CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



terça-feira, 8 de janeiro de 2008

213.ª Página Caldense

VICTÓRIA
Número Único - 31 de Julho de 1898
RAFAEL BORDALO PINHEIRO

Homenagem a José António D'Araujo

"Meu poeta, d'aurea fronte,
Meu velho rapaz!... Agora,
Cantas, como Anacreonte,
E, no límpido horizonte,
O teu sol-posto - é aurora!

Quando ao cabo de cem anos
Tentarem pôr-te o «Aqui jaz»,
Na pedra dos desenganos,
Eu bradarei aos profanos:
-«Ohem que é vivo e rapaz!»

Bulhão Pato

212.ª Página Caldense


AZULEJOS DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO
1894
Tabacaria Mónaco - Rossio - Lisboa

Fotografias de Ana Palma

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco 1925 - 2008

COMUNIDADE
LUIZ PACHECO
desenhos de MAR

"Estendo o pé e toco com o calcanhar numa bochecha de carne macia e morna; viro-me para o lado esquerdo, de costas para a luz do candeeiro, e bafeja-me um hálito calmo e suave; faço um gesto ao acaso no escuro e a mão, involuntária tenaz de dedos, pulso, sangue latejante, descai-me sobre um seio morno nu ou numa cabecita de bebé, com um tufo de penugem preta no cocuruto da careca, a moleirinha latejante; respiramos na boca uns dos outros, trocamos pernas e abraços, bafos suor uns com os outros, uns pelos outros, tão aconchegados, tão embrulhados e enleados num mesmo calor como se as nossas veias e artérias transportassem o mesmo sangue girando, palpitassem compassadamente silenciosamente duma igual vivificante seiva." [...]

Exemplar n.º 87 de 150 exemplares numerados e assinados pelos autores

[Comunidade - Autor: Luiz Pacheco. Desenhos de: mar. Editor: Forja, Dezembro de 1985. Da presente edição os primeiros cento e cinquenta exemplares vão numerados de 1 a 150, vão numerados de 1 a 150, vão assinados pelos autores e incluem na portada um extratexto.]

domingo, 6 de janeiro de 2008

211.ª Página Caldense

O SÉCULO - Supplemento Illustrado
Caricatura assinada por: JORGE COLAÇO

"Hoje enriquesse a nossa galeria,
E vem honrar o nosso Suplemento
O artista genial, cujo talento
Mostramos aos demais com ufania.

N'este descrer, que sobe dia a dia,
No liquidar do ultimo momento,
A Arte, eis o que traz o esquecimento,
Consolação na hora fugidia.

Por ella vive ainda o luctador,
E n'ella encontra o lume sempre vivo
Que lhe transforma em riso a própria dor.

Sauda o povo o artista sobre e altivo,
que há poemas de luz, sonhos d'amor,
No seu riso de toça, convulsivo."

Belmiro

[O Século. Suplemento Ilustrado. Segundo ano, N.º 17. Quinta feira, 24 de Fevereiro de 1898. Redacção e Administração: Rua Formosa, 43 - Lisboa. Número Telefónico: 242. Director Artístico: Jorge Colaço. Director literário: Acacio de Paiva. Número Avulso: 20 réis.]
Joaquim Saloio, de novo, obrigada.

210.ª Página Caldense

A JARRA DE BORDALO
Ilustração de JORGE COLAÇO


Legenda:

"Andam os senhores toda a vida a subir, quando para ser-se grande não é preciso nem dinheiro nem política...
Basta ter talento, ex.ºs senhores!"


Nota: Sempre, sempre na companhia de Bordalo, um gato. Nesta página, um à sua direita.


[O Século. Suplemento Ilustrado. Segundo ano N.º 48. Quinta feira 6 de Outubro de 1898. Director Artístico: Jorge Colaço. Director Literário: Acácio de Paiva.]

Agradecimentos ao Joaquim Saloio pelo empréstimo desta fonte bibliográfica ilustrada bordaliana.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

209.ª Página Caldense

ENTRE AMIGOS

Rafael Bordalo Pinheiro e os seus gatos
[peças de cerâmica da Fábrica Bordalo Pinheiro]

Os meus agradecimentos ao Dr. Mário Gonçalves pela oferta desta fotografia

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

208.ª Página Caldense

VINHETAS - CALDAS DA RAINHA

[4 imagens diferentes: Vista da Mata / Lago do Parque / Interior da Igreja de Nossa do Pópulo / Torre da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo - Impressas a castanho. Segundo informação recolhida estas vinhetas foram impressas para angariação públicade fundos destinados à construção da Estátua da Rainha D. Leonor, no largo Conde de Fontalva.]

207.ª Página Caldense

OS GATOS
FIALHO DE ALMEIDA


"27 de Setembro


Pequena romaria à fábrica de faianças de Bordalo, nas caldas da rainha, para de perto estudar a gestação laboriosa dum génio isolado, e a indiferença soez dum público cretino. A fábrica suspendeu por falta de dinheiro: quando já estava cheio e acogulado de louça um forno Minton, subitamente o cofre estanca-se e os accionistas debandam, deixando Rafael Bordalo entre um pessoal d'aprendizes e oficiais que lhe pediam pão.

Não trouxe das Caldas notas para dizer da fábrica e da louçaria artística ou trivial que ela labora, e porque semelhante trabalho seja impossível d'esmiuçar à simples reminiscência, reservá-lo-ei para quando, melhor ensinado, valha a pena informar o leitor com probidade. O que por agora me traz das Caldas às páginas ásperas e reputadamente hostis deste panfleto, é o desejo de fixar uma expressão do génio de Bordalo, que me parece ainda pouco conhecida, e de fazer a exacta reportagem duma das obras mais estranhamente originais que há muito tempo vêem luz na escultura do país. A coisa irá desta vez escorreita e sem arrebicados, à uma porque o estilo caseiro põe o escritor desiludido ao nível da bestialidade do seu tempo, à outra porque eu, a respeito de primores de forma, sabendo já que público arremangado tenho à perna, decido alfim não deitar pérolas a porcos.

A cerâmica de Bordalo abrange artefactos de louça caseira ou decorativa, azulejos, telha de cores, etc., constituindo a produção usual da fábrica, e obras d'escultura que são, na desabrochante curva da vida artística do meu amigo, a terceira grande frase monumental do seu talento." [...] [Páginas 123 a 144]

[Os Gatos. 6.º Volume. Fialho d'Almeida. Clássica Editora. Edição de Setembro de 1992. tiragem: 2000 exemplares. ISBN 972-561-210-8]

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

206.ª Página Caldense

ILUSTRAÇÃO - Publicação Quinzenal
Ano 2.º - Número 41 - 1 de Setembro de 1927

"Os certames que a antiga vila, hoje pequena cidade, das Caldas da Rainha vem há anos organizando, são sempre brilhantes provas da actividade e do desenvolvimento da região que as Caldas dominam, constituindo ao mesmo tempo uma parada imponente da indústria nacional.

A V Exposição, há dias inaugurada,confirma brilhantemente as tradições dos anos anteriores e gostosamente a essa esplêndida iniciativa a «Ilustração» dá o concurso da sua publicidade, fazendo votos porque o exemplo da nova cidade das Caldas da Rainha, seja seguido por outras regiões do país, que o trabalho e a actividade dos seus habitantes teem tornado prósperas."
"Parque das Caldas - A explanada dos srs. Sousa e Galinha, correspondentes da «Ilustração» naquela cidade."
"O stand dos srs. Orey Limitada, de Lisboa, rua 24 de Julho 42, representantes das marcas de automóvel Lincoln, Ford e Fordson, onde se tornou notada pela elegância e boa execução da carrosserie feita nas suas oficinas, uma Camionette Ford para passageiros."

"Um caldense que se deixa florir com o melhor dos seus sorrisos."

"O stand dos artistas, à beira do lago do Parque, projecto do arquitecto Paulino Montez."

"Durante a cerimónia da inauguração: a tribuna do elemento oficial."

"Os representantes do governo percorrendo o recinto da exposição."
"O desfile das várias corporações de bombeiros."

"Exercícios dos Bombeiros."

"O stand da Salsicharia Favorita de Lisboa, rua do Século, 167, 171, dos srs. Fernando de Moraes & Filhos, onde duas interessantes raparigas belgas teem passado os dias fazendo sandwichs de fiambres e mortadelas de sua fabricação que teem sido muito apreciadas pelos inúmeros visitantes da Exposição."

"Stand dos srs. Shirley & C.ª, de Lisboa, rua do Arsenal, 124, 1.º onde estão expostos os sensacionais candieiros «Petromax», de luz incandescente a petróleo, próprios para iluminação pública, casas de campo, casinos, cafés, etc. A fotografia deste stand foi tirada às 23 horas sem auxílio de magnésio pelo fotógrafo da «Ilustração», sr. Mário de Novais."

[A reportagem sobre a V Exposição das Caldas da Rainha, ocupa 7 páginas e apresenta um total de 23 fotografias.Ilustração. Propriedade e Edição: Aillaud Lda, Rua Anchieta, 25. Lisboa. Director: João da Cunha de Eça. Director Técnico: Feliciano Santos.]

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Página de Fim de Ano

O MOSCARDO - ANO I - N.º 3
10 DE JUNHO DE 1913
As "festas" da cidade

Alface: - Então, "seu" Zé, está contentinho com as minhas festas?
Zé: - Ora se estou! Junto d'uma alface d'estas até me sinto grilo...

Francisco Valença
B o a s F e s t a s

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

205.ª Página Caldense


Associação Musial - 10.º e Último Concerto Clássico - Real Teatro de S. Carlos
24 de Junho - 3.ª Época - 1882
Rafael Bordalo Pinheiro

O meu agradecimento ao Diamantino Fernandes pela partilha desta peça

204.ª Página Caldense


Associação Musical - 7.º Concerto Clássico - Real Teatro de S. Carlos
3.ª Época - 1882
Rafael Bordalo Pinheiro

O meu agradecimento ao Diamanatino Fernandes pela partilha desta preciosidade Bordaliana

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

203.ª Página Caldense

O NATAL DOS MENINOS BONITOS DA NAÇÃO
O ANTÓNIO MARIA
29 DE DEZEMBRO DE 1881
RAFAEL BORDALO PINHEIRO

[À esquerda: Good Morning: "os meninos bonitos que teem broas" (o governo : todos a rir). À direita: Good Night: "os meninos bonitos que não teem broas" (a oposição : sobrolho carregado). Ao centro: uma árvore de Natal e sob esta um Zé Povinho, de mãos nos bolsos, alheio ao que se passa em seu redor, dorme.]

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007