segunda-feira, 8 de outubro de 2007
domingo, 7 de outubro de 2007
168.ª Página Caldense
MANUEL ALEGRE
FOZ DO ARELHO
ou
PRIMEIRO POEMA DO PESCADOR
Este é apenas um pequeno lugar do mundo
um pequeno lugar onde à noite cintilam luzes
são os barcos que deitam as redes junto à costa
ou talvez os pescadores de robalos com as suas lanternas
suas pontas de cigarro e suas amostras fluorescentes
talvez o Farol de Peniche com o seu código de sinais
ou a estrela cadente que deixa um rastro
e nada mais.
Um pequeno lugar onde Camilo Pessanha voltava sempre
talvez pelo sol e as espadas frias
talvez pela orquestra e os vendavais
ou apenas os restos sobre a praia
«pedrinhas conchas pedacinhos d'osso»
e nada mais.
Um pequeno lugar onde se pode ouvir a músicao vento o mar as conjunções astrais
um pequeno lugar do mundo onde à noite se sabe
que tudo é como as luzes que cintilam
um breve instante
e nada mais."
Foz do Arelho, 8.8.96
[Senhora das Tempestades. Manuel Alegre. Publicações Dom Quixote. 1.ª Edição, Fevereiro de 1998. ISBN 972-20-1450-1.Fotografia de Margarida Araújo.]
167 Página Caldense

OS COMICS EM PORTUGAL
ANTÓNIO DIAS DE DEUS
CAPÍTULO 4.º
RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO
A entrada em cena de Raphael Bordallo Pinheiro provocou uma revolução completa na nossa ilustração gráfica. Tão forte era a sua personalidade que os imitadores continuavam, várias décadas após a morte. Os gags dos seus cartoons foram, repetidos até ao fastio; as histórias aos quadradinhos satíricas invadiram todos os jornais em todos os lados. A admiração que despertou, algumas vezes em excesso, fez até esquecer os artistas que o procederam na caricatura e técnica narrativa." [Pág. 37]
[Os Comics em Portugal - Uma Hstória da Banda Desenhada. António Dias de Deus. Revisão e actualização por Leonardo De Sá. Edições Cotovia / Bedeteca de Lisboa. 1.ª Edição. 1997. ISBN 972-8423-04-7]
166.ª Página Caldense
JOAQUIM MARÇAL FERREIRA DE ANDRADE

[Páginas 192/193]

[Páginas 192/193]
"Primeira dupla da fotorreportagem brasileira?
Mas, afinal, teriam José do Patrocínio e J. A Corrêa constituído a primeira dupla da fotorreportagem brasileira, sob o patrocínio de Rafael Bordalo Pinheiro? Ou, quem sabe - se considerarmos o fato de que foi Bordalo quem produziu a imagem publicada - poderíamos considerar José do Patrocínio e Rafael Bordalo Pinheiro como a verdadeira dupla pioneira, considerando que foi Bordalo quem transformou aquelas imagens em fotografias jornalísticas, já que ao serem originalmenter produzidos por J. A Corrêa, sua intensão seria outra?
Independentemente da resposta, o fato é que ali detectamos o primeiro passo concreto no sentido da profissionalização deste sistema que veio a ser denominasdo de fotorreportagem, qual seja, uma «reportagem na qual as fotografias constituem a parte mais importante, acompanhadas somente de legendas ou de breve texto explicativo»." [Pág. 199]
[História da Fotorreportagem no Brasil. A fotografia na Imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900. Joaquim Marçal Fereira de Andrade. Edições Biblioteca Nacional / Editora Campus. 1.ª Edição, 2004. ISBN 85-352-1376-7.]
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
165.ª Página Caldense
JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE
"Café Central"
"Voltei ao café onde me levavam
quando rapaz. E onde entrei algumas vezes quando
ia às Caldas. Na parede
o unicórnio, o cavalo alado, um terceiro espécime mais pequeno
que certa aura ilumina
bailado em ouro de gentileza
sobre azul que fôra turquesa e o restauro tornou azul
ganga
a sala abre sobre
a praça. O trânsito, tal como hoje, circula pela esquerda (coisa
elogiada pelos lábios murmurantes da política) e
o mercado da fruta - raiz de todo o comércio, espécie de relíquia
ninguém impede o rapazio de vender berlindes e
de cantar a sua própria canção. "
[Termo de Óbidos. João Miguel Fernandes Jorge. Relógio d'Água. 1.ª Edição Dezembro de 2006. ISBN 978-972-708- 926-0. Preço: 10,00 Euros.]
Com um abraço amigo dedico esta página caldense à Maria.
Leituras

RAFAEL BORDALO PINHEIRO
O PORTUGUÊS TAL E QUAL
JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA
"Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), nado e criado em Lisboa, protagonista da tragicomédia da capital, foi, com seu irmão Columbano e Malhoa, um dos três grandes artistas portugueses das décadas finais de Oitocentos.
Na sua vastíssima obra de desenhador (e de ceramista) passa, em comentário de humor livre e independente, toda a história política, social e cultural de Portugal que nessa obra encontra explicação e às vezes desculpa...
No centro dela, Zé Povinho encarna desde 1875 (para sempre?) o sofredor de todos os regimes mas de resposta pronta e adequada à sua indignação...
O livro de José-Augusto França, publicado em 1980, reeditado e há muito esgotado, é a obra básica para o conhecimento minucioso deste artista que foi, mais do que alguém no país - "O Português Tal e Qual". (Sinopse do Editor)
[Rafael Bordalo Pinheiro O Português Tal e Qual. Autor: José-Augusto França. Livros Horizonte. 3.ª Edição, 2007. ISBN 978-972-24-1525-5. Preço: 28,50 Euros.]
Leituras


O MEU NOME É LEGIÃO
ANTÓNIO LOBO ANTUNES
DOM QUIXOTE
1.ª EDIÇÃO - 400 EXEMPLARES ASSINADOS E NUMERADOS PELO AUTOR
Setembro de 2007
Edição encadernada (preto)
Estabelecimento do texto por Agripina Carriço Vieira
Edição ne varietur de acordo com a vontade do autor
Coordenação de Maria Alzira Seixo.
ISBN 978-972-20-3463-0
45,00 Euros
Leituras
A Cognocenti contemplating ye Beauties ye Antique
Hand-coloured etching 36 x 35.2
Published 11 Febuary 1801
[James Gillray - The Art of Caricature. Richard Godfrey with an essay by Mark Hallett. Tate Publishing, 2001. ISBN: 1 85437 364 1]
164.ª Página Caldense

[Fontes Pereira de Melo nas Caricaturas de Bordalo Pinheiro, Exposição Comemorativa da morte de Fontes Pereira de Melo 1887-1987. Museu Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa, 1988. Investigação e Organização do Catálogo: Irisalva Moita. Edição: Câmara Municiapl de Lisboa / Museu Rafael Bordalo Pinheiro.]
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Parabéns Florbela
Florbela (Espanca) é a nossa gata livreira.
Deixada cá há meia dúzia de anos, cresceu entre os mais ilustres escritores. Influenciada talvez, pelas particularidades dos homens e mulheres das letras, tornou-se numa gata de personalidade vincada, pouco dada a afectividades.
Selectiva nas suas escolhas, vive grandes momentos de solidão introspectiva na companhia de um Hemingway, de um Torga e de mais raramente de um Dostoievsky.
Hoje ela está de parabéns. É o Dia Mundial do Animal.
Receberá de presente: o belíssimo África, de Sebastião Salgado, o inquietante Fantasma de Hitler, de Norman Mailler, A Sétima Porta do sedutor Richard Zimler, e obrigatoriamente, O Nosso Nome é Legião de António Lobo Antunes.
(Nunca se diga que uma livreira não influencia os leitores …)
Tenho a certeza de que, deste modo, farei com que o seu dia seja especial.
Mas para já, a gata Florbela tem de deixar de andar a passear por cima das teclas do computador, senão como termino eu este texto de amizade e carinho?
Numa fugidia festa, passo-lhe a mão pelo pêlo… E ela, baixinho, ronrona ...
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
163.ª Página Caldense

DESCRIÇÃO DA CIDADE DE LISBOA
DAMIÃO DE GÓIS
"A Rainha dona Leanor, mulher que foi del Rei dom João segundo do nome, e irmã del Rei dom Emanuel, foi uma virtuosa, e católica cristã e fez da sua fazenda muitas esmolas a pessoas que disso tinham necessidade, e assim a mosteiros de frades, e freiras pelo que comumente lhe chamavam mãe, e amparo dos Pobres.
Fundou de novo o Hospital das Caldas, em termo de Óbidos, e lhe deu muitas rendas, que para isso comprou da coroa do reino, e ricos ornamentos para o serviço divino, com grande soma de roupa para camas, e serviço das pessoas que se ali viessem curar assim ricos, como pobres; e para os pobres deixou rações ordenadas por espaço de um mês, que é o tempo em que as águas daquelas caldas fazem sua obra." [Pág. 72]
[Livros Horizonte. Tradução do texto latino, introdução e notas de José da Felicidade Alves. Colecção Cidade de Lisboa. Data de Edição: 1988.]
Leituras

A partir de hoje (um impressionante) leilão de livros no Porto.
Nalgumas das peças a leilão, Bordalo Pinheiro.
- As Barbas de Junqueiro (Rafael)
- Miau! (Manuel Gustavo)
- Pensamento. Orgão do Instituto de Cultura Socialista (Rafael)
- Salão dos Humoristas Portugueses, 1913 (Manuel Gustavo)
- Ilustração Portugueza, 1903/1905 (Rafael)
- ...
[Desabafo: Em momentos como este, lamenta-se não ter pais ricos nem ter ganho a lotaria... ]
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