simbolizar-se na mão aberta, fina, e perita ao serviço da inteligência.

A mão agarrava quanto lhe servisse para rir, e servisse também para elucidar, por ilustração de figuras conhecidas e pitorescas, o riso que a vida nacional lhe provocava.
[...]
Rafael Bordalo não teve de se arrepender. Nunca perdeu a ternura de português, nem deixou de buscar a lenha portuguesa para lhe aqueceu a inspiração.
[...]
Desceu Bordalo até ao povo e trouxe de lá inspiração para a sua obra de artista. Com ela iluminou costumes e mostrou contrates. Sentiu verdades e castigou enganos. Foi ilustrador da vida popular, sentindo-a. Foi mestre do sentimento nacional, ensinando os que o ignoravam. O cardo floriu com o rócio da sua comoção, e ele, Bordalo, foi a abelha do verso de Junqueiro:

E ao calix verginal, da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!"

[A Inspiração Folclórica na Obra de Rafael Bordalo Pinheiro. Luis Chaves. Edições José Fernandes Júnior. Lisboa. 1937. 48 páginas numeradas + capas.]

Bordalo em Lisboa

no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa

Leitura Partilhada



quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

217.ª Página Caldense


"Museu do Hospital e das Caldas. Caldas da Rainha. Portugal.
Parte de intel provavelmente do primitivo Hospital (1485-1502). Na ilharga está esculpida uma almadrava dos atuns, «significadora das rendas que a Rainha possuia no Reino do Algarve e as gastara no edifício deste Hospital». Estas redes (almadrava ou rastro) não são o camaroeiro que a Rainha adoptou mais tarde por morte do seu filho D. Afonso (ocorrida em 1491)."

"Igreja de Nossa Senhora do Pópulo. Caldas da Rainha. Portugal.
Gárgula (século XVI)."

"Museu do Hospital e das Caldas. Caldas da Rainha. Portugal.
Painel de azulejos de Nossa Senhora do Pópulo (pormenor) (Século XVIII)."

"Museu do Hospital e das Caldas. Caldas da Rainha. Portugal.
Assinatura «RAYNHA», pela Rainha D. Leonor, no manuscrito do «Compromisso para o Hospital da Vila das Caldas (18 de Março de 1512)."

"Museu do Hospital e das Caldas. Caldas da Rainha. Portugal.
Cristo cruxificado (final do século XVI)."

"Ermida de S. Sebastião. Caldas da Rainha. Portugal.
Revestimento azulejar (pormenor) do interior da ermida (1742-1745). Atribuido a Nicolau de Freitas e Bartolomeu Antunes."

[Colecção de 6 marcadores de livros. Edição: Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, 2004]

216.ª Página Caldense

AO FIM DA MEMORIA
Memórias 1906 - 1939 - 1.º Volume
FERNANDA DE CASTRO

"Logo quer o médico me deu alta, lá fomos todos, convidados pela Manuela e pelo meu cunhado Raul Gilman, para a Quinta do Sande, nas Caldas da Rainha, onde eles, habitualmente, passavam o Verão.

A vida nas Caldas era muito divertida e foi lá que conheci a minha querida Mané (Maria Manuela Lima de Carvalho) que afirma a pés juntos ter sido eu que a ensinei a dançar o charleston, o que deve ser engano dela e não meu, como ela pretende, porque eu era mestra, sim, mas no black bottom e não no charleston, que dançava, também, mas não o suficiente para a ensinar.

Havia muitas festas nas quintas e nas ganadarias próximas, com ferras, tentas, largadas de toiros, etc.

Elegantíssima nos seus impecáveis fatos de amazona, a minha irmã Manuela andava horas atrás dos toiros, a cavalo, com os campinos, sem nunca mostrar o mínimo receio.

Uma vez fomos a uma festa deste género nas Gaeiras e os convidados que não montavam ficavam sentados em bancos de pau sobre os curros, assistindo, assim, ao trabalho dos campinos e à largada dos toiros." [...] [Pág. 205 a 207]

[Ao Fim da Memória. Memórias 1906-1939 - Primeiro Volume. Fernanda Castro. Obras Completas de Fernanda Castro. Círculo de Leitores. Edição de Dezembro de 2005. ISBN 972-42-3585-8]
O meu agradecimento à Teresa Perdigão pelo cedência desta fonte bibliográfica caldense.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

215.ª Página Caldense

O ÁGUAS MORNAS
ZÉ POVINHO A BANHOS NAS CALDAS
CALDAS DA RAINHA- MAIO DE 1995
[O Águas Mornas -Zé Povinho a banhos nas Caldas. N.º Especial comemorativo dos 120 anos do Zé Povinho. Edição: Loja 107 Livraria Lda, Caldas da Rainha. Distribuição gratuita. 18 páginas. Formato A4. Caldas da Rainha, Março de 1995.Impresso a preto.]

214.ª página Caldense

FLAMA
ANO VIII - N.º 178 - 3 DE AGOSTO DE 1951



A OBRA DE RAFAEL BORDALO DIVULGADA PELO MUNDO

"Por falta de noticias recentes, cuidamos que a oficina fábrica que o Mestre Rafael Bordalo Pinheiro fundou nas Caldas da Rainha em 1884 já não existia; julgávamos que as suas belas caricaturas em cerâmica haviam sido destruidas pelo tempo; que da sua obra apenas restava uma saudade e um museu em Lisboa. Estivemos no principio deste mês nas Caldas da Rainha - cidade alegre da Estremadura - e fomos de romagem ao local onde o Mestre instalou a sua primeira oficina, para ver os últimos vestígios da sua escola ... e surpreendeu-nos ver funcionar com toda a actividade as secções que o Mestre fundou há 70 anos, tal como se ele tivesse saído para o campo, por momentos, em pesquisa de novos motivos na fauna e na flora da região.

A preparação do barro, a moldagem das célebres jarras de motivos clássicos, a pintura das figuras populares do fim do século XIX, a esmaltagem brilhante como vidro, dando realce às cores que só o Mestre conseguiu empregar no seu tempo, todo o aspecto duma escola de cerâmica nitidamente portuguesa, criada por um incomparável artista, continuam a ter vida própria no mesmo local onde nasceu, com as mesmas características de outrora, criando e divulgando as anedóticas figuras que não têm concorrência em qualquer outro país.

O motivo por que não nos têm chegado notícias das faianças artísticas de Bordalo Pinheiro explica-se pela exportação quase total de produção da fábrica, actualmente orientada por um grupo de figuras de destaque nas Caldas da Rainha que mantém com muito carinho uma das mais notáveis indústrias regionais - a única que possui os autênticos modelos criados pelo Mestre.

Sentimos então extraordinária alegria ao revivermos as impagáveis figuras de movimento que fizeram parte integrante das casas de jantar dos nossos avós; o polícia de enorme chanfalho e bigodeira, o moço de forcado elegante e fanfarrão, a rosada ama com todos os seus volumes, o sacristão de bochechas salientes, o eterno Zé povinho barrigudo, o arola chegado do Brasil cheio de ouro e de patacas, o archeiro da Casa Real e quantas figuras que se tornaram célebres em Portugal, e actualmente são adquiridas e disputadas no Canadá, no Brasil e em Espanha.

Os mais recentes modelos são do artista coronel Vasco Lopes de Mendonça.

Contudo a faiança das Caldas não está unicamente limitada à fabricação dos bonecos; as folhas de arbustos e de hortaliça transformadas em peças de utilidade têm muita procura e são deveras apreciadas nos hóteis de grande luxo da América do Norte, depois de uma importante exportação realizada em Chicago (U.S.A.).

A verdade é que as loiças, criação de Rafael Bordalo Pinheiro contnuam a ser divulgadas por terras estranhas: estiveram há poucos meses numa exposição em Boston (Canadá) e criaram fama; foram admiradas na ultima exposição internacional de Barcelona (Espanha) e as encomendas duplicaram; nalguns estabelecimentos do Rio de Janeiro (Brasil) estão sendo esgotadas as últimas peças enquanto o governo brasileiro não facilitar a sua exportação.

A célebre indústria criada pelo génio de Rafael Bordalo que nós julgavamos extinta, dificilmente consegue cumprir as encomendas vindas de todo o mundo."

A.S.B.

[Flama. Revista Semanal de Actualidades. Ano VIII - n.º 178 - 3 de Agosto de 1951. Preço: 2$50. Redacção e Administração: Rua de Santa Marta, 48. Lisboa. Propriedade da União Gráfica S.A.R.L.Imprime-se na União Gráfica e na Neogravura, Lda. Director-Editor: Mário Simas.]

O Gato Americano


THE FAVORITE CAT

[Nathaniel Currier, publisher, American, 1813-1888. hand-colored lithograph.
The Metropolitan Museum of Art.]

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

213.ª Página Caldense

VICTÓRIA
Número Único - 31 de Julho de 1898
RAFAEL BORDALO PINHEIRO

Homenagem a José António D'Araujo

"Meu poeta, d'aurea fronte,
Meu velho rapaz!... Agora,
Cantas, como Anacreonte,
E, no límpido horizonte,
O teu sol-posto - é aurora!

Quando ao cabo de cem anos
Tentarem pôr-te o «Aqui jaz»,
Na pedra dos desenganos,
Eu bradarei aos profanos:
-«Ohem que é vivo e rapaz!»

Bulhão Pato

212.ª Página Caldense


AZULEJOS DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO
1894
Tabacaria Mónaco - Rossio - Lisboa

Fotografias de Ana Palma

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco 1925 - 2008

COMUNIDADE
LUIZ PACHECO
desenhos de MAR

"Estendo o pé e toco com o calcanhar numa bochecha de carne macia e morna; viro-me para o lado esquerdo, de costas para a luz do candeeiro, e bafeja-me um hálito calmo e suave; faço um gesto ao acaso no escuro e a mão, involuntária tenaz de dedos, pulso, sangue latejante, descai-me sobre um seio morno nu ou numa cabecita de bebé, com um tufo de penugem preta no cocuruto da careca, a moleirinha latejante; respiramos na boca uns dos outros, trocamos pernas e abraços, bafos suor uns com os outros, uns pelos outros, tão aconchegados, tão embrulhados e enleados num mesmo calor como se as nossas veias e artérias transportassem o mesmo sangue girando, palpitassem compassadamente silenciosamente duma igual vivificante seiva." [...]

Exemplar n.º 87 de 150 exemplares numerados e assinados pelos autores

[Comunidade - Autor: Luiz Pacheco. Desenhos de: mar. Editor: Forja, Dezembro de 1985. Da presente edição os primeiros cento e cinquenta exemplares vão numerados de 1 a 150, vão numerados de 1 a 150, vão assinados pelos autores e incluem na portada um extratexto.]