CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Convite ao Descanso num Dia Feriado

Parque das Merendas - Mata
Caldas da Rainha
Colecção Passaporte

121.ª Página Caldense

DO OUTRO LADO
Cançoneta Cómica
RAFAEL BORDALO PINHEIRO


Págs. 4 e 5


"Indo ao saco do alferes, n'um bonde,
Encontrei-me com dama elegante
Que o pésinho gentil me esconde
E depois do pésinho... adiante...


E quando eu, n'um momento opportuno,
Mais pra dama me tinha chegado,
Emplamava-me a bolsa um gatuno
Do outro lado!"

Alfredo de Moraes Pinto


[Texto de: Alfredo de Moraes Pinto (Pan-Tarantula). Ilustrações de Rafael Bordalo Pinheiro. Editor: Tavares Cardoso & Irmão - Largo do Camões, 5 e 6 - Lisboa. 1.ª Edição, 1885. 16 Páginas numeradas + capas. Dimensão: 12,00 x 18,50 cms.]

terça-feira, 14 de agosto de 2007

120.ª Página Caldense.

OCIDENTE
VOL XIX - 1943 - N.º 60

A RAINHA D. LEONOR

(Relatório Médico do Dr. Júlio Dantas)

"Os meus estudos ulteriores, apresentados à Academia e, mais tarde, confirmados pelos trabalhos de Ricardo Jorge e de D. António de Lencatre, estudos que fazem parte do meu novo livro, já no prelo, A morte dos reis de Portugal, levaram-me à convicção de que D. João II sucumbiu, não à acção do veneno, mas a um ataque de urémia, e de que todas as suspeitas, que podem macular a nobre figura da Rainha, eram absolutamente infundadas.

Agora, que vai celebrar-se o centenário da excelsa princesa, é bom recordar as injustiças de que ela foi vítima, e que, afinal, não fizeram senão contribuir para que a memória das suas virtudes ainda mais resplandeça."

Outubro, 1925 - (Do In Memoriam)
Júlio Dantas

[Ocidente, Revista Portuguesa Mensal, Abril, Vol. XIX. 1943. N.º 60. Director, Proprietário e Editor: Álvaro Pinto. Pág. 416]

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A melancolia de um fim de tarde...


CALDAS DA RAINHA - PRAÇA DA REPÚBLICA
(Praça da Fruta)

119.ª Página Caldense

OS GALEGOS E OUTRAS HISTÓRIAS
RAFAEL BORDALO PINHEIRO


[Prefácio de Carlos Consiglieri. Vega. Colecção Arte / Ilustradores. 2.ª Edição ampliada, 1994. ISBN 972-699-279-6]

domingo, 12 de agosto de 2007

100 anos de Torga - 12 de Agosto


PORTUGAL
MIGUEL TORGA

[...]Todas as condições, como se vê, para que outro apogeu da nossa cultura surgisse das margas onde ela afinal tem as raízes. Uma vez que o melhor da força criadora nacional está concentrado nesse pequeno reduto de que as serras de Aire, Candeeiros e Montejunto são ameias, nada de mais sensato do que tentar reverdecê-la aí. Granjeada de novo naquelas colinas suaves e calmas, talvez brotasse com o alento por que todos suspiram. Não é às lousas do xisto ou à aspereza das urgueiras que se hão-de pedir filigranas góticas e versos bucólicos. Nos sítios onde a natureza não quer, nem as calhandras cantam. O talento é preciso, mas é preciso também que o meio ajude. Que sustente o artista e lhe dê pedra capaz, barro moldável, madeira propícia, e lhe não tolha as mãos de frio, se ele escreve ou pinta. O faro, de resto, nunca enganou a fauna dos que em Portugal vivem condenados à inglória penitência da beleza. Porque sabem que é ali o clima ideal do seu trabalho, eles próprios consideram sempre a Estremadura como chão dos seus pés. Sem falar no Rodrigues Lobo, no Malhoa e no Lopes Vieira, que, por sorte, nasceram na região, é um Frei Agostinho da Cruz que se refugia na Arrábida, um Bordalo que deixa Lisboa e assenta arraiais nas Caldas, um Eça que, embora fugidiamente, se instala em Leiria, uma Josefa de Óbidos que procura a terra do pai, um Guilherme Filipe que se demora na Nazaré - fora os muitos e muitos que desejariam ficar, mas a quem a vida apenas consente curtas visitas de tonificação."

Centenário de Miguel Torga- O escritor nasceu a 12 de Agosto de 1907.

[Miguel Torga, Portugal - Publicações Dom Quixote, 7.ª Edição (1.ª na Dom Quixote), Junho de 2007. ISBN 978-972-20-3370-1]

sábado, 11 de agosto de 2007

118.ª Página Caldense

ESTREMADURA
1943 - SÉRIE II - N.º III


"RAFAEL BORDALO PINHEIRO E OS SALOIOS"

[...]"Foi numa alegre e movimentada burricada em Cacilhas que Rafael Bordalo conheceu a Senhora que depois foi sua Esposa. Porém surgiu uma perigosissima e traiçoeira barreira a opor-se tenazmente ao que os dois enamorados supunham ser a suprema felicidade. A Sogra! Se os dois apaixonados se amavam com intensidade, igualmente era intensa a oposição que a futura sogra fazia à desejada união. Sim, porque aquela boa Senhora repugnava dar a filha a um "boémio", um "valdevinos", um "ponta monos" sem futuro, pois nem sequer amanuense era!

E para se opor a que a paixão nascente aumentasse, a pouco sensata senhora exerceu tal vigilância que acabou por fechar a cadeado as janela da casa onde habitavam, para assim impedir a filha de ver o apaixonado Rafael."[...] [Pág. 319 a 324]

Julieta Ferrão

[Estremadura - Boletim da Junta de Província. Publicação Trimestral. Director: Carlos Botelho Moniz. Julho / Agosto / Stembro - 1943 - Série II - Número III]

Elogio do Livro


ELOGIO DO LIVRO
ROMANO GUARDINI

"Estareis agora de acordo, meus amigos, para que eu interceda a favor dos livros, e espero que estas minhas palavras não vos soem a maçadoria pedante. É que eles necessitam deste empenho, pois nem sempre - quase só apetecia dizer: só muito raramente estão em boas mãos.

Como se deve, portanto, tratar um livro, quando se gosta dele?"[Pág. 33]

[Título original. Lob des Buches. Grifo - Editores e Livreiros Lda. 1.ª Edição: 1994. ISBN 972-8178-00-0]

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

117.ª Página Caldense

A EXTREMADURA PORTUGUESA
ALBERTO PIMENTEL


XXIII

Caldas da Rainha


[...]"Antigamente era longa e fatigante a jornada para as Caldas, por maiores que fossem os recursos pecuniários dos seus frequentadores, entre os quais el-rei D. João V que treze vezes ali foi, ansioso de recobrar a saúde que tinha malbaratado.

Hoje, de Lisboa às Caldas da Rainha são, pela linha do este, viagem directa, apenas 109 kilómetros de caminho de ferro.
[...]
Mas D. João V foi treze vezes às Caldas em procura de saúde, que outros, mais felizes, ali tinham encontrado, D. João IV por exemplo, e que ele não encontrou.

Em 1747, por ocasião da undécima jornada, encarregou o brigadeiro Manuel da Maia de refundir imediatamente o hospital e a igreja.

Abriram-se minas, fizeram-se fontes, tanques, um aqueduto, cadeia, e novos paços do concelho, com relógio e sineira, que foram levantados na Praça – actual.

Dentro de três anos, à força de dinheiro, concluíram-se todas estas obras.

D. João V tinha presa de ver medrar a construção a que ligava o seu nome e que era hiperbolicamente aplaudida por quantos frades e freiras enxameavam em torno das termas das Caldas da Rainha.

As freiras deram ali brado. Em 1644 um fidalgo aventuroso, de parceria com quatro amigos igualmente audazes, tentara por fogo ao hospital para na confusão do incêndio raptar uma freira. Em 1651, D. João IV, escandalizado com as mundaneidades das freiras, ordenou que elas não fossem admitidas a tratamento. Em 1653, os abusos freiráticos não tinham diminuído, apesar daquela proibição, e o rei teve de renová-la. Mas os empenhos e rogos foram tais, que no mesmo ano D. João IV deu alguma elasticidade à proibição tolerando que várias religiosas fossem tratar-se nas Caldas.

Veio D. João V, vieram as muitas jornadas que este rei ali fez, e as freiras gozaram plena liberdade.

Pudera! O rei estava com a sua gente, e as freiras estavam com o seu rei… conquanto ele já não pudesse com uma gata pelo… manto real."

[Portugal Pittoresco e Illustrado - II - A Extremadura Portuguesa (Segunda Parte) - Região dos saloios e as suas zonas / As portas da Capital. Cidade de Lisboa. Entre Belem e Cascaes / da Outra Banda à enseda de Sines / Districto de Leiria. Empreza da História de Portugal, Sociedade Editora - Lisboa . Livraria Moderna, Rua Augusta 95, Lisboa - Typographia Rua Ivens, 45 -MDCCCCVIII.]

Ao Joaquim Saloio o meu agradecimento por mais esta partilha de informação.

Um Olhar Enigmático

Palácio Fronteira - jardim, azulejos do século XVII - Lisboa
Foto Nicolas Sapieha (postal, edição de "O telescópio de Galileu")

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

116.ª Página Caldense


PANORAMA

"Ramalho Ortigão e as Caldas da Rainha"

"A Ramalho Ortigão - o "precursor do turismo" - deve Caldas da Rainha o descritivo admirável dos seus encantos paisagísticos; a evocação enternecida dos seus arredores: - «... nada vi jamais para lhe antepor, como tranquila, risonha, e pacífica expressão da natureza rústica e da vida rural»; o estudo da sua graciosa indústria; a legenda de inventariação artística e literária dos monumentos, em redor; o sedutor enlêvo romântico da sua crónica da época calmosa. «Acentuadamente sanguíneo, grossamente musculoso, antigo passarinheiro, caçador de coelhos e pescador de trutas na sussurrante espessura dos pinhais e na desnevada corrente dos rios», as Caldas foram, anos e anos, a atracção predilecta do seu temperamento de excursionista incorrígivel." [Pág. 13 a 15]
Luiz Teixeira

[Panorama - Revista Portuguesa de Arte e Turismo - Publicação Mensal do Secretariado da Propaganda Nacional - Nr.º 7 - Ano 1 - Vol. 2 - 1942]

115.ª Página Caldense

FAIANÇA ARTISTICA DAS CALDAS DA RAINHA
5.ª EXPOSIÇÃO DE MODELOS DE M. GUSTAVO BORDALlO PINHEIRO


[Data de edição: 1913. Fábrica Bordallo Pinheiro "San Rafael" - Impressão: Imp. Libanio da Silva, Lisboa]

Grande espreguiçadela ....

RAFAEL BORDALO PINHEIRO
Pontos nos ii, 6 de Agosto de 1885

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

114.ª Página Caldense

SCENAS DE LISBOA
D. THOMAZ DE MELO

Capa desenhada por RBP (assinatura a vermelho no canto inferior esquerdo).


Ilustração (extratexto) de Rafael Bordalo Pinheiro.

[Biblioteca sem Nome. Tipographia Lisbonnense - Largo de S. Roque, 7 - Lisboa. Data de Edição: 1874. Preço: 600 réis.]