

[...]
Nos terrenos húmidos e habitados onde, há pouco mais de quatro séculos, apenas existiam uns olhos de água milagrosa, e os casebres arruinados de algum balneário primitivo - ergue-se agora uma das mais frequentadas estâncias portuguesas do seu género.
Do lançamento fortuito e acanhado das vias de maior circulação, do aspecto insulso de muitos edifícios, resultara uma povoação pouca expressiva.
Sem largas artérias que lhe desafoguem a circulação, sem arranjos notáveis que a embelezem, como estância de cura e de repouso, sem edifícios apropriados que acomodem satisfatoriamente os edifícios públicos, a cidade, nos seus aspectos, não corresponde bem à actividade comercial dos seus habitadores permanentes, nem à simpatia dos visitantes e banhistas de todas as categorias sociais que às termas se acolhem.




(pormenor)
ABCzinho, 23 de Outubro de 1922
Stuart*
[*José Herculano Stuart Torrie d'Almeida Carvalhais (1887-1961]

Rainha D. Leonor
"Quereríamos deixar nesta página do nosso estudo da mulher na História Pátria, não as carradas de erudição com que muitas pretendem erradamente a supremacia de qualquer assunto, mas à luz precisa, clara e imerecida duma língua de fogo do Divino Espírito Santo, a justiça requer uma figura a que reconheceremos valor mas não podemos dar a ternura que não nos inspira.
Estamos diante da neta dos Infantes D. Duarte e D. João, D. Leonor de Lencastre a filha da Infanta D. Beatriz e do Infante D. Fernando que aos doze anos foi mulher de El-Rei D. João II de Portugal.
Nascida a 2 de Maio de 1458, D. Leonor apesar de muito débil, chegou aos sessenta e sete anos, sobrevivendo vinte ao marido.
Foi de "singular formusura de corpo e de espírito" diz-nos a frase clássica das crónicas. Julgamos poder afirmar igualmente a sua bondade pois nem de outro modo explicaríamos (pelo que nos foi dado aprender do carácter de D. João II); que El-Rei a estimasse tanto até ao fim da vida, afligindo-se em extremo ainda nas vésperas da sua morte com a notícia de grave doença da Rainha." [Pág. 171 a 175]
[Data de Edição: 1940. Acabou de se imprimir este livro "A Mulher na História de Portugal" no dia da exaltação da Santa Cruz, aos 14 de Setembro de 1940, no Centro Tipográfico Colonial, Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 27,28 e 29 - Lisboa. 238 Páginas numeradas + capas. Sem indicação de editor.]