CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



domingo, 10 de junho de 2007

58.ª Página Caldense


ADVERTENCIAS SOBRE OS ABUSOS, E LEGITIMO USO DAS AGUAS MINERAES DAS CALDAS DA RAINHA, PARA SERVIR DE REGULAMENTO AOS ENFERMOS QUE DELLAS TEM PRECISÃO REAL.

PUBLICADAS DE ORDEM DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA.
POR FANCISCO TAVARES

Sócio da mesma Academia, e lente de Prima e Decano da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Lisboa
na officina da mesma Academia Real anno de M. DCC. XCI

"Introdução

I - Do preparo

II - Do tempo

III - Da quantidade

IV - Do modo

- Uso interno

. Quantidade

. Intervalo

. Passeio

- Uso externo

. Banho

. Clister

V - Da dieta

- Ar

- Comida, bebida

- Movimento e quietação

- Sono e Vigia

- Detenção e excreção

- Afectos d'animo

- Adicção

Catálogos"

[Livro com com 37 páginas numeradas + páginas de rosto + 2 páginas de Catalogo + 4 de Introdução. Exemplar sem capa. Dimensão:14,50 x 20,50 cms.]

sábado, 9 de junho de 2007

57.ª Página Caldense

RAFAEL BORDALO PINHEIRO
PONTOS NOS II
2 de Junho de 1887

S. Gomes Neto, Advogado das Caldas

"Uma vez que ele tomou as Caldas sob a sua divina protecção, aqui lhe levantamos um altar, e lhe rezamos um terço, e lhe oferecemos umas sobrecasaquinhas de cera, e lhe acendemos uns tocheiros, e lhe pregamos as abas na sobrecasaca com ancoras, para que a ventaneira das ditas abas não apague a luz das tochas.

Se continuar com a mesma boa vontade, havemos de lhe fazer um círio que meta num chinelo afamado da Senhora do Cabo!"

[Pontos nos ii, jornal de Rafael Bordalo Pinheiro, publicado entre 1885 e 1891.Impresso na Litografia Guedes, em Lisboa.]

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Isto é a Praça da Fruta


É manhã,
Manhã escolhida, louça…
Alaga o sol a praça inteira
Já palco de arraial e feira,
Chão de horta e pomar, jardim…
E dou comigo a falar para mim:
- É, é… É o típico rural,
Velho-relho e sempre novidade,
Certo, certinho, aqui, neste local,
Aqui, surpresa, ao centro da
Cidade


Cafés, bancos, lojas variadas,
Prédios de vária cor e porte,
Tantos de má cara, cara feia,
-Fachadas mal pintadas –
Talvez de boa vida
Mas dignos de má morte
-Ou merecem outra sorte ?-
Eis a moldura desta praça
Um tabuleiro, rectângulo vulgar,
Praça de basbaques, pasmaceira,
De passeios digestivos (e de amor…)
Assim mesmo bonitinha, buliçosa
Sala de visitas e … e tonta
Quadrilheira
Famosamente famosa…


Ora ei-la já tapete, colorida,
Gente a formigar, os olhos postos
Nas couves, nas laranjas, nas
Batatas,
Tensos em preços, qualidades, luta
Da compra e venda, diária disputa…
E eu a olhar aqueles rostos,
A beber, meio distante, o
Espectáculo,
Paisagem desfeita em paisagens,
Teatro inteiro vivo em mil
Imagens…
Olho os saloios… Nada picturais,
Semblantes secos, toscos, baços,
Egoístas, calculistas,
Terrenos, incolores, muito iguais…

Olho tudo. Busco tudo. Quero mais!...


Busco formas e cores de Malhoa
E almas, em frontes e perfis,
Almas próprias, ares, luzes,
- Essas que vêm de dentro até à pele –
Planos, perspectivas, emoções,
E, entre os sons, em vão, pregões,
Pregões dos campos, dos canteiros,
Os ditos de sabor pelos carreiros,
Ou risos, gargalhadas francas,
Uns gracejos, derretes, gritos moços,
Brigas de cores, gestos de bulícios,
Místicas pagãs, alvoroços,
Mas, do que busco, há pouco: só
Resquícios…



No entanto, não me tirem estas vistas,
Vistas de postais sem artifícios,
O oirinho desta praça só aspecto.
Leve clima mas clima original,
Do meu vagar, enigma formoso,
Recreio distinto, matinal,
Conforto sedativo e tónico gostoso…
Não me tirem esse encanto…

Estes saloios mercenários, pastores
De frutas, couves, flores…



Estas cenas vicentinas
Dos e tercetos de comadres
Olhantes, murmurantes,
Casquinando viperinas

Estes amoricos de cravos e rosinhas
Enleados, enleados,
Eles cavaleiros, elas princezinhas


Estes nédios napolitanos
Certos aqui, certos além, compadres
De ar solene, soberanos…


Esta estranja loira, aventureira,
Multilingue, multiforme,
Que pára, pasma, filma, fotografa
A Praça para si enorme
Coisinha feiticeira…

E a lusa ralé, olá
De toda a rosa dos ventos
Sabida finória, que vem cá
Gaiteira, alvoraçada,
E vai cheia do que pode, inchada,
Como se as famílias fossem
Regimentos…
E enfim a graça, graça auroral,
- De crescer água na boca –
De certa fruta viva, ondulante,
Fruta que na Praça se desloca,
Sumarenta, doce, aliciante,
Ou que perto paira, por janelas,
Descendo olhares Oh, quadradinhos…
Aos mocinhos esparrelas…



Afinal, curiosas conclusões:
Sob um tecto fino, azul toalha,
Impera aqui a Poesia,
Impera em nadinhas, em poalha,
Em chuva miudinha de aguarelas,
Mas… Céus! Quem tal diria!...
É uma poesia de comércio,
Uma poesia a dar dinheiro
Em fio certo, bom caudal,
Dinheirinho, hei, o feiticeiro,
Poesia século XX, afinal…



A Praça assim é que vale!
Sou dos desta teoria!
Vejo pouco? Vejo mal?
Saiba quem lê quem escuta:
Pois contei como a via,
Nesta clara descrição:
É isto a Praça da Fruta,
Esta a minha opinião…


Ah! Não! Não! Isto é um esquema,
Mármore meu dum próximo poema.



Luís Rosa Bruno
Gazeta das Caldas, 12 de Novembro de 1957

[Ao Joaquim Saloio, sempre generoso na cedência da sua colecção de postais, os meus agradecimentos.]

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Comentários:

Maria disse...
Não conhecia este texto...Foi preciso chegar ao oitavo postal para ver, lá ao fundo, o prédio onde nasci..Como era diferente dos tempos de hoje, a praça da fruta...Um abraço

10 de Junho de 2007 2:02

Luis Eme disse...
Brilhante...
10 de Junho de 2007 21:07

Café Literário


Salir d'Outrora
15 de Junho (sexta-feira) - Café Literário
Autor Convidado: Carlos Marques Querido
Apresentação. Nicolau Borges
Edição: PH - Estudos e Documentos
Como sempre, no Café Pópulos no Parque D. Carlos I
Horas: 21,30
Loja 107, partilhando leituras - Loja 107 partilhando leituras - Loja 107 partilhando leituras

quinta-feira, 7 de junho de 2007

56.ª Página Caldense

OS MUTILADOS DE SACAVÉM
OS OFICIAIS DO SEU REGIMENTO



[Folheto com 15 páginas numerdas + capas. Ilustrações de Rafael Bordalo Pinheiro. Litografia Guedes . Tipografia Castro e Irmão, Lisboa. Data de edição: 1886. Dimensão: 16,00 x 24,00 cms. Textos de Thomas Ribeiro / José Ferreira da Cunha Júnior / Rodrigues da Costa / Zeferino Brandão / Silveira / V. J. de Pina Vidal / Amilcar Pires / Assis de Carvalho / Plinio Pires / Juzarte Caldeira / Ramos da Costa.]

55.ª Página Caldense

A FÁBRICA DAS CALDAS DA RAINHA
RAMALHO ORTIGÃO
Caldas da Rainha, 1957


"Acabo de visitar a fábrica de faiança organizada há cinco anos por iniciativa de Rafael Bordalo Pinheiro, e volto no mais profundo estado de desalento e de consternação. O que eu acabo de contemplar, com o mais triste desânimo do meu coração, com o mais doloroso espanto dos meus olhos, é o vestígio do mais bárbaro e mais cruel golpe que pode ferir uma indústria." [...]



[Sem editor identificado. Impresso na Tipografia Ideal, Calçada de S. Francisco, 13 a 13 A em Lisboa. Julho de 1957. Artigo-Extracto da correspondência do autor para a Gazeta de Notícias, Mandado imprimir no ano de 1891 por um amigo de Rafael Bordalo Pinheiro. Dimensão: 16,50 x 21.00 cms. 31 páginas numeradas + capas. Extratexto com a reprodução do busto do autor da autoria de Mestre Leopoldo de Almeida. Prefácio da autoria de António Montês, Director do Museu Provincial de José Malhoa.]
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Comentários:
Matilde disse...
Cara Isabel CastanheiraEste livro é editado pelo Museu Provincial de José Malhoa, identificado, na capa, com o respectivo logotipo, que retoma as linhas do alpendre da sua fachada. Bjs Matilde Dia de Santo António, em Paris
13 de Junho de 2007 23:22

quarta-feira, 6 de junho de 2007

54ª Página Caldense

CALDAS - ÓBIDOS
ALCOBAÇA


[Folheto tripartido. Impessão a preto. Edição S.N.I. Lisboa, 1948. Fotografias: Alvão, Benoliel, Marques da Costa e E. Portugal. Desenhos de Manuela. Dimensão quando aberto: 34,00 x 17,20 cms.]

Um Gato das Caldas

Gato em Cerâmica
Atelier Cerâmico Visconde de Sacavém (1892-1896)

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Comentários:

Maria disse...
Ai ai, a paixão pelos gatos.........
10 de Junho de 2007 2:08

53.ª Página Caldense



A RAINHA D.LEONOR
(1458-1525)
CONDE DE SABUGOSA
[...]
"A Princezinha que certamente ignorava as proezas amorosas do turbulente D. João, a esse tempo estava em Beja, com sua mãe a Infante D. Beatriz,, ambas entregues aos aprestos para a boda.

Não revestiu esta cerimónia um aspecto aparatoso com pompas e festejos públicos. Os dois consortes eram já casados. As núpcias realizaram-se em 1472 com simplicidade, em família, entre Príncipes e gente da terra, consistindo a solenidade na entrega da noiva por sua mãe "que tudo lhe deu ao Príncipe em muita perfeição."

D. Leonor teve então os dias mais felizes da sua existência.

Era moça, e a sua formosura, que todos os contemporâneos celebram sem lisonja, trazia cativado agora o príncipe, sem que o perturbassem outras preocupações.
[...]
Em Évora decorreram esses primeiros dias, que ela ao longo da vida havia de recordar com tanta saudade."

Conde de Sabugosa (Páginas 34 e 35)

[1.ª Edição:Portugália Editora - Rua do carmo, 75, Lisboa.Data de edição: Agosto de 1921. Impressão: Imprensa de Manoel Lucas torres - Rua do Diário de Notícias, N.º 61, Lisboa. 380 Páginas numeradas + capas. Dimensão: 19,00 x 24,00 cms. 15 estampas em extratexto.]

Intimidades à Varanda

Amores, algures nas Caldas ...

[Fotografia de Margarida Araújo]
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Comentários:

Maria disse...
D-E-L-I-C-I-A É o que se chama ter a máquina mesmo a geito...
10 de Junho de 2007 2:09

terça-feira, 5 de junho de 2007

Shakespeare de Visita às Caldas

Pelas 10 horas da manhã, já tudo estava pronto para receber tão ilustre veraneante.

Shakespeare chegou; poisou os seus livros na Esplanada com o seu nome.

As Professoras Cândida Zamith e Filomena Vasconcelos, apresentaram as peças "Comédia de Equívocos" e "Ricardo II".


Os Actores

Emília Silvestre

e

Jorge Pinho

deram vida às palavras do dramaturgo.


A obra ficou para todo o sempre ...


[Shakespeare para o Século XXI - Obra Dramática Completa
Ricardo II, William Shakespeare, Introdução, tradução e notas por Filomena Vasconcelos - Campo das Letras, ISBN 972-610-555-2
Comédia de Equívocos, William Shakespeare, Introdução, tradução e notas por Maria Cândida Zamith, Campo das Letras, ISBN 972-610-840-3]

segunda-feira, 4 de junho de 2007

52.ª Página Caldense

DIÁRIO (I-VIII)
MIGUEL TORGA

"Caldas da Rainha, 1 de Setembro de 1939

O dia foram estas horas intermináveis dos tratamentos e dos arrefecimentos depois deles na sala, a ouvir a história doméstica de metade de Portugal (a outra metade já ouvi o mês passado em Monte Real). É espantosa a tendência do português para a promiscuidade! Chega a umas termas, senta-se, volta-se para o vizinho da direita e, sem dizer água vai, conta-lhe a vida. Hoje escutei tais coisas a uma viúva asmática, que me esqueci da garganta, da pneumonia possível, de tudo, e saí desvairado para a rua a encher os ouvidos e a alma da intimidade do silêncio."
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"Caldas da Rainha, 7 de Setembro de 1939

Óbidos. A quinta humana mais bem cercada que a Idade Média nos deixou."
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"Caldas da Rainha, 11 de Setembro de 1939

PAZ

Calado ao pé de ti, depois de tudo,
Justificado
Como o instinto mandou,
Ouço, nesta mudez,
A força que te dobrou,
Serena, dizer quem és
E quem sou."
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"Caldas da Rainha, 12 de Setembro de 1939

François Villon no cinema. O filme é bastante mau, mas que maravilhosa coisa é ter tido um Poeta assim! Eu cá, pelo menos, sou por ele. A roubar, a matar, a jogar às escondidas com a forca, a amar perdidas e honestas, - sou por ele. No fundo, no fundo, entre um honrado cidadão e um bandido que seja Poeta a valer, sempre vou pelo Poeta. Sempre deixa um «Testamento» depois da morte..."
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"Caldas da Rainha, 14 de Setembro de 1939

Tinha começado o dia desta maneira:

Não me digam que não, que não sou eu
Este que vive aqui ao lado dela...
Este que certo dia amanheceu
Com a luz de outra vida na janela...

E afinal acabei-o como dantes, torturado, perdido na minha solidão."
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"Caldas da Rainha, 15 de Setembro de 1939

As Fusées de Baudelaire. Decididamente, não pertenço a semelhante raça. Aquilo, de resto, não é nada, a não ser o fígado a dar sinais de si. Ao pé de um Tolstoi, de um Morgan, de um Rilke, coisas assim parecem realmente vómitos biliosos."

Miguel Torga

[Coimbra, 1995. 2 Volumes. Edição cartonada. Execução Gráfica G.C. - Gráfica de Coimbra.]

Esta página caldense é especialmente dedicada aos meus visitantes/leitores da região de Aveiro.

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Comentários:

J. Serra disse...
Magnífica descoberta essa, a de um Torga a banhos nas Caldas em 1939. Merece um Café Literário (reconstituir o ano termal nas Caldas, lembrar Torga, reler os seus poemas). Vamos a isso?
5 de Junho de 2007 0:49

Isabel Castanheira disse...
Fico muito satisfeita por te dar a conhecer um facto caldense até então desconhecido para ti.É uma boa ideia; Vamos trabalhá-la. Cafés, recordações, poesia e Torga, que falta? Isabel
6 de Junho de 2007 10:10

51.ª Página Caldense

SONETOS ERÓTICOS
Giorgio Baffo
Ilustrações de HUGO PRATT


ADOLESCENTE PORTOGNESE DA CALDA DA REINE

(No canto superior direito da página pode ler-se a seguinte inscrição: Sentimental Mood D.E. - Página 37)

[Fenda Edições.1.ª edição - 1998, Setembro. Tradução e Nota de Abertura José Colaço Barreiros. ISBN 972-9184-94-1. Tiragem de mil e quinhentos exemplares. Colecção: Fenda magnifica 1. Impresso em Milão por Grafiche Alma.]

Esta página caldense é especialmente dedicada aos meus visitantes/leitores das belas ilhas dos Açores.

domingo, 3 de junho de 2007

A Verdadeira Larva dos Livros

- Afinal, a verdadeira larva dos livros é esta.

[O Século Cómico - XXIII Ano - N.º 1168 - Segunda feira - 10 de Maio de 1920
Autor: Rocha Xavier]

Esta página é especialmente dedicada à Maria.
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Comentários:

Luis Eme disse...
Ao que parece, apesar do nome filosófico do actual presidente do conselho, a ignorância continua na ordem do dia.São as escolas que fecham; é a manipulação cada vez menos velada das noticias; é o regresso da cultura para as élites, etc.
5 de Junho de 2007 12:16